segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

JOÃO MARQUES NUMA PARAGEM DE SERVIÇO

João Marques, é um boavisteiro de sete costados que se dedicou de corpo e alma ao clube e em especial ao Futsal.
Foi atleta do Clube em todos escalões de formação. Depois de breve ausência regressou ao Boavista para desempenhar os cargos de treinador adjunto das equipas de Juniores e Seniores.
Estudando na Faculdade de Desporto, vai ser obrigado a deslocar-se ao Brasil para efectuar um estágio do curso Erasmo.
Na véspera da partida para o Brasil fizemos uma retrospectiva da época.
João vais interromper a tua participação no Boavista por uns meses. Confirmas?
Sim confirmo, parto no Sábado para o Brasil. Estou a frequentar a Faculdade de desporto aqui do Porto e através de um protocolo que temos com algumas Instituições, tenho a possibilidade de ir estudar cinco meses para o Brasil.
Para que cidade?
Vou para Flororipa, em Santa Catarina.
Estava previsto?
Sim já era previsto esta situação há cerca de nove meses mas a confirmação saiu há cerca de dois meses e agora está na hora da partida.
Tu eras dois em um. Treinavas os seniores e juniores e agora a falta vais sentir-se igualmente nos dois escalões. Vamos começar pelos Juniores. Como vês a situação da equipa?
Para já temos que começar com as alterações impostas pela FPF que mudaram radicalmente a prova, já para este ano. Como sabe agora serão apurados dois clubes da associação do Porto em vez de um, como até aqui.
Altera o campeonato?
Altera substancialmente a estrutura do campeonato. Anteriormente haveria duas equipas a lutar por um lugar. Com a abertura de duas vagas, fez com as possibilidades de apuramento fossem abertas a mais duas equipas. Neste caso o Caxinas e o Rio Ave, quando anteriormente a luta era entre o Freixieiro e o Boavista.
Mais luta?
Sim. E o que veio complicar ainda mais a nossa situação foi a derrota que tivemos com o Caxinas, que permitiu a reentrada desta equipa na luta pela subida.
Como está a decorrer a época, na tua opinião?
Na minha opinião, está a ser uma época muito positiva, para além de no início terem acontecido alguns problemas que não desejávamos que acontecessem. No início da época, tivemos pouco tempo de pavilhão, derivado aos problemas que são conhecidos por todos. Mas depois desta fase a equipa conseguiu a atingir um nível muito bom. Obtivemos uns excelentes resultados, tirando esta derrota inesperada, atingimos um nível excelente de futsal. Temos uma equipa constituída por excelentes jogadores a quem auguro um grande futuro pessoal e que igualmente podem dar ao clube um excelente futuro e ao futsal nacional.
Qual é o ponto da situação classificativa?
O Freixieiro está em primeiro com a vantagem sobre nós, de três pontos e nós temos a vantagem, de um ponto sobre o Caxinas. O Rio Ave, está na minha opinião fora da corrida. Por isso, a cinco jornadas do final está uma luta a três para dois lugares.
As coisas estão apertadas…
A margem de erro é zero.
O que dizes da experiencia de trabalhar com Pedro Ferreira?
É impossível não gostar de trabalhar com o Pedro Ferreira. O Pedro no futsal dispensa quaisquer apresentações, é antigo internacional e estudioso da modalidade. Não tenho qualquer problema em dizer que aprendi mais nestes dois anos a trabalhar com o Pedro que em treze anos a jogar. Foi uma vantagem poder ter trabalhado com ele como para os jogadores é uma grande vantagem terem o Pedro Ferreira como seu treinador. Como pessoa e como técnico é uma grande vantagem. Nunca nenhum treinador, me conseguiu ensinar o que apreendi com ele. Foi um enorme prazer e uma grande sorte ter trabalhado com o Pedro Ferreira.
Eu senti que vocês no ano passado no Juvenis sentiram alguma dificuldade impor a visão do Pedro na equipa. Concordas?
Sim. Nós nos juvenis sentimos a dificuldade, porque quisemos impor um ritmo como sendo uma equipa de seniores. O Pedro, defende que só sabe trabalhar com um rendimento e rigor como se as equipas que treina fossem seniores, sem paragens… sempre a duzentos. Nos juvenis encontramos uma equipa que não estava preparada para treinar e jogar a esse ritmo. Esta época, nos Juniores, tendo conhecimento que ainda não é uma equipa sénior, sabemos que temos uma equipa de grande qualidade de treino a que aliam a sua grande qualidade técnica. O fruto da é a qualidade do jogo que apresentam é resultado do seu empenho nos treinos e na qualidade com que o fazem.
Passemos aos seniores. Achas que ainda é possível atingir a manutenção?
Com as alterações que o plantel sofreu, a equipa é claramente mais competitiva e mais forte, mais adulta, mais equilibrada e experiente. Temos a perfeita noção que estamos numa situação frágil, que nos vai obrigar a trabalhar e sofrer muito, para conseguir os objectivos, mas como disse com esta equipa mais forte acredito que vamos conseguir a manutenção. Temos muitos jogadores com qualidade e valor para o Boavista alcançar esse objectivo.
Mas vai ser muito difícil?
O nosso campeonato começa com o AMSAC e para além de o termos de vencer, teremos que vencer todos os jogos que disputarmos, mas o jogo com o AMSAC é fundamental.
Como vai passar o João Marques longe do “seu” Boavista e principalmente longe do futsal do Boavista?
Vai ser complicado… muito complicado! E vai ser complicado porque, isto já faz parte de mim. O futsal e o Boavista fazem arte de mim, mas mesmo no Brasil vou procurar estar sempre informado sobre o clube e sobre tudo que se passa por cá.
No Brasil, vai ser só estudos?
Vou trabalhar lá com uma equipa Brasileira. Já tenho os contactos e tenho que agradecer ao Ivan que me deu muitos contactos no Brasil e que está a tentar fazer com que seja possível realizar lá um estágio. Vai ser complicado separa-me da minha família e da família Boavisteira, mas sinto-me preparado e acho que será favorável na minha evolução pessoal e desportiva.
No regresso, qual o objectivo a seguir?
Quando regressar ainda não terei o curso completado, faltando um semestre para o completar. Com a crise que atravessamos tenho a consciência que será difícil conseguir um trabalho, mas tudo farei para o conseguir. A nível desportivo vou tentar evoluir no futsal e esperar pelas oportunidades que surgirem.
Um dia veremos o João como treinador principal de uma equipa?
Espero bem que sim. Os meus objectivos passam por isso. Claro que ainda estou numa fase de aprendizagem, espero no futuro adquirir os conhecimentos para alcançar um patamar que permita esse objectivo, que é uma meta de qualquer treinador.
Quem te conheceu como eu há meia dúzia de anos, verifica que a tua carreira tem sido fulgurante. Não tem sido assim, um pouco precoce?
Tenho que admitir que foi rápido. Na altura, quando entrei para o Boavista, foi para ajudar o treinador dos iniciados que era o Vasco Fragata e sem falsas modéstias, sinto que neste momento já atingi um patamar bastante elevado que é ser adjunto de uma equipa de primeira divisão Nacional e daquela que considera a melhor equipa Nacional de Juniores.
Vi-te como jogador de iniciados, depois juvenis, juniores… regressas para colaborares e de repente, deixas de ser um colaborador e todos te vêem como um treinador de corpo inteiro. O que sentes?
Orgulho naturalmente, mas a consciência que tenho trabalhado para atingir esse estatuto. Tem sido rápido, mas tem sido conquistado por mim. Por isso, tenho orgulho nisso! Fico feliz por saber por intermédio de jogadores e agora pela voz do senhor Pina, que gostam do meu trabalho. É bastante ouvir esses comentários como é gratificante sentir o entusiasmo dos jogadores nos treinos que eu dirigi.
Mas a tua decisão desportiva, foi quando abandonaste a prática como atleta, para tão jovem apostares no cargo de treinador. Como se processou essa decisão?
Quando estive no plantel júnior do Foz, a minha aposta era fazer parte do plantel sénior na época seguinte, porque o Foz estava na segunda nacional. Com a mudança de treinador isso não foi possível e como não iria fazer parte do plantel. Aí tomei a decisão de apostar na carreira de treinador abandonando a carreira como jogador. Preferi isso que ir jogar para uma equipa do distrital só para me entreter. Sempre joguei e habituei-me a jogar para vencer.
O treinador do Voleibol do Boavista, defende que até aos juniores todos têm o direito de jogar, depois deste escalão, todos devemos analisar se devemos ou não continuar. Concordas com esta visão?
Completamente de acordo.
O Brasil é sinónimo de desporto. Como vais responder aos Brasileiros quando te questionarem sobre o Boavista?
Vai ser complicado. Para além de toda a gente saber a minha opinião sobre esta realidade, também tenho que dizer que sinto que o Boavista, e não só o futebol, está a ser alvo de várias injustiças. Sinto que a sociedade já tem aquele julgamento, que se é Boavisteiro é corrupto!
É habitual perguntarem, então o teu clube ainda não acabou? Eu não terei problema algum de chegar ao Brasil e dizer que o Boavista ainda não está morto, que o Boavista ainda pode renascer das cinzas. E afirmar que há milhares de pessoas a trabalhar para que o Boavista possa renascer.
O João Marques, crítico vai dar lugar ao João do laço… no Brasil?
A minha opinião não vai mudar, mas é óbvio que lá não assumirei a minha opinião critica e tentarei transmitir um ideal de esperança e força em defesa do meu clube.
Mas o João ainda não partiu. E pergunto, tens esperanças neste Boavista?
A nível de clube, acho que cada vez está mais difícil, porque cada mês que passa as dividas vão aumentando e não está a ser feito nada para que essa situação seja alterada. Está a ficar cada vez mais complicado, mas optimista como sou, e vendo uma quantidade de pessoas que apostados em trabalhar para o Boavista, espero que tudo um dia melhore… mas vai ser muito difícil.
No teu regresso, estás à espera que os teus juniores estejam no aeroporto para te entregarem a tua faixa de campeão nacional?
Era bom sinal. Era sinal que tínhamos alcançado os nossos objectivos. Embora defendamos que estamos na formação mais para formar homens para o futuro e jogadores para entrar numa equipa competitiva de seniores e mesmo numa futura selecção, mesmo assim, é óbvio que ser campeões seria fantástico. Era sempre muito bom ter lá no aeroporto a tal faixa à minha espera.
Alguma mensagem para os teus jogadores?
O que tinha a dizer já lhes disse. Tenho que agradecer tanto aos juniores como aos seniores o prazer que tive em trabalhar com eles, ver que jogadores que tanto deram ao futsal nacional, considerados dos melhores que jogaram em Portugal, reconhecerem o meu trabalho isso é para mim espectacular. Desejo que todos consigam atingir os seus objectivos, que isso é que é fundamental.
Entrevista de Manuel Pina

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MANUEL MOREIRA, APONTA O DEDO NA FERIDA

Treinador dos Iniciados de Futsal
Manuel Moreira, treinador da equipa dos Iniciados, demonstrou estar desagradado com algumas situações e resolveu colocar o dedo nas feridas, antes que seja tarde.
Não é uma entrevista pacífica, mas sim de um Boavisteiro, preocupado com a situação que acha estar a prejudicar o seu trabalho.
Qual o seu passado, só para nos sintonizarmos?
Joguei em dois clubes de maior nomeada, o Coimbrões e o Juventude de Gaia e comecei a treinar este clube, quanto tinha dezassete anos. Consegui a subida de divisão em Iniciados no ano passado. Estou no Boavista pelo primeiro ano, mas sou adepto e sócio do Boavista há muito anos.
Como está a decorrer a época?
Infelizmente, não está a correr como eu esperava. Para já, porque a pré-época correu mal, em termos de inscrições e de jogadores e isso está a repercutir-se no campeonato.
Pareces muito preocupado…
Isso é devido ao comportamento de alguns jogadores, ou melhor dizendo da falta de comportamento de alguns jogadores. Esses jogadores não se têm comportado como jogadores do Boavista e não demonstram conhecer e adequar aos valores que a Instituição tem e ao seu passado.
Só na tua equipa ou mais que isso?
Talvez não só, mas eu falo pela minha equipa. Tenho aqui jogadores, simplesmente, porque já estavam e me disseram que eram jogadores para continuar. Mas se fosse por mim, não estavam aqui.
Mas queixas-te de quê?
De disciplina e não só! Eu acima de jogadores, formo homens. E formamos homens incutindo-lhe valores para que não sejam bons só no futsal, mas que também sejam bons lá fora na sua vida. Alguns têm uma base boa, mas outros não a têm. Alguns têm capacidade de entrega, de empenho, durante os treinos e jogos, nunca desistem por uma bola, respeitando a opinião de colegas e Directores e Treinadores. Outros, não mostram nada disto e fica muito aquém daquilo que eu esperava quando vim para cá.
Estou surpreendido. Isso é constante?
Tem fases melhores, tem fases piores.
Mas isso não é uma missão do treinador…
Infelizmente, cada vez mais…é.
Mas acha que deveria ser?
Considero isto, porque (como diz um professor meu) cada vez há mais cancros no desporto de formação. E talvez, o maior cancro sejam os pais!
!!!
Partilho da opinião do meu professor quando diz isso. Não sei se eles têm educação em casa, mas eles têm valores, têm comportamentos que não se ajustam ao que eu desejo que tenham quando trabalham comigo. Não vão de encontro à minha filosofia, nem vão de encontro aquilo que é a filosofia do Boavista e dos valores necessários na formação, para no futuro serem atletas seniores do Boavista.
Estás desiludido?
Repare, não estou desiludido por estar no Boavista. Sou Boavisteiro e tenho muita honra em servir naquilo que posso, o meu Clube. Venho para aqui sempre com a mesma vontade e concentração, mas temos que dizer as verdades e as coisas negativas não devem ser escondidas.  Seria mentira se estivesse a dizer que as coisas estão muito bem, que os miúdos são fantásticos – não digo que não sejam – o que digo é que têm comportamentos que não adaptam ao Boavista.
Como está a classificação?
Neste momento, estamos em oitavo lugar, muito mais próximos da descida que dos primeiros lugares. Viemos de uma fase negra de sete jogos, nos quais só conseguimos um empate. Nada justificava que essa situação acontecesse, pois tínhamos começado com três vitórias consecutivas. Mas a realidade é que estou mais preocupado com a luta dos lugares de baixo que com os lugares de cima.
O que espera para o futuro?
Acima de tudo que a equipa seja reforçada. Foi a condição que coloquei quando apresentei a proposta de colocar o meu lugar à disposição. Eu estou no Boavista para ver o Clube vencer, mas se vejo que o clube não vence comigo, é lógico que à que dar lugar a outra pessoa que o consiga colocar no rumo das vitórias, fazendo melhor que eu.
Qual a posição da Direcção?
A Direcção rejeitou essa minha posição, mas a condição que ficou assente era de reforçarmos a equipa, com jogadores novos este ano. Estamos a ver jogadores, mas sabemos que não vai ser fácil. Primeiro, porque é para o Boavista e ninguém querer fornecer jogadores ao Boavista, apesar de continuar a defender que nós temos uma das melhores escolas de formação. Espero ver a equipa reforçada, espero que a atitude dos que cá estão melhore e que todos juntos consigam mostrar o que é o Boavista.
Tem esperanças de uma mudança de comportamento?
Tem que acontecer,  se não as coisas vão ser muito difíceis para o futuro. Não falo de Directores nem de treinadores. Falo de jogadores! Temos que remar todos para o mesmo lado, se não vêem tempos muito difíceis. Sei que é uma equipa nova, que temos de dar tempo para as coisas acontecer, mas o tempo  que já têm  juntos,  é  mais que suficiente para haver uma maior união. O que mais incomoda é que não são os que vêm de fora que trouxeram essas atitudes, mas sim os que cá estavam há mais tempo.
Sentem as “costas quentes”?
Só se for por parte dos pais, que por minha parte não têm qualquer hipótese disso. É mau para eles agora e no futuro. Enquanto eles não perceberem que no futuro eles vão ter um patrão, alguém que mande neles – a não ser que o pai lhes abra uma empresa – eles vão ter sérias dificuldades para conseguir um emprego e depois evoluir. Eu não duvido que até podem ser muito bons na escola, mas a escola não é tudo. Eles até podem ser assim aqui e lá fora serem melhores… mas a mim o que me interessa e diz respeito é aqui.
Sente que pode alterar?
Claro. Acho que está na altura de alterar tudo, para que o Boavista comece a vencer e que comece a ser respeitado. Temos que alterar e já. Temos um projecto para o ano, do qual já falei com o Rui Costa, fazendo uma selecção mais rigorosa de quem nos interessa e de quem quer colaborar no futuro. Sempre que jogamos, há no adversário um ou dois jogadores que já estiveram no Boavista. Falo sobre ele e dizem-me que era um jogador atinado e que respeitava, mas que tecnicamente… logo, acho que aqui só interessa quem jogue bem. Mas e a personalidade? Espero e desejo que as coisas se alterem.
Em relação ao presente?
Alcançar a manutenção o mais depressa possível e depois pensar em mais alguma subida na classificação, mas o que é urgente é alcançar a manutenção o mais rápido possível. Espero um bom comportamento para acabarmos a época bem, quer no campeonato, que na Taça da Associação.

 

Entrevista de Manuel Pina

domingo, 4 de dezembro de 2011

MÁRCIO MESQUITA, UM TODO TERRENO

MÁRCIO MESQUITA

Márcio Mesquita é um Boavisteiro que entrega parte do seu tempo livre ao clube. É mais um dos anónimos que poucos conhecem e que muito trabalha. É seccionista da equipa das escolinhas  de futsal, pertence ao Grupo da Panteras negras, é Dirrigente da A. Amigos e Editor do Blog do Futsal de Formação.
Para conhecermos um pouco melhor a sua actividade, escutamo-lo durante um treino da sua equipa de jovens.
Quando começaste (e como se processou esse ingresso) como seccionista de futsal ?
Há duas épocas. Foi através do contacto do Armando Simas, eu conhecia a esposa dele e a senhora falou da possibilidade para ajudar o Clube. Falei com o Simas e pronto, aqui estou.
OS ESCOLINHAS

Sempre neste escalão?
Sim. Sempre nos escolinhas.
Como está a decorrer a época?
Esta época está um pouco diferente da passada. Na época passada tínhamos jogadores mais evoluídos tecnicamente. A presente, tem jogadores, que penso, poderão vir no futuro, a dar mais alegrias ao Boavista. É uma questão de evoluírem, como todo esperámos.
No conjunto são de que ano?
Na sua maioria este plantel é formado por jogadores do primeiro ano.
Este escalão, sendo o primeiro é de formação de atletas, mas essencialmente de futuros homens. Tens neste plantel algum elemento mais difícil?
Basicamente anda tudo na linha do esperado. Sendo um escalão de (base) da formação e querendo formar os miúdos como futuros cidadãos, temos que formar também os atletas a nível competitivo. As duas vertentes juntas serão o ideal, pelo qual o grupo de trabalho luta. É necessário que eles lutem pelas vitórias que as sintam, porque o Clube vive de vitórias…
Competitivamente como está o campeonato?
Estamos a meio da tabela. Estamos inseridos numa série difícil, na qual estão, os ditos grandes. O Freixieiro, Biquinha, Cohaemato, por exemplo. Perdemos com esses adversários e depois tivemos o azar de perder com a Juventude de Gaia, onde falhamos “ene” golos. Na semana passada voltamos às vitórias e esperamos continuar.
PANTERAS E AMIGOS

Para além desse trabalho, sei que também pertences aos Panteras.
Já estive mais activo e mais ligado. A falta de tempo tem-me desligado um pouco do grupo e sinceramente penso que serei mais útil, onde estou no momento.
Mas fazes parte da Associação de Amigos?
É verdade sou Vogal da Direcção da Associação de Amigos, fui eleito nas últimas eleições e tento ajudar no que posso, numa Associação que é muito importante para o futuro do Boavista.
Como entendes esta luta “surda” entre alguns Boavisteiros contra uma Associação que existe unicamente para colaborar com o Clube?
Penso que a situação mudou com esta nova Direcção. A associação está para ajudar o Boavista e não vejo nada de mal entre as duas partes. O que passou… passou.! A Associação só ajuda o Boavista, quer na formação, quer nas modalidades amadoras. Neste momento considero que é muito importante para o Clube esta colaboração entre as duas partes. Espero que os Boavisteiros ajudem a Associação para esta poder ajudar o Clube.
Sentes as coisas mais calmas?
Sim, acho que estão normais.
EDITOR DO BLOG DA FORMAÇÃO

Sei que és o Editor e Criador de um blog para o futsal de Formação. Como nasceu a ideia?
Quando entrei no futsal, trazia essa ideia e apresentei-a ao rui Costa – Coordenador da formação – ele aprovou e eu arranquei com o blog.
Que já esteve mais forte e activo. A que se deve essa quebra?
Basicamente agora, é só o calendário dos jogos e resultados, de vez em quando, sai uma antevisão de um treinador ou o comentário a um jogo…
Mas porquê essa quebra (repito)?
Por alguma falta de apoio de todos os escalões de formação. Eu não posso andar sistematicamente a trás das noticias, tenho que ter colaboração dos directores de cada escalão. No principio isso acontecia, mas com o tempo foi-se enfraquecendo e na actualidade quase desapareceu. Eu sozinho, não posso alimentar um blog que é (era) de toda a formação.
O que era necessário, para um novo ritmo?
Que me dessem mais noticias para o dinamizarmos. Mas tenho que respeitar as opções das pessoas. Lamento mas tenho que aceitar.
Está em andamento a construção de um site para o futsal, que colocará fim aos dois blogs existentes. Concordas com a ideia?
Claramente, que concordo. Um site oficial terá sempre mais valor e credibilidade que dois blogs. O futsal não é só formação, como não é somente seniores. Somos um clube que tem sete equipas de futsal. Não somo sete clubes. Temos que estar sempre unidos, todos unidos!
Está pronto a colaborar com o teu escalão, nesse site?
Absolutamente ao dispor. É pelo Boavista, por isso estou sempre ao dispor.

Entrevista de:
Manuel Pina

domingo, 6 de novembro de 2011

PAULO MOURA, DIRECTOR DO FUTEBOL FEMININO EM GRANDE ENTREVISTA

Paulo Moura, é o Director do Futebol Feminino, mostrou-se um homem de coragem ao dar uma entrevista (que em tempos tentaram proibir) falou directamente e com paixão sobre todas as questões que colocamos. Muitas vezes, as perguntas não tinham terminado e já a resposta saía… sinal que fala sempre com o coração. Como disse por várias vezes, quem não deve não teme. É uma entrevista longa… mas melhor que isso, é uma entrevista profunda que vale bem o tempo de a ler.
Feita com paixão para ser lida, por quem tem esse sentimento.
O CIDADÃO
Vamos começar pelo cidadão. Quem é Paulo Moura?
Nasci em Angola e vim para Portugal com dez anos, depois da  guerra de setenta e cinco e radiquei-me no Barreiro. Posteriormente com o ingresso no União de Tomar, radiquei-me e casei em Tomar, onde actualmente continua a ter a minha residência.
Residindo em Tomar, como consegue tempo disponível para estar no Porto?
Consigo,  porque tenho uma pequena empresa, que é minha e por isso posso gerir o meu tempo sem interferência de ninguém.  Tenho semanas que venho à quarta, tenho semanas que venho à quinta e tenho semanas… que fico cá toda a semana!
 O DESPORTISTA
Sei que foi profissional de futebol. Faça um resumo da sua carreira.
Joguei no Estoril, no Atlético e no União de Tomar. No União de Tomar joguei durante dez anos, onde fui capitão de equipa em todo esse tempo. Neste clube, terminei a minha carreira. Voltei ao União como Director desportivo de Futebol, da equipa sénior. Exerci esse cargo durante seis épocas. Saí desse cargo, nos finais de Maio para abraçar um projecto que me colocaram para o Boavista. Considerei esse projecto interessante, por ter conhecimento do futebol feminino e da minha (já) pequena paixão pelo Boavista.
Na sua carreira futebolística alguma vez defrontou o Boavista?
Não! Nessa altura, havia a segunda divisão Nacional e não a Liga Orangina e o Boavista era um dos grandes da primeira divisão.
Apanhei alguns clubes de primeira divisão com jogadores que passaram pelo Boavista, em jogos de Taça de Portugal, por exemplo;  o Madureira pelo Salgueiros, o Carlos Brito. Nessa altura a segunda Nacional era fortíssima. Na zona sul ainda joguei pelo Odivelas ao lado do Oceano, depois vim com o Victor Esmoriz para o União de Tomar.

O INGRESSO NA PANTERA, PELO SONHO DA FILHA
Já nos falou do convite que recebeu para liderar o Futebol Feminino. Mas quando chega ao Boavista é só na qualidade de pai?
É verdade. Chego ao Boavista apenas como pai (Bruninha atleta sénior é sua filha) muita gente não sabe mas eu sou primo do Edgar, que aqui jogou, filho de um irmão da minha mãe, o Edgar Pacheco, que veio do Málaga para cá.
A minha filha tinha um sonho e aos onze anos já me dizia. Pai, eu um dia vou jogar no Boavista, ao que eu respondia. Filha, tu és maluca! Não conhecemos ninguém no Porto, como pode ser possível?
Mas foi. Como se concretizou esse sonho?
Eu fui ao Mundialito de futebol dos pequeninos que se realizou no Algarve, onde conheço o filho do Álvaro Braga, que apresentou o convite para a Bruna vir cá treinar.
Aceitamos o convite e trouxe a minha filha aos treinos. No primeiro dia ficou logo! (disse orgulhoso) pediu para voltar ao outro dia e digo-lhe, nessa semana vim de Tomar ao Porto três dias. Para meu espanto a minha filha exigiu-me que queria jogar no Boavista e viver no Porto.
Estava a mudar a vida do pai, para concretizar o sonho pessoal. Como se processou?
Olhei para a minha mulher e perguntei como vai isto ser possível, se não temos onde ela ficar? Passado uma semana a minha mulher veio ao Porto e comprou um apartamento na Areosa, comprou um Smart para a Bruna vir para os treinos e a minha filha cumprui o sonho dela, que era jogar no Boavista.
E empurra o pai, mesmo sem saber…
Fiquei feliz por ver concretizado o sonho da minha filha ao vestir a camisola do Boavista.  Como passei a  acompanhar os jogos da minha filha, aproveito e começo a ver os jogos do futebol aos Sábados à tarde e ganho uma nova paixão. Com o desenrolar do tempo e com o conhecimento que vou tendo com os associados e alguns Directores, as coisas acontecem. Penso que foi isso que os levou a apresentarem-me esse convite.
 A ENTRADA COMO DIRIGENTE
Como surge o convite para o dirigismo axadrezado?
Fui convidado pelo Vice-Presidente, José Chalupa. Realizou-se uma reunião com a presença do Presidente  Álvaro Baga e seus vice-presidente, onde me apresentaram um projecto que me agradou.
Nesse projecto entrava a Alfredina, o que me agradou e no qual acredito,  porque considero que o Boavista tem tradições no Futebol Feminino e pode voltar a curto prazo ao nível que atingiu em tempos.  Não vai ser fácil eu sei.  Tenho consciência disso, mas a equipa já mudou em alguma coisa. O Boavista é um clube difícil a atravessar uma fase muito difícil, mas felizmente tenho contado com o apoio de muita gente, entre sócios e amigos, mas há uma pessoa que eu quero salientar acima de todos.
Quem é essa pessoa?
O Cipriano! Ele tem sido para mim e para o futebol Feminino uma mais valia.
 A SITUAÇÃO DO FUTEBOL FEMININO
Quando entrou no Boavista, encontrou um mar calmo ou uma corrida de barreiras?
Por acaso não foi uma corrida de barreiras, toda a gente me apoiou, encontrei sim, uma desorganização no Departamento e aprendi algumas coisas sobre o futebol feminino que me escapavam no exterior. Com a ajuda e conhecimento da Alfredina, fomos limando algumas arestas e organizando as coisas à nossa imagem e com as nossas ideias. Sei que num clube como este, há sempre muitas limitações e dificuldades mas dentro daquilo que me propuseram, não me falharam com nada.
Já garantiu o seu “espaço”?
Uma das minhas intenções e porque não dizer, um dos meus sonhos era jogar e treinar no Bessa. Cumpri esse sonho!
Sempre considerei que o futebol feminino, não podia treinar nem no Viso, nem na Pasteleira, era fundamental trazer o futebol feminino para o Bessa. Tive o apoio do Vice-presidente,  José Chalupa, que foi importante. Lutamos por isso e conseguimos. Há outras dificuldades que vou tentando limar de um dia para outro, com paciência e trabalho.
Mesmo tendo em conta o passado glorioso do futebol feminino no Boavista, o senhor sabe que esteve perto da extinção e que foi salvo de um complot pelas atletas Sandra (Figo)  e  Nanda em conjunto com o Vice-presidente da altura. Consigo inicia-se uma restruturação de todo o projecto e sente-se uma nova realidade. Tem consciência disso?
Em princípio é de louvar a actuação e cuidado da Figo e da Nanda e de quem liderava as modalidades que evitaram esse fim.
Quando cheguei ao Boavista - como pai- verifiquei que haviam muitas lacunas. Quando tomei posse, olhei para estas paredes que estavam vazias e sujas. Tudo o que havia do passado estava em caixas dentro de armários! As jogadoras novas não tinham a consciência de quem era o Boavista, não havia uma facha à vista! A primeira coisa que fiz foi tirar essas recordações das caixas e coloca-las à vista (apontou para as paredes) para que quem chega de novo, saiba em que casa entrou!
 Agora elas entram e vêem a camisola de Campeãs da Alfredina, da Figo e sentm que o Boavista é um clube vivo e campeão!
Mudou a imagem?
Claramente! Este Boavista não é o Boavista de há dois anos que raramente vencia um jogo. Alteramos a imagem do Boavista no futebol feminino. Uma das excelentes coisas que a Alfredina fez e que eu louvo, foi levar as miúdas ao Museu do Boavista, antes de as levamos para estágio, para sentirem o passado e a honra de vestirem a camisola do Boavista. Confesso que até para mim foi uma surpresa ver os troféus expostos naquelas vitrinas. Penso que conseguimos passar a mensagem a todas as jovens.
Temos mais de noventa atletas na totalidade, o que há cerca de dois anos era impensável. Com o trabalho que se está a fazer na formação o Boavista vai dentro de breve tempo voltar ao seu passado glorioso. Acredito nisso, piamente.
O que acha mais importante. Organizar o Departamento ou conquistar um  titulo a curto prazo?
Se o Boavista continuar a trabalhar como o tem feito ultimamente, conseguindo uma ou duas mais-valias para esta equipa, que tem muito valor, mas temos a consciência que precisamos de mais uma ou duas mais-valias. Com mais essas mais-valias o Boavista será uma equipa par lutar pelo título.
Como consegue gerir esta máquina. Tem patrocínios ou o patrocínio é o “Paulo Moura”?
(Riu-se) As pessoas sabem e não é segredo para ninguém que ajudei, mas penso que o Futebol Feminino tem formas de devolver tudo o que ajudei. Temos um patrocínio, que é Pedro Jóia, ainda esta semana  irei falar com ele para colocar o seu patrocínio nas camisolas, pois embora tenha negociado em Agosto, ainda não foi possível colocar esse patrocínio nas camisolas, estou certo, que o vamos conseguir em breve. O Pedro é uma pessoa que vive muito o Boavista e nos quer ajudar.
Como isto vive mais?
Pela coordenação que a Alfredina implantou aqui! Isso provocou o dinamismo que neste momento se regista.
O vosso Blog está muito bonito, actualizado e actual. A quem se deve isso?
A duas jovens incansáveis, a Mariana e a Nádia.
A FORMAÇÃO
Nota-se grande movimento na formação. Confirma a evolução neste capítulo?
As panterinhas no ano passado eram  dez ou doze. Esta época, são cerca de quarenta  e tivemos que fechar as inscrições, senão, não parariam. Esta evolução deve-se ao projecto da Alfredina.
Construíram uma equipa de sub 17, qual o objectivo dessa equipa?
A Alfredina impos como condição para ingressar no clube a constituição de uma equipa sub 17. Eu entendo perfeitamente a ideia. O Boavista tinha uma equipa de Panterinhas de 13/14 anos e depois uma de seniores… era uma diferença muito grande, para se trabalhar com vista ao futuro.
Fez-lhe a vontade…
Não foi fácil, a nível logístico porque não havia campo livre, eu sinceramente nunca acreditei ser possível, mas ela insistiu, insistiu tanto que se conseguiu. Temos trinta e duas atletas nos sub 17 e fechamos… tivemos que fechar se não teríamos cinquenta. Agora vejo que ela tinha toda a razão pelo êxito que se verifica ao fim de um mês.
 Depois essa equipa teve uma sorte muito grande, foi a Alfredina ter contratado a Helga. A Helga para mim,  é uma surpresa muito positiva e muito grande. Na parte técnica e na parte pessoal foi uma grande aquisição, já mencionei a muitos Directores do Boavista o seu valor e já conquistou toda a gente que com ela lida. É uma mais-valia sem dúvida alguma.
 O GRUPO DE TRABALHO
Mas há dificuldades a ultrapassar?
Sim, o senhor Pina sabe muito bem disso, mas com o apoio de um grande grupo de trabalho que me apoia, talvez porque acredita em mim, sou um Boavisteiro ainda pequenino, sou o sócio 25080, por isso novo como sócio,  mas verdadeiramente Boavisteiro ate ao fim da vida ( falava com profundidade e orgulho) sou sócio há ano e meio, mas posso-lhe garantir continue ou saia do futebol Feminino, continuarei como Boavisteiro porque foi uma paixão que me conquistou.
A muitos Boavisteiro custa entender isso!
Eu estou aqui para servir o Boavista e nada quero para mim, nada procuro, por isso estou à vontade. Sou Boavisteiro como os que assim nasceram!
Falemos então dessas pessoas que o apoiam e muitas são anonimas.
Quando falei do Cipriano, sei porque o fiz. Tudo o que me falta o Cipriano me consegue arranjar! Quando assim é não podemos ser ingratos e temos que saber reconhecer o valor e dedicação da pessoa.
Pelo que me tem falado, a Alfredina é mais que uma treinadora?
Muito mais que uma treinadora, pelo que me tem ajudado pelo tempo que dispensa ao clube, pelo amor que dedica ao seu trabalho, sem nada receber, sem nada ganhar! A Alfredina é o núcleo deste projecto!
A estrutura da equipa foi ela que a criou, a equipa técnica das Panterinhas e das sub 17 foi ela que as criou, está certo que estava cá a Fernanda, mas foi a Alfredina que colocou lá a Guita e conseguiu implantar o cargo de treinadora de guarda-redes. Todos os escalões têm treinadora de guarda-redes, o que nunca houve e que sendo importante, era quase impensável. Posso dizer-lhe que ainda ontem a Alfredina contratou uma treinadora de guarda-redes para a equipa sénior.
Eu sinto-me feliz por ter a felicidade de encontrar uma pessoa tão dinâmica e temos que continuar com esse trabalho e dinamismo. Com este apoio de pessoas que muitos nem conhecem porque se preocupam mais  em trabalhar que em ser conhecidas, faz-me acreditar que mesmo com estes problemas que todos conhecem e que o Clube atravessa, com o apoio destas pessoas o Boavista tem pernas para andar, se continuarmos todos unidos como até aqui. Tenho aqui duas mais-valias que são a Mariana e Nádia que estão a gerir as sub 17 que ninguém as conhece.
Foi o Paulo Moura que fez o grupo, ou aproveitou o que estava, reestruturando à sua imagem?
Aproveitei o José Catarino que é pai de uma atleta e grande Boavisteiro, é uma mais-valia nesta equipa, costumo dizer é o  “Director faz tudo” e através dele entendemos que seria a Alfredina que teria que formar a equipa dela. Assim ela formou uma equipa de treinadoras e Directoras, que repito, estão a fazer um excelente trabalho. O número de atletas que o Boavista tem,  a elas o deve.
Tenho um Director todos os dias presente, tenho duas Directoras das Panterinhas sempre presentes com quem falo todos os dias. Isso permite-me libertar alguns dias para a minha empresa. Com este grupo é muito fácil eu conseguir coordenar o trabalho.
INFORMAÇÃO EXTERIOR
Esta conversa que estamos a ter é considerada por mim importante, mas há muita gente que pensa o contrário. Qual a sua visão sobre a informação?
Olhe  senhor Pina, a minha opinião é muito simples. Não estou aqui para agradar a ninguém!
É uma entrevista que estamos a fazer  e é importante, porque no fundo estamos a transmitir a verdade e aquilo que aqui se passa.
Considero importante que no exterior se saiba o que se passa e as dificuldades que temos, porque é verdade, porque isso demonstra que o Boavista está vivo. Não estamos a criticar ninguém, simplesmente a dar conhecimento do trabalho que está a ser feito e eu não posso deixar passar para o exterior a ideia que o Paulo Moura é formidável e faz tudo sozinho.
Não! Não posso deixar passar essa imagem o Paulo Moura trabalha porque tem consigo uma estrutura forte, capaz e que trabalha muito. Tenho a obrigação de tornar pública esta realidade e verdade.
Não quero os louros para mim, o importante é eu passar para o exterior que nós somos uma equipa de oito ou nove pessoas que trabalham (todos) muito para o Futebol feminino.
Por isso, acho que estas entrevistas são muito importantes.
Não estamos aqui a desfazer nem a criticar ninguém, estou a responder às suas perguntas, com frontalidade e verdade. E a verdade é esta, andam aqui pessoas que nem o senhor Pina, nem outras pessoas conhecem, mas que trabalham muito e que não desejam andar a mostrar-se mas que eu reconheço o seu valor. Sem elas o Paulo Moura nada fazia, nem nada conseguia! Eu orgulho-me muito de todos. Eu sei que era mais fácil só falar do Paulo Moura. Mas a estrutura não é o Paulo Moura é um conjunto.
 A IMAGEM DO BOAVISTA
Um homem que correu todo o país com várias camisolas e emblemas, como se sente recebido quando veste a camisola do Boavista, fora de casa?
A única vez que fui ofendido por ter a camisola do Boavista vestida foi no Porto (ver-se-á que foi em Matosinhos) fui ver um jogo da minha filha, onde a e a minha mulher fomos maltratados só por estarmos equipados à  Boavista. Foi num jogo com o Leixões.
Posso dizer-lhe que esteja em Tomar ou noutro lugar qualquer visto-me à Boavista. Não uso outra roupa. Se estiver uma semana em Tomar, todos os dias me visto à Boavista e digo-lhe é uma cidade em que todos os dias me pedem camisolas do Boavista. Se tivesse mil camisolas do Boavista, mil camisolas me pediriam e mil camisolas eu daria. Em Tomar o Boavista é muito querido!
QUESTÕES PESSOAIS
Quais os objectivos que tem. Pessoal e desportivamente?
Para o Boavista o meu objectivo é ver esta equipa ser campeã nacional. Sinto que tem capacidade para conseguir esse feito. Mas para este ano o objectivo é conseguir um muito melhor lugar que nos últimos anos. Acho inadmissível ver o Boavista ficar abaixo dos quatro primeiros lugares. Este ano o objectivo é ficar na primeira fase nos quatros primeiros e depois na fase final lutar pelo melhor lugar.
O melhor é o primeiro…
E porque não? Tenho confiança nesta equipa.
Pessoalmente, sendo um Boavisteiro novo, já se sente da casa?
No aspecto do Boavisteiro as pessoas me receberam bem e já perceberam que eu passo o dia de manhã à noite dentro do Boavista. A minha mulher só me vê à meia-noite. Nesse aspecto acho que as pessoas que me conhecem já não têm dúvidas que sou Boavisteiro. Sou há pouco tempo, mas sou mesmo.
No desporto tem ganho mais amizades ou inimizades?
Senhor  Pina, garanto-lhe uma coisa solenemente. No dia que criar uma inimizade aqui dentro, nesse dia saio. Estou aqui para ajudar o Boavista e não para criar inimizades com ninguém. Até este dia, penso que ainda não fiz nenhuma… penso. Também não sou uma pessoa conflituosa nem de criar atritos, por isso penso que não os vou arranjar, pois não é a minha forma de estar nem a minha forma de ser.
A sua reestruturação já foi compreendida e aceite pelas pessoas que pertencem ao passado. Pergunto isto porque muitas vezes entendem que este êxito podia ter sido conseguido anteriormente. O que sente?
Falar do passado do Boavista para mim é falar da Nanda e da Figo, porque as outras eu não conheço. A Nanda e a Figo foram das pessoas mais responsáveis para eu estar aqui dentro, elas sempre me quiseram junto a esta equipa. A elas também tenho que lhes agradecer, porque acreditaram em mim.
Enquanto eu cá estiver estas atletas serão um exemplo para todas e que terão ficar ligadas para sempre ao futebol feminino do Boavista, irei gerir a fase final da sua carreira como atletas o melhor que souber e com todo o cuidado, porque ambas fazem  parte da história do Clube. Falo como sócio e não como Director, não podemos ser ingratos com tais pessoas e acho que ambas devem continuar sempre ligadas a esta estrutura do Futebol Feminino.
O senhor tem tido contactos com a Associação de Amigos, ou qual é a sua posição?
Sinceramente não conheço ninguém e ainda não houve oportunidade de nos encontramos, embora já e tenha constado a vontade da Associação em colaborar connosco. Sei que estão atentos ao nosso trabalho, tenho conhecimento que já reconheceram o nosso trabalho e já tentaram uma reunião, que ainda não aconteceu por responsabilidade minha. Mas tenho todo o interesse em reunir e conhecer as pessoas, porque todos não somos demais para fazer crescer o Boavista.
Se me permite eu vou tratar de organizar uma reunião entre as duas partes…
E eu agradecia essa sua colaboração! (NOTA: Como prometemos, falamos com o Presidente da Associação e Já está marcada para esta semana a reunião entre Paulo Moura e a Direcção da Associação)
Um empresário, um homem do desporto, como vê o futuro do desporto neste tempo de crise?
Muito difícil. Muito difícil! Eu vejo as coisas muito difíceis e porquê? Eu estive na Direcção do União de Tomar, um clube com problemas graves, talvez com a devida proporção, mais graves que o Boavista, conheço os números.
Eu vejo pelos apoios que lhe davam e hoje não lhe dão. Não duvido que o Futebol se vai ressentir e o maior  dos problemas que acontecem é a falta de patrocinadores. Nós tentamos um patrocínio para a equipa de Panterinhas e sub 17 e não se consegue. E os patrocínios fazem parte de um orçamento em qualquer clube. Contar só com a contribuição dos sócios não chega, porque estão cansados e não podem ser sempre os mesmos a dar.
Por esta razão defendo que temos que organizar muito bem o Futebol Feminino para isto ter pernas para andar e para as pessoas que nos substituírem poderem continuar o trabalho. Se continuarmos a viver com o que temos… não temos hipóteses.
Futebol Feminino, um mundo de mulheres. Dizem que um homem entrar e viver nesse mundo é difícil. É verdade?
Não é fácil! Porque é um espaço delas. Quando fui para estágio para Baião falei com os meus Directores e disse-lhes – nós temos que nos moldar a elas e não elas se moldarem a nós – porque queiramos, ou não, este é um mundo feminino.
Houve algum dia que se arrependeu de ter vindo ao Porto… e lhe apeteceu ir para casa?
Já sim senhor, já me aconteceu isso.
O senhor é um homem frontal…
Sou sim senhor! Senhor Pina sou frontal porque não tenho nada a esconder, não vim para o Boavista para conseguir nada para mim e nem preciso de nada. Estou aqui para ajudar e se um dia sair daqui, continuarei a ajudar naquilo que puder e me pedirem. Não estou à procura de nada, o que quero é que o Boavista vença porque é para isso trabalho. Estou apaixonado pelo Boavista ainda mais porque tenho cá a minha filha.
Agora frontalidade, isso vou ter sempre porque quem não deve não teme e como lhe digo não estou agarrado a nada. O importante para mim é a seriedade e honestidade. Foi isso que me levou a agarrar-me ao Cipriano, a forma dura mas directa, honesta dele ser, fez-me ver nele um grande homem.
Cipriano é mais que um funcionário?
Senhor Pina, o futebol feminino deve tudo  ao Cipriano que é um homem fabuloso! Não posso deixar passar isso em claro, ele tem sido o meu apoio em tudo o que preciso. É uma pessoa que me surpreendeu pela positiva e que conheço à pouco tempo, mas que me marcou. O Chalupa tem apoiado muito o futebol Feminino, mas o Cipriano tem sido excepcional.
Permita que fale por mim, tentei sair desta confusão e não consegui. A paz que encontrei não compensou a guerra a que estava habituado. Penso que consigo, um homem do desporto se passará o mesmo. Esta necessidade…. É uma loucura?
As pessoas podem dizer o que quiserem, mas dá gosto trabalhar no Boavista porque é um clube com nome. Posso dizer-lhe que lá em baixo na zona de Santarém, as pessoas olham para mim como se eu fosse uma pessoa muito importante no Boavista – o que não sou – mas é o valor e o peso desta camisola.
Para mim é um orgulho e é uma vaidade sentir isso e vestir esta camisola. Posso dizer-lhe que venho no Alfa e trago o meu saco a dizer Boavista, venho equipado à Boavista, ando sempre equipado à Boavista, quem me conhece sabe que isto é verdade. É um clube muito grande e respeitado mesmo com as dificuldades que atravessa. Olhe não ando mais  vestido à Boavista porque não tenho mais roupa.
Digam o que disserem, batem em quem baterem é um clube muito grande. No futebol feminino as equipas quando defrontam o Boavista jogam de forma diferente que com os outros.
As modalidades atravessam momentos difíceis na fase em que o futebol feminino cresce. Sente isso?
Senhor Pina,  sozinho nada conseguia, tenho uma grande equipa que vai continuar a trabalhar para essa realidade. Podia falar-lhe de tanta gente e esquecer-me de algum por isso fico por aqui. Mas garanto-lhe a nossa aposta é continuar a dar tudo.
Mas voltando atrás. Somos loucos?
Muitas vezes desanimamos, temos que dar um murro na mesa e apetecemos ir para casa, com coisas que nos desgostam e nos magoam. Mas ao outro dia vem uma pessoa dá-nos um abraço esquecemos tudo e vamos de novo para a luta. Também há dias felizes aqui dentro.
Mas somos ou não loucos ao deixar a paz da casa, a dar o nosso tempo gratuitamente?
Completamente, mas verdadeiramente loucos (gargalhada) só pessoas loucas podem passar  dias completos aqui dentro. Num clube com tantas dificuldades, como o Boavista tem para continuar de pé precisa de loucos que lhe dêem tudo o que têm.
Como o senhor Pina diz, nós andamos aqui com pureza sem interesses em nada e vamos resolvendo os problemas dia a dia, é assim que fazemos aqui. Os problemas vão aparecendo e nós resolvendo-os todos os dias .
Mas nessa situação as injustiças doem mais…
Ah!  doem muito. Já as tive aqui dentro. Não vou fugir a isso. Já me senti em duas ou três vezes injustiçado e fui para casa muito triste com vontade de bater com a porta.
O Senhor é um homem frontal e diz sempre tudo de primeira. Não teme que o coração o traia e diga o que não deve?
Senhor Pina, eu sou directo, se tiver que lhe dizer alguma coisa desagradável… digo-lhe! A si  ou a quem for necessário.
Não me vergo a ninguém, seja quem for!
Mas sou homem para lhe pedir desculpa se tiver errado.
Ora quem diz o que sente e tem a coragem de o assumir. Quem  tem a humildade de pedir desculpa, nada tem a temer e pode sempre falar com o coração.
Se nada devo, nada temo!
 Entrevista de Manuel Pina