quinta-feira, 4 de julho de 2013

PROFESSOR JOSÉ MACHADO, REGRESSA AO VOLEIBOL DO BOAVISTA

Quem conhece a história do voleibol axadrezado conhece o professor José Machado que venceu tudo o que havia para vencer no passado glorioso do Boavista FC na modalidade.
Com o início de um novo ciclo na modalidade, dentro do Bessa, José Machado regressa ao comando da nau axadrezada.
O Campeão que venceu mais de 95% dos títulos do Boavista

Marcamos uma entrevista para uma esplanada na foz, mas a nortada (ontem) enviou para o interior de um estabelecimento digno de ser visitado. Não foi só uma entrevista, porque a ela se seguiu uma preparação de toda uma época, já que fomos acompanhados do Vice-presidente, Eng. António Marques.

Vamos então conhecer José Machado.

Comecemos por ai, quem é o cidadão José Machado?
Sou professor de educação física na escola Carolina Michaeles. Tenho formação nas áreas de futebol e de voleibol, mas principalmente no voleibol. Estou na modalidade desde setenta e oito e tenho os cursos de primeiro, segundo e terceiro grau.

Antes de técnico, foi jogador de voleibol?
Fui atleta, mas um atleta de nível fraco, treinei e joguei no CDUP e Fluvial, portanto nunca me considerei um atleta de tope.
Modéstia?
Não, rigor de técnico.

O professor tem uma passado riquíssimo, já verifiquei que quer evitar falar dele –mas vai regressar à casa em que tudo venceu e vou “obriga-lo” a recordar esses tempos. Ora conte lá, um pouco dessas conquistas.
Grosso modo, sublinho… conquistamos! Nada se conquista individualmente. Conquistamos uma série de Campeonatos Nacionais da primeira divisão, Taças de Portugal, Supertaças. A nível internacional estivemos em várias competições onde chegamos aos  quartos-de-final da Taça Confederação Europeia de Voleibol – comparado actualmente a uma Liga dos Campeões – e na Taça da Confederação, também chegamos, por duas vezes, aos quartos de final. Penso que temos um assado rico, não lhe vou enumerar quantos títulos porque não os sei de cor… cinco ou seis Taças de Portugal, supertaças, umas poucas e fomos também os campeões do segundo lugar. (risos).
Porque diz isso?
Porque temos dez ou onze segundos lugares, numa situação em que haviam equipas que tinham um poderio superior ao nossos, tendo seis/sete estrangeiras. Nós discutíamos sempre até à última mas haviam depois pequenas coisas que… bem que nos colocava no segundo lugar. Diz-se que o segundo é o primeiro dos últimos mas também fomos dez ou onze vezes segundo.
Conversando com o Vice_presidente

O professor continua à defesa, mas eu sou atacante. Sei que foi Seleccionador Nacional, Verdade?
Sim fui seleccionador Nacional de Juniores, onde acabamos em terceiro numa poule de seis.
Excelente resultado do voleibol a nível internacional…
Sim, creio que sim. Fui também Seleccionador de seniores, durante umas quatro épocas, mas não me peça datas que eu não quero errar.
Vamos lá para universos da pantera.

O Regresso
Diga-nos o que é que consegue tirar do sossego de um sofá, uma homem que já venceu – por diversas vezes – tudo. O Engenheiro António Marques, o amor ao clube, ou o bichinho do Volei?
É tudo junto. Primeiro, a pessoa que me faz o convite que foi o eng. Marques a quem eu seria incapaz de dizer não! O clube que em si que me diz muito e depois, claro, o bichinho da competição. Ainda penso que tenho capacidade para fazer coisas engraçadas e por isso, estou aqui para tentar ajudar.

Traz consigo algum adjunto para formara a equipa técnica?
Trago um homem que é mais que um adjunto, trago o  Nuno Costa, que já trabalhou comigo no Boavista e volta comigo e vou contar com a colaboração de uma treinadora que é a Sara Gomes.

O trabalho do professor vai ser restrito à equipa sénior, ou também se estenderá um pouco à formação?
Primeiro de tudo, nós precisamos de nos organizar, para ir de encontro aquilo que são os objectivos do Boavista, que são nas diversas modalidades, estar no primeiro nível competitivo. Vamos fazer um apanhado do que há, eu conheço pouco ou nada da actual situação, passaram já sete ou oito anos que eu saí do Clube e por isso estou um pouco desfasado do momento actual e da realidade. Depois de ter conhecimentos, vamos em conjunto com os outros treinadores definir uma estrutura que consiga abarcar a parte formativa da formação e a parte competitiva.

Mas tem alguma ideia preconcebida sobre o assunto?
É nossa ideia, pegar já em alguns valores emergentes e poder ter um período de tempo para durante a semana poderem trabalhar em conjunto, mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.
Pensando a resposta diplomática

O Boavista
Como está o plantel, formado ou em construção?
Estamos ainda a construi-lo, digamos que nesses aspecto o conhecimento que eu tenho é muito pouco. Do anterior plantel, houve atletas nucleares que saíram, como seja a central a Catarina Liz e a distribuidora, a Mafalda. Vamos ver se conseguimos colmatar essas baixas e mais alguma que ainda venha a acontecer. Essa é a  nossa grande interrogação, embora ainda seja cedo, é o primeiro problema a resolver.

Uma situação muito diferente do passado, tem a noção disso?
Absolutamente. Eu no passado tinha todo o conhecimento, porque a equipa do Boavista apareceu de uma forma sustentada, da formação da escola Carolina Michaeles e depois foi só desenvolve-la. Portanto, não tendo, neste momento essa base sustentada, temos que a criar e iremos cria-la aos poucos.

Não é trabalho para um ano…
Não. Isto é um trabalho para implementar durante um período superior e construir um conjunto de regras que nos possa. Ao fim de alguns anos, voltar a sonhar com os primeiros lugares.
Mas a realidade actual… (interrompeu-nos)
São completamente adversas e diferentes, eu sei disso!

Quais os objectivos desportivos?
Primeiro organizar uma equipa, torna-la competitiva, torna-la solidária e depois, os nossos objectivos serão jogo a jogo. Se pudermos ir tão longe, que nos permita sonhar nós vamos. Se não der para sonhar, há que criar os alicerces para no futuro o conseguirmos, juntando gente jovem ao grupo e acreditando que se não neste ano há-de ser no outro e acabar lá em cima.

O clube irá regressar no futebol ao escalão máximo. Pode ser em 2015 quase o regresso do grande Boavista isso pode coincidir com o renascimento (permita-me o termo) do voleibol.
Espero que sim, para alegria de todos.

Quantos treinos quer realizar por semana?
Eu precisava de treinar todos os dias, mas sei que é utópico, vamos ver se com três ou quatro sessões semanais conseguimos cumprir os nossos objectivos.
Trocando ideias com o Vice
Se puder escolher qual o pavilhão em que prefere jogar?
O Fontes pereira de Melo, é o pavilhão dos Boavisteiros! Depois que deixamos de ter pavilhão este é o nosso pavilhão, portanto, quero jogar nele, queremos estar junto aos adeptos e junto ao coração do Clube. Em termos de espaço para jogo é claramente superior ao Pêro. Nesse aspecto, conto com o trabalho do director Artur Nunes e com o engenheiro Marques.

Já conhece o novo director?
Sim, falamos regularmente os dois e estamos a trabalhar em sintonia.

O Voleibol
Como vê o voleibol feminino nacional?
Sou um pouco suspeito para falar disso, eu continuo a pensar, que ou se trabalha mal a formação ou a formação é muito mal aproveitada. Quando vejo na primeira divisão feminina jogadoras com quarenta e seis e quarenta e sete anos a jogar… alguma coisa não vai bem. Sinto que a formação no nosso país não tem sido rentabilizada, eu deixei o voleibol de primeiro nível à cerca  de oito anos, continuo a ver quase as mesmas jogadoras nas selecções nacionais, algumas delas que ajudei a formar como atletas e sinto que, a nível de atletas de valor, não aparecem com a quantidade que seria de desejar. Nesse aspecto, o nosso voleibol não tem evoluído.Os campeonatos nacionais estão mais pobres, menos competitivos, limitam-se a uma duas equipas, ainda há cinco seis anos era uma campeonato com quatro equipas a lutar com objectivos agora limita-se a duas equipas.
Soluções?
Fazer alguma coisa para inverter este estado de coisas, e para isso, é apostar na formação.
Não passa muito pela coragem dos treinadores para lançar essas jovens?
Obviamente, temos que apostar na formação e lançar jovens, mas para isso, temos que formar bem.

Os quadros competitivos, esta época serão alterados?
Não. A segunda divisão será disputada da mesma forma da época passada. Em três fases.

Não considera que seria mais competitivo se as houvesse apenas uma serie a norte e outra a sul, em vez de duas em cada zona que obriga a uma repetição de jogos?
O ideal seria criar uma zona norte com oito equipas e outra igual a sul, mas talvez se prejudicasse tudo pela falta de competitividade no decorrer do campeonato. Desta forma, a prova tem três fases e acaba mais equilibrada, mas o ideal seria uma série.

Que treinador vão descobrir as jogadoras do Boavista que eu conheço pela solidariedade e garra que poem no jogo. O Pardalejo era extrovertido, exigente  e amigo. E o José Machado?
Também sou extrovertido, também sou ambicioso, também sou impulsivo e amigo, portanto, não vai mudar muito do que elas tinham e estavam habituadas. No entanto, eu como conheço mal a realidade, tenho que primeiro entrar nela para depois puder opinar. Mas espero que a gente tenha guerreiras e solidárias. O voleibol é uma modalidade que exige muito do grupo, as individualidades só por si, não resolve nada. Espero que estejam dispostas a trabalhar, para atingirmos o que desejamos que é o primeiro lugar.

Entrevista 


de Manuel Pina



quarta-feira, 1 de maio de 2013

ENTREVISTA COM O VICE-PRESIDENTE DAS AMADORAS , ENG. ANTÓNIO MARQUES


Passados três meses após a tomada de posse desta Direcção está na hora de fazermos um primeiro balanço. Antes de nos debruçarmos sobre as Modalidades Amadoras vamos falar um pouco de outras questões importantes.

 Como viu a recandidatura do  Dr. João Loureiro á Presidência do Clube? 
Enquanto adepto incondicional do Boavista recebi, com agrado a notícia da sua candidatura a Presidente da Direção. Já era minha convicção (e continua a ser) que se trata da melhor solução possível para que a recuperação do Boavista F.C. possa vir, de facto, a acontecer. Apesar de tudo o que foi dito ao longo dos últimos anos relativamente á sua gestão enquanto Presidente do Clube entre 1997 e 2007, a minha opinião foi sempre a mesma: cometeu erros como todos cometem (isso só não acontece a quem nada faz, nem tenta fazer), mas o saldo final foi claramente positivo (sendo uma realidade, que o Boavista F.C. se começa a impor como um dos principais Clubes nacionais em várias Modalidades, particularmente no futebol profissional, na gestão do major Valentim Loureiro, os seus maiores sucessos desportivos aconteceram no periodo da presidência do Dr.João Loureiro).
Acrescento ainda que relativamente á construção do Estádio do Bessa Sec. XXI, se tivessemos sido tratados pelas autoridades competentes em plano de igualdade com os outros Clubes nacionais com estádios próprios, a situação financeira do Boavista F.C. seria completamente diferente da atual realidade.

Como Boavisteiro queria que fizesse uma análise pessoal ao momento que o Boavista  atravessa. (Revitalização e possível regresso á 1ª Liga no futebol profissional). Concorda que é um momento crucial na vida do Boavista? Que resultados, espera destes pontos?
No que diz respeito ao programa em curso no Clube (PER – Plano Especial de Revitalização) é prematuro tecer qualquer tipo de comentário. Naturalmente que se trata de um momento crucial da vida do Boavista F.C. e acredito que com a capacidade e o empenhamento dos Elementos directivos directamente envolvidos nesta questão (Presidente e Presidente-Adjunto) o vamos ultrapassar positivamente.
Na questão do “Boavista F.C., Futebol SAD” e o anunciado regresso ao principal campeonato português, estando todos os processos judiciais cíveis e desportivos resolvidos a nosso favor, aguardo com natural ansiedade que todas as Entidades envolvidas estejam á altura das suas responsabilidades de forma a que este regresso, de facto, se concretize.

Foi em tempos passados o Vice-Presidente das Amadoras (no mandato do actual presidente). Posteriormente recusou fazer parte de listas para o mesmo cargo e agora regressou. Que (ou quem ) o fez mudar de ideias?
Não está correto. Durante a Presidência do Dr. João Loureiro fui sempre Diretor-Ajunto do Vice-Presidente das Actividades Amadoras, Eng. Paulo Garcez. De facto, viria a exercer esta função durante os oito meses da gestão do Eng. Joaquim Teixeira e durante cerca de um ano na primeira direção de Álvaro Braga. É público que, posteriormente, não aceitei continuar na Direção, por razões que também na altura própria foram devidamente explicadas.
Em relação ao meu regresso nesta altura, ele deveu-se fundamentalmente aos seguintes factos:

- Ter sido convidado directamente pelo Presidente
- Considerar ter conhecimentos e capacidades para o exercer
- Á minha condição de adepto incondicional do Boavista F.C.
- Acreditar na capacidade e no empenhamento do Presidente, condições que considero fundamentais para ultrapassar este momento dificil da vida do Clube.

Quantos anos, esteve ausente do cargo de Vice-Presidente das Amadoras? E que diferenças encontrou na gestão do sector?
Saí em Junho de 2009 da Direção do Clube (entrei para os Orgãos Sociais em Fevereiro de 1991 onde exerci até Outubro de 2007 a função de Diretor-Adjunto do Vice-Presidente das Atividades Amadoras, Eng. Paulo Garcez. De Outubro de 2007 até Junho de 2009 passei a exercer a função de Vice-Presidente).
Naturalmente que são muitas as diferenças que agora existem relativamente ao período de maior fulgor do Clube (até 2003) e também são relevantes em comparação ao momento da minha saída da direção (Junho de 2009). Não tenho a mínima dúvida do forte empenhamento dos Responsáveis directivos que me sucederam (José Chalupa e Prof.José Santos), mas as precárias condições existentes no Clube que desde 2003 até á data se agravaram, contribuiu decisivamente para essa situação.

Para que se possa ter uma ideia do que tem vindo a acontecer nas Modalidades Amadoras desde que, por imperativos da construção do Estádio do Bessa Século XXI, foi demolido o Pavilhão Dr.Acácio Lello, o Ginásio de Alto Rendimento da Ginástica e todas as infraestruturas então existentes, passo a informar alguns dados referentes ao número de Atletas federados no Clube nos últimos tempos:
            - em 2003 as Modalidades Amadoras tinham inscritas mais de 2.000 Atletas
            - em 2009 esse número baixou para cerca de 1.400 Atletas
            - Actualmente temos cerca de 900 Atletas
Obviamente, esta diminuição no número de Atletas inscritos deve-se fundamentalmente á degradação das condições de trabalho existentes provocadas pelo desaparecimento dos seus espaços nobres (pavilhão e ginásios) e também á forte crise financeira que se instalou no Clube e que impediu o seu natural desenvolvimento.

Aproveito ainda para realçar que, apesar de todas estas enormes contrariedades, o Boavista F.C. continua forte e respeitado nas suas várias Modalidades em actividade e tal só é possível pelo empenhamento e  dedicação fantástica de todos os Diretores, Seccionistas, Atletas, Pais, Adeptos e muitos outros Colaboradores que, por amor ao Clube e/ou ás Modalidades têm vindo a conseguir ultrapassar muitos dos obstáculos que vão aparecendo diariamente nos seus caminhos. E esta forte dedicação tem vindo a ter expressão plena nos excelentes resultados desportivos obtidos já nesta época e que é de elementar justiça realçar:
   -  A subida á 1ª Divisão Nacional da equipa sénior de Futsal, quando ainda faltam disputar 4 jogos !!!
  - Os excelentes resultados de todos os escalões de formação de Futsal com o destaque na atual participação nas Taças Nacionais dos escalões júniores e Juvenis após terem sido Vice-Campeões distritais.
  - A excelente carreira da equipa sénior de Voleibol que irá disputar nos próximos dias 26, 27 e 28 de abril a “final-four” para disputa do Título Nacional da 2ª Divisão Nacional e consequente possibilidade de subida á 1ª Divisão Nacional.
   - Bons resultados globais nos vários escalões etários de Andebol
   - Vários títulos nacionais e distritais individuais e Título Nacional coletivo em Boxe
  - Um Título Nacional individual em Ginástica Ritmica e vários lugares de “pódio” nesta modalidade
    - Um Título Nacional individual em Judo  
    - Excelentes resultados no Karaté
    - Excelentes resultados em Futebol Adaptado e Tiro Adaptado
    - A clara melhoria nos resultados da equipa sénior de Hóquei em Patins

Informamos ainda que, a muito curto prazo, iremos “arrancar” com o “Kickboxing” como uma nova Modalidade no Clube.

 Pode fazer um resumo, das principais iniciativas que tomou neste três meses?
A tomada de posse desta nova direção aconteceu no inicio do ano de 2013, ou seja praticamente a meio da actual época desportiva. Para além disso, como já referimos, o Clube no final do ano transato aderiu ao “Plano especial de Revitalização” (PER), o que implica um esforço enorme no sentido de conseguir demonstrar que é possível concretizar um plano de recuperação credível com acordo dos seus principais credores.

Nesse sentido, a nossa principal preocupação nestes primeiros tempos tem sido sensibilizar todos os Diretores e demais Elementos envolvidos nas Modalidades Amadoras do Clube no sentido de conseguir a maior ““autonomização” financeira possível para assegurar o seu normal funcionamento. Naturalmente que com as dificuldades logísticas do Clube e com a necessidade permanente de recurso a aluguer de espaços para treinos e competições em várias das nossas Modalidades, tivemos de “inventar” de imediato soluções para angariação de receitas que permitissem fazer face a esses custos sem necessidade de recurso á tesouraria central do Clube. Assim tomamos algumas iniciativas, entre as quais destacamos:
 - Planificamos e quantificamos as várias possibilidades de “sponsorização” de todas as Modalidades e respetivos escalões etários.
  -  Lançamos  um grande sorteio com extração no S.João.
         - Reunimos com a Associação dos Amigos do Boavista e solicitamos o seu apoio.
 - Criamos um novo espaço (ginásio) para aumentar a nossa “oferta” (em particular com novas aulas de “Yoga” e “Pilates”)
 - Realizamos através do Departamento de Ginástica um “Sarau” no Carnaval
 - Acordamos com a “Porto Lazer” uma nova “parceria” que nos irá “ajudar” no futuro na redução de alguns valores necessários para os alugueres de pavilhões
 - Acordamos com a “Associação de Voleibol do Porto” a realização do Torneio “Gira Volei” no nosso Estádio (9 e 10 de junho), permitindo-nos reduzir os valores das inscrições da nossa equipa de Voleibol na próxima época desportiva.
- Planificamos um novo grande Sarau que se irá realizar no dia 5 de Maio no Pavilhão dos Congressos de Matosinhos.


Pode tornar publico quais os valores que são necessários para os treinos e jogos das Modalidades Amadoras?
Os treinos e jogos da equipa sénior de Futsal são realizados no Pavilhão “Infante Sagres” através de uma negociação directa feita com este Clube pela direção do Departamento de Futsal no inicio da corrente época.
Temos também um “protocolo” com as Escolas “Maria Lamas” e “Clara de Resende” que nos permite algumas horas de treino semanais de Andebol e Voleibol.
Para além dos casos acima expostos, as nossas Modalidades de pavilhão têm necessidade de recorrer para treinos e jogos aos Pavilhões da “Porto Lazer” e podemos referir que o valor médio mensal necessário varia entre os 3.500€ e os 4.000€ (depende muito do número de jogos que disputamos em nossa “casa” e do número de dias úteis mensais), ou seja, o valor/época que necessitamos para aluguer dos pavilhões necessários aos nossos jogos e treinos das várias Modalidades aproxima-se dos 50.000€ .
Naturalmente que existem muitos outros custos envolvidos nas Modalidades (inscrições, policiamento, deslocações, taxas de arbitragem, ...)

Com as medidas tomadas, estão assegurados os pagamentos até ao final da época?
Tendo como dado adquirido que o sorteio em curso corresponderá ás nossas expectativas e que o próximo “sarau de ginástica” será um sucesso, consideramos que a época em curso será práticamente assegurada sem grande “turbulência”. Queremos, no entanto referir e realçar, que para esta nossa convicção  muito contribuiu a excelente cooperação da “Associação de Amigos” que muito nos tem ajudado em várias necessidades, muito em particular nos custos mensais com os alugueres de pavilhões. Queremos de forma sincera agradecer públicamente á sua Direção todo o apoio prestado e dizer também que, enquanto Vice-Presidente e principalmente enquanto Adepto do Clube, lamento profundamente a atuação da anterior Direção do Clube quando, de forma absolutamente incompreensível, lhes retirou o espaço ocupado pela sua Sede. Como temos conhecimento que esta situação já foi abordada pela sua Direção em reunião com o Presidente do Clube, Dr.João Loureiro, estamos totalmente convencidos que esse problema irá ser muito em breve resolvido.
Sobre esta questão queremos também referir que, no passado, se dizia existirem Diretores do Clube que “não gostavam” e até “hostilizavam” a “Associação de Amigos”. Conhecendo os Elementos que constituíam e ainda se mantêm na sua Direção e tendo a certeza da sua paixão pelo Clube e da vontade que manifestam em colaborar na procura de soluções que viabilizem a manutenção da sua actividade nobre (a sua actividade desportiva), não podemos acreditar que tal possa ter acontecido (ou então, estaríamos perante Diretores do Clube apenas interessados no seu protagonismo e muito pouco preocupados com a Instituição que deveriam defender). Todos temos de entender, que o Boavista F.C. precisa de união e da ajuda de todos os que realmente estão interessados no seu sucesso. Não temos a mínima dúvida das nobres intenções que presidiram á criação da Associação de Amigos e da sua grande importância para o Clube. O seu actual apoio é a melhor prova.     

Uma das medidas publicas que é do conhecimento geral, foi a passagem do Futebol Feminino par o sector do futebol e o regresso do Futsal ao sector das Amadoras. Quer explicar quais as razões que o levaram a tomar tais medidas?
Resultou basicamente de uma acordo que realizamos com o Vice-Presidente do Futebol de Formação, Ricardo Silva. Utilizando o Futebol Feminino e os vários escalões do futebol de formação os mesmos espaços de treino e jogo, a forma mais rápida e eficaz na gestão desta Modalidade seria a sua integração nessa Vice-Presidência. Esse facto foi entendido por ambas as partes e a transferência de responsabilidade foi imediata.
Relativamente ao Futsal, a sua passagem para a responsabilidade desta Vice-Presidência (só durante os 6 meses anteriores é que a situação foi diferente) foi motivada pelas mesmas razões que presidiram á passagem do Futebol Feminino para a responsabilidade do Futebol de Formação, ou seja, sendo os espaços de treino e jogos desta Modalidade comuns ao Voleibol e Andebol, não faria sentido outra solução.

Vamos partir com pensamento positivo e considerar que o Plano de Revitalização é concretizado e o Futebol Profissional regressa ao primeiro escalão do futebol nacional.  Esses factos terão, em sua opinião, alteração no desenvolvimento e futuro das Amadoras?
Naturalmente que esses dois factos que nomeou são fundamentais para o futuro de todo o universo Boavista.
Relativamente ao PER, temos fortes esperanças que tenha um desfecho positivo. No entanto, temos de ter a consciência plena que, mesmo após concretizado, vai continuar a exigir de todos um grande rigor e empenhamento para mantermos em actividade de forma saudável e com sucesso desportivo as nossas Modalidades.
No que se relaciona com o futebol profissional, julgamos que hoje é quase unânime no País que o Boavista tem de ser reposto no lugar de onde nunca deveria ter sido excluído e também, financeiramente, ser devidamente indemnizado pelos graves prejuízos que foi vítima. Esperamos que tal aconteça e, naturalmente, todo o Clube irá beneficiar desse regresso á normalidade.


A forma atual de sobrevivência das Amadoras está esgotada, ou podemos continuarcom esta “ginástica” de gestão mais quantas épocas?
Pelas razões que anteriormente tivemos oportunidade de referir, neste momento existem muitas incógnitas relativamente ao futuro do Clube, em particular nas condições que poderão vir a existir após a conclusão dos processos em curso. Como é normal, todos nós ambicionamos o melhor para as nossas Modalidades (condições de trabalho, equipamentos, acesso aos melhores Técnicos e Atletas, ...) de forma a podermos “conquistar” para o Clube os melhores resultados desportivos e uma grande notoriedade. O passado recente e o presente não têm permitido ter acesso a tudo o que ambicionamos. No entanto, também já demonstramos que o Clube pode contar connosco para “lutar” com todas as forças para aguentar esta dificil situação, porque também sentimos que o Clube tem futuro. Respondendo concretamente á pergunta que coloca, o presente do Clube é difícil  temos a plena consciência que vai continuar a ser difícil  mas não vamos capitular. Temos esperança que o futuro nos vai recompensar.

O que considera indispensável para a sobrevivência das modalidades no Boavista?
Acima de tudo a disponibilidade e motivação de todos aqueles que, apesar das contrariedades sentidas, continuam a trabalhar e a “lutar” diariamente em prol do Clube.
Naturalmente que a nossa ambição passa por recuperar as condições logísticas que já tivemos no passado (nomeadamente Pavilhão, Ginásio de competições) e que o Clube possa ter outras condições financeiras de “apoio” ás Modalidades que nos permitam também concretizar outros objectivos (no presente, todas as nossas energias são direcionadas na angariação de receitas que possam fazer face ás necessidades existentes). 

Entrevista de


Manuel Pina

quarta-feira, 27 de março de 2013

JUDO - ENTREVISTA COM O MESTRE PEDRO PINHEIRO



O Judo, teve sempre, no Boavista, um lugar de destaque entre modalidades inseridas no quadro da Ginástica. Depois de uma paragem, o Judo foi relançado há alguns meses pela mão de um apaixonado pela modalidade, de nome, Pedro Pinheiro. Este professor de trinta e cinco anos é responsável pela secção e foi com ele que tivemos uma conversa para conhecermos, mais ao pormenor, o Judo no mundo da pantera.

Quando se iniciou como atleta e  a dar aulas de Judo?
Iniciei-me no Judo, como atleta, em mil novecentos e noventa e quatro e a dar aulas em, em noventa e sete, nesse caso, só a crianças pequenas. Desde dois mil e um que dou treinos de competição.

Em que clubes têm dado as suas aulas?
Primeiro no Clube Judo do Porto, em seguida no Infante Sagres e agora, no Boavista.

Que grau tem?
Sou terceiro dan.

O judo esteve parado por uns tempos no Boavista. O senhor recomeça a sua actividade há cerca de um ano. Foi difícil esse recomeço de actividade? Como conseguiu formar as suas equipas?
Sabia que o anterior professor tinha deixado o clube e considerei, que seria uma oportunidade para apresentar o meu trabalho no clube, sabendo que o Boavista é um clube muito grande, apresentei uma proposta para trazer para aqui o Judo. O Boavista aceitou a minha proposta e aproveitei alguns atletas do meu clube anterior e iniciei a actividade no clube. Mas temos aqui muitos atletas novos, graças à publicidade que fizemos, distribuímos cerca de vinte mil prospectos e começamos a actividade.
Alexandre silva na luta que lhe deu o Título Nacional
Mas foi difícil?
Começar e recomeçar, nunca é fácil e começar a sério, só começamos em Setembro. O início foi Junho/Julho mas aulas a sério, considero que foi só em Setembro.

Quantos alunos, tem neste momento?
Temos entre cinquenta e sessenta alunos.

Esse número é suficiente, ou por outro lado, as turmas podem crescer? Qual é o limite que aceitas como inscrições?
Neste momento e com as aulas que temos abertas, penso que poderemos ter cerca de cento e vinte atletas confesso que neste momento, está um pouco abaixo que o que esperava, mas talvez devido à crise, os números estão a cinquenta por cento do que podemos conseguir.

A calendários para atingir metas?
No final do ano queremos ter sessenta, para o ano terminar com cerca de oitenta/noventa e em dois mil e quinze atingirmos os cento e quinze/vinte.

Vamos falar de valores. Quais os custos, para o ingresso de novos atletas?
Estamos, actualmente a reavaliar os valores com que inicialmente partimos como base, para este projecto. Para as crianças mais pequenas, podemos divulgar porque já o baixamos este ano e por isso, o iremos manter é de trinta e dois euros por mês, para três aulas semanais de actividade. Para os outros valores, acho não ser coerente anunciar, para já, pois como já referi iremos baixar um pouco dos praticados agora, porque a crise, também se faz sentir nesta modalidade. Após análise cuidada, anunciaremos os valores definitivos a apresentar para a nova época.

Vamos falar dos treinos. Quantos treinos semanais, se as turmas são separadas e quanto tempo de treino por aula?
As turmas são separadas, por idades e classes. Apesar de hoje em dia, as pessoas verem o Judo como uma arte Marcial, um judo é mais que isso, para nós o Judo é um desporto. Mantendo aquela parte das artes Marciais, com uma visão Oriental, da ética e da moral, também temos uma organização como qualquer, outros desportos. Para isso, temos que dividir os alunos por classes. Temos uma classe de crianças de quatro a seis anos, temos outra dos sete/oito/nove anos, outra ainda, dos dez aos treze e depois, temos a classe de competição. Todas as classes têm três aulas, sendo que os atletas de competição têm que trabalhar todos os dias.

Todos os dias?
Quem quer ser um atleta campeão tem que trabalhar, pelo menos, uma vez por dia.
Festejando o título Nacional com Alexandre Silva

O Judo é uma modalidade de combate, ou uma modalidade espiritual e de exercício de agilidade?
O Judo é muito grande. Pode ser só uma actividade de combate, pode ser só uma actividade apara as pessoas relaxarem de um dia de trabalho, para as crianças é uma actividade de formação e educação, pode ser muita coisa simultaneamente. Podemos estar todos na mesma aula, com objectivos diferentes, porque as técnicas de Judo são sempre as mesmas. Os objectivos com que as treinamos é que podem ser diferentes, quem estiver mais interessado em defesa pessoal, se calhar vem treinar mais técnicas de defesa pessoal, quem estiver interessado em competição tem que treinar essas técnicas. Considero, por tudo isto, que tem mais a ver com a intenção da pessoa que pratica de que com actividade em si.
Posso dar um exemplo, temos aqui um senhor com sessenta e dois anos, que começou a praticar este ano – passei-o esta semana para cinto amarelo – que pratica só para estar inserido num grupo de malta mais jovem. Nesse mesmo treino, temos dois jovens que trabalham para serem campeões nacionais e fazem o mesmo que esse senhor.

Vamos esclarecer. O Judo e o Karaté são diferentes. Muito ou pouco?
Vou ser sincero. Eu percebo pouco de Karaté. São jogos muito diferentes e acho que as pessoas comparam porque andamos todos de fato branco. O Judo e Karaté são mais diferentes que o futebol é do andebol. No futebol marcam-se os golos com os pés, no andebol é com as mãos. No Judo só há socos e pontapés, só para estudar a defesa pessoal e é só praticado por alunos numa fase muito avançada de competição e formação. No Karaté não há projecções até porque o tapete é muito pequeno. A única coisa em comum é mesmo, andarmos de fato branco, termos ambos cintos pretos e terem vindo ambas do Japão. As pessoas associam esses factos, mas são modalidades completamente diferentes.

As condições que tem para o seu trabalho, são as ideais ou precisa de algumas melhorias a curto prazo?
Eu trabalho todos os dias para melhorar as nossas condições, mas sinceramente, o que precisamos, hoje em dia são coisas pequenas. Temos no Boavista condições fantásticas, temos no clube o maior tapete de Judo da zona norte de Portugal. Temos um grande apoio médico que é prestado pelo Doutor Pinto Sousa e pelo senhor Sobreiro, deixo aqui as minhas homenagens a estes dois Senhores, no Judo esse apoio é fundamental, principalmente para atletas de competição. Embora o Judo não seja um desporto de combate, por vezes acontecem lesões, por exemplo, na natação também não suposto alguém se magoar, mas as lesões acontecem. O que temos permite-nos fazer todo o trabalho que precisamos no Judo.

Satisfeito por isso, com as condições oferecidas?
Posso dizer-lhes que seremos dos clubes nacionais com melhores condições para praticar a modalidade.

Falando de competição. Qual o momento actual do Boavista nas competições?
O nosso projecto engloba o facto de termos atletas que façam Judo de Alto Rendimento. O trabalho que vimos a realizar há uns tempos, por mim e atletas que me acompanharam de outros clubes e atletas até, de outros países, faz-me afirmar que estamos a chegar ao patamar desejado. Para além deste que referi, temos um grupo de cinco/seis atletas que querem ser … atletas de alta competição. Atenção que entre o querer e o ser, vai uma diferença muito grande. Temos um atleta que pelos resultados se tem feito notar a nível nacional, foi Campeão Nacional de juniores de 55 kg, que é o Alexandre Silva. Para as pessoas terem a noção das coisas, temos que dizer que no distrito do Porto, há mais de vinte e cinco anos que não havia um campeão nacional de Judo nesta classe. E na zona norte um campeão masculino, já não há mais de vinte e cinco, ou seja o que este atleta conseguiu é um feito extraordinário.
Mesmo extraordinário que quase ninguém se apercebeu…
Para além do Alexandre, temos mais um atleta da sua idade, o João Mota, a quem infelizmente, o campeonato nacional não correu pelo melhor, que é um atleta que treina e se esforça tanto como o Alexandre, mas o campeonato de Judo é ingrato, porque é um dia só. Tudo se joga naquele dia e um simples lance pode deitar tudo a perder. Basta acordar mal disposta, basta um erro, enquanto, por exemplo, na ginástica ainda tenho mais dois aparelhos para poder recuperar, no Judo isso, não existe!
Voltemos ao João…
É um atleta que treina muito, aliás estes dois atletas estão neste momento, no estágio da selecção Nacional de Juniores. Estão na secção de Portugal a treinar com as selecções do Brasil, Canadá e Noruega, durante esta semana da Páscoa em Coimbra. Depois destes, que são os nossos pontas de lança, quero destacar a Joana Baptista, que apesar de ser o seu primeiro ano de Cadetes, (sub 18) apesar de só ter 14 anos… é uma atleta que o ano passado foi medalhada, no campeonato Nacional de sub15. Este ano foi a atleta com melhor resultado da sua categoria. No conjunto de todos atletas que fazem quinze anos este ano, ela ficou em quinto lugar! Todas as outras que disputaram as medalhas com ela, faziam dezassete anos. A Joana tem uma capacidade de trabalho fantástica.

No futuro a curto/médio que eventos, tem programados?
Há um quero destacar. É um evento que nos é caro, organizado pelos clubes da zona norte que é o evento denominado, por Liga Luso-Galega, realizado por jornadas. O nosso objectivo não é ganhar, mas proporcionar aos nossos atletas seniores que não são de competição, tenham um momento de competição, sem ser uma competição de Alto Rendimento. A próxima jornada será a 30 de Março e a última a 20 de Abril aqui no Porto. Todos lutam contra todos e por exemplo na última jornada vencemos a académica de Coimbra um dos clubes mais fortes do nosso país. Mas fruto do nosso treinador (eu) perdemos depois com as equipas mais fracas. Porque todos lutam, sem apostar no primeiro lugar, para isso temos o campeonato Nacional, isto é uma prova para ganhar conhecimento competitivo e todos participarem.
É um incentivo para o trabalho?
Sim, o lema é, divirtam-se e depois vamos todos jantar. Gostava de salientar mais uma prova que espero ver os nossos atletas convocados pela selecção nacional, que é o Torneio de Juniores Teresa Herrera, que se disputará na Corunha. Caso não sejam convocados pela selecção Nacional, nós iremos marcar presença representando o Boavista, porque este torneio é de nível europeu. Para além destas, temos mais competições agendadas, mas estas são as mais relevantes.

Entrevista de

Manuel Pina