quinta-feira, 15 de maio de 2014

IVAN DIAS, O ETERNO CAMPEÃO DE FUTSAL

Ivan Dias, é um dos melhores futsalistas que joga(ra)m em Portugal. Actualmente de xadrez ao peito, bate todos os records de longevidade. Homem de ideias rápidas, directas e assumidas, deu-nos a conhecer o cidadão, atleta, chefe de família e muito mais… numa entrevista longa mas profunda sem fugir ou temer as questões mais difíceis. Vamos, então, entrar no mundo deste “Monstro Sagrado” do futsal nacional numa entrevista longa, mas completamente merecida de ser lida.


O CIDADÃO/ATLETA
Quem é o cidadão Ivan Dias?
Nasci no Rio de Janeiro, mais concretamente no Niterói e tenho quarenta e um anos (sorriu)
Quando chegaste a Portugal ?
Vim para Portugal, me noventa e seis.
E vieste para jogar futsal ou por outra razões?
Vim exclusivamente com atleta e para jogar futsal. Já tinha jogado na Liga de Espanha depois de ter vindo do Brasil para Espanha.
Em Portugal, vens para jogar no Miramar e em poucos mais clubes jogaste…
Sim em Portugal, comecei pelo Miramar, depois de cerca de cinco/seis anos, o Freixieiro, a Académica e actualmente o Boavista.
Lembras-te quantos títulos conquistas-te?
No Miramar, entre Taças e campeonatos, creio quatro ou cinco, depois uma Super-Taça no Freixieiro e agora o título com o Boavista.
A tua carreira na Selecção nacional. Quais os teus momentos mais importantes?
Estive em três mundiais e quatro Europeus.
Tiveste muitos anos a representar a selecção das quinas?
Sim vários anos.
Alguma vez foste o capitão de equipa?
Somente no Europeu que se disputou em Gondomar.

PERIPÉCIAS DA VIDA
Recordas-te de uma reunião com determinado clube em que eu estive presente como Director Geral acompanhando o Presidente, acontecida na Póvoa de Varzim, em que com quase tudo decidido, alguém, exteriormente, colocou em causa a tua contratação por na altura teres uma lesão no pé e já seres “velho”. O que tens a dizer onze anos depois e ainda a jogar?
Claro que me lembro… (hesitou e depois passou ao ataque). Primeiro, acho que o Presidente foi pouco inteligente, porque para reunir com jogador e conversar alguma coisa, não tem que estar com garrafa nem copo de uísque na mão.
Ponto número dois, se quer contratar um jogador, já tem que ter previamente, conhecimento daquilo o jogador vale e sobre o que pode dar ou não. Não pode basear-se se o jogador está lesionado ou na idade que tem. Se o jogador vale, conversa com ele, caso contrário não o contacta. Temos um exemplo recente do Cardinal.
Sobre a lesão que teve?
Exacto. Todo o mundo contestou ele ir para a selecção porque não estava a jogar, que vinha de uma lesão. O certo, é que ele foi ao mundial e embora não tenha ido no máximo da sua potência, foi ao mundial e dali saiu para uma grande equipa de Espanha. Por isso que eu digo, esse facto de estar machucado, de estar tocado isso, vai muito do jogador, vai muito do trabalho que tem, via muito do treinador que tem, vai muito da conversa com os directores etc… isso é que é importante.

Eu meti esta questão para atingir outra. Como explicas que com a idade que tens continues a jogar na primeira divisão numa nédia de trinta a trina e cinco minutos por jogo?
Eu não penso nisso. Faço o que me pedem enquanto me sentir capaz, depois disso, serei o primeiro a dizer que chega. Para já, se jogo, é porque confiam em mim.

Mais um episódio. É verdade que na semana seguinte ias a caminho de Lisboa para assinar pelo Sporting e “desta volta” na auto-estrada para assinares pelo Freixieiro?
Sim é verdade. Eu tinha quase o contrato assinado com o Sporting e dentro de um acordo feito entre o meu presidente do Miramar e o Sporting. Que se baseava numa dívida de alguns meses que o Miramar tinha comigo. Os dois presidentes, concordaram que essa divida seria parcelada pelos meses do contrato que ia fazer com o Sporting. Entretanto, aconteceu uma reunião entre o presidente do Freixieiro e o presidente do Miramar, desconheço onde ocorreu a reunião, mas sei que o presidente do Freixieiro assumiu que pagava a quantia toda de uma vez se eu assinasse pelo Freixieiro. Assim voltei para trás e assinei pelo Freixieiro.

Se não estou enganado, nessa fase tu jogavas duas variantes de cinco em simultâneo?
Jogava futebol de cinco e futebol de salão, ao mesmo tempo, é verdade. Fiz nestas condições umas três épocas a jogar as duas modalidades.
  

O BOAVISTA
Há quantos anos vieste para o Boavista e como se processou esse ingresso?
Vim há duas épocas por convite do Buffon (Filipe Miranda) e porque conhecia muitos dos jogadores, mas essencialmente por causa do Buffuon, nosso Director Desportivo. Quando saí da Académica depois da subida de divisão tomei e ideia de acabar de jogar de vez.
E aceitaste?
Depois de muita conversa, resolvi vir para o Boavista pelo prazer de jogar. Hoje o que me dá prazer é jogar. Já não  jogo por causa do dinheiro que ganhava…é mesmo assim (disse como a si próprio). É logico que me davam algum para a gasolina, mas por dinheiro não é.
As coisas mudaram. Anteriormente, eu vivia do futsal, hoje em dia eu vivo do meu trabalho e jogo por prazer. Eu gosto de futsal e gosto de jogar, enquanto eu conseguir jogar… quando eu vir e as pessoas também vêm, que não vale a pena apostar em mim…
Mas tu vieste para fazer a última época, mas isso não aconteceu. já te sentes um jogador do Boavista?
Desde o momento que eu vista a camisola, eu me sinto jogador do clube, ganhando, recebendo ou não eu sou jogador do clube. Treino e jogo com a mesma motivação de que quando eu comecei a jogar.

Quando se iniciou a época pensavas estar a lutar para o sexto lugar da classificação?
Não pensava estar a lutar pelo sexto, nem entrar os play-offs, isso é um facto, mas pensava que íamos conseguir a manutenção, até porque o plantel tinha a base da equipa do ano passado que ganhou o título e subiu.
Mas que muita gente acusava de não possuírem potencial de primeira divisão…(interrompeu com agressividade e disse)
Isso é especulação! Quando se começa as pessoas vêm os nomes, mas muitas vezes, não são os nomes que ganham os jogos. É a atitude, a entrega e o trabalho, isso é que dá pontos.

Após o Mundial, no recomeço do campeonato e ainda em quinto lugar, o Boavista perdeu uns jogos. Foi um levantar de pé, ou o considerar que a obrigação estava feita?
Não foi nem levantar o pé, nem perder o ritmo, o que aconteceu nos três jogos que perdemos foram situações de jogo. Vejamos. Foi com o Fundão que é uma equipa das mais fortes da primeira divisão e sempre dentro dos play-offs. Perdemos com o Póvoa, num jogo que não joguei por castigo e tinha outro colega na bancada comigo que não recordo quem, que se machucou nos primeiros cinco minutos, depois o Alex se machucou também. Foram muitas as condicionantes que nos fizeram perder esse jogo. Perdemos com o Rio Ave, que é uma equipa composta com jogadores muito experientes e de muita qualidade e alguns são mesmo profissionais, realizando treinos bi-diários e nós fizemos o nosso trabalho. Lutamos, trabalhamos e demos a nossa réplica que é o lema do Boavista, que é lutar para chegar lá.

Falando de treinos. O horário dos vossos treinos não ajuda. Que achas sobre isso?
É muito duro andar meses a treinar neste horário para quem trabalha e para os miúdos que estudam. Dormir quatro/cinco horas por dia, durante meses é muito cansativo.

Dentro do campo, sendo um jogador de referência, ajudas a orientar os teus colegas ou apenas jogas que essa missão é de outras pessoas?
Dentro do campo não dá para ajudar muito e falar com os colegas, isso é possível nos treinos. Nos jogos, eu tento fazer o meu trabalho bem e depois combater as falhas dos outros, para podermos ser um só, para quando eu falhar eles estarem lá também. Lógico que há sempre um comentário, não só com os jovens mas também com os mais velhos… você podia ter feito isto, em vez daquilo, etc… isso é um comentário natural que acontece entre todos no decorrer de um jogo. Ou se pode melhorar, incentivar e corrigir, é nos treinos.

Na próxima época vais continuar?
Já tive uma conversa (riu-se) com o presidente um bocado… um bocado (hesitou e depois de um momento de reflexão, entrou algo duro) eu disse-lhes que têm que me valorizar pelo que eu faço sem olhar à minha idade… ponto número um. Depois têm que valorizar os jogadores que jogam no Boavista, porque o Boavista tem muitos jovens no plantel mas há quem dê muito valor a outros nomes que são mais sonantes, o que não é justo.
Têm que olhar é para os que estão aqui há dois três anos e mostrando que têm valor para estar aqui. Esses, é que têm que ser valorizados em primeiro de tudo. Primeiro os que cá estão e só depois os outros, é claro que. se os que chegarem forem jogadores de valor, então, muito bem devem ser igualmente valorizados, se for um jogador que tem valor igual aos outros que cá estão não pode ser ressarcido  mais que os que estão aqui, já com provas dadas.

Tens que reconhecer, que ainda és uma referência no futsal nacional. O Boavista sem o Ivan não é tão temido como com o Ivan?
Eu não tenho que ter a consciência disso, as pessoas é que o dizem. Eu faço o meu trabalho, se faço falta à equipa ou não, não sei e isso não é comigo.
Mas voltando atrás. Vais ou não continuar?
Em princípio devo continuar… em princípio.

Consideras cansativo continuar a treinar depois de tantos anos?
O que me cansa realmente e me leva a dizer que não quero continuar na primeira divisão, é o facto de ter de ir a Lisboa de quinze em quinze dias, as viagens é que me cansam. É cansativo, para quem trabalha, para quem se levanta cedo todos os dias, eu durmo quatro horas por dia porque o treino não é compatível para quem trabalha. Quando somos jovens a recuperação é mais fácil, mas agora não é assim.
O José Manuel Leite – presidente do Miramar – dizia que tu mesmo em jovem entravas no carro e dormias, chegavas ao pavilhão, metias-te debaixo do chuveiro e estavas pronot para o jogo. Por isso, nunca gostaste de viagens?
Muitas pessoas dizem que dormir antes do jogo faz mal. Eu sempre contrariei isso tudo. Almoçávamos, eles iam dar uma caminhada e eu deitava-me e dormia e chegava ao jogo e dava rendimento. Isso é de cada um.


A FAMÍLIA
Sendo um português nascido no Rio de Janeiro, constituis-te família no Porto com esposa tripeira (mesma tripeira, digo eu). Terminado o futsal o que vai acontecer, o Ivan leva a família para o Brasil, ou pelo contrário a família obriga-o a ficar para sempre no Porto?
Nem penso nisso, nem penso assim.
Então como pensas?
Eu vim para Portugal para ficar seis meses e já estou cá há dezoito anos. Não digo que não tenho o sonho de voltar à minha terra… tenho! Mas pondero muito, vontade eu tenho. Mas minha mulher tem muito mais vontade de viver no Brasil que eu!  Ela tem uma doença crónica a artrite reumatóide, para ela o tempo aqui é muito mau. As vezes que estivemos no Brasil e quando casamos que foi no Brasil e estivemos lá três meses, enquanto ela aqui toma medicamentos todos os dias lá, durante esse período, tomou um medicamento.

O FUTSAL (ORIGENS E FUTURO)
O futsal português, é na minha opinião um limão espremido, que chega a uma fase e fica por ali. O que falta para dar o próximo salto?
O que falta é o que tinha há seis/sete/oito/nove/dez anos, que era Portugal com saúde financeira. O país com saúde financeira originava que ter clubes como a Fundação, o Instituto, o Freixieiro, o Miramar, depois entraram o Rio Ave e outros. Clubes com condições e com trabalho realizado.
Muitas pessoas, por vezes contestam, mas nesse período ao começar uma época, perguntava-se quem vai ser o campeão? O Freixieiro, a Fundação, o Miramar, o Sporting? Agora todos sabemos que ao iniciar o campeonato a questão é saber quem o Benfica ou o Sporting?
Mas é tudo por causa da crise?
Não só. De novo as pessoas vão contestar, mas há quinze anos quando cheguei as equipas só podiam ter dois estrangeiros. O que acontecia? Os clubes contratavam esses dois estrangeiros mas investiam claramente na qualidade deles, para fazerem a diferença. Com isso, os jogos eram equilibrados porque todos tinham dois estrangeiros com muita qualidade que ajuda muito num plantel e obrigava a um maior empenhamento de jogadores portugueses com ambições de chegar longe.
As coisas alteraram-se?
A nível de clubes é muito bom ser campeão, mesmo com esta abaixamento de qualidade, mas eu estive na selecção e era frustrante ficar sempre no… quase! Íamos às meias finais dos mundiais e europeus e pensávamos, vamos pegar a Itália, ou Rússia ou a Espanha e já não íamos com a mesma confiança que quando jogávamos com a Croácia. Mas isso, digam o que disserem, porque o nosso campeonato é muito desequilibrado, como já dei exemplo antes, tudo se resume ao Sporting e Benfica de quem nessa altura, nem se falava.

Estiveste a jogar naquilo que todos conhecem por uma escola de futsal, que fez inúmeros jogadores, Ricardinho, André Lima, Toni, Cóco, Pedro Ferreira só para falar nos mais jovens. Consideras o Miramar essa escola?
Sim o Miramar foi realmente uma escola de futsal. E porquê? Porque na época áurea o Miramar tinha poder financeiro e dava condições para todos e não só para os seniores. Desde as escolinhas passando pelo feminino e tendo duas equipas de seniores e equipa satélite. Quando se têm condições as coisas acontecem naturalmente e as pessoas querem estar lá, querem participar, querem estar naquele clube. Tínhamos o Márcio, o Toti, o Gil, todos jogadores referenciados, tinha um treinador referenciado, que era o Beto – tinha também o senhor Jorge - mas tinha o Beto que é um treinador irreverente, diferente de quase todos que já tive, as pessoas acabavam por ver, gostar e assim fazíamos coisas diferentes. Hoje em dia não há isso.
Outra mentalidade?
Sim. Hoje em dia o treinador de seniores não quer saber da formação e diz eu sou dos seniores e acabou. Eu assisti a uma palestra muito interessante antes de um jogo com o Brasil, dada pelo Pêcê que era o seleccionador da selecção brasileira, que agora já não é e que foi campeão mundial. Que nos afirmou, que antes de tomar conta da selecção do Brasil depois de três ou quatro convites que recusou, resolveu vir dar uma olhada nos outros países mais evoluídos como por exemplo, na Espanha que  ganhava sempre e disse, que “no meu clube implementei um projecto de jogo, desde os fraldinha (aqui em Portugal nem isso tem, que são crianças a começar a competir, com cinco anos) até aos seniores, com acompanhamento, ou seja o treinador que pega nas escolinhas vai seguindo a sua equipa até aos seniores. Segue com a equipa na subida de escalão” e acrescentou ele “ eu trabalho a formação não para terem algo remunerável, mas trabalho-a para serem seniores com ambições e condições de jogar em qualquer clube”.
Isso é muito importante?
Claro! Como acontece aqui, o jovem chega a sénior e diz eu vou para os seniores e sei que não vou jogar. Mas isto acontece tanto num grande clube como num pequeno clube de amadores. Enquanto no Brasil não há isso, um miúdo chega aos seniores e diz eu quero jogar e eu vou jogar.
No meu caso, eu cheguei aos seniores e disse eu quero jogar. A questão passou a ser o que tenho que fazer para jogar? Foram as primeiras palavras que disse ao meu treinador, eu sei que joga “a” “b” e “c”, mas o que é que eu tenho que fazer para jogar? Primeiro treinar mais que eles para superar fisicamente a qualidade deles.
Mas isso é personalidade tua..
Mas incutida também pelos treinadores, porque eles no Brasil dão a oportunidade a todos e depois os jogadores é que mostram o seu valor e ambição, enquanto em Portugal o jovem tem que trabalhar para jogar e o que diz, ao que fala o treinador? Vou jogar para o meu clube de bairro, lá jogo sempre! Não têm ambições, porque não há base de trabalho de formação, mas tudo depende de cada jogador, do seu querer do seu objectivo, tem muito jogador que estão por estar, sem qualquer objectivo.
Em Portugal os miúdos têm muito essa mentalidade, se não jogo aqui… jogo ali. Mas nunca diz eu quero jogar aqui! E para jogar aqui o que tenho que fazer?

TREINADOR
Para terminar, quando acabar o Ivan jogador, teremos o Ivan treinador?
Eu nem penso nisso, porque eu já tenho um desgaste muito grande a nível familiar, eu vivo do futsal desde os dezanove anos de idade. Eu estou casado há dezassete anos e há dezassete anos a minha mulher me atura a ir para o treino. A ir para Lisboa, a não estar no aniversário, a não estar no baptizado, a naos estar nisso, a não naquilo e agora trabalhando e treinando só tenho o domingo para estar com a minha família e só tenho esse dia para estar sentado com a minha família.
Vais pelo menos fazer férias?
Não digo que não gostaria ou que não vai ser , mas eu já lhes roubei muito, porque me dei muito ao futsal.

Entrevista de
Manuel Pina

segunda-feira, 14 de abril de 2014

RUI PEREIRA, ANALISA CAMPEONATO A DOIS DO JOGOS DO FINAL

Na véspera do último jogo em casa, na fase regular da prova, ouvimos a opinião do treinador principal do Futsal sénior, Rui Pereira, sobre o momento da equipa.



A três jornadas do final do campeonato, o Boavista garantiu a presença no play-off, algo que nunca tinha acontecido na sua história. Sente-se orgulhoso por ter ficado para a história do Clube ou, vê isso, com algo em que tinha apostado?
As pessoas podem não se lembrar, mas na época 2005/2006 o Boavista foi ao play-off. Nessa temporada, após ficar em 6º lugar na fase regular, jogou os 4ºs de Final com o Freixieiro, tendo sido eliminado com 0 - 2. Sinto-me orgulhoso porque nessa época fui o treinador que levou o Boavista pela primeira vez aos play-off, e sinto-me muito orgulhoso agora, porque demorou 8 épocas para o Boavista lá voltar e finalmente conseguiu.
Não foi uma aposta no início da época, uma vez que o objectivo de uma equipa que regressava da 2ª Divisão passava unicamente pela manutenção, mas foi algo que no decorrer do ano sentimos ser possível. Logo que a manutenção ficou clara, fixamos a nova meta de ficar nos 8 primeiros.
Espero que agora essa realidade aconteça com muita mais regularidade, isto é, iremos trabalhar para tornar o Boavista um clube dos 8 mais forte do Futsal Nacional, para que as presenças no play-off sejam constantes.

Depois de muitos meses sempre sobre pressão competitiva, o Boavista teve uma série de derrotas que coincidiram com o reinício da prova. A paragem (longa) do campeonato prejudicou a equipa, ou foi um simples “levantar de pé” competitivo?
Acredito que nem uma coisa nem outra. Em primeiro lugar, após a paragem o Boavista venceu em Sandim, o Modicus, por 2 - 5, num resultado e numa exibição das melhores da época.
Na minha opinião, conjugaram-se alguns factores que levaram à serie de derrotas a que se refere.
Em primeiro lugar o calendário reservou um conjunto de jogos muito complicado e seguido. Fundão, Povoa e Rio Ave (ambos fora) e Leões de Porto Salvo. De notar que as derrotas em casa foram derrotas por um golo de diferença e em Vila do Conde por dois. Somente contra o Povoa Futsal se pode considerar um jogo e resultado totalmente maus. Depois conjugaram-se a indisponibilidade, lesões e castigos em jogadores importantes que fizeram muita falta nesses confrontos.

Com essas derrotas o Boavista cedeu o quinto posto. Era uma aposta (dentro que tinham feito) ou era espectável tal vir a acontecer?
Penso que de uma forma ou outra os orçamentos, planteis e experiência de primeira divisão de equipas e jogadores de clubes como o Fundão e o Rio Ave justificaria sempre a ultrapassagem na classificação. Outras equipas tinham a obrigação de ficar na nossa frente e não o conseguiram. Neste momento, estamos a 5 pontos do Fundão e a 2 do Rio Ave. Não sendo fácil ainda podemos aspirar ao 5º ou 6º lugar.


Faltam duas jornadas, podendo atingir (muito difícil) o sexto lugar ou cair (pouco provável) para sétimo. Qual a perspectiva que tem sobre isso?
Penso que o mais provável é o Boavista ficar em 7º lugar. Se assim for, essa classificação faz de nós actualmente o 7º melhor clube de Futsal do País. Se tivermos em conta os planos e objectivos do início desta temporada, só podemos pensar que o Boavista escalou muitos degraus e conseguiu atingir nesta época, objectivos que só mais para a frente seriam de pensar alcançar.

Partindo do princípio que o Boavista terminará no sétimo posto, terá como adversário o Sporting.  Já se encontram mais preparados para enfrentar esses jogos, mesmo reconhecendo o favoritismo ao Sporting?
Nós estamos com toda a certeza, mais capazes do que aconteceu quando defrontamos as equipas assumidamente profissionais no decorrer da época, o que acontece é que esta equipas estão agora ainda mais fortes do que estavam. Assim a dificuldade será imensa. Vamo- nos preparar e tentar tudo no primeiro jogo, o jogo em casa, já estamos a trabalhar para esse dia.

Por último, o que espera do jogo de sábado?
Espero um jogo de festa em conjunto dos nossos adeptos, o primeiro jogo após a confirmação do play-off. Espero uma vitória e um teste para confirmar a que nível nos encontramos para as finais e a que nível e com que ambição se encontram os mais diferentes elementos do nosso grupo.

Como classifica pessoalmente esta época?
Pessoalmente, classifico como uma época de enorme sucesso. No que a mim pessoalmente me diz respeito, uma das épocas mais conseguidas da minha carreira, pois temos que ter em consideração que a grande parte do nosso grupo de jogadores vinha de divisões inferiores, onde a intensidade, o ritmo, as dificuldades são muito diferentes. Esses jogadores hoje estão muito mais fortes, trabalharam imenso, cresceram no decorrer da época, em conjunto com os mais experientes na 1ª divisão e merecem totalmente o lugar que viermos a alcançar.
Nada lhes foi oferecido, nada lhes foi facilitado, tudo foi conquistado. A todos o meu obrigado e os meus parabéns.

Entrevista de

Manuel Pina


VICTOR NASCIMENTO, O ALICERCE DA FORMAÇÃO AXADREZADA DE ANDEBOL

Longo e excelente  o percurso feito até á data da equipa de Infantis do andebol. O seu responsável técnico, Victor Nascimento, é um homem sempre pronto para dar a sua visão sobre tudo o que aos seus “heróis” diga respeito. Aquilo que começou com uma entrevista calma, terminou com uma enorme surpresa negativa.


Com a época a caminhar para o final, estará na hora de se fazer um balanço. O Vítor foi o responsável pela  equipa de infantis. A quantidade de atletas manteve-se do ano anterior?
O número de atletas manteve-se sensivelmente igual, temos neste momento 26 Atletas no Escalão de Infantis (destes, 5 são do escalão de Minis)

Quantos atletas, tem inscritos na competição? Tem alguns atletas só a treinar?
Todos os Atletas estão inscritos e aptos a jogarem, mesmo os que são Minis, já jogaram por diversas vezes

Em que provas competiram e quais os resultados conseguidos até esta fase?
Neste momento, já vamos na 4ª Fase do Campeonato Nacional da 1ª Divisão.
Esta é a última Fase da prova a nível regional que apura para a concentração do nacional

Nesta altura, iniciou-se mais uma fase da competição que antecede a final concentrada. Quer esclarecer a forma como se disputa a prova?
Esta 4ª Fase é composta por um campeonato entre 10 equipas, das quais apuram as 7 primeiras para representar a Associação de Andebol do Porto no Encontro Nacional que apura o Campeão Nacional de Infantis.
Devo Salientar que a nível de Associação de Andebol do Porto existem equipas distribuídas por 4 divisões, o que permite avaliar a quantidade de equipas existentes na AAP e a qualidade da nossa equipa que está na 1ª divisão.

Quais os objectivos para o Boavista nessa fase?
Para esta Fase o Objectivo é claro, ser apurado para o Encontro Nacional, naturalmente que pretendo obter também a melhor classificação.


Para além de um treinador de formação, o Victor consegue uma empatia enorme com os seus jogadores chagando quase a parecer um deles (mais adulto) e simultaneamente o “pai”. É dom natural, ou foi adquirido com a experiência durante todo este tempo?
Fico muito contente por passar essa imagem e confiança, quer junto dos atletas, dos pais destes e demais pessoas.
Adoro Formação, sempre investi o meu percurso nesta área, preferi sempre os escalões de formação a outros de competição, mas, fi-lo sempre não por falta de ambição, mas sim por me sentir talhado para a Formação.
Naturalmente que a experiência nos dá outro traquejo e segurança, mas a Formação deve ser assente em princípios básicos e sólidos, pelo que é muito gratificante conseguir transmitir esses conceitos, aprendizagens e ao mesmo tempo conseguir transmitir regras e valores.
Penso que por tudo isto se cria uma forte empatia e reforça a união entre todos.
Costumo dizer que tenho 3 Palavras Mestras:
Autoridade
Responsabilidade
Liberdade
Caso saibam interpretar todas elas, é perfeitamente possível usá-las todas em proveito comum…

Há quantos anos está ligado ao andebol? E nos quadros do Boavista?
Estou no Andebol á 28 anos e ligado ao Boavista à 18 (atingi a maioridade) 

Quem faz parte da sua equipa técnica?
Neste momento tenho a trabalhar comigo a Joana Santos e o Fábio Santos, jovens trabalhadores e com muita vontade de aprender e acima de tudo uma atitude e disponibilidade exemplar.

Para o próximo ano esta equipa, perderá muitos jovens para o escalão superior ou pelo contrário mantêm-se muitos em infantis?
Para a próxima época desportiva todos os atletas se mantêm no mesmo escalão, muitos por que ainda estão dentro da idade e outros porque entretanto vai ser alargado o escalão etário, o que será muito bom, pois permitirá consolidar toda a excelente evolução e trabalho que estes “meninos” têm tido.

Estar na final concentrada é importante. Pela participação em si, ou pela motivação que pode dar aos seus miúdos?
Estar na Final Concentrada é um objectivo que todos queremos, porque é o local onde poderemos lutar pelo tão ambicionado Titulo de Campeão Nacional, pelo que não pode haver motivação maior do que o reconhecimento da nossa qualidade

Inevitavelmente a vida do Boavista passa pela reposição da justiça e o futebol vai voltar aos grandes palcos. Ao andebol pode a médio prazo ser beneficiado com essa situação?
Fico muito contente com o regresso do Futebol do Boavista aos grandes palcos e à 1ª Divisão.
No que diz respeito ao Andebol, julgo antes de mais realçar que quer o Andebol quer todas as outras modalidades desportivas amadoras, bem como os sócios, fizeram mais pelo futebol do que este fará pelas amadoras… Pois a continuidade da luta das modalidades amadoras e dos sócios, permitiram a sobrevivência do Boavista e com isso a possibilidade de o Futebol do Clube voltar a um lugar que já ocupou.
Infelizmente já há muitos anos que o Andebol vive das mensalidades e verbas que consegue angariar, pelo que prevejo que o mesmo se irá manter.
No entanto, espero e gostaria de acreditar que irá haver um maior apoio directivo e com isso permitir também que o Andebol volte a um lugar que merce e também já foi seu no panorama nacional.


Depois de atingir a maioridade – como frisou – continua a ter animo para continuar como treinador dos jovens, ou está na hora de outros voos?
Por decisão pessoal esta será a minha última época como treinador.
Já na época anterior dizia o mesmo e ainda cá continua…
É verdade! Mas desta vez é definitivo. Pode anunciar que termino esta época a minha carreira de treinador do Boavista.
Do Boavista ou do andebol?
Para já do Boavista e talvez de todo o andebol.

Entrevista de

Manuel Pina

terça-feira, 8 de abril de 2014

ENTREVISTA COM NUNO COSTA COORDENADOR DA FORMAÇÃO DO VOLEIBOL


Nuno Costa, é o coordenador do Voleibol de formação, cargo que acumula com o técnico-adjunto da equipa sénior. No seu regresso ao Bessa conjuntamente com José Machado, tem um projecto de alterar significativamente, a formação axadrezada da modalidade.
Estivemos com ele nos minutos que antecederam mais um treino da equipa de Cadetes, na qual apoia o trabalho de Joana Ferraz.

Nuno este é o seu primeiro ano ao serviço do Boavista?
Não. Estive anteriormente durante quatro anos no Boavista, há sete ou oito épocas atrás.
Trabalhando, nessa fase, com o professor José Machado?
Exactamente e agora volto cá na mesma situação.

Vamos começar pela formação. Tendo conhecimento do seu cargo de coordenador, tenho visto há uns tempos atrás a orientar os trenos. Isso faz parte de algum projecto de alterações?
Sim. Há dois/três meses atrás. o director do Voleibol, Artur Nunes, numa conversa entre os dois, pediu-me que dentro das minhas possibilidades, ficasse a coordenador os trabalhos da formação e desde aí, temos feito uma análise ao estado actual do clube, ao estado actual dos treinadores da formação de voleibol e ao nível competitivo das diversas equipas, na sua qualidade individual e colectiva. Dentro disso, foi traçado um plano que visa essencialmente, uma mudança de mentalidade, que passa naturalmente pelas correcções técnicas e tácticas da evolução das diferentes equipas.

Tenho verificado que você e o Jorge Dias, responsável pelas Juniores, têm imposto um trabalho que mais parece de pré-época. Estou certo nesta visão e qual o objectivo?
É uma reestruturação a pensar no que se pode fazer no próximo ano, decidimos “antecipar” meia época começando do zero agora, para quando chegarmos à próxima época já conseguirmos um nível competitivo mais idêntico às outras equipas, visto que o Boavista não tem ido às fases nacionais, ficando sempre pelas fases regionais. O objectivo, para já, passa por conseguirmos competir a um nível superior ao que estamos neste momento, ou seja, competir em campeona
tos de nível nacional dos diferentes escalões..

Aposta na concretização desse objectivo a curto prazo?
Da análise que efectuamos, verificamos que há equipas que terão mais condições de conseguir isso, outras com maior dificuldade, mas vamos tentar que isso seja um hábito no nosso clube, como já o foi noutras alturas. A curto, ou médio prazo, dependo do valor e assimilação das atletas.

Vejo as atletas algo queixosos ao ritmo de trabalho que lhe imposto no momento. Naturalmente tem essa percepção. Espera isso, ou estar a ser mais difícil que o que tinha previsto?
Eu posso falar mais do escalão de Cadetes, que eram iniciadas até há um mês atrás, porque é o escalão com que trabalho directamente, devido à indisponibilidade de treinadores, com horários de Faculdade, etc… acabou por me cair um pouco às costas também. Igualmente acompanho os restantes trabalhos, mas este escalão, tem sido, até agora, bem recebido o trabalho que tem sido implantado, já se vai notando algumas diferenças quer de mentalidade, quer de disponibilidade mental e física das atletas, para este tipo de trabalho. Logicamente que é sempre um tipo de trabalho, que se tem que ir impondo aos poucos, porque é, principalmente a nível mental, de uma grande exigência e que demora algum tempo a implantar-se em pessoas que não estão habituadas a trabalhar a esse nível.


Para quem já esteve no Boavista anteriormente e regressa oito anos depois, nota diferenças entre as formações do passado e a actual?
Sim, noto e bastantes diferenças, nomeadamente a nível de resultados. Não digo a nível da qualidade a cem por cento, porque há atletas com qualidade para jogar e evoluir. A nível do colectivo, com essas repercussões de resultados nos campeonatos nacionais e regionais tem vindo a baixar um pouco o nível dessa formação.


Resultados. Já para o próximo ano?
Nós trabalhamos para isso, mas temos que ter em mente que é um trabalho pensado a médio prazo, ou seja, se calhar os resultados do trabalho que agora começamos só o iremos ter mais palpáveis daqui a duas/três épocas. Isto não invalida, por exemplo, que o apuramento para as fases nacionais seja na próxima época, o objectivo de todas as nossas equipas de formação.

Passemos às seniores. Quando tomaram conta da equipa, nunca lhes foi exigido a subida de divisão, mas neste momento, o Boavista está apurado para a final four da promoção. Se a direcção nos o exigiu, como pensaram os treinadores?
Logicamente, que enquanto equipa técnica, comandado pelo professor José machado, sempre  foi esse o nosso pensamento. Aliás nós não viríamos para cá com outro pensamento, habituados a um nível competitivo que estamos. Na primeira fase e pelo que nos foi pedido pela Direcção, não seria esse o objectivo, mas nossas mentes, sempre foi esse o nosso objectivo. Esta praticamente garantida (falta um ponto) a presença na final-four e depois serão três jogos a doer e praticamente tudo o que foi feito para trás não tem interesse algum.

Seria importante jogarem casa, sendo o Boavista a organizar essa final, ou isso traria uma pressão extra e desnecessária sobre a equipa?
Acho que não traria grande pressão jogue-se onde jogar haverá sempre pressão sobre todas as equipas porque é uma final. Quem conseguir lidar melhor com essa pressão e conseguir lidar melhor com o adversário e conseguir contrariar melhor as tendências dos adversários vai conseguir o título.

Considera o Boavista favorito ao título?
Eu acho que o CV Lisboa e o PE Lobato foram duas surpresas para mim porque não os tinha como adversários e naturalmente serão de um grau considerável de dificuldade. A equipa dos Açores é uma equipa que habitualmente cria umas surpresas porque não temos conhecimento nenhum sobre elas, ao contrário delas que conhecem o nosso trabalho. Têm conseguido ter acesso a alguns vídeos sobre as outras equipas e isso, pode ajudar de certa forma, a conhecer-nos melhor a nós e a dificultar-nos um pouco o trabalho. Pela nossa parte teremos a dificuldade de não as conhecer a elas, mas acredito que naqueles momentos decisivos as coisas vão para a área de conforto das atletas e quem souber gerir melhor e estiver mais confiante é quem conseguirá levar o caneco.


Uma derrota é sempre uma derrota, mas algumas acabam por ser vir de aviso. A derrota do passado domingo, sendo totalmente inesperada pode ser transformada em positiva?

Primeiro nós não eramos invencíveis, porque já tínhamos perdido com a Académica de Coimbra, algumas pessoas em S. Mamede esqueceram-se disso. Independente desse facto, não há equipas invencíveis e nós em todos os jogos, sejam com vitórias ou derrotas temos sempre coisas a tirar, a aprender e a ler. Sabemos que temos muito para crescer e aprova disso é o jogo da taça, por exemplo, embora tenhamos lá ido com praticamente jogadores de dezoito anos e atletas menos utilizadas, serviu-nos para perceber que ainda temos um longo caminho a percorrer se queremos jogar num nível da A1 e se queremos que as atletas continuem a evoluir.




Entrevista de;

Manuel Pina Fereira

sexta-feira, 21 de março de 2014

ENTREVISTA COM MIRCO CABRAL JUDOCA


No âmbito do protocolo de colaboração, em várias vertentes, entre o Boavista Futebol Clube – Actividades Amadoras – e a escola Fontes Pereira de Melo, Mirco Cabral, aluno desta Instituição de ensino, assinou contrato com o Boavista, na modalidade de Judo, continuando a representar a sua escola no desporto escolar e vestindo de xadrez no desporto de competição.

Fomos ao ginásio da Fontes,entrevistar Mirco, que também dá aulas de Judo - estagiando com os seus treinadores.
Foi durante uma aula de Judo, que entrevistamos este jovem Judoca.

Quem é Mirco Cabral?
Sou natural de Cabo Verde, tenho vinte anos e completo vinte e um no próximo mês de Abril. Vim para Portugal com quinze anos, decorria o ano de dois mil e nove.
Directamente para o Porto, ou para outra cidade?
Vim directamente para o Porto.
O ALUNO
Vamos falar um pouco do aluno. Frequentou outra escola em Portugal?
Não. Quando cheguei, decorria já o segundo período e por isso, não tinha escolas para entrar. Apresentei, aqui na Fontes, um pedido de acesso, que foi imediatamente aceite. A Directora da Escola, a Engenheira, Ana Alonso, no mesmo dia desse pedido, encaminhou para uma turma, na qual frequentei as aulas, embora não pudesse ser avaliado, por já ter passado a época de inscrições.
E manteve-se na turma, mesmo sabendo que não lhe valeria (oficialmente) de nada?
Sim, frequentei todo o ano como um aluno normal, ambientando-me e ganhando ritmo para o ano seguinte. Fiquei muito agradecido à Direcção por me terem dado essa oportunidade e reconheço que foi muito positivo.
Já terminou o curso, aqui no Fontes?
Sim, já terminei o curso, mas como desejo entrar para uma faculdade e em Setembro terei que realizar um exame nacional, que é obrigatório, continuo a frequentar as aulas, para conseguir melhores notas. Assim, continuo a ter aulas de português para melhorar os meus conhecimentos e continuo ligado ao desporto escolar, na escola.
Nesse capítulo, tenho conhecimento que já dá aulas de judo a alunos. Aluno e instrutor simultaneamente?
Estou a colaborar com os treinadores, que continua a ser os meus enquanto atleta. A minha colaboração serve de ajuda. Serve, também, para incentivar os meus colegas mais jovens que estão a começar a praticar o Judo.
Estando na Fontes há cinco anos, já se apercebeu que esta escola tem muitos alunos a praticar desporto federado. Esse facto, fica a dever-se ao espirito desportivo dos alunos ou existe um incentivo extra, por parte dos Vossos professores de Educação Física?
Vou falar da minha experiencia escolar no âmbito do Judo, no entanto, é perfeitamente visível o trabalho extraordinário de apoio do Dr. José Mário Cachada, que se empenha a cem por cento para o desporto escolar e não só com o Judo, mas em todas as modalidades. Conheço todos os professores de educação física e sei, que dão tudo para o desporto escolar. Levam-nos a todos os sítios e dão-nos todo o seu apoio, no Judo, no Futsal, no Atletismo.
Actualmente, os professores de educação física estão a impor a sua presença na sociedade. Anteriormente, não era assim. Você considera que um professor de educação física e um professor de corpo inteiro, como outro de qualquer disciplina?
Eu, até diria ao contrário. Hoje em dia, um professor de educação física tem um papel mais importante que qualquer professor. Hoje em dia, vemos os miúdos parados numa sala em frente ao computador, sem terem qualquer contacto com o desporto. Antigamente todos jogavam futebol, todos se movimentavam fisicamente, agora é só jogar play station. O professor de física, ligado a qualquer actividade lúdica/desportiva tem um papel fundamental no combate a um dos males dos jovens como sendo a obesidade infantil. Eu acho que se tem que dar o espaço merecido ao professor de física.

O JUDO
Vamos então falar um pouco de Judo. Como nasceu o gosto pela modalidade?
Tudo aconteceu no meu primeiro ano escolar, quando estava a fazer o décimo ano.
Então quando chegou a Portugal, não praticava judo?
Tudo começou aqui na Fontes. A professora, informou-nos que se tivéssemos actividade no desporto escolar teríamos benefício na disciplina de educação física. Eu estava a fazer o curso de desporto e soube, que a inscrição no desporto escolar, tinha o benefício de um valor na nota da disciplina. Eu até brinquei com a situação, perguntando se caso, eu tivesse vinte valores, com o ponto de benefício teria… vinte e um pontos (riu-se). Tinha um  colega praticava Judo, que me convidou para vir experimentar e assim fiz, gostei do que vi e estou aqui até hoje.
Do desporto escolar, para o desporto de competição. A partir daqui quais são os seus objectivos?
Estou focado neste ano, porque é o meu primeiro ano de sénior, vai ser um ano difícil para me adaptar ao ritmo de seniores, que têm pessoas com muito mais experiência que eu, alguns com mais anos de prática de Judo que eu tenho de vida e isso, no Judo, pesa muito. Mas resumindo, neste dois anos que se seguem quero marcar a minha presença no Judo sénior de Portugal.

O BOAVISTA
Você, acabou de assinar pelo Boavista como atleta federado no desporto de competição, dentro do espírito de colaboração que existe entre a Fontes e o Clube. O que tem a dizer sobre essa passagem para o Boavista?
Antes de responder, quero frisar que o Judo da Fontes no desporto escolar é também um clube. Quanto ao Boavista, para além do grande orgulho que esse facto representa para mim, devo dizer que durante o ano anterior eu já tinha o prazer de treinar no Bessa conjuntamente com atletas do Boavista, graças à amizade do meu mestre com o mestre Pedro Pinheiro do Boavista. O objectivo principal, era elevar o meu nível, treinando e convivendo com atletas de competição. Actualmente, graças ao protocolo que considero muito bom, ingressei de corpo inteiro no Boavista, repito, o que me dá imenso orgulho.
Os seus treinadores, José cachada e Pedro Seco, vêem um futuro muito promissor para si. Essa pressão que exerce não o incomoda?
O Judo já me ensinou muita coisa e entre essas ensinou a viver e lidar com a pressão. Em todos os combates que faço, sinto essa pressão, como a sinto na própria vida. O judo, não nos ensina só o combate desportivo, mas ensina, igualmente, a lidar com pressões da nossa vida.
Tudo que aprendemos no judo pode ser aplicado na nossa vida, por exemplo, eu sinto-me mais preparado e sei viver muito melhor, com a pressão que sinto, comparando com o que acontecia há anos atrás. A pressão que os treinadores exercem sobre mim, considero-a positiva, porque por vezes, ajuda-me a motivar-me mais que o que estou.
Não considera o Judo uma modalidade ingrata? Num combate se escorregar… tudo acaba sem hipótese de recuperação. Não acha isso, uma injustiça?
Não, sinceramente, não considero, porque num combate tanto eu como o meu adversário estamos em iguais circunstâncias e expostos às mesma condição, à mesma sorte, ao mesmo azar. Se eu posso escorregar, ele também pode escorregar…
Um pergunta de quem nada percebe de Judo. Como define a modalidade, o que é o Judo?
Eu diria que o Judo não é só um desporto, é acima de tudo, um estilo de vida. É fácil chegar aqui e praticar Judo, difícil é viver como um Judoca. Temos que tentar levar para o dia-a-dia o que aprendemos no tapete, ou seja, aprendemos a lidar com as situações que nos deparam dia-a-dia. Um aspecto, do qual gosto, é saber que aprendemos a cair. Vamos cair, mas sabemos que também aprendemos a levantarmo-nos. Vamos cair outra vez, vamo-nos levantar outra vez, isto é o ciclo da vida, é o ciclo do Judo, aprender sempre!
A nível de selecções ou a nível internacional já teve algum contacto?
Ainda não tive oportunidade de ser chamado a alguma selecção, mas através do apoio que a escola me deu tive a oportunidade de representar Portugal, duas vezes, na Taça da Europa. Estive presente em duas representações de Portugal no âmbito do desporto Escola, e confesso, que foram os momentos mais altos que tive e que me deram mais satisfação.
O que representa para si, estar aqui a ajudar os seus colegas conjuntamente com os seus treinadores?
Para mim é tudo! Eu no Judo o que mais gosto é de ensinar. Considero que se trabalhar muito irei ser um bom atleta, mas de certeza que no futuro serei muito melhor treinador que atleta eu gosto de ensinar.
Depois da receptividade que lhe proporcionaram na Fontes e mesmo sem conhecermos o que o futuro nos trará, o Mirco ficará sempre ligado à Fontes?
Sem dúvida. Sem saber o que vai acontecer, eu serei sempre um filho da Escola Fontes Pereira de Melo.

Entrevista de Manuel Pina Ferreira

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RUI PEREIRA, FALA DO PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Rui Pereira é sem dúvidas, um dos mais conceituados técnicos do nosso futsal. Axadrezado desde nascença, regressa uma vez mais ao Boavista e está a realizar uma época bem mais positiva que o esperado. Mas é nossa intenção falar um pouco sobre a paragem que o Rui experimentou nos últimos tempos. O porquê dessa paragem?

Já houve alguns períodos que estive fora da modalidade, cerca de uma época, época e meia, mas nunca foi por vontade pessoal. Esse afastamento temporário, ficou a dever-se a falta de convites por mim, como interessantes, ou de interesses de clubes.
Cheguei a pensar que o Rui Pereira, por razões familiares, teria decidido terminar com a carreira…
Não, aliás pelo contrário. A minha família, sempre fez parte deste projecto desportivo, é até uma razão de aproximação, nesse aspecto, as coisas estão organizadas para o futsal fazer parte da nossa vida conjunta. Os miúdos gostam de ver os jogos e de acompanhar a minha actividade desportiva, que nunca colidiu com a nossa vida familiar. É algo que está dentro dos nossos hábitos e relacionamento familiar. Como disse, foram dois períodos, algo longos, mas nada de anormal.


O Rui quase desapareceu do futsal, quase não era visto, daí a minha conclusão, que agora reconheço como precipitada.
É a minha postura pessoal, que quando não estou a treinar uma equipa, me afastar um pouco dos pavilhões e dos jogos ao vivo, para que a minha presença não seja mal interpretada e não sirva – de algum modo – como pressão sobre o meu colega que esteja a treinar o clube, ao qual eu estivesse a assistir ao jogo. É verdade que quando treino um clube, assisto a mais jogos que quando estou livre.
Quando treina assiste a muitos jogos?
Claro que sim, preciso de analisar adversário e de me aperceber de determinados pormenores, que só se verificam com uma presença física.

Vamos então ao regresso.  Sabendo que já se encontrava comprometido com outro clube, pergunto-lhe. Como surgiu o convite para o regresso ao Boavista e se o processo com o clube a que estava comprometido, foi pacífico?
Eu tinha um compromisso desde a época passada, assumido com o GD da Cohaemato. Fui convidado pelo presidente do clube e comecei desde logo a organizar a época, para trabalhar na Cohaemato. Comecei a organizar – e porque tinha muito tempo para o fazer – organizar o plantel, organizar… enfim tudo para entrarmos na época sem qualquer assunto em atraso. Organizei tudo debaixo das minhas características e da realidade da Cohaemato, naturalmente.
Mas então apareceu o Boavista. Como se dá essa aproximação, que aconteceu já na pré-época?
O Boavista, começou a sentir algumas dificuldades para conseguir a continuidade do treinador anterior, o Alberto Melo, que por motivos profissionais, pressentia-se, não poder vir a dar toda a atenção que uma equipa no primeiro escalão necessita. Notava-se, que o Berto ia ter problemas por motivos profissionais, para assegurar a presença em todos os treinos e penso, que essa situação levou a que me contactassem, apresentando-me um convite para regressar ao Boavista.

Como aconteceu todo o processo?
Depois de abordado por pessoas que considero amigas, com o Morais e o Rui Melo, ponderei e fui – como teria que o fazer sempre – conversar com o Presidente da Cohaemato. Explicar-lhes que o que estava em causa não era uma proposta financeira, felizmente (quando estava comprometido com a Cohaemato) tinha aparecido uma proposta financeira, que recusei, porque estava comprometido com o clube. Explicar-lhes que o que estava em causa era o Boavista, o meu clube do coração, o clube onde estive mais anos consecutivos como treinador, o clube que me liga a toda a família, pois todos somos – na minha família – boavisteiros. Eles entenderam e assim tudo se passou de forma civilizada e pacifica entre as partes interessadas.
  
Vamos entrar então no mundo do Boavista. Eu confesso e todo o país com a excelente temporada axadrezada. A si responsável, pela equipa. Surpreendo ou nem por isso?
Vamos ser rigorosos. Realmente a pontuação que o Boavista tem neste momento é uma surpresa, pela positiva. Nós não esperávamos que a época estivesse a correr tão bem como tem estado a correr, como até agora. O Boavista, quando me convidou, fê-lo para ficar à frente de dois clubes, que é como quem diz, evitar a descida de divisão. Sabíamos que podíamos fazer um pouco mais, se o plantel correspondesse, se as coisas corressem bem etc… mas o objectivo do clube era a manutenção.
Era?
A época tem-nos surpreendido pela positiva, mas ainda falta muito para se jogar.
Deixe-me acrescentar, que quando vi o calendário, o considerei muito problemático e pensei que só pela sexta jornada, conquistariam os primeiros pontos. Enganei-me. O que quero dizer sobre isso?
Sinceramente não me assustou e até considero que o calendário foi positivo, nesse aspecto.
Explique lá isso.
A equipa técnica entrou uma semana antes do início do campeonato e por isso uma semana antes do jogo com o Belenenses e aproveitamos as duas semanas seguintes. Semanas em que defrontávamos o Benfica e o Sporting, para realizar a nossa adaptação ao grupo, com os nossos métodos numa nova pré-temporada chamemos-lhe assim. Fomos impondo as nossas formas de estar, de trabalhar e sistemas de jogo. Nessas três semanas trabalhamos sem grandes pressões preparando o futuro. Por estas razões considero que o calendário foi de certo modo, positivo.
Desistiram dos jogos com os Lisboetas?
Nunca se desiste! Encaramos, foi esses dois jogos como jogos de pré-temporada, se acontecesse algo de bom… tudo bem. Mas nada melhor que trabalhar sem a pressão dos pontos e nesse aspecto, considero que o Benfica e Sporting são adversários, em que ninguém pode esperar ganhar pontos antecipadamente, sendo assim os melhores adversários que poderíamos ter nesse período.


Conhecendo os adeptos, como conhecemos, podemos dizer que agora atravessamos a fase da euforia, em que tudo é possível e tudo se exige. Já tive o prazer de trabalhar muitos anos consigo e sei que não partilha desse entusiasmo. Como lê a situação, quando apenas se realizou a primeira volta?
Nesta fase não jogamos com objectivos classificativos, neste momento continuamos a jogar para conquistar pontos, jogo a jogo, semana a semana, para amealhar o maior número de pontos. Nesta fase, continuamos a trabalhar para evitar a descida de divisão.

Nos anos anteriores, os números de trinta e dois pontos davam para entrar no play off. Tendo conquistado, já, vinte pontos, o Boavista está a doze de se entrar nessa fase final?
Quando estamos a jogar com o Braga ou com o Belenenses, jogamos para ganhar. Não estamos a pensar se aqueles pontos, vão servir para este ou aquele objectivo. Sinceramente, neste momento, o nosso objectivo é ficar na primeira divisão. Ainda fazemos as contas às diferenças de pontos entre nós e a primeira equipa que está na zona de descida. Enquanto essa distância não for impossível de ser invertida, nós lutamos para não descer de divisão.
Quando conseguirmos atingir uma margem pontual que nos garanta a manutenção então a partir daí iremos redefinir os nossos objectivos, para que a equipa se mantenha unida e ambiciosa.

O campeonato está um pouco anormal – na minha opinião – temos tubarões afundados… que de repente podem acordar e tudo se alterar. Concorda com esta minha visão?
Completamente. O campeonato está um pouco irregular, neste momento temos duas equipas na situação de descida com doze pontos e por isso apenas a oito do quinto lugar… quando se referiu a tubarões, estou a ler… Rio Ave, Modicus, Olivais. Eu digo-lhe que a pontuação dessas equipas não está traduzida em pontos e que a qualquer momento, essas equipas podem começar a subir na tabela. Nós estamos sempre à espera semana a semana, que essas equipas comessem a somar três/quatro vitórias consecutivas e saiam da posição em que se encontram. São equipas com ambições, com tradição e equipas com valores e  plantel capazes de alterar tudo num espaço curto de semanas. Eu estou á espera que isso aconteça, por isso, considero importante, todos os pontos que possamos conquistar agora. Veja, por exemplo, que o Modicus foi há duas épocas um dos primeiros classificados, foi á final da Taça, o Rio Ave foi o terceiro classificado do ano anterior, são clubes com historial no nosso futsal. A segunda volta pode vir a ser muito diferente da primeira.

A prova sofreu alteração. Terminou o play-out (ainda bem, digo eu. Já fomos vitimas dessa ingrata e injusta fase) agora descem dois directamente e quatro terminam a época mais cedo. Qual a sua análise a este quadro?
Eu considero uma  alteração positiva, porque as equipas que sobem do segundo escalão, praticamente descem. Mesmo com quatro descidas, esses lugares eram (quase sempre ocupados pelos quatro que subiam) algumas equipas foram excepções. Furou o ano passado o Cascais, furou há dois anos o Rio Ave e mais atrás furou o Modicus. As equipas que sobem apresentam um deficit competitivo, comparadas com as que já estão há alguns anos no escalão. Por estas razões considero, uma alteração positiva.
Mas na próxima época só subirão dois, um de cada zona. Isso não tirará interesse ao segundo escalão?
Não há, na segunda divisão mais que uma duas equipas com qualidade para jogarem na primeira divisão. As diferenças são abismais, normalmente a segunda classificada de cada série da segunda divisão, não apresenta condições para competir no primeiro escalão.

A modalidade em Portugal encontra-se em mudanças. Todos criticamos, mas nem todos apresentamos soluções. Com o é que o Rui Pereira vê a actualidade e o futuro do futsal em Portugal?
Fruto da crise que atravessamos e das dificuldades que existem actualmente, há dificuldade em conseguir patrocinadores em que todos os clubes tenham condições de manter os seu melhores jogadores, verificamos que alguns clubes, mesmo de meio da tabela, viram os seus jogadores saírem para jogarem em diversos campeonatos estrangeiros. Essa realidade equilibrou mais o campeonato, mesmo que por baixo, mas tem a vantagem de estar a permitir trabalhar mais com jogadores jovens na primeira divisão que noutros tempos não teriam oportunidades. Tudo somado, estamos a ter um campeonato mais equilibrado e mais competitivo. Há três/quatro equipas de um nível superior e todas as outras competem pelo título de não descer de divisão.

A crise também afecta o futsal?
Claramente. Os melhores jogadores nacionais saem mais facilmente e os clubes deixaram de ter grandes hipóteses de ir buscar ao Brasil jogadores com o valor como se fazia até aqui.
A base de progressão que deveria nascer na segunda divisão, não se nota na primeira?
As diferenças entre a segunda e a primeira divisão, são um abismo. Não na qualidade de jogadores que teriam sempre tempo de evolução, mas no ritmo de jogo, na intensidade do mesmo, dos parâmetros físicos entre os dois escalões. Nós na segunda divisão podemos com sete/oito jogadores de média qualidade fazer um bom campeonato, mas é impossível, na primeira, com um plantel curto somar muitos pontos. Estas são as condições que um clube promovido depara quando chega ou primeiro escalão.


No caso do Boavista, o plantel estava preparado para manter uma tranquilidade no primeiro escalão?
Considero que sim. Nós trabalhamos, com base, não na ideia de nos preparamos para os jogos com determinadas equipas, consideradas adversárias directas, preparando-nos para um pico de forma para determinados jogos, mas preparamos a equipa para crescer, mesmo sem saber se o conseguia num espaço de tempo útil, desconhecíamos se demoraria dois/quatro/seis meses, mas trabalhamos para a equipa poder jogar para vencer em todos os jogos e não só em alguns jogos e com alguns adversários. O plantel reagiu mais rápido que o esperado, e considero que está pronto para qualquer jogo.

Mas é um pouco adverso ver o Boavista a treinar das vinte e duas horas e meia até à meia-noite, com atletas trabalhadores e de depois jogar com equipas que realizam dois treinos diários em horário nobre, Concorda?
Isso faz de nós pessoas mais bem preparadas. Os jogadores treinam nesse horário que referiu, levantam-se cedíssimo para as suas actividades profissionais e portanto, isso é uma dificuldade acrescida, mas dentro dessas dificuldades a capacidade de superar essas mesmas dificuldades, vem mesmo do interior do grupo e da sua qualidade. Nos últimos jogos, temos verificado que estamos a atingir um determinado patamar, que há muito tempo desejávamos atingir e a verdade é que não se tem visto a diferença entre as equipas com melhores condições que as nossas. Por exemplo, o Braga deverá ter cerca de oitenta por cento de um plantel profissionalizado e o ritmo que o Boavista conseguiu impor, no jogo em que os dois clubes se defrontaram, não permitiu ver quem treinava duas vezes por dia ou duas vezes por semana.

O Rui Pereira não é treinador que defenda ser possível ter a equipa em picos de forma, preparando-se para fases?

Nós tivemos a felicidade que logo após o jogo com o Belenenses da primeira volta, ter o tal espaço competitivo sem grandes pressões, verificar que não estávamos preparados, não conhecíamos a equipa e aproveitamos esse tempo para nos adoptarmos ao plantel e ele ao nosso ritmo de trabalho. Aproveitamos esse quinze dias e depois já estávamos preparados para jogar com o Olivais já com o ritmo preparado para combater com uma equipa da categoria, experiência, intensidade e conhecimento de primeira divisão do Olivais.

Se me permite vestir o equipamento de treinador, eu analiso que o plantel do Boavista é constituído por três escalões. Um de veteranos activos, comandado por um enorme jogador de nome Ivan, depois por um grupo com alguma experiencia e finalmente por jovens à procura do seu espaço. Com este misto, como se constitui um plantel coeso?
Fez a imagem correcta do plantel. Nós quando chegamos ao Boavista definimos que tínhamos três grupos de jogadores - não vou utilizar nomes, mas podia, porque isto que vou tornar público já lhes disse a eles – um conjunto muito veteranos, com muita experiencia de primeira divisão, mas considerados (repito, considerados) demasiados veteranos, comandados por um grande exemplo de longevidade (Ivan) que há treze anos atrás fez parte da Selecção Portuguesa que conquistou o terceiro lugar no campeonato mundial. Ivan é um exemplo que a análise que possa ser feita às pessoas pelo seu bilhete de identidade pode ser completamente errada. Este grupo de veteranos, normalmente já não compete a nível de primeira divisão.
O segundo grupo de jogadores em evolução.
Esse grupo é composto por jogadores, que têm alguma experiencia de segunda divisão, onde jogaram o ano passado. Muitos vieram das equipas de formação. E outros que com alguma experiencia, que jogaram no Boavista na época de descida e atravessaram a época passada no regresso ao primeiro escalão. Juntando a estes, um conjunto de aquisições com experiencia na segunda e terceira, que nunca jogaram no primeiro escalão.
De tudo se fez uma boa equipa?
Conseguiu-se um plantel agradável. O Boavista não tem feito uma utilização com cinco/seis jogadores. Antes pelo contrário temos feito uma utilização bastante ampla, mais que duas equipas completas a jogar.

Desculpe, mas isso contraria de certo modo, a sua forma de utilização de um plantel, nos tempos anteriores. A que se deve essa alteração de mentalidade competitiva, por parte do Rui?
Antes de mais, foi a minha forma de me adaptar, eu próprio à evolução da modalidade. Hoje em dia o ritmo com que se joga na primeira divisão, é um ritmo completamente diferente, com que se jogava no passado. A intensidade é muito mais forte e por isso é mito difícil jogar toda uma época com base em cinco/seis jogadores. Para além disso e da alteração que tive que impor aos meus métodos para me manter actualizado e acompanhar a evolução da prova, que utilizei há duas épocas no Modicus e agora no Boavista. Para além disto, dizia, tive que ter em conta as características do plantel que tinha para trabalhar.

Como o define?
É um plantel bastante equilibrado, no qual tem havido poucas oscilações. Já tivemos diversos jogadores jogar de início, diversos jogadores a jogar mais de vinte minutos e não são sempre os mesmos. Quando um jogador vacila um pouco em termos de forma, logo encontramos m para preencher essa lacuna temporária. Deixe-me dizer-lhe que desde que cheguei ao Boavista, com grande alterações no plantel, o Boavista fez apenas três contratações e uma delas ainda nem sequer foi utilizada. Utilizamos muito do grupo que fez a ápoca anterior e pré-temporada com a equipa técnica anterior.
Então evoluíram mentalmente muito! Porque no ano passado, mesmo comandando a classificação se sentia, no grupo algum nervosos que eu próprio apelidei publicamente de exagerado. Houve assim tal evolução?
Não sei como estavam anteriormente. O que lhe sei dizer é que têm estado ao nível das exigências. Fizemos duas contratações, o Kukes eo Edivaldo e agora o Tiago Moreira, do segundo escalão. É verdade que no meio do processo regressou ao grupo o Ricardo Santos. Não houve, assim uma revolução muito grande e foi com base no grupo do ano passado que se alicerçou o grupo de trabalho. Houve mais saídas que entradas, mas estas foram muito direccionadas para os pontos considerados importantes.

Rui, todos os adeptos e atletas querem vencer (sempre) os jogos todos. A equipa técnica vai apontar para jogos considerados vitais, ou encarar todos os jogos por igual?
A nossa mentalidade, desde que aqui chegamos, foi definir com os atletas, que a nossa classificação não iria ser decidida no jogo “x” ou “y”. Embora, sabendo que o jogo com o Olivais, como o último jogo com o Belenenses, são jogos diferentes, porque são adversários directos e os pontos que eles ganham entram na contagem global que nos diz respeito. São jogos que quase valem seis pontos, pois são os pontos que nós ganhamos e os pontos que eles não somam. Apesar dessa visão, nós decidimos que não haveria jogos especiais, em todos os jogos podemos conquistar pontos. Essa é a nossa postura na competição. O jogo do Braga é o melhor exemplo disso. Se tivéssemos considerado que esse jogo não era do nosso campeonato, pela excelente época do Braga, não conseguiríamos vencer e tão categoricamente como o fizemos.
Mas falou no jogo com o Olivais, porquê?
É um jogo muito, muito importante. Se conseguirmos vencer lá, praticamente garantimos a manutenção e podemos começar a pensar de outra forma para outros objectivos. No caso de uma derrota nesse jogo, as coisas ficarão muito complicadas por mais uns tempos.

Mas antes disso há o jogo com o Benfica.
Sinceramente gostava que os adeptos do Boavista fossem ver esse jogo, porque podem ter uma agradável surpresa.

Concorda que o campeonato está um bocado esquisito?
Normalmente, uma equipa que estivesse no quinto lugar, como estamos, estaria tranquila. Teria já o décimo primeiro e décimo segundo a uma distância pontual para já estar tranquilo e preparar já, outro tipo de objectivos para a prova. O campeonato não está assim. Há duas jornadas atrás, a diferença entre o sexto e o décimo terceiro era de quatro pontos, portanto, com dois maus resultados seguidos e tudo se poderia alterar profundamente. Agora esticou um pouco mais, a nossa distância de quinto para a primeira equipa da posição de descida, é de oito pontos. Dois maus resultados levam para a fase de manutenção, dois resultados positivos trazem a equipa para o plau off.
Isso é uma mensagem para os seus jogadores?
Exactamente, exactamente! Para eles e para todos os interessados. Nada está ganho, estamos muito bem, mas com nada garantido. Olhe o jogo com o Belenenses, dá para tirar muitas ilações. O Boavista fez vinte e cinco minutos fantásticos, com toda a agente a pensar numa goleada e o jogo estava para isso, mas com a reacção do Belenenses o jogo terminou com um resultado banal.
O treinador teve que trabalhar nos últimos dez minutos, para garantir a vitória num jogo em que chegaram a ser muito superiores!
O treinador teve que trabalhar e deve servir como um exemplo. Se nós virmos este jogo como tem sido a nossa época. Se considerarmos que metade do campeonato e mais um jogo, foram os vinte e cinco minutos do jogo com o Beleneneses e o que nos falta são os últimos dez minutos desse mesmo jogo,  só há uma certeza…
Que é…?
Descemos de divisão! Vamos sofrer muito. O Boavista tem que manter os mesmos prossupostos que nos trouxeram até aqui e com a mesma atitude, podemos fazer uma época fantástica, se baixarmos, nem que seja um bocadinho, a guarda as coisas podem complicar-se profundamente e para isso, que aqui estamos para evitar essa situação.

Primeira volta com dezassete pontos, se conseguirmos uma segunda volta igual.. dá…
Dá play off! (interrompeu)
Mas com trinta e quatro pontos, pode não jogar com nenhum dos primeiros dois… (Rui deu uma gargalhada e rematou a conversa)
Deixe-me, terminar agradecendo o grande apoio dos adeptos do Boavista. Tem sido um apoio fantástico e mais que lhes agradecer, quero dizer-lhes que são imprescindíveis neste percurso e pedir-lhes para manter esse apoio em toda parte que nos falta. Em nome de todo o grupo de trabalho lhes agradeço.

Entrevista de




 Manuel Pina