sexta-feira, 13 de novembro de 2015

CARLOS SIMÃO, COLOCA O DEDO NAS FERIDAS

Carlos Simão, coordenador da formação do Voleibol, reconhece, não ser um homem fácil, mas ser um homem frontal, em todos os momentos e sobre todos assuntos. Foi com este homem, um pouco desiludido, com a posição de algumas pessoas, mas seguro da sua verdade, que realizamos uma entrevista, dura, em que todos os assuntos foram versados, sem hesitações.



Nota do editor: Chegamos a ponderar dividir a entrevista em duas partes, mas tememos que se perdesse o contexto, e definitivamente, apostamos na publicação na integra numa única peça. É  a maior entrevista do Amadoras e, a mais dura, toda ela baseada na defesa de “uma crítica construtiva”. Só os grandes, assumem sem reservas o que sentem.

Após, os primeiros meses da chegada ao Boavista, a pergunta que lhe coloco, é. Já se adaptou ao Clube ou as pessoas com quem trabalha já se adaptaram a si?

Eu assumi, começar a trabalhar no Boavista em finais de Junho, mas a meio desse mês, realizei algumas reuniões técnicas, por isso, estou no Boavista há quatro meses. Quanto à minha adaptação tenho que referir que encontrei, alguns contextos diferentes. Encontrei dirigentes, com ambição, com vontade de reerguer o Voleibol do Boavista, nas pessoas do Engº António Marques, do Artur Nunes, do Fernando Pereira, que entrou posteriormente, do Manuel Tavares e do Ivo Brito, que neste momento, já não faz parte do corpo diretivo. Vi em todos eles, uma grande ambição de trabalhar e reerguer a modalidade num clube que noutros tempos foi um GRANDE do voleibol nacional, e que nós queremos que volte a ser.

Quando o conheci, o seu trabalho era um misto de treinador/coordenador/dirigente/funcionário. Já terminou cessou as funções que não são de âmbito técnico?

Para que não fiquem dúvidas algumas, gostava que enaltecer a grande dedicação e trabalho que o Fernando Pereira e o Artur Nunes têm tido no departamento, e que poucos há como eles, no entanto, para a dinâmica e ritmo que se pretende implementar são precisos mais, mas que tenham as mesmas ideias e ideais que nós. 
Em relação à sua pergunta, eu não considero que fui dirigente ou funcionário, tentei ajudar a acelerar situações para que o clube começasse a época em condições, tal como o pavilhão pronto, os campos marcados, as inscrições das atletas efetuadas, enfim, um conjunto de coisas em que eu ajudei apesar de não serem funções minhas….foi preciso…..e em relação a este aspeto, não posso esquecer a grande ajuda do Sr. Pina e do Fernando Pereira, que dentro da sua disponibilidade me ajudaram muito em todo este processo.

Regista, muito em pormenor, esse facto, mas noto nas suas palavras, um sentimento mais negativo. Estou errado, na análise?

De certo modo, mas o que encontrei foi uma secção totalmente desorganizada, sem estar a querer desvalorizar os meus antecessores. A nível de trabalho, muito pouco trabalho visível nas diferentes equipas, pouca disciplina de treino e poucos hábitos de treino. 
Estamos a verificar até uma assiduidade muito maior aos treinos do que no passado, e isto eu sei porque as atletas me transmitem, e para nós é bom saber isso, é sinal que as miúdas estão motivadas e entusiasmadas com esta nova dinâmica. Houve, necessidade de reorganizar muita coisa, ou a maior parte delas. Isso, foi uma realidade muito complicada e que ainda está, mas que a pouco e pouco se tem desvanecido…..têm sido etapas aliciantes de superar.


Esperava outra realidade?

Esperava, realmente outra situação, esperava que as coisas estivessem um bocadinho melhor, porque os treinadores que cá estavam, tinham capacidade para estarem no Boavista, agora também reconheço que as condições de trabalho eram outras. Nós, neste momento, temos condições de trabalho, muito superiores às que existiam em anos anteriores e assim, reconheço as dificuldades que os treinadores que cá estavam sentiam e encaravam para trabalhar.

Mas, muitas dessas melhorias, devem-se ao ritmo e objetivos que impôs na preparação desta época. Sendo, o principal responsável dessa melhoria de condições, por que razão se sente desiludido? Volto a questionar. Já se adaptou?

Não! Não me adaptei, nem me vou acomodar, porque o meu ritmo é este e é meu próprio. É um ritmo, que institui nos clubes por onde passei e onde tive muitos sucessos desportivos. No Vila Real (onde fui 2 vezes vice campeão nacional – Juvenis e Juniores Femininos), onde me iniciei, no Castêlo da Maia quando lá estive na formação masculina entre 1994 e 1997 e onde conquistei um título nacional de Iniciados Masculinos (1995/96), na AA Espinho, entre 1997 e 2005, 8 anos magníficos e onde fui campeão e vice-campeão nacional de Juniores Masculinos, e depois já na equipa de seniores masculinos, contribuí na subida à 1ª divisão nacional. Passei também pelo Esmoriz GC, onde estive presente na fase final de Juniores Masculinos, tive uma intervenção direta na formação do Tiago Violas como distribuidor, e que é hoje um dos distribuidores principais da seleção nacional masculina, e  depois estes últimos 7 anos, no GDC Gueifães, onde fui vice campeão nacional de Juvenis Femininos, 4º classificado na fase final de Juniores Masculinos e nos dois últimos anos fui treinador principal da equipa de Seniores Femininos na 1ª divisão nacional, e que obteve o 5º lugar em 2013/2014 e o 4º lugar em 2014/2015. 
Tenho uma dinâmica muito própria, não sou uma pessoa simpática e reconheço que não sou uma pessoa fácil. Não sou fácil para os atletas, não sou fácil para os dirigentes, não sou fácil para os pais, eu reconheço tudo isso, mas nunca na minha vida tratei mal ninguém e os resultados em 29 anos de carreira como treinador estão aí, à vista de todos….Uma carreira que me orgulho imenso, como é também para mim um orgulho orientar e trabalhar num clube como o Boavista FC e trabalhar ao lado de um dos melhores e mais carismáticos treinadores do voleibol português, que é o Prof. José Machado. E numa reunião geral que tivemos de departamento, onde estiveram todos os treinadores, diretores e seccionistas, referi um ponto importante, que há um conjunto de situações, que me levam a dizer, que neste momento não sei se a minha contratação foi uma boa ou má aposta…...


Uma má aposta? Troque isso, por “linguagem inteligível”.

Má contratação, porque passados estes meses, ainda não consegui começar a trabalhar como Coordenador Técnico, dedicar-me ao trabalho dentro do departamento, discutir com os colegas treinadores aspetos relacionados com o treino, uma vez que tenho que ajudar noutras vertentes, como disse anteriormente, as pessoas que temos no departamento são VOLUNTÁRIOS inexcedíveis, mas não conseguem fazer tudo…..são pouco e teremos que arranjar mais gente. Porque se isso acontecer, posso afirmar, que não faltará muito tempo para o Boavista dar o salto para a ribalta, porque aqui dentro há uma coisa….VONTADE E DETERMINAÇÃO, e isso existe em poucos clubes. Agora temos que dar tempo para as pessoas se irem ajustando, agora ajustarem-se à minha dinâmica e ao meu “speed” desculpe a expressão, não é fácil…..mas é possível, e é isso que eu quero e o que eu ambiciono.

Então posso deduzir que está desiludido com esta situação?

Acima de tudo, sinto-me cansado. E sinto-me cansado porque há este trabalho de retaguarda que eu também tenho que ajudar a fazer e quando chego à hora do meu treino, tenho vontade de ir embora….há dias que me falta energia para o treino.
Eu tenho a noção que estou afastado da família, tempo demais. Passei aqui todo o mês de Julho, parte do mês de Agosto, com a grande ajuda do Manuel Pina e do Fernando Pereira como já disse. O Artur ajudava de outra forma e de acordo com a sua disponibilidade. Roubei muitas horas à família - isto, poucas pessoas, sabem - e, ainda lhes roubo muito tempo.
Os treinos começam no Irene às 18h30 e eu chego lá pelas 17h30, para preparar toda a logística necessária para o treino. O único dia que não estou no pavilhão é à sexta-feira, porque tenho compromissos profissionais naquela que é a minha atividade principal….professor de educação física. Tudo isto, acaba por provocar um desgaste e a juntar a tudo, tenho os meus jogos ao fim-de-semana.

Esses jogos, são a razão do trabalho semanal. Como treinador, não está a conseguir tirar ”prazer” de dirigir os jogos?

Prazer tiro sempre….eu gosto disto e gosto de ver a evolução das miúdas de jogo para jogo. Tenho é que me preocupar também com a logística inerente ao jogo em casa, montar e desmontar a rede, preparar o campo, enfim questões que nós sabemos que temos que fazer, e aqui os pais têm ajudado imenso porque também estão lá e ajudam a montar e desmontar….não são todos….direi que…são sempre os mesmo, e a eles lhes agradeço MUITO…eles sabem quem são. 
O Boavista é um clube, em que me sinto bem, não posso dizer o contrário, as atletas TODAS me respeitam, 98% dos pais respeita e apoio o meu trabalho como treinador e como coordenador..…sinto-me bem, mas é um Clube que ainda não funciona ao meu ritmo. Isto não é uma crítica destrutiva, é uma crítica construtiva. Mas devido á minha personalidade, tudo tenho feito para pôr isto a andar mais depressa, e estou em crer que conseguirei…espero ter energia e força para isso.

Eu já o vi, “perder” horas a explicar a sua posição a certos pais. Esse cansaço, advém das miúdas, das críticas dos pais ou da falta de apoio de dirigentes?

Diretamente, sobre os dirigentes, que são dois, o Fernando e o Artur têm-me dado 500% de apoio incondicional, sobre isso não há dúvidas. Mas a dinâmica que implantei é muito forte e por vezes eles até “abanam” (sorrisos…). Mas tentam….mas são apenas dois. Tivemos agora uma entrada feliz da D.Graça que está a dar apoio particularmente à equipa júnior e que nos vai dar uma grande ajuda também ao departamento. Considero que vai ser uma seccionista para o futuro. 
Temos em perspetiva também, a entrada de um pai de uma atleta infantil, que  vai aliviar algum trabalho. Temos, também, o Manuel Tavares, que é muito importante, já que resolve toda a logística da equipa sénior, conseguindo libertar o Artur e o Fernando, para outros trabalhos. Temos também 2 pais da equipa de juvenis que vão dando apoio principalmente nos jogos o que também é já muito positivo. 
Precisavamos de uma pessoa para ajudar de mais perto nas cadetes para libertar o Artur para outra funções puramente diretivas e abrangentes, uma vez que ele cumulativamente às funções de diretor é também o seccionista das cadetes, aliás como também o Fernando é em relação às infantis. Com mais uma ou outra pessoa, eles os dois poderiam ser aliviados para outro tipo de trabalho mais interno. Depois ainda falta o minivolei, uma vez que o Fernando é o diretor responsável do minivolei….ainda mais este….diretor adjunto do departamento, do minivolei e seccionista das infantis…..é difícil, mas acredito que vamos dar a volta a isto. E é por esta sobrecarga que eles têm que eu por vezes acho que eu é que estou a andar depressa de mais e em algumas alturas a um ritmo diabólico. Veja os torneios, realizamos 2 finais de semana inteiros de voleibol, com todos os escalões exceto o minivolei, tivemos cerca de 40 equipas cá presentes, e graças ao trabalho de treinadores, dirigentes e de alguns pais, eu diria mesmo, “sempre os mesmos”, fizemos que o torneio fosse um sucesso. 
O Boavista voltou a ser falado…reapareceu como alguns treinadores de outros clubes me disseram….é excelente ouvir isto.
Relativamente ao resto, tenho muita pena que os pais não entendam – estou a falar de percentagem de 1 ou 2%, que são uma percentagem mínima – que não entendam, repito, as opções que tomamos nós treinadores nos jogos, que não entendam as opções que fazemos nos treinos e critiquem de uma forma deselegante.
Digo, deselegante porque o fazem de uma forma indireta e, eu preferia - como já aconteceu com outros pais – que viessem ter connosco e nos confrontassem com factos para podermos argumentar sobre alguma coisa. E eu quando falo em falarem connosco, não é sobre opções ou questões técnicas, porque aí nem pensar….as decisões são nossas e mais nada. Mas há alguns, que não fazem, simplesmente criticam e eu pessoalmente começo a questionar se realmente vale a pena, estar aqui tanto tempo e roubar tanto tempo à família, para trabalhar com as “filhas dos outros”.

Mas isso, não é exclusivo no Boavista. Já sentiu essa injustiça noutros clubes?


Não, claro que não, penso que é uma questão de falta de cultura desportiva. Situações como estas fazem pensar e refletir. Não nos dois últimos, porque nesses estive com a equipa sénior do Gueifães e o tipo de problemas a resolver são de outro tipo, mas na formação há isto.

Mas está na formação de novo. Porquê, se os pais não mudam?

Adoro a formação….adoro ver as atletas crescer…evoluir e a superar etapas…é fantástico para um treinador. Aquilo que me prende? Tenho uma grande lealdade para com as minhas equipas. 
Adoro as miúdas Cadetes, adoro as miúdas Infantis, e apesar de não ser o treinador delas, adoro as Juniores e Juvenis. Tenho uma empatia muito grande por essas miúdas, sinto-me respeitado e sinto que acreditam naquilo que estamos a fazer, mas não me posso esquecer do minivolei que apesar de não estar muito próximo delas uma vez que só tenho hipótese de as ver às 3ª feiras, não deixo de ir falando com os treinadores sobre o trabalho que vai sendo desenvolvido. Isto porque deixo o sábado de manhã para acompanhar, pelo menos uma vez por semana, o meu filho ao treino de futebol, coisa que não posso fazer durante a semana. E é este sentimento por elas que me acaba por prender. 
O desgaste é imenso, não ponho o trabalho de lado, mas começo a chegar à conclusão que posso vir a não ter força para conseguir levar o barco até ao final da época com esta dinâmica e “speed” como disse antes.

Pensa sinceramente, nesses termos de puder sair no final da época?

Quando falo em puder não ter força para levar o barco até final da época com a dinâmica que tenho, não é porque quero abandonar, mas sim por questões cansaço e alguma saturação.
Ser coordenador, de um clube, quase a começar do zero e treinador de duas equipas de formação, não é nada fácil, mas é um desafio aliciante, e neste momento é isso que me faz aguentar.
Em relação ao sair no final da época, depende de duas coisas. A 1ª será o departamento a fazer uma avaliação do trabalho que fiz e que implementei e daí sair uma decisão final. A 2ª será a minha motivação…..estou no voleibol pelos projetos desportivos que me apresentam. Estava no Gueifães e foi-me apresentado um projeto aliciante pelo Boavista e mudei….e digo que me custou muito mudar, foram 7 anos excelentes que passei em Gueifães, onde deixei atletas e amigos. Por isso o futuro….depende dos projetos que me surgirem e os desafios que me possam aparecer….

A nível de treinadores. Eles foram escolhidos tendo por base o projeto e visão de Carlos Simão, e posterior adaptação? Já se encontram adaptados?

Sinceramente. Nós temos um corpo técnico excelente. Temos grande empatia e entendemo-nos todos muito bem. Partilhamos as atletas em qualquer escalão sem qualquer problema. Acima de tudo eu nunca precisei de “puxar os galões” como Coordenador, para indicar o que fazer, porque eles próprios quando querem inovar me procuram para debater a questão, ou a justificar, explicando porque tomaram essa decisão. Neste aspeto, o Boavista, está muito bem servido.
Todos os treinadores foram escolhidos pelo perfil que possuem. Não conhecia a Profª Rita Melo, que me foi indicada por uma pessoa amiga que foi meu atleta e em quem confio muito. Estou muito contente com o trabalho dela e pelo valor técnico e humano que evidencia.

Durante a realização dos torneios de pré-época tive oportunidade de ouvir alguns treinadores, com diferentes opiniões sobre como se formar atletas. Qual a sua opinião sobre a formação de um atleta?

Podemos ter duas visões e duas vertentes sobre a formação. A vertente lúdica e a vertente competitiva. No primeiro caso, todos temos o direito de ir para os treinos e de ir para os jogos e toda a gente tem que jogar. Na vertente competitiva, toda a gente tem que treinar, mas nem toda a gente tem que jogar. Todo o processo, de treino é um processo educativo. Todas as atletas e pais, também, têm que aceitar, porque é que o treinador não convocou, porque é que pôs a jogar ou porque é que o treinador convocou. Se atleta tem alguma dúvida deve questionar junto ao treinador. Eu, por norma, não dou qualquer explicação ou justificação nem a atleta nem aos pais, há quem o faça, mas eu não tenho essa opção.
O processo formativo de um atleta é, que daqui por sete ou oito anos, nas Infantis e dois anos nas juniores, esteja a jogar na equipa sénior.


Acredita que algumas destas atletas vão cumprir esse objetivo?

Com este trabalho, algumas vão conseguir! Se em cada fornada conseguirmos meter uma nas seniores, teremos os objetivo conquistado. Eu dou um exemplo, quando há dois anos peguei na equipa de seniores femininos do Gueifães, metade da equipa vinha da formação do clube, o que me deixou muito feliz e orgulhoso.

Você, aposta muito na equipa das Infantis. Em que se baseia?

Apesar da nossa equipa de infantis, ter um ano de atraso de todas equipas adversárias, há determinadas etapas na formação de uma equipa que não devemos omitir. Apesar de eu estar preparado para perder a maior parte dos jogos que ganhar, acredito que a meio da época isto se inverta, porque conheço o potencial desta equipa de Infantis. 
Por exemplo, este fim-de-semana, fiquei muito triste com a derrota de 3-2, com o GC Santo Tirso. Eu conheço o grande trabalho que se faz em Santo Tirso, que tem uma equipa que trabalha junta há três anos. A nossa equipa, esteve algo desgarrada e podia e deveria ter ganho….mas os nervos nestas idades ainda valem mais do que a vontade. Mas há etapas que não quero suprimir e nas Infantis, eu não quero suprimir nenhuma etapa. Elas fazem agora o que não faziam há quinze dias e assim continuarão a progredir. Este trabalho tem que ser feito pausadamente e com calma, mas reconheço que é importante ganhar… por elas mesmo. A vitória ajudará muito a sua evolução e estou confiante que as vitórias virão a partir e meio da época. E aqui a Dani, atleta da equipa de seniores femininos tem feito um trabalho notável, uma vez que ela está mais tempo com elas do que eu, pois ao lado estou a treinar com a equipa de cadetes.

Vamos aproveitar e fazer uma análise superficial de todas as equipas?

Passando, então, para as Cadetes, que perdem o primeiro jogo à 3ª jornada em casa com o SC Braga, pelos resultados de 25/23, 28/26 e 19-25, com uma equipa que o ano passado esteve presente na Fase Final do Campeonato Nacional de Iniciadas, representando a Escola de Lamaçães. Esta escola tem feito um trabalho notável em prol do voleibol, que depois do escalão de iniciadas serve a formação do SC Braga. Resumindo, a nossa equipa só não ganhou os primeiros dois sets, por erros provenientes do nervosismo que sentiram. Fiquei triste por perdermos, mas muito feliz pela forma como reagiram e jogaram. Acho que a equipa tem um potencial muito grande e que pode ir vencer em Braga.

Juvenis?
Esta equipa passou muitas dificuldades no ano passado enquanto Cadetes. Recuperamos algumas atletas que tinham desistido a meio da época passada e têm entrado várias atletas novas que nunca foram praticantes. A Profª Rita está a fazer um trabalho notável, de pura formação, embora os resultados acabem por contradizer o que se está a fazer. Nota-se uma melhoria mas temos que saber esperar, porque nada se faz de manhã para a tarde.

Juniores?
Calhou numa série mais acessível, mas nem por isso, tem tirado o pé do acelerador. Eu fui ver o jogo com o FC Infesta, que tem uma equipa mais fraca e as miúdas podiam ter facilitado, mas não o fizeram. Venceram por números grandes porque foram GRANDES e RESPONSÁVEIS.

Depreendo que a nível de mentalidade, as coisas se alteraram?

Completamente. As nossas equipas querem estar presentes no Campeonato Nacional. As miúdas treinam com vontade, determinação, garra e mais do que isso nota-se uma GRANDE união entre as equipas dos diferentes escalões, fruto de estarmos a treinar no mesmo local…em relação a isto tem sido fantástico.

Sei que estão a desenvolver um trabalho de colaboração com estabelecimento de ensino. Que me pode dizer sobre isso?

 O Agrupamento de Escolas Carolina Michaelis, deu uma enorme ajuda na realização dos nossos torneios e posteriormente, ao fazer uma parceria connosco, no sentido de nos possibilitar trabalhar com os alunos da escola, uma vez por semana, durante uma hora. Isto claro está, irá reverter com novos atletas para o clube. Aqui um agradecimento muito especial à Profª Isabel Ribeiro.

Já agora, quer comentar algo sobre a equipa sénior?

Está a fazer um campeonato excecional com uma média de vinte anos. Tem a Fabiana um pouco mais velha do que as outras e o resto são “miúdas”, que têm o futuro nas suas mãos. Se, se criar uma dinâmica mais pragmática em algumas coisas, eu acho que o futuro do Voleibol do Boavista, dentro de três/quatro anos pode ter uma visibilidade maior, que já se está a sentir, porque eu tenho treinadores adversários a vir espiar os meus jogos e alguns a ver os nossos treinos.

Se a parte diretiva se reforçar, acabará por ter mais tempo disponível. E esse desencanto desaparecerá e teremos de novo, o Carlos Simão de corpo e alma?

Não é desencanto, eu ajudo naquilo que posso, mas eu tenho que me preocupar com a minha parte. No caso do Fernando e do Artur, que são pessoas que estão cá sempre mas que sozinhos não conseguem resolver tudo.
Tenho que registar com agrado a aproximação e um pouco mais a colaboração de diversos pais, dos diversos escalões em várias vertentes, porque começam a apreciar o trabalho que se tem feito e aquilo que as equipas começam a mostrar nos jogos....Isto é muito importante para o futuro na criação de um espirito vencedor.
Talvez eu tenha que mudar um pouco a minha mentalidade e velocidade de trabalho, mas neste cinco meses, já se evoluiu um pouco, já se mudaram muitas mentalidades, mesmo que eu tenha ganho alguns anticorpos, mas eu não vou mudar nesse aspeto, quer o pai desta ou daquela não tenham gostado.
Quando as pessoas não estiverem contentes, mandem-me embora. Quando os pais da miúdas, acharem que as meninas estão a ser puxadas de mais que se queixem aos diretores. Mas até lá será à minha maneira. Não gosto de abandonar projetos a meio e este é um projeto para um ano e quando chegarmos ao final do ano, o balanço será feito e se verá o que fazer a seguir.

O departamento sofreu alterações a nível de dirigentes, durante o tempo que cá está?

Quando cá cheguei eram 2 os dirigentes mais o Manuel Tavares que era seccionista. Entretanto entrou o Fernando Pereira, que foi promovido de seccionista a diretor adjunto e saiu um, o Ivo Brito, que apresentou uma justificação a quem de direito e levou a filha para outro clube e saiu.


Os pais, têm que entender que desporto é entrega, esforço e dedicação. Os pais emendam-se?

Alguns pais entendem, outros não. Há pais que muitas vezes arranjam explicações que não consigo entender. Umas vezes por causa de um evento têm que faltar a um jogo, outras por causa de um teste têm que faltar a um treino… as pessoas têm que se adaptar e decidir. Sendo a escola a parte mais importante da vida das miúdas, têm que se adaptar. Se não conseguem isso… deixam o voleibol. Ou se organizam, porque umas vezes preparamos um treino para dez e aparecem quatro atletas, outras preparamos para quatro e aparecem dez. É muito difícil para os treinadores organizarem os trabalhos desta forma. Mas isto tem mudado muito por intervenção dos treinadores.

Acontecem, ainda, essas situações?

Como disse, era a mentalidade que existia e que está a ser alterada, com sucesso. Estou à vontade porque isso nas minhas equipas não acontece, elas vêm sempre todas e praticamente não faltam, e quando faltam avisam quase sempre. E no geral, isso pouco acontece nas diferentes equipas, mas esta observação refere-se à vida do treinador e à falta de cultura desportiva que há. Não se vai pôr o voleibol à frente dos estudos, claro que não, mas faz parte da formação, ensiná-las a encaixar tudo no dia-a-dia delas, e esta é uma das funções dos treinadores e dos pais.
Aliás, vão de certeza surgir momentos em que irão pedir para faltar a um treino para estudar e claro que nós teremos que aceitar, mas o princípio deve ser, ensiná-las a gerir o tempo, e neste aspeto, a vida de atleta imputa muitos sacrifícios, entre eles por vezes abdicar de estar com os amigos numa festa ou num jantar porque tem jogo ou treino, mas a disciplina é isto mesmo.

Vamos ter alguns eventos de registar em breve?

Vamos realizar em finais de novembro ou inícios de dezembro, é uma ação de sensibilização numa das escolas do 1º ciclo do agrupamento Carolina Michaeles, dinamizando o voleibol, e onde muitos dos treinadores do clube estarão presentes, bem como atletas da equipa de juniores e seniores.

Agora mais a frio, como quer terminar sobre o Departamento?

Considero que o departamento está-se a encontrar, está a ficar arrumado, mas tem sido uma tarefa difícil, e temos tido a grande ajuda do professor José Machado.

Deixe-me terminar com um sloggan que habitualmente escreve no final de algumas linhas que escrevo às atletas…

ESTAMOS CÁ…
ESTAMOS JUNTOS….
CONTEM CONNOSCO…
CARREGA BOAVISTA…..

 Entrevista de
Manuel Pina






sexta-feira, 6 de novembro de 2015

CARLOS ANTUNES, UM ÁS PARA A EQUIPA DE BILHAR

Carlos Antunes, um bilharista conceituado que passou a representar o Clube do seu coração, naquilo que lhe parecia um sonho irrealizável. Com a profissão de Comercial e com a idade de 54 anos, recusa ser o às do baralho axadrezado.

Comecemos por identificar o Carlos Antunes. Como nasceu o prazer de jogar bilhar?

O gosto pelo bilhar nasce de um “vício” que era normal antigamente existir… o gosto pelo café. Assim, aprendi num grande café, em que parava muito tempo. Falo de um grande café, de um Grande Boavisteiro, diga-se de passagem, que é o Senhor Pais do Amaral, que era propritário do café D. Pedro na rua quinze de Novembro. 
Foi aí, que aprendi a jogar, essencialmente bilhar livre. Depois apareceu o Ateneu Comercial do Porto, quase trinta anos depois, que só tinha Carambola. O jogo às três tabelas requer muito tempo de aprendizagem, por isso, ainda fiz algumas épocas nesse clube e conseguimos alguns triunfos dignos de registo, entre os quais, fomos  Campeões Nacionais por equipas.

Representou outros clubes?

Andei por aí. Primeiro numa Academia que já não existe e depois noutros clubes.

Como se dá o ingresso no Boavista?

José Alberto, nosso coordenador, que já conhecia há muitos anos, convidou-me para representar o Boavista.

Em que clube estava?

No New Academy, na primeira divisão nacional.

Voltando a trás. O convite agradou-lhe?

Muito. Porque, antes de mais, sou um boavisteiro de sete costados. O projecto do Boavista fez agora um ano, mas está a ter bastante aceitação em todos os adeptos e conhecedores do bilhar e o Boavista, está a ser um clube desejado por muita gente.

Já conhecia os seus novos colegas de equipa?

Todos eles eram já conhecidos. Havia um mais jovem que era filho de um amigo, a quem conhecia mais vagamente, mas os restantes já os conhecia bem., dado que são todos do mundo do bilhar.

O José Alberto, apostou na subida da terceira para a segunda e agora aposta na subida para a primeira. Considera possível?

Permita que corrija. O Boavista não subiu para a segunda divisão. O Boavista foi Campeão Nacional. Quanto à subida, considero possível embora não vá ser fácil, porque esta época há equipas muito ambiciosas, mesmo no distrito do Porto. A nossa grande aposta é subir de divisão, não há promessa de sermos Campões Nacionais, mas a subida de divisão já seria muito boa. Juntando a esta aposta na subida, queremos estar presentes na fase final da Taça de Portugal. São estes os grandes objectivos para a época.

Que número de treinos estão a realizar?

Para já estávamos a treinar uma vez por semana, mas vamos passar a realizar dois treinos por semana, num ambiente muito positivo, porque há grande união e humildade entre todos os elementos da equipa.

Continuam a treinar na Cervejaria Diu?
Exactamente e queria aproveitar, para enaltecer a postura da Cervejaria Diu, como Sponsor da secção. Que para mim tem sido muito agradável e uma surpresa muito grande, tal a forma como nos tratam e apoiam. Estão muito na sombra mas são muito activos. Eu que estou aqui há dois meses, já sinto isso. Há uma conjugação entre a Cervejaria Diu e Boavista, a funcionar a cem por cento.

Mas a aposta do José Alberto é outra. Conhece-a?

Você vai-me perguntar se a secção gostaria de ir para o Século XXI… é um dos grandes objectivos, mesmo sabendo das grandes dificuldades que o Boavista atravessa, mas era muito importante e em vários aspectos. 
Para o Bilhar, pra nós e para o clube que passaria a ter uma sala de jogos no estádio.
Deixe que lhe diga, que seria também muito bom para o bilhar, que continua a ser conectado com uma sala cheia de fumo. Ainda existem salas sem grandes condições, mas já se encontram salas com muitas condições para a prática de um bom bilhar. Há fases finais disputadas em grande salas.

Como se consegue iniciar na categoria de Carambola e passar para o Pool Português?

Na minha geração de anos sessenta, todos os cafés tinham bilhar livre. Eu via o senhor Pais do Amaral, que era grande jogador, a jogar e passava lá horas, só a ver e... a ver, também se aprende a jogar. Na Carambola aprendem-se todas as bases do bilhar, a forma de tacada, efeitos a dar etc…

Mas o Pool é completamente diferente?

O Pool não é só meter bolas nos buracos, como muitos pensam. É um jogo de paciência, é um jogo de defesa, outras vezes de ataque. Umas vezes a defesa sobrepõe-se ao ataque. Felizmente, temos tido uma grande divulgação graças às transmissões da Euro sport, dos campeonatos de snoccker.

Como está  bilhar em Portugal?

Em grande ascensão desde o Porto à Madeira com um enorme aumento de praticantes e com um excelente trabalho da federação. Como em tudo na vida, as Federações não estão a atravessar um bom momento. Pelo que conheço da nossa, considero que está a realizar um bom trabalho. 
É fundamental deixar de confundir o espaço comercial com o desportivo e os clubes conseguirem um espaço liberto da parte comercial, para não se continuar a confundir clubes com cafés.

Voltamos ao Boavista e a uma sala no estádio…
Concretizando essa sala, poderíamos arrancar com uma Escola de Bilhar, para fazermos formação e Works shops e acredito que a aposta do José Alberto se vai concretizar, porque mesmo com esta dificuldades, o Boavista viria a beneficiar dessa situação.

O que representa para um sócio de há nos do Boavista, vestir a sua camisola oficialemente?

Representa muito, mas mesmo muito. O ano passado, estava na primeira divisão e quando soube da existência de uma equipa de bilhar do Boavista, desejei trocar a primeira pela terceira só para vestir essa camisola.

O Carlos Antunes passa a ser a estrela da equipa?

Não nada disso. Isto é um jogo de equipa. Se eu ganhar os meus jogos todos… não ganhamos o jogo, os outros têm que ganhar os seus jogos também. Temos que conseguir atingir as nove partidas para vencer a o jogo. Digo-lhe que a nossa equipa é muito equilibrada.

Representar o Boavista e continuar com ambição é para si, é dois em um?
É verdade. Eu quando encontrei o José Alberto e lhe dei os parabéns pela conquista do título, perguntei se o Boavista não estava a fazer captações, para me candidatar. As cosias passaram-se e aqui estou em no meu clube, mas sendo somente mais um.

Os clubes ficam e as pessoas passam…

Mas quando se ama um clube não se muda. Demorou cinquenta e quatro anos mas chegou a altura de vestir esta camisola. Termino com um pedido. Arranjem lá um espaçozinho para jogarmos no estádio do Bessa.

Entrevista de 

Manuel Pina

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

HUGO TEIXEIRA, UM JOVEM QUE SONHA COM O PROFISSIONALISMO

Hugo Ferreira, é um jovem cheio de ambições sustentadas numa autoconfiança que é evidente a quem com ele conversa. Este atleta, da modalidade de atletismo, mostrou-se calmo, mas confiante num futuro profissional na modalidade.

Que idade tens?

Tenho dezasseis anos e faço dezassete em Novembro.

Quando te iniciaste na modalidade?

Pratico atletismo desde os meus treze anos e vou entrar na minha quarta época.

Em que clube te iniciaste?

No Ginásio Vila-condense, sob a orientação do Baltasar Sousa. Foi o único clube que tive até ingressar no Boavista.

Pelo que vejo, o Baltasar Sousa, foi o teu único treinador?

Exactamente. Quando o Baltasar veio para o Boavista, propôs-me que o acompanhasse e eu, não hesitei, porque confio muito no seu trabalho. Mas não fui só eu que o acompanhei pois todo o grupo do ginásio, o acompanhou para o Boavista.

Qual a tua especialidade no atletismo?

É o meio fundo de 1500, 3000 em pista, mas faço muito corta-mato que é a prova em que me sinto melhor e faço também estrada.

Como tem corrido a presente época?

Os meus melhores tempos, são nos 1500 metros com 4,42 minutos, feitos o ano passado, em pista ao ar livre. Nos 3000, fiquei com 10,20 minutos. Considero que são boas marcas, mas espero melhora-las esta época, baixando para os 9,45, nos 3000 e baixar para os 4,30 nos 1500.

Facilmente se verifica que o atletismo, para ti, não é um passatempo. Que objectivos, pessoais tens?

O meu objectivo é ser atleta de alta competição e ser profissional vivendo para e do atletismo. Sei que vai ser difícil de concretizar e sei, igualmente, que terei eu trabalhar muito e a sério. Mas essa é a minha aposta pessoal, pela qual me irei bater. Para mim, o atletismo, é um trabalho, igual ao da escola a qualquer profissão.

Nesta fase, estudas em que escola?

Estudo na Escola Rocha Peixoto na Póvoa de Varzim e frequento o décimo ano.

Tens uma vida atribulada e sempre a correr. Vives em Vila do Conde, estudas na Póvoa e treinas no Porto. Como consegues conciliar todo este movimento?

Sim, é verdade, tenho que correr muito, mas tenho tudo organizado e consigo ter tempo para tudo, porque, faço isto, com dedicação apostando no ensino e no atletismo. Treino todos os dias e assim, tenho todo o tempo preenchido.

Que provas tens agendadas a curto prazo?

O meu treinador, já me disse que vamos fazer algumas provas no início de Novembro, entre elas um crosse muito importante, que é o Crosse de Torres Vedras, os campeonatos de Pista coberta em Dezembro  e o Regional de corta-mato em Janeiro.

Já participaste em provas a nível nacional?

Já participei em dois campeonatos nacionais de Corta-mato longo. O primeiro, pelo Ginásio e o segundo já pelo Boavista.

Quando corres pelo Boavista, ainda não tens uma equipa, propiamente  dita, corres assim na condição de individual?

Posso concorrer nas provas de corta-mato, mesmo sendo o único atleta do Boavista, e igualmente, nas provas de pistas se, entretanto, tiver os mínimos exigidos para a prova em questão.

Nestes anos, de competição, tens sentido uma evolução pessoal, que te garanta que será possível atingir o teu sonho?

Tenho realmente sentido a minha evolução como atleta, não só com os resultados, mas porque me sinto realmente melhor com o tempo que passa. Sinceramente, acho que estou a evoluir.

Como é que um jovem opta pelo atletismo em vez de jogar futebol, por exemplo?

Eu ainda, joguei  futebol, em clubes de Vila do Conde e Póvoa, mas sempre gostei de correr e sempre corri mais que os outros, por isso, optei pelo atletismo sem sequer pensar duas vezes.

Algum resultado que queiras salientar conseguido há pouco tempo?

Há três semanas atrás consegui o terceiro lugar numa prova de estrada em Esmeriz, que me deixou muito feliz.

Tens altos e baixos na tua aposta de futuro?


Não, não tenho. Porque eu sei que trabalhando bem conseguirei os objectivos e se isso, depende de mim… automaticamente está garantido. Tenho é que treinar e aprender com o meu treinador, que os resultados irão (continuar)a aparecer.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

RUI PEREIRA. ANALISA O PASSADO E PREVÊ O FUTURO

O futsal sénior tem uma época muito difícil pela frente. Rui Pereira, boavisteiro de coração enfrenta uma causa que muitos consideram condenada. Sem medos, mas conhecendo a realidade, Rui Pereira assume a sua “nau” rumo à tranquilidade.


A época passada., foi de grandes esperanças, a presente época, apresenta um sinal oposto. Entre a frustração e o sentimento de inversão. Como analisa a época anterior? Falhou o quê?

Não quer estar a falar muito da época passada, uma vez que não fui o treinador do Boavista todo o ano. Fui somente até Janeiro e depois não acompanhei o clube de perto. Penso que na época passada os primeiros meses de trabalho e o início do Campeonato marcaram a época do Boavista. 
Se os primeiros meses, se a pré temporada e se as primeiras jornadas tivessem corrido melhor, a época do Boavista poderia ter sido a melhor de sempre. 
De notar que em Janeiro, quando saí, decorrida a primeira volta e 3 jornadas da segunda volta, o Boavista tinha 16 pontos, um cenário que não sendo bom, ainda poderia levar aos play off.

O que se pode esperar desta?

A presente época irá se de grande sacrifício, luta, trabalho e sofrimento. Sabemos que vamos perder muitas vezes, ser goleados algumas e ganhar menos do que no passado. Por isso, necessitamos do apoio dos adeptos boavisteiros e fundamentalmente dos Panteras Negras. 
Necessitamos, desse apoio do primeiro ao último minuto, do primeiro ao último jogo, esteja o resultado que estiver. O plantel foi totalmente alterado, sendo actualmente constituído por jogadores da formação do clube e jogadores recrutados nas divisões inferiores, na segunda divisão e nas provas Distritais. Mas a nossa promessa é que irão sempre ver o Grupo a dignificar a camisola.

Porque aconteceu a  saída do Rui Pereira na época anterior?

A minha saída foi um grande erro. Na altura os resultados, as exibições, as dificuldades financeiras entre outros factores levaram a tomar esta decisão. Mas hoje, classifico como um erro e se fosse possível voltar ao passado, tudo seria diferente, mas não é possível. 
Só podemos aprender com os erros e seguir em frente. Felizmente 6 ou 7 meses depois já estava de volta ao Boavista e com a certeza que é aqui que quero estar, é aqui que me sinto bem, é aqui que estão os meus amigos, este é o meu clube, é destas pessoas que eu gosto. 
Há um clube para um treinador e um treinador para um clube, não é possível fugir a isto. o clube é o Boavista e o treinador sou eu. Obrigado António Morais.


Porque se dá este regresso, apesar de saber das dificuldades?

O Boavista, necessitava de treinador e eu queria voltar já. Nem sequer me preocupei com as dificuldades. Conversamos e logo passamos ao trabalho. Sou treinador do Boavista em qualquer divisão e as dificuldades ainda me motivam para trabalhar mais e melhor. É importante ter em conta que é uma relação igual e nos dois sentidos, eu estou a trabalhar no Boavista e o Boavista a ajudar me a mim. 
Não existe aqui ninguém superior ou mais importante, eu dou tudo pelo Boavista e o Boavista faz tudo para me apoiar. O Boavista é enorme. Não existe um vir ajudar numa situação difícil, o que existe é um Grande Clube, no qual os dirigentes pensam que eu sou a pessoa ideal para liderar o Grupo neste momento, como pensou o mesmo em momentos passados.


Todos apontam o Boavista como o maior candidato à descida. Concorda ou não?

É verdade, a modalidade aponta o Boavista como um dos maiores candidatos à descida. Mas a nós cabe-nos contrariar esse destino. Com a ajuda dos nossos adeptos e dos Panteras Negras, vamos alterar o nosso destino e ganhar esta batalha, não vamos descer de Divisão e para nós será como ser Campeão Nacional. Vamos necessitar do apoio de todos, principalmente nos momentos mais negativos, mas vamos alcançar esse feito da manutenção.


O Plantel sendo actualmente constituído por jogadores da formação do clube e jogadores recrutados nas divisões inferiores, na segunda divisão e nas provas Distritais. Será possível contratações ou reforços?

Não me parece. Poderá acontecer qualquer alteração pontual, mas o objectivo da Direcção foi aproveitar as dificuldades financeiras, a falta de apoios externos e até internos para aproveitar mais a formação do clube, para fazer regressar antigos jogadores da formação, para dar oportunidade a jogadores de outras divisões para vir para a primeira divisão. 
Penso que esta estratégia vai ser difícil mas vai ter sucesso. Se tivermos sucesso vai ser um marco na modalidade e no clube e servirá para alterar muito a forma como sempre se fizeram as coisas na primeira divisão, alargando assim a base de recrutamento, dando mais visibilidade a outras divisões e possibilitar a redução dos orçamentos.

Existe uma frase dos marinheiros......quando vão para o mar preparam-se em terra. O navio está pronto?

Não foi possível aplicarmos essa frase muito bem. Tivemos que nos lançar ao mar sem grande preparação e agora vamos ter que nos prepara no decorrer da viagem. 
Mas se tivermos os marinheiros certos, sem medo, com o carácter forte, com qualidades e valores humanos e a ajuda, não me vou fartar de pedir, de todos os Boavisteiros, que serão os nossos bons ventos, de certeza que vamos descobrir o Brasil, ultrapassar o Adamastor e descobrir o Caminho Marítimo para a Índia, ficando assim na Primeira Divisão Nacional.


Deseja ter um Pavilhão cheio a apoiar uma equipa, mas só quando luta pelo título ou um pavilhão de 5, 10 ou 15 pessoas que apoia de verdade uma equipa que luta para não descer.

Desejo ter um pavilhão repleto de boavisteiros, que demonstram o seu estado de espírito, umas vezes mais contentes com a equipa, outras vezes menos. Mas que sabem ajudar nas dificuldades, empurrar a equipa, que vão ter consciência da grande tarefa que este grupo de trabalho terá pela frente. 
Que vão sempre apoiar, mesmos quando as coisas não nos correrem bem, porque vão a cada momento ter orgulho no esforço e na atitude da equipa.

Como me disse um grande amigo, Pantera Negra, apoiaremos sempre a equipa, nos bons e nos maus resultados, desde que os jogadores honrem o emblema e o manto sagrado que trazem vestido.

  

FABIANA SILVA UMA MADEIRENSE COM ESPIRITO DE PANTERA

Fabiana Silva, será a atleta mais experiente da equipa sénior de Voleibol. A atleta, que representava o Belenenses, é natural da Madeira, tem o Porto no seu coração e o espirito da pantera na sua personalidade. Esperançada numa grande época mas consciente da dificuldades que o futuro da prova vai trazer.

Vamos começar por fazer uma apresentação aos adeptos. Quem é a Fabiana Silva?

Sou Madeirense, nascida na cidade do Funchal e tenho vinte e nove anos. Vim para o continente há dez anos, tendo vivido oito desses anos, na cidade do Porto da qual gosto muito e por isso, foi com imenso prazer que voltei ao Porto.

Desportivamente?

Vim do Belenenses, para regressar ao meu primeiro clube do Continente, o Boavista. Joguei cá, no Ala de Gondomar e no Castêlo da Maia.

Como acontece este regresso ao Boavista?

Principalmente por razões profissionais, decidi voltar à terra que, eu gosto, e ao Boavista, clube com que identifico, para dar continuidade à minha carreira no Voleibol e partilhar os meus conhecimentos com as minhas colegas.

Onde iniciaste a tua vida no Voleibol?
No Sport Madeira, que foi o meu primeiro clube. E que por sinal, foi um clube que fez muita frente ao Boavista, durante largos anos.

Sei que és uma líder dentro do campo, mas que muitas vezes substituis essa simpatia e dás um berro dentro do campo. Confirmas ?

Primeiro eu gosto de berrar… depois, o povo Madeirense, é um povo que se caracteriza pela sua raça, que se identifica um bocado com os Boavisteiros. Guerreiros, que lutam pelos seus ideais e a quem ninguém vence.

Para além de atleta da equipa sénior, vais trabalhar nos escalões de formação. Em que condições e com que equipas?

Vou trabalhar com o minivoleibol, numa situação em que me tenho dedicado há alguns anos. Comecei, no Castêlo da Maia, com o minivoleibol “B” masculino e fui mudando até chegar às camadas mais altas. 
Em Lisboa, no Belenenses, mantive esse trabalho, que quero continuar no Boavista. É neste meio, que me sinto bem e, quem sabe, um dia subir até lá acima.

Como nasceu este amor pelo Voleibol?
Eu sempre fui uma atleta de muitos desportos. E quando digo muitos, digo mesmo muitos. Colectivos, individuais, com raquete, sem raquete, com bola, sem bola… houve uma altura, em que jogava futebol, que o meu pai me obrigou a decidir. 
Por opinião de amigas e influência do Desporto Escolar, acabei por optar pelo Voleibol, até hoje.

O que esperas, para a próxima da equipa do Boavista?
Não vai ser facilitada de todo. Nós vamos ter algumas dificuldades, dizendo melhor, muitas dificuldades até, porque somos, uma equipa muito jovem. 
Felizmente, ou infelizmente, eu sou, até ao momento, a jogadora mais velha e só tenho vinte e nove anos! Temos algumas limitações técnicas, que estão e terão que ser melhoradas…

Desculpa interromper, mas parece que estou a ouvir o professor José Machado…

Mas isto é a verdade e tudo é muito fácil de explicar.

Explica então.

O que falta em Portugal é haver  poucos treinadores de base, que possam dar às atletas todos os conhecimentos, ou parte dos conhecimentos, que elas necessitam para utilizar depois nas seniores. 
O que acontece, é que o trabalho está a ser realizado de forma muito rápida, ou então não da melhor forma. Isso, faz com que elas cheguem ao escalão sénior com muitas falhas técnicas, tácticas e até mesmo, de personalidade. Sinceramente, neste momento, é o que considero que mais falta no Voleibol.

Deixa-me colocar uma pergunta pessoal. O que eu verifico na formação do Voleibol, é que as jovens, salvo poucas excpeções, levam a fase de formação, quase como uma brincadeira do fim das aulas diárias, e assim, muito poucas se preparam para jogar Voleibol “a sério”. Sentes isso?

Concordo, na base. Mas isto advém muito, da nossa sociedade e da caracterização da sociedade de hoje em dia. 
A sociedade, hoje em dia, quer que todos os jovens sejam os melhores alunos, exigindo que quase todos eles, tenham que ter “cinco ou vinte”. Se têm que ter “cinco ou vinte”, não têm tempo para praticar as suas actividades e serem melhores atletas.
O problema, é que a maior parte dos pais e encarregados de educação, não entendem, e existem estudos que provam o que eu vou defender, que se os jovens forem bons atletas e souberem qual é a diferença entre jogar, ganhar, perder, sorrir, chorar, ser campeão, ou simplesmente estar dentro do campo só por estar. Não percebem, que isso, se irá refletir depois na sociedade de futuro. 
O que acontece, hoje em dia, é que as crianças vêm para cá brincar, porque simplesmente… têm direito a tudo! Há uma facilidade incrível de hoje em dia, as crianças receberem tudo o que querem e por isso, não têm que lutar muito! 
Tudo isto, acaba por se refletir no Voleibol e em todas as outras modalidades.

Vais, com a ajuda da tua equipa técnica, impor essas alterações de comportamento?


Existe, um ditado que diz; “de pequenino se torce o pepino”. Eu gosto do espirito Boavisteiro e gosto que as pessoas tragam para aqui as suas filhotas, porque têm um amor especial ao clube e não só porque as crianças têm que fazer alguma actividade física. Isso, em si, já traz alguma garra. 
Agora só temos que incutir algumas coisinhas para que as miúdas  percebam que o "amigo está do outro lado, mas se pode, jogar contra ele". 
Ter prazer, mas ser irreverente. 

Entrevista de


quarta-feira, 24 de junho de 2015

RUI BALTAR, O CAPITÃO DOS JUNIORES DE FUTSAL, NA SUA PRIMEIRA ENTREVISTA

Rui Baltar, é o capitão da equipa júnior de futsal. Esta época, dividiu a sua actividade entre as equipas juniores e os seniores. Jogador do Boavista desde as Escolinhas, assumiu em entrevista, os altos e baixos da sua equipa, sem rodeios e consciente do seu cargo e responsabilidade.



Rui, qual a tua idade e há quantos anos és atleta do Boavista?

Tenho dezanove anos e jogo no Boavista há mais de dez anos, vai fazer agora onze anos. Comecei nos Escolinhas do Clube e nunca saí.

Como se deu a tua entrada no Boavista?

Vim a convite do treinador das escolinhas, que conhecia o meu irmão que jogava cá. Nessa altura, a própria modalidade ainda não era muito conhecida e o Boavista começou a contactar miúdos. Vim cá treinar e fiquei até hoje.

Neste percurso de formação, conquistaste alguns títulos?

Por acaso, é uma das coisas que marca negativamente e do qual sinto falta. Em tantos anos, nunca conquistei algo significativo. O ano passado, conquistamos a Taça AF Porto, mas títulos nacionais, ainda não conquistei nenhum. Já fui a finais pelo escalão, acima do meu, mas na minha equipa, nunca.

Vamos ser directos. Não consideras que este ano tinham “obrigação” de terem sido campeões, tais foram as oportunidades? Sem te comprometeres, queres comentar?

Sem problema algum, obviamente que respondo. É claro que podíamos ter sido campeões, o que era um dos nossos objectivos. O primeiro objectivo, que sempre declaramos, era passar para o Campeonato Nacional na próxima época, mas dentro do balneário, sempre assumimos, que queríamos ser campeões distritais. Infelizmente, não o conseguimos e penso, que foi por demérito nosso. Nos jogos que disputamos com o Pinheirense (que conquistou o título) nunca fomos inferiores, antes pelo contrário, fomos sempre superiores.

Como explicas isso?

Ou não aguentamos a pressão da situação, ou não tivemos estofo para ser campeões.

Aconteceu a três jornadas do final um caso incrível. O Pinheirense (já) tinha perdido e ao Boavista, bastava vencer uma equipa que viria a descer e vocês perderam…

Agora, até me rio disso, mas foi muito desagradável e fiquei muito descontente. Não estive presente nesse jogo, joguei pelos seniores, o que (ainda) mais me custou. Porque não pude ajudar, nesse jogo, mas o resultado é incrível e muito difícil de entender. Parece que nesses jogos considerados fáceis… bloqueamos. Tivemos, agora, na fase nacional, contra o Beira-Mar um jogo idêntico. Nem sei como explicar esses bloqueamentos.

Pelo que tenho observado nos vossos jogos, sois uma equipa de oito ou oitenta. Complicais o fácil e resolveis o difícil. Como explicas?

Sem querer culpar ninguém, mas assumindo o meu cargo de capitão, acho que nos falta assumir que… somos homens! Chegamos a esses jogos e falta-nos a maturidade para encarar um jogo importante e dizer este jogo é mesmo para ganhar e começa mal o árbitro apite. Não nos falta qualidade, que temos muita e formamos uma excelente equipa, mas acusamos nesses momentos uma enorme falta de maturidade.

Mas em Moimenta e em Braga, vocês foram enormes…

É curioso, porque nos momentos de grande pressão e quando tudo parece perdido, nós assumimos o nosso valor e resolvemos os problemas, mostrando o nosso valor. É um problema que se tem que resolver e não é só nosso escalão. Têm acontecido casos idênticos durante vários anos, que nos fazem perder títulos. Todos juntos (Boavista) teremos que saber como resolver este problema.

No teu caso e na presente época, alternaste entre as duas equipas (juniores e seniores). Esse facto, não acaba por ser prejudicial na evolução de um jogador, ao contrário que possa parecer, pela falta de tempo de competição?

Ora aí está uma questão muito importante e mais problemática que parece. Claro que todos ficamos contentes por representar os seniores, mas no início, quando me dei conta da realidade, fiquei algo desgostoso, porque, quando não dava para estar nos dois jogos no fim-de-semana, eu não jogava nos juniores e pouco ou nada jogava nos seniores. Isso foi muito complicado e fiquei claramente prejudicado por falta de competição. Para o final da época, as coisas alteraram-se e comecei a jogar nos seniores com mais frequência e consegui equilíbrio emocional. Lembro-me que houve um jogo, com o Freixieiro, muito importante para os juniores, em que eu fiquei nos seniores e não joguei, entendi esse facto, porque o jogo era complicado, mas fiquei com a sensação que deveria ter ido com os juniores. São decisões dos treinadores e como jogador tenho que as acatar. Tem os seus prós e contras. Houve semanas que não joguei, houve outras em que joguei nos dois dias, umas vezes evoluímos e outras ficamos sem competir. O clube está acima de todos nós e dos nossos interesses.


Treinavas com quem?

Treinava com os seniores, mas quando havia um jogo mais importante pelos juniores, vinha ao treino e treinava com eles.

Resumindo e fechando este capítulo. Valeu a pena esta situação?

Sem dúvida alguma. Aprendi muito na equipa sénior. Neste ano aprendi mais nos seniores que talvez em dois ou três nos escalões de formação. É uma realidade diferente.

A esta pergunta só respondes se desejares. A equipa sénior ficou aquém do que se esperava?

Não tenho problema algum em responder. Foi uma época em que tudo correu mal. Tudo que havia de mau, aconteceu. Foi a nível de resultados, foi a nível de equipa e depois tornou-se numa bola de neve, que nunca parou. Mas graças a Deus, conseguimos a manutenção.

Passemos ao ponto actual. Para lá de terem falhado o título distrital, o Boavista está apurado para a final four da Taça Nacional a disputar no próximo fim-de-semana. O que esperas desta competição?

Primeiro, repito, que entre nós o objectivo era passarmos para o Campeonato Nacional de sub 20, na próxima época. Isso, foi alcançado e podíamos agora ter cruzado os braços e descontrair. Mas tal não vai acontecer, porque todos decidimos encarar a final como uma prova com quatro candidatos. O Boavista, vai a Ponte de Sôr para ganhar! Sabemos que é difícil, mas não vamos para lá para desfrutar. Mesmo que seja uma situação que poucos tiveram ou viveram, ao jogar uma final four, o certo é que sabendo que estão presentes as quatro melhores equipas, n´so sabemos bem o valor que temos.

Não sei se tens conhecimento, que as equipas em Lisboa jogam toda a época ao cronómetro, enquanto a tua equipa (tu não) só jogou seis jogos, esse facto vai dar uma grande vantagem às equipas de Lisboa. Estais preparados para tal realidade?

Olhe, como dissemos atrás. São jogos muito difíceis, em que poucos acreditam na vitória… logo, são os jogos que a nossa equipa gosta e onde sempre estamos no plano mais forte. Na final four, estaremos para ganhar. Tinha mais medo se fosse com equipas que teoricamente eram mais fáceis.

Sendo um homem da casa há dez anos, conheces bem a realidade do Boavista. O que achas que terá que mudar no futsal, com a participação no Nacional de sub 20?

Antes de tudo, considero que é cem por cento positivo para o clube. Só lá irão estar as melhores equipas do país. Estamos entre as dezasseis melhores equipas do país e com todo o mérito. Agora não vai ser fácil a nível organizativo, mas algo vai ter mesmo que mudar e, sinceramente, isso ultrapassa-me. Mas reforço, que é muito positivo e que todos devemos pensar assim, quer jogadores e dirigentes. É muito positivo para o Boavista Futebol Clube.


Pessoalmente qual vai ser tua situação. Equipa sub 20 ou seniores?

Penso que irei ficar a ajudar nos seniores o que puder, treinando com eles e depois (penso eu) jogarei nos juniores quando for possível e acharem necessário. Mais ou menos como este ano.

A nível de selecções. Já foste convocado algumas vezes?

A nível de selecção distrital de uns tempos a esta parte, sempre fui convocado. A nível de selecção nacional de sub 19, fui convocado por quatro vezes, para os jogos com a Polónia em Fevereiro e depois nos jogos com a Espanha nos Açores.

Continuas á espera de lá continuar…

Eu não estou à espera de nada, nem tenho que estar. As coisas acontecem quando têm que acontecer e da forma como tiverem que ser. Eu tenho que trabalhar no meu clube, tenho que evoluir e se as oportunidades aparecerem, tenho que as aproveitar. Foi assim que aconteceu e é assim que continuará.

O que é para ti o Futsal?

Uma modalidade diferente. Eu considero que qualquer pessoa pode jogar futebol, pode jogar outra modalidade, pode praticar desporto individual, mas acho que jogar futsal, não é para qualquer um, pela especificidade técnica exigida. Como foram passando os anos, verifiquei esta realidade, só um pequeno grupo de pessoas pode jogar futsal.

No futuro irás apostar no profissionalismo do futsal, como outros jogadores da formação do Boavista fizeram?

Depende muito da situação da altura em que isso possa aparecer. Quem joga por gosto, tem sempre o desejo de representar um grande clube da modalidade, mas tudo a seu tempo. Se essa situação aparecer, será a analisada, mas não será tão cedo e depois se verá. Tudo a seu tempo.

Vamos terminar. O que queres dizer aos teus colegas da equipa que faz impossíveis, que confunde tudo que é fácil… Como é ser capitão desta gente?

É difícil. Mesmo tendo dezoito/dezanove anos, não passamos de uns miúdos. Cada um com as suas características e seus feitios, que torna difícil tomar conta de uma equipa na sua globalidade, mas as coisas vão-se fazendo. Tenho muito orgulho de ser capitão do Boavista e desta equipa. Já sou capitão do Boavista há quatro anos e tenho muito orgulho

Eu vejo lá muita gente irreverente. Mas eles respeitam-te se tiveres que lhes dar um berro?

Aceitam, e já tive que fazer algumas vezes, se calhar até com exagero da minha parte, mas eles têm que perceber que estamos nos jogos para lutar e vencer. Eu estou lá para ser a voz do treinador, para fazer a minha obrigação como capitão. Agora se eles me respeitam como homem eu não sei! Mas como capitão… que remédio.

Tudo pronto para Ponte de Sôr?

Tudo e vamos lá para ganhar, aliás quando o Boavista joga é sempre para ganhar e na final four, nem de outro modo será.

Entrevista de 
Manuel Pina