domingo, 30 de outubro de 2016

PROFESSOR CARLOS SIMÃO, LANÇA ÉPOCA DE 2016/17



FOCO (no objetivo), FORÇA (para lutar) E FÉ (para vencer)...

(Este é o nosso Lema)




Em vésperas de se iniciar mais um competitivo campeonato de Voleibol, no escalão sénior, entrevistamos o técnico axadrezado, Professor Carlos Simão, para conhecermos a situação sobre esta “nova” equipa Boavisteira.



Terminada a pré-época e depois de conhecer melhor este novo plantel, quais os objectivos que tem o Boavista, neste campeonato cada vez mais exigente?


A pré-época terminou, mas muito trabalho há ainda pela frente. Temos um grupo fabuloso e muito trabalhador e que dá indicações para fazermos um campeonato interessante. Motivação, dedicação e muita entrega não falta, agora há muito trabalho a fazer, o grupo é extremamente jovem....é um grupo novo.



Esta época marca o seu regresso a técnico principal de uma equipa. Como sente esse facto e como vai trabalhar com o professor Machado, agora numa situação inversa da época anterior?


Ora bem, treinador principal já fui no ano passado, quando trabalhei com as cadetes que são agora juvenis, e com as infantis que são agora iniciadas....Uma época fabulosa e que me deu muito gozo....Ajudei as miúdas a crescer muito....


Em relação às seniores, no ano passado, orientei quatro ou cinco jogos, por motivos pessoais, do Prof. Machado e fui muito bem-recebido pelo grupo.


Trabalhar com o Prof. Machado, é um privilégio muito grande, é SÓ um dos treinadores com melhores resultados de todos os tempos em Portugal....por isso, eu e a equipa só temos a ganhar.

Em relação a esta época, ele é o coordenador geral do departamento de voleibol, e está em todos os treinos das seniores, onde intervém quando quer e tem colaborado imenso. Acaba por fazer parte da equipa técnica também, aliás eu faço questão disso mesmo. Ele próprio ou qualquer dos meus adjuntos, tem carta verde para intervir no treino. O que queremos é o melhor para a equipa, e este ano, além do grupo ser excelente como já disse, tenho uma excelente e competente equipa técnica.




Quais os pontos que considera mais fortes neste novo plantel e quais os pontos que terão que trabalhar mais?


Todas as equipas têm pontos fortes e fracos...é transversal a qualquer actividade desportiva e que eu não vou comentar sequer...Vou dizer simplesmente, é um grupo que trabalha muito e bem e que se respeita, trabalho temos muito para fazer...mas estamos a fazê-lo.



Para informarmos os adeptos da realidade actual, quer-nos referir, quantas atletas ficaram da época anterior e quantos reforços recebeu?


A equipa é praticamente nova...aliás, segundo sei, nestes últimos anos, o Boavista tem tido necessidade de construir todos os anos uma equipa nova.


Da época passada para esta, transitaram apenas cinco. A Bú, a Bia, Dani, Rita Losada (capitã de equipa) e a Fifas, depois foi promovida a Sara da equipa de juniores.



Entraram a Mami(ex-Lusófona VC - ponta); Natacha (ex-junior do Gueifães-oposta); Joana Caldas (ex-PEL - central); Mafalda (ex-junior da AASM - ponta); Inês Soares (ex-junior da AASM - distribuidora); Rita Alves (ex-Leixões - líbero); Mariana Meireles (ex-Castêlo da Maia - Distribuidora); Maressa Pavuna (ex-Lusófona há duas épocas - central) e Filipa Silva (ex-Juv.Pacense - central), e temos a treinar connosco duas atletas espanholas que jogam na 2ª divisão em Espanha e uma ex-atleta Italiana.


Temos uma equipa com algumas boas opções, outras já com bastante experiência neste nível competitivo, mas no geral muito jovem.... Por isso, vai ser uma época de aprendizagem para a maior parte delas, por isso antevejo um desafio interessante... vai dar gozo vê-las crescer.




Nos dois torneios realizados e nos jogos particulares, sentiu a evolução do conjunto, ou ainda não atingiu o patamar que desejava?


É evidente que o patamar que desejamos e estamos ainda a trabalhar para ele, mas os torneios que fizemos e os jogos de preparação que realizamos foram muito importantes, para aferir o que estamos a trabalhar e as melhorias de jogo para jogo foram já notórias, há um crescimento, uma evolução, mas muito caminho ainda a percorrer.



O campeonato começa com uma equipa fortemente reforçada. O que espera deste jogo inaugural com o Clube K?


O Clube K é uma das equipas candidatas a um dos 4 primeiros lugares. Tem 8 ou 9 atletas estrangeiras e com bom nível, segundo conseguimos ver no torneio em Famalicão onde estiveram presentes. Vai ser um jogo duro e difícil e onde teremos que ter calma, paciência e muita disciplina de jogo, e cumprir à risca o que tem vindo a ser preparado nos treinos.


Mas uma coisa é certa, vamos tentar lutar para vencer, e este é um lema que está bem patente na equipa....lutar ponto a ponto, set a set e jogo a jogo, tem que ser desta forma. Nunca iremos entrar em campo já derrotados, agora temos consciência que vai ser um campeonato muito duro, com um nível superior ao do ano passado, as equipas reforçaram-se muito e outras foram pouco mexidas, levando estas já uma vantagem ao nível do entrosamento e conhecimento entre as atletas.



A nível de técnicos, também se nota uma aposta na continuidade de quase todos os clubes. Como analisa?


Muito poucas equipas técnicas foram mexidas em relação à época passada, apenas a nossa equipa e a Lusófona mexeram nas equipas técnicas, de resto todas as outras mantêm os treinadores que terminaram a época passada.

Em relação às equipas, reforçar um pouco o que disse atrás, houve algumas que se reforçaram muito.


Como analisa os adversários?


O Porto Volei tem várias estrangeiras e portuguesas de muito bom nível.
O Leixões, já tinha um grupo forte e agora com a inclusão da Viviane e da Juliana que regressa, fica ainda mais forte.
O  AVC mantém praticamente o grupo do ano passado, perdeu apenas a Ana Monteiro, Juliana e Tânia, e fez entrar 3 estrangeiras. Ribeirense e Clube K, duas equipas profissionais com diversas jogadoras estrangeiras e com Vanessa Paquete no Ribeirense. 
SC Braga que mantém a mesma equipa e conta com o regressa de uma atleta do AVC (Barata). 
Belenenses mantém a equipa e inclui Tatiana uma central ex-PEL. Castêlo da Maia e Gueifães bem mais fortes e com jogadoras mais experientes.
Lusófona que faz subir ao escalão sénior muitas atletas de qualidade vindas da formação.
O PEL que mantém a estrutura do ano passado, perdendo duas atletas, mas mantendo um nível competitivo muito forte também.




Estão criadas as condições para uma grande prova?


Por isso, um bom campeonato nacional da 1ª divisão feminino que se antevê bom, para ver se de uma vez por todas se valoriza um pouco mais o feminino e se dá valor a quem trabalha com estes escalões e as atletas de qualidade, e que são muitas, que existem por todo este Portugal, estando algumas a começar a "emigrar" devido a convites que começam a surgir de outros países.

Isto é um indicador de crescimento e de mais valia em Portugal.



Na meta de partida, o que lhe apraz dizer a todos os adversários?


Aproveito a oportunidade para desejar a todos os meus adversários e colegas treinadores um excelente campeonato e que todos juntos possamos valorizar mais o voleibol feminino em Portugal...



Voltando ao Boavista, como está o grupo, em vésperas de um jogo dificílimo? 


Acrescento ao facto  da nossa equipa ser nova, há ainda a necessidade de adaptação ao novo treinador, das atletas, entre si, que vêm de diferentes clubes e com certeza habituados a rotinas de treino diferentes, e tudo isto é necessário ajustar.

O grupo está ansioso que chegue este primeiro jogo...nota-se no treino essa expectativa.


Tudo a postos? 

Não terei a equipa a 100% para este primeiro jogo, uma lesão e uma atleta ausente por motivos profissionais limitam a escolha, mas as que estão sei que posso contar com elas...isso é o mais importante.



Rodeado pelos colaboradores que desejava?


Sem dúvida, mas queria deixar aqui uma palavra final à minha equipa técnica e grupo de trabalho. Em relação ao Prof. Machado e toda a sua colaboração na equipa, tem sido constante e muito ativa...não seria uma pessoa inteligente se não aproveitasse a sua experiência e vivência na modalidade e no clube.


Depois o João Martins (ex-Lusófona - formação) que tem tido um papel fundamental na vertente do tranalho físico, onde tem demonstrado competência e muita eficácia. Um treinador que me foi recomendado por outro treinador e amigo, e de facto tem desenvolvido um trabalho com a equipa e com a equipa técnica notável.


Outro é o Ricardo Lemos (que não está na foto), que é novo no clube, foi convidado por mim para treinar a equipa de iniciadas, equipas que trabalhou comigo no ano passado no escalão de infantis. 
Nesse escalão, tem feito um trabalho notável de continuidade ao que foi feito no ano passado e encaixou "como uma luva" no clube e na equipa. Ao mesmo tempo tem colaborado muito com a equipa de seniores, uma vez que está a realizar o seu estágio de grau III, que tem que obrigatoriamente ser feito com uma equipa na 1ª divisão. A juntar a isto a sua colaboração e conhecimentos têm sido excelentes complementos que ao meu trabalho, do Machado, do João e mesmo do fisioterapeuta André Luiz.


Quero destacar também aqui o papel do fisioterapeuta do clube e do departamento, André Luiz, que tem sido fundamental na recuperação física das atletas no treino e das duas lesionadas que tivemos (uma delas ainda se encontra em recuperação). De facto, o fisioterapeuta tem um papel fundamental no trabalho numa equipa neste nível de competição.


E depois temos o dirigente da equipa, Sr. Manuel Tavares, que NADA falha e deixa de ser feito. De facto os directores do clube podem ficar descansados, porque o AMOR e dedicação que este SENHOR tem pelo Boavista, por todas as equipas de voleibol do clube e pelas seniores em particular, é absolutamente fantástico.




Vamos terminar, terminada a pré-época fica sempre algo a registar. Concorda?


Claro e para terminar esta conversa, quero agradecer a todos...todos mesmo, pelo apoio que me têm dado desde que entrei para o clube, e mesmo este ano em que a minha ligação aos escalões de formação é mais escassa, essa cooperação e ajuda NUNCA PAROU.


Eng. António Marques (vice-presidente BFC - Amadoras); Carlos Paiva (diretor marketing BFC); Artur Nunes e Fernando Pereira (diretores do departamento); Manuel Pina (comunicação); Sara Monteiro (diretora geral Amadoras BFC); José Falcão (marketing departamento); Alberto Pinto (direção financeira); António Teixeira (comunicação/divulgação departamento); António Jorge, Susana Murillo; António Batista e Sérgio Correia (seccionistas), muito obrigado a todos, e estamos juntos para mais uma época e para uma caminhada dura....




Somos Xadrez...SOMOS BOAVISTA....

Entrevista de Manuel Pina

segunda-feira, 27 de junho de 2016

RAFAEL VILAS BOAS - NO BOXE POR PAIXÃO

O BOXE MUDOU A MINHA VIDA

Encontramos, Rafael Vilas Boas, um jovem pugilista do Boavista a treinar intensamente, numa manhã de treino na Academia do Bessa.

Que idade tens e há quanto tempo praticas boxe?

Tenho dezoito anos e estou no boxe, há cerca de ano e meio.

Qual o escalão etário a que pertences?

Passei este ano para sénior.

Já tiveste algum combate oficial?

Sim, realizei um combate que ganhei, embora tenha dado match nulo por causa do peso.

Lembro-me desse caso… quem tinha peso a mais?

Era eu. Eu estava "certinho", mas comi uma hora antes das pesagens e acusei isso.

Havendo tanto rigor, e vocês que vivem no limite do peso, esse facto é para vós um tormento?

Nós estamos habituados a isso e temos que ter cuidado. Nesse dia, o que aconteceu foi que almocei e depois jantei e ultrapassei um pouco o peso. Mas vivemos bem com esse problema. Temos que nos controlar.

Como ingressas no boxe?

O meu tio sempre praticou boxe. Eu joguei futebol, mas a partir de certa altura perdi o interesse no futebol e comecei a experimentar o boxe. Neste momento, não consigo “ver” a minha vida fora do boxe. O boxe, mudou totalmente a minha vida.

Quantos treinos, fazes por semana?

No mínimo três, às segundas, quartas e sextas, com o Mister Caldas. Às terças e quintas, independente das aulas venho sempre treinar, com mais alguma liberdade técnica.

Um dos teus colegas disse-me numa entrevista que cada atleta tem o seu estilo, mas que o Carlos Caldas o vai moldando Tens um estilo próprio, ou estás a assimilar tudo o que o Caldas indica?

Reconheço que comecei praticamente do zero, mas tenho evoluído muito com os ensinamentos do Senhor Caldas. Tudo que sei, até hoje, tenho que agradecer ao “mister”.

O Rafael, que eras anteriormente, mudou alguma coisa com o boxe?


A minha vida mudou completamente. Comecei a ter mais disciplina, comecei a pensar de outra maneira. Quando treino, a minha vida desaparece totalmente e só penso nisto. Por isso, posso dizer que sem o boxe, andava um pouco perdido.

sábado, 25 de junho de 2016

JOANA SANTOS - O FUTEBOL COMO FUTURO

Joana Santos, futebolista da equipa de Sub-19, apresentou-se algo envergonhada mas com o “andar” da conversa, acabou por se acalmar. Vamos conhecer mais uma jovem do futebol axadrezado.


Vamos identificar a nossa “envergonhada”. Nome e idade?
Chamo-me Joana Santos e tenho dezassete anos.

Extra futebol o que fazes?
Estudo na Escola Comércio do Porto, num curso opcional.

Há quantos anos jogas futebol?
Desde os seis anos.

Parto do princípio que, com essa idade, não começaste no Boavista. Qual foi o teu primeiro clube?

Comecei pelo futsal, no “Invicta Futsal” que “era” junto a minha casa e que entretanto, acabou. Nesse clube estive, praticamente até aos dez anos. Daí fui para o Leixões, onde não fui bem recebida, porque ainda estava no escalão de jogar em equipas mistas com rapazes.

Explica mais em pormenor, essa questão. O que queres dizer?

Era constante, ouvir “ o futebol não é para meninas” e coisas dessa ordem e sentia-me posta de lado.

Como reagiste a essa visão “machista”?

Desisti do futebol.

Mas regressaste. Como aconteceu?

Através de uma amiga que jogava no Boavista, a Luana Monteiro, que falou com os meus pais e assim vim para o Boavista em dois mil e onze.

Esta época, jogavas na equipa a que chamam do protocolo. Esse facto, diminuiu-te, ou consideras que é uma passagem para a equipa “principal”?

Isso, para mim, não tem qualquer significado. O que me interessa é que jogue, que me sinta bem no que faço. Tenho confiança em mim e sei que vou seguir em frente e chegar o mais longe possível no futebol.

Esta pergunta é, para mim, sacramental. Porque escolheste o futebol e não outro desporto?

Esse gosto apareceu desde pequenina e não sei explicar, a não ser que tenha herdado de alguns familiares. Não me debruço sobre essa questão, apenas a assumo.

As equipas do Boavista são muito jovens. Isso, é um problema competitivo para vós ao defrontarem equipas mais “adultas”?

Para mim é igual, quer tenham vinte ou vinte e um anos. Eu vou defrontá-las da mesma forma, porque para mim o importante é vencer.

Qual a tua posição em campo?

No início da época, comecei a ponta de lança, depois passei para extremo e agora estou a jogar na defesa.

Não achas que ao jogarem futebol de nove e não (ainda) de onze, altera a postura táctica individual no campo?

Para mim, é indiferente… eu quero é jogar à bola, mas entendo a sua questão, porque ao jogarem nove e não onze, andamos um pouco sem a rigidez táctica completa que iremos ter no escalão sénior.

A Federação vai apostar muito no futebol feminino, a partir da próxima época. Pessoalmente o que ambicionas para o futuro?

Pretendo, pelo menos, representar o meu país, jogar na Selecção Nacional e ser conhecida internacionalmente.


Para terminar, pergunto como analisas a época que acabou?

Acho que foi muito positiva. Cada uma deu o melhor de si, em defesa da equipa. Infelizmente não atingimos o primeiro lugar, mas realizamos uma boa prestação no campeonato e na taça. Ninguém baixou a cabeça, todas deram o melhor e acabamos em quarto lugar.

Pergunta, que todos querem fazer às meninas do futebol. Como é, chegar junto aos pais e dizer “quero jogar futebol”? Vieram, aquelas afirmações “isso é para rapazes”…ou outras do género?

Comigo nada se passou de anormal. O meu pai, foi o que mais me apoiou. Ele próprio escolheu os clubes para eu jogar e sempre me apoiou, por isso, esse problema nunca me aconteceu. Sempre fui apoiada pelos meus pais.

Entrevista de 
Manuel Pina

segunda-feira, 20 de junho de 2016

JOANA PEREIRA - UMA DOUTORA NO BOXE

O boxe, é a modalidade que me faz subir a adrenalina

O boxe do Boavista, não é um mundo exclusivamente masculino. Uma das várias jovens que pratica a modalidade, é Joana Pereira.  Interrompemos  um dos seus treinos e  realizamos uma pequena entrevista.

Quem é a cidadã Joana Pereira?

Sou natural do Porto e tenho vinte e quatro anos.

Qual a razão de praticar boxe?

É uma forma de manter a forma física. É o único desporto que me faz subir mais a adrenalina, embora pratique boxe só como manutenção.

Há quanto tempo praticas a modalidade?

Aqui, no Boavista desde Setembro. Treinei em Coimbra, durante os meus estudos, durante dois anos e meio.

Estudas?

Acabei o curso há pouco tempo e estou a fazer uma pré-graduação. Tirei o curso de direito em Coimbra e estou a fazer a minha graduação no Porto.

Uma advogada a lutar boxe…

É verdade.

Qual a razão da escolha do Boavista?

Sei que o Senhor Caldas é um grande treinador e que o Boavista é o melhor Clube no boxe. Por essa razão escolher um clube no Porto, teria que ser o Boavista.

Quantos treinos, fazes por semana?

Treino dois ou três dias por semana, quando consigo, por vezes não é possível.

Como se sente uma menina no meio destes “guerreiros”?

Tranquila, sou super bem tratada, por todos 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

CARINA GARCIA - TREINADORA DE GINÁSTICA

QUANDO SE FAZEM AS COISAS COM GOSTO, TUDO SE CONSEGUE

Carina Garcia, é treinadora de Ginástica Acrobática que confessa ter o “Bichinho” da ginástica bem vivo dentro de si, ao ponto de ter (já) inscrito a sua “menina” nas aulas de Palygym, para dar continuidade ao seu "vício".



Há quanto tempo és treinadora de ginástica?

Sou treinadora e, sempre no Boavista, há sensivelmente cinco anos.

Vamos conhecer um pouco do teu passado desportivo. Como te iniciaste?

Fui atleta de ginástica rítmica. Depois, como treinadora, entrei no Boavista, como técnica de ginástica artística no Playgym e acabei por enveredar pela ginástica Acrobática, pela qual tenho actualmente uma grande paixão.

Ginasta global… três em uma!

Verdade.

Como atleta, conseguiste alguns resultados significativos?

Tive algumas medalhas… cheguei a participar em provas nos Açores. Era uma boa atleta, mas não pude dar continuidade à minha carreira, porque cheguei a uma dada altura, em que tive que me entregar mais severamente aos treinos e as minhas notas escolares, começaram a descer. Os meus pais, optaram pela escola e tive que deixar a ginástica.

A turmas que treinas, são composta por muitas jovens?

É difícil quantificar o números de atletas, porque no playgym as inscrições alteram muito de ano para ano, o número de atletas por turma. Mas neste ano, na ginástica Acrobática, temos muitas, mesmo, muitas atletas.

Que apreciação técnica, fazes, globalmente sobre elas, agora que a época está a terminar?

Globalmente, considero que evoluíram muito. Nós, os  treinadores, também tentamos incutir ao máximo o esforço, empenho e dedicação por parte delas, nomeadamente para não faltarem aos treinos, entregarem-se de corpo e alma á nossa causa, que seria participar em todas as provas existentes.

E conseguiram cumprir, esse objectivo?

Sim, conseguimos, estando presentes em todas as provas que tínhamos determinado.

E os resultados obtidos?

Fomos, várias vezes ao pódio. Tivemos dois campeões distritais, conseguimos ir às provas nacionais, que foram realizadas no passado dia quatro, facto que nos causou uma grande alegria.

Vamos falar um pouco dessa prova. Como correu?

O principal objectivo, era mesmo, só participar. Isto, porque a Acrobática, estava há vários encerrada no Boavista, e esta prova era o regresso do Clube à competição. 
Para nós, que reabrimos a ginástica Acrobática, há três anos, alcançar o direito de participar nos nacionais, é por si só uma grande alegria.

Qual a idade das tuas atletas?

Varia muito. Tenho atletas dos seis aos dezoito anos.

A ginástica exige muito das atletas. Como consegues que estas jovens se entreguem diariamente a todo este treino?

A ginástica exige, realmente muito das atletas a nível de dedicação. Tento que continuem dedicadas e entregues, com uma base de conversação e diálogo. Tento mostrar-lhes que se treinarem bem, conseguem lugares no pódio.

É preciso trabalhar intensamente para se alcançarem resultados. Há pais que não entendem (muito bem) esse facto?

A nível competitivo, tem que haver muito trabalho. Há situações com que nós treinadores, não corroboramos, porque faltar aos treinos para estudar para um teste, para nós não é viável. 
Isso, ainda acontece e sabemos que se a atleta, quiser vir, pode não o conseguir porque está dependente dos pais. Ainda assim, tentamos “educar” “ os pais no sentido de as castigarem de outra forma. Porque como o treino, é um gosto tão grande, tão forte por parte das atletas, que os pais "vêem-se obrigados" a castiga-las, das falhas nas aulas e retiram-lhes os treinos. Isso, não vai de encontro aos nossos ideais, mas aos pouquinhos penso que estamos a conseguir que nos entendam.

Para uma treinadora exigente, como consideras as condições que tens?

São positivas e estamos sempre a melhorar.

Para quem reiniciou a Acrobática há três anos, como vês o momento? Tem havido a evolução desejada?

Eu não reiniciei a Acrobática no Boavista, entrei mais tarde. A impulsionadora, foi a Susana, mas entrei alguns meses depois. Tem havido uma evolução fantástica a todos os níveis.

Se uma atleta tem que ser dedicada, sendo aluna, como tem que ser uma treinadora, já adulta e mãe?

Tem que haver muita dedicação e muito esforço. A "nossa" ginástica é essa. Quando se fazem as coisas com gosto consegue-se tudo, mesmo conciliar a vida particular e a desportiva.

Não estás cansada ao fim de tantos anos?

Não! de todo, não! O cansaço físico acontece um bocadinho com o passar do tempo, mas de repente... já estamos a pensar na próxima época. Portanto, isto não para. É um vício.

A ginástica está no teu interior?

Sem dúvida alguma e é o que eu mais gosto. Se puder continuar aqui, continuarei sempre.

O que significa treinar no Boavista?

Um orgulho enorme. Temos um ambiente fantástico. Colegas, equipas, chefes, são todos fantásticos, provocando um grande ambiente de trabalho. Somos todos, uma equipa a lutar para o mesmo lado.

Alguma mensagem?
Queria dar os parabéns às minhas atletas que se portaram muitíssimo bem este ano. Estamos muito orgulhosos e vamos continuar a trabalhar para conseguir as nossas metas.

Esse vício é para passar para a tua miúda?

Claro! E ela já faz parte da turma de Plygym, com apenas três anos.

Para continuar com o bichinho da mãe?

Exactamente!

Entrevista de 
Manuel Pina