quarta-feira, 13 de março de 2013

ANDEBOL - CÉSAR VASCONCELOS EM ENTREVISTA


 
César Vasconcelos, é o técnico da equipa júnior de andebol. Um homem calmo e consciente das dificuldades que a participação no escalão principal, lhe tem apresentado, mas simultaneamente, consciente das hipóteses de manutenção.

Sabia de antemão das dificuldades que iriam encontrar nesta fase da época, como analisa a participação da equipa? A situação está mais difícil do que esperava?
Estão mais difíceis, claro que estão. Esperávamos ter nesta altura mais três/quatro vitórias e não ter tantos resultados desnivelados, como temos tido. Por este prisma, está a ser uma surpresa, embora pela negativa, a nossa participação na prova.
  
O Boavista apresenta na sua equipa três ou quatro jogadores juvenis, enquanto os outros apresentam jogadores que jogam nas equipas seniores. Isso, não desequilibra mais a prova?
Sim. Nós temos habitualmente a jogar três jogadores do escalão de juvenis, curiosamente, um do primeiro ano, outro de segundo e ainda outro de terceiro ano de juvenis. Fomos agora, buscar mais um jogador desse escalão, o guarda-redes, o Antero, também de segundo ano. Sabemos que é complicado quando jogamos com equipas, com atletas que jogam nos seniores e que conseguem adquirir um traquejo competitivo muito forte. Nós também os temos, mas num nível mais baixo, que outros clubes como, Porto, ABC e outros clubes. Enquanto os nossos seniores estão a disputar a terceira divisão, alguns dos atletas juniores dos clubes adversários, estão a disputar a segunda e primeira divisão nacional. É uma diferença muito grande de ritmos de competição. A meu ver, o nível e ritmo do campeonato da primeira divisão de juniores consegue ser superior ao nível do campeonato de seniores da terceira divisão, o que faz com que haja uma maior diferença de ritmos competitivos entre nós e alguns dos nossos adversários. No entanto, o nosso objectivo é mantermo-nos e posteriormente, com os conhecimentos que vamos adquirindo, penso que estaremos muito competitivos nos próximos anos e até (já) no próximo.

Esse objectivo, passa pela manutenção?
Tudo isto, irá por água-abaixo, se não conseguirmos assegurar a manutenção, porque se o conseguirmos iremos receber os actuais atletas de juvenis que virão consolidar este projecto, tornando o andebol do Boavista sustentável e altamente competitivo.

Tem que continuar a trabalhar, para esse objectivo?
Sim, nós trabalhamos bem, só que os resultados não têm sido positivos. Fazemos análise de vídeo, fazemos musculação, realizamos quatro treinos semanais. Nós treinar, treinámos e espero que o resultado desse trabalho apareça com o tempo, mesmo a curto tempo. Dou o exemplo, de um dos últimos jogos, em que ao intervalo, estávamos a perder por seis com o Águas Santas e tínhamos perdido sete situações de contra-ataque. Temos debatido esse ponto e sabemos que a nossa situação passa pela eficácia, ou falta dela, no aproveitamento dessas jogadas de contra-ataque. Temos que melhorar nesse aspecto.


O plantel era o pretendido no início, ou ficaram algumas aquisições desejadas por fazer?
Nós estamos a falar de juniores e não é habitual realizarem-se contratações. Mesmo assim, tivemos sete entradas novas no clube. Tenho que concordar, que também contactamos outros atletas que não conseguimos fazer com que eles ingressassem na nossa equipa. Depois de começar a época, assumimos que é este o nosso plantel para a disputar o campeonato.

Se me permite, na análise que fiz aos jogos que restam disputar, haverá três/quatro jogos de perder, mas será nos outros que terão que assegurar a manutenção. Concorda com esta minha visão?
Ninguém joga para perder, mas temos que assumir que há alguns jogos que será muito difícil conseguir a vitória e há outros jogos que são contra equipas que nós chamamos do nosso campeonato. E no chamado “nosso campeonato” já perdemos alguns jogos que devíamos ter vencido. Falhamos em casa com a Sanjoanense e falhamos agora, fora com o Alavarium e, de certa forma, com o Espinho em casa, sendo ainda duvidoso com o Gaia se eles serão superiores ou não. Tenho a ideia que devíamos ter vencido os dois jogos com o Gaia. Devíamos ter vencido. Claro que todos quisemos vencer os jogos, mas não fomos competentes para o conseguir.

Nesse percurso de treinador de formação, sente independentemente do resultado final da prova. Que formou alguns jogadores, a quem reconhece evolução em alguns atletas?
Estamos a falar da fase final da formação de atletas. Estou cá há um ano e meio e já verifico evolução em alguns atletas. Alguns que eram da equipa da equipa juvenis do ano passado e jogavam na equipa de juniores, outros que eram do primeiro ano de juniores da época passada. É claro que se nota evolução técnica em vários atletas, sendo que é mais difícil notar essa evolução nestas idades do que quando eles são mais novos. Mas nota-se evolução, por exemplo na baliza, notei evolução no guarda-redes do ano passado que este ano já é sénior, o Bernardo. Houve evolução em vários atletas que eles próprios reconhecerão. Mesmo com os juvenis, nota-se uma grande evolução ao traze-los "cá a cima", evoluem na forma de estar no jogo (aspecto mais táctico), assim como nas soluções técnicas.

Duas realidades,  a nível de resultados entre os dois escalões…
Realmente, temos aqui uma dicotomia. Os juvenis só com vitórias em todos os jogos e os juniores com a maioria de jogos com derrotas. Mas a aprendizagem que se faz é completamente diferente, mesmo com derrotas, a aprendizagem que se faz nos juniores é bastante superior ao que se consegue nos juvenis, mesmo vencendo. A nível de mentalidade competitiva, os juvenis que sobem a juniores conseguem evoluir mais e com mais consistência.

Na próxima época, independentemente da divisão em que estiver, a época será mais fácil, pelo conhecimento e evolução. Concorda?
Dificilmente vamos sentir as dificuldades que temos conhecido. Primeiro, porque já temos um ano de adaptação. Segundo, porque alguns atletas que vieram este ano de clubes de menor nível competitivo e exigência, já estarão igualmente mais adaptados à nova realidade. Estes reconheceram que temos um nível competitivo e exigência, que não se equiparava ao que estavam habituados. Estamos a falar de ex-atletas do CPN do Lusitanos, etc… atletas que jogavam para perder por pouco mesmo numa segunda divisão. Aqui e apesar de eu ser muito exigente com eles e mesmo tendo perdido vários jogos, tenho a certeza que a exigência de treino é muito superior ao que estavam habituados.


Uma pergunta traiçoeira, para si. Considera positivo o seu trabalho, nesta época independente de conseguir ou não a manutenção? Seria mais positivo para si, estar na segunda divisão vencendo sempre, ou nesta divisão mesmo com muitas derrotas?
Essa pergunta, faz todo o sentido porque me apanha numa situação que nunca tive na vida, que é a situação de tentar ganhar e chegar a esta altura da época e nem sequer conseguimos 50% de vitórias nos jogos disputados. Isto é um facto que me obriga a colocar muita coisa em causa, como é evidente. Será que o problema sou eu? O que é que está mal aqui? Se era melhor, estar nos juvenis ou nos juniores? Eu gosto de estar a disputar a primeira divisão nacional de juniores, sou provavelmente o treinador mais jovem desta competição. O nível competitivo desta prova, é muito elevado e permite-me evoluir como técnico. É sempre uma aprendizagem e uma formação, que nós treinadores também vamos fazendo. A própria gestão em jogo é completamente diferente, a preparação dos próprios jogos, também é muito diferente e faz parte da minha aprendizagem. Eu não sou um treinador veterano e tenho de aproveitar estas experiências para evoluir.

Um treinador de formação, em formação?
Sim, é mesmo isso e penso que é positivo! Todos nós gostamos de ganhar e eu também gostava de estar a ganhar todos os jogos. Também a mim me ia fazer falta este ritmo competitivo, portanto, colocando na balança o sucesso de resultados numa 2ª divisão, ou o insucesso de resultados numa 1ª divisão, o resultado deve ser semelhante.

Tudo passa por marcar mais golos que o adversário?
Fundamentalmente é isso que decide o resultado final.

Entrevista realizada por Manuel Pina

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