domingo, 18 de julho de 2010

PEDRO FRAGATA - UM CAMPEÃO NACIONAL

Pedro Fragata é o (outro) guarda redes dos Juvenis Campeões Nacionais de Futsal. Está há tanto tempo no Boavista que teve que esperar um ano para ser criada a equipa que o lançou.
É um jovem de acções e convicções mas de muito poucas falas. Um tormento para quem o quer conhecer melhor.

Nome e idade?
Pedro Fragata e tenho quinze anos.
Quando começas-te a jogar pelo Boavista?
Ui! Quando entrei para o Boavista ainda nem havia escolas e eu tinha idade de escolas. Treinei durante uma época com o infantis.
Como apareces no Clube?
Foi o meu tio (Vasco Fragata) que me trouxe.
Lembras-te do teu primeiro treinador?
Foi um Senhor chamado Jos, o Senhor Augusto e o Coelho.
Voltemos um pouco atrás, em que escalão te iniciaste?
Comecei nas Escolas que entretanto foram formadas, onde joguei três épocas. Depois estive dois anos nos infantis, dois nos iniciados e estou há uma época nos Juvenis.
Quantos títulos já conquistaste?
Conquistei dois títulos nas escolas, nos infantis só fui vice-campeão pois perdi duas finais nos penaltis. Nos iniciados ganhei dois campeonatos por isso, fui bi-campeão. Este ano ganhei o campeonato distrital e fui campeão Nacional. No total conquistei seis títulos e fiquei duas vezes em segundo.
Muita coisa para um "puto" com quinze anos...
Acho que sim, mas quando eu digo fui, estou a pensar em mim, mas é claro que não fui só eu, fomos todos que pertenciam às minhas equipas. Ninguém ganha sozinho.
Porque optas pelo futsal, quando o mais normal é escolher o onze?
No início, quando o meu tio me trouxe, eu vim mesmo pelo desporto, depois comecei a gostar disto e agora só quero, mesmo o futsal.
E porquê, guarda-redes?
Quando estava nos infantis, à espera que criassem a equipa de escolas, jogava onde calhava e só havia um guarda-redes, por isso em todos os treinos ia um jogador à escolha para a baliza. Um dia, foi a minha vez e mandaram-me para a baliza. Gostei, calhou-me bem e nunca mais saí desse lugar.
As tuas camisolas têm todas o número oitenta e oito. Porque razão?
Era o número do Alex, antigo guarda-redes dos seniores do Boavista. Eu gostava muito dele e ele ensinou-me muito.
Mas ele já saiu do Clube. Isso não mudou a tua admiração?
Nada mudou. Falava muito com ele e na altura que saiu do Boavista voltei a falar com ele. Continua a ser um dos meus ídolos e vou continuar com o mesmo número.
Habituado vencer títulos, como viveste este?
Para além de mais é um título nacional! Depois se juntarmos o título à situação que o Clube vive, acho que foi muito importante para o Boavista no seu todo. Para mim foi uma honra vestir esta camisola no ano em que conquistamos estes título,
Em alguma altura sentis-te que o título podia fugir?
Sinceramente não! Desde o início da época que acreditei que irámos ser campeões. Da forma como sempre trabalhamos, com a equipa que tínhamos, com o rigor do Sérgio, sinceramente, sempre pensei que íamos chegar longe.
Concordas com o que o Ervilha disse?
Sim, até pelos objectivos que o Sérgio nos impunha, não havia outra hipótese. Fomos campeões mas trabalhamos muito para isso.
Quem teve a ideia de dividir o tempo de jogo entre os dois guarda-redes?
Isso já vem das escolinhas, só no último ano de escolinhas em que eu era o único guarda-redes é que defendia todo o jogo, a partir daí sempre foi assim, metade cada um.
Não é frustrante tu saberes que ao intervalo, vais ser substituído?
Não, porque sei que ao intervalo vai entrar um que vai fazer o mesmo trabalho, ou melhor, que eu. O que interessa é no final termos vencido o jogo.
Mas qualquer jogador quer jogar sempre. Não me digas que não é assim?
Isso é óbvio, mas eu sei que ele também está para ajudar a equipa e que as regras são essas e não há problema.
Pensas que para o ano consegues ser bi-campeão?
Se nos esforçarmos e trabalharmos como este ano, acho que tudo é possível.
Mas vão sair jogadores para os Juniores. A equipa não se vai ressentir?
Vão sair três ou quatro, mas os outros que eram do primeiro ano vão estar mais maduros e mais conscientes com o que devemos fazer.
Concordas com a visão critica do Luís sobre alguns?
Talvez. Mas este ano eles vão dar mais quando se sentirem mais necessários.
Em que ano estudas?
Passei agora para o décimo primeiro ano (excelente) e estou em Ciências e Tecnologia.
No futuro apostas no curso ou aposta em experimentar o profissionalismo no futsal?
O meu primeiro objectivo desportivo, é jogar nos seniores do Boavista.
Então vais fazer a formação toda no Boavista. Se aparecer outro clube?
Não há hipótese nenhuma de eu sair, quero ficar sempre no Boavista.
Que importância têm os dirigentes para ti?
São fundamentais, porque nos acompanham sempre, porque trabalham para nos apoiar e quero deixar aqui uma palavra de agradecimento para eles.
Vocês são jovens. Depois de treinos de hora e meia, muitas vezes o Sérgio promove umas sessões de esclarecimento. Não vos satura?
Eu estou habituado a isso. Outros não estão e acham que... mas... tem que ser assim. Ao fim e ao cabo, os resultados aparecem e dizem que o Sérgio tem razão.

ARNALDO PINA EM ENTREVISTA SOBRE O SEU MUSEU

Nota: Para ver video do museu deve clicar sobre;
http://act-amadoras-boavista.blogspot.com/2010/07/museu-boavisteiro-em-casa-do-arnaldo.html

ARNALDO PINA E O SEU MUSEU
Aquando da visita ao museu do Arnaldo Pina, realizamos uma entrevista com o proprietário que é uma figura de relevo entre os associados do Boavista.

Como nasceu esta ideia de criar um Museu particular em sua casa?
A ideia do museu, nasceu curiosamente em tempo de crise do Boavista Futebol Clube. Na altura em que andávamos na mó de cima, no primeiro, segundo lugar e na taça Uefa, etc... era tudo muito bonito. A verdade é que nessa altura não me nasceu ideia alguma, talvez por andarmos todos eufóricos...eufóricos. Curiosamente no tempo de crise pensei se não poderia divulgar o meu Boavista de outra forma, como o faço na janela de minha casa.
Toda a gente que passa aqui em frente sabe que aqui vive um Boavisteiro. Foi na tristeza, não foi na alegria.
As despesas são grandes?
São! Posso dizer-lhe que tudo que aqui está não tem uma cópia feita fora de minha casa, o que logo, quer dizer que só em papel e tinta está um valor muito grande. A nível de quadros comprei tudo porque nada tinha e o restante fui comprando aos bocados. Uma chapéu aqui, um prato acolá, mais um copo ali... olhe não vendia este museu por nada deste mundo, já vê o valor que tem para mim.
Teve colaboração de outros sócios?
Tive de alguns. Um deu uma medalha, outro uma bandeira, outro um quadro, um deu-me um cachecol que não encontraria em lado nenhum, porque esse cachecol tem quatro equipas, etc... um jogador das velhas guardas deu-me um par de chuteiras, na semana passada consegui um par de luvas de boxe, dadas pelo senhor Caldas quando você me levou a ver os novos ringues de Boxe do Boavista. A todos agradeço a colaboração.
O espaço aqui em sua casa está claramente esgotado. Tem planos para expandir o Museu? E como o vai fazer?
Desde algum tempo que ando à procura de espaço que não seja caro na cidade para fazer lá o Museu porque tenho arca cheia e essas gavetas cheias de mais material e para colocar o exposto com mais espaço e mais dignidade. Gostaria que fosse num quarteirão aqui perto, mas se tiver que ser noutro lado, vou para lá.
E porque não pedir à Direcção o aluguer de espaço no estádio do Bessa?
Faria isso e deixaria a porta aberta todo o dia a quem quisesse visitar o museu. Nunca falei com ninguém sobre esse aspecto, mas já que lançou essa ideia sou capaz de me debruçar sobre ela e falar com alguém do Boavista.

Pensei que pudesse haver incompatibilidade como há o museu do Boavista e ... não sei.
Numa casa particular, não pode abrir a casa a toda a gente?
Se eu estiver em casa e tocarem à campainha para verem o museu, de certeza que eu tenho imenso prazer em a mostrar. No caso de não estar em casa é natural que os meus familiares não a irão abrir a quem não conhecem.
Os dirigentes do Boavista sabem da existência do Museu?
Já ofereci um CD com um filme do qual mandei fazer cópias, ao Rui Gonçalo. Quero oferecer cópias a várias pessoas.
Eu sei que já teve uma colaboração oficial com o clube. Quando aconteceu essa colaboração?
A sério, foi em dois mil e quatro, quando estive no museu do Boavista conjuntamente com o Senhor Dúlio e Senhor Sousa. Não montei nem construi nada, quando em Dezembro de dois mil e quatro ajudei em algumas coisas, a limpar as taças por exemplo. Depois com a aproximação do Euro 2004 e por eu falar quatro línguas incluindo o português, aproveitaram para eu fazer um acompanhamento aos estrangeiros que visitavam o museu. Acho que fui uma peça muito importante no Boavista da altura, em que fui muito solicitado.

Sem auferir de nada?
Nada, absolutamente e dentro do voluntariado acho que fui muito útil ao Boavista.
O museu do Boavista, está como o seu. Saturadissimo! Como associado conhecedor da causa, qual a solução que propõem?
Já na altura do Doutor João Loureiro, antes de estes problemas aparecerem, o museu estava construído e eu fui ver a inauguração que foi espectacular, ver aquilo pela primeira vez.
Actualmente está saturado pois há muitas taças para colocar e não existe lugar onde. E não há lugar porquê? Porque dentro do museu existe uma parede de pladur, onde estão os galhardetes, que tapa uma porta que dá acesso a uma escada em caracol que dá ligação a uma sala inferior que se destinava a completar o museu.
Então havia um projecto para expansão?
Sim havia e o que estava projectado era, em cima ficava tudo o que dissesse respeito a modalidades profissionais e em baixo tudo o que fosse das amadoras. Estava-se a programar eu ficar encarregado da parte amadora e o senhor Dúlio com a parte profissional.
E tudo ficou parado porquê?
Porque o Doutor João Loureiro considera que não havia dinheiro para desenvolver o projecto. Rasgar as escadas não era caro, o que seria caro era comprar vitrinas de exposição e o restante material. Há muitas taças dentro de gavetas... eu considero que se tivesse concretizado esse projecto ficavamos (conheço o do Vitória de Setúbal) com o melhor museu do país a nível de taças.
Não acha prioritário esse projecto?
Eu acho muito prioritário... olhe por falar nisso. Arranjaram-se voluntários para a construção dos ginásios. O João Loureiro no dia da inauguração nem sabia como aquilo estava, feito por homens que puseram os ginásios muito bonitos e que merecem todo o respeito e agradecimento dos Boavisteiros, como por exemplo você senhor Pina.
E agora não se conseguem voluntários para esta obra prioritária. Começávamos com o essencial e depois iamos completando tudo o restante. Não era preciso fazer tudo de uma vez, fazíamos uma vitrina depois outra e outra... com calma e serenidade.
E porque não se inicia?
A Direcção actual tem que pensar nisso, não é só estar encostada nos gabinetes, tem que pensar nisso! Isto é uma ideia minha.
Falou já duas vezes no Rui Gonçalo, tem alguma ligação especial com ele?
Não. Eu conheço pouco o Rui. Conheço o pai há muitos anos, só não sabia que ele o pai. Conhecia-o como habitual espectador das obras do sintético e um dia em conversa é que eu soube que ele era o pai do rui Gonçalo. A simpatia que tenho pelo o Rui é derivada de eu me ter dirigido a ele por duas vezes e ele me ter respondido muito bem e com respeito.
O futebol é o mais importante para si, mas também tem aqui referências de outras modalidades?
O futebol é a mola real. Mas tenho muitas coisas de outras modalidades que tinha guardadas em gavetas, por exemplo de ginástica, eu tenho jornais de á quarenta anos atrás e se eu tivesse lugar para os colocar... tenho jornais com noticias do Boavista quando o Pinheiro de Azevedo (ex-primeiro ministro) da Bola, do Record, do Mundo desportivo, que gostava de por em local que todos pudessem ver. Só jornais do Boavista, tenho ali guardados mais de cem edições.
Como vê o Boavista na segunda “B”?
O ano passado… lá se portou bem porque tiramos o sétimo lugar depois de nos vermos aflitos em determinados momentos. Esta época, não sei ainda qual vai ser o nosso futuro e onde vamos jogar.
Mudamos de assunto, isso incomoda-o?
Sou sincero não tenho opinião formada sobre se tivermos que jogar nos distritais, o que acho importante é o Boavista recuperar e voltar a jogar na primeira Liga. Quanto mais rápido melhor! Qual o caminho a percorrer? Sinceramente não sei! Mas o que sei é que é preciso que se comece o mais depressa possível.
Acredita, voltar a ver o Boavista na primeira divisão?
Primeiro o importante é ver o Boavista FC aberto! Depois tentar chegar lá nem que demore 10 anos! Agora o Boavista não pode fechar (acabar) isso é o mais importante, seja no nacional seja no distrital, o Boavista FC não pode acabar!
Se lhe colocarem a seguinte questão. Arnaldo Pina, o Boavista só regressa à primeira divisão daqui a dez anos, mas para isso tens que comer o pão que o diabo amassou. Está pronto para isso?
Absolutamente, o que quero é ver as camisolas axadrezadas em campo! O Boavista já teve alturas em que jogou com o Carcavelinhos… com clubes já nem se ouve falar deles e muitos já morreram e o Boavista continua e continuará, nem que seja nos distritais. O que é preciso é saber as consequências nas diferenças entre as divisões. O que quero ver é ver as camisolas de xadrez nem que seja a jogar contra o Ermesinde, com o Nuno Alvares…
Mas com intenção de subir…
Sim com a ambição de subir, não é andar ali toda a vida.
O Boavista é um clube histórico, tem que ocupar o seu lugar…
É histórico e tem a sua história e a história não se apaga. O D. Afonso Henriques morreu e continua na história. O Vasco da Gama descobriu o Brasil, morreu mas ninguém apagou esse acontecimento, está na escola e está nos livros. A história não morre! Quando digo, que jogamos com o Ermesinde, com o Rio Tinto, no Gondomar, digo isso mas quero que o Boavista suba e eles fiquem para trás.
Durante a noite, aqui fechado a olhar para estas recordações, o que pensa um Boavisteiro?
Penso em muita coisa. E penso se a solução para o Boavista é a passagem pelo distrital…vamos já para o distrital! A solução é essa? Então vamos iniciar já a recuperação! O que eu tenho é que saber se quem pensa assim, está certo e essa é a única solução… e não sei!
E quando vai saber?
Não sei! Deveríamos ser informados. Se a solução é lutar na segunda divisão, temos que ir por aí, mas neste momento ninguém sabe em que pensar, falta informação aos sócios, para podermos discutir esse aspecto.
Se continuarmos na segunda, eles têm que apresentar trunfos para subirmos, porque se não vamos ficar na segunda toda a vida? Isso não pode ser. Temos que voltar ao topo do futebol. De onde vamos partir? Não sei! O estádio do Bessa tem que ter utilização continua. O Bessa é como o CC de Belém ou a Casa da Música… não pode estar desactivo.
Ninguém é eterno. O senhor tem o seu museu catalogado de forma a que a família lhe dê continuidade?
Em escrita ainda irei catalogar tudo! Tem dois CD com os filmes descritivos de tudo, as pretendo passar para o papel tudo o que está exposto.
De novo o espaço. Com maior área seria mais fácil a apresentação?
Claro. Se tiver mais espaços posso separar mais a exposição recuperar muito material que está guardado e então aí, sim, fazer um livro descrevendo tudo o que está exposto. Tenho que encontrar o espaço. Vou tentar falar com a Direcção para tentar um espaço no Bessa.
Os sócios têm vindo visitar o seu museu?
Alguns já, outros já os convidei e ainda não. Mas espero que até o Presidente venha um dia cá ver e para isso o vou convidar.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

LUÍS PEDRO O G/R FILÓSOFO


Luís Pedro é um dos dois guarda-redes da equipa juvenil de futsal que se sagrou campeã Nacional. Aproveitamos um intervalo entre aulas (aceite pela prof) e na esplanada da pantera conversamos um pouco, para melhor o conhecermos.

Luís, passados uns dias da conquista nacional, como a continuas a sentir?
É uma sensação muito boa, porque no fundo consegui concretizar um sonho, que comecei a alimentar desde que comecei a jogar o Boavista. Nos iniciados ainda não há campeonato a nível nacional, por isso o ano passado só ganhamos o título distrital. Sempre tive a esperança que nos juvenis, com a equipa forte que temos, de vencermos o titulo Nacional.
Vamos falar um pouco de ti, quando entraste no Boavista?
Eu vim no ano de dois mil e sete, das escola de Gondomar, para os iniciados. Fui duas vezes campeão Distrital de Iniciados e agora de Juvenis, distrital e Nacional.
Na primeira fase da época, a nível distrital, vocês assumiram-se como favoritos sem medo de algum adversário?
Sabíamos que o maior adversário era o Alpendurada, não por ser forte como equipa mas por ter cinco/seis jogadores fortes, bons mesmo, que formam um conjunto forte que joga um bom futsal. Depois havia aquelas equipas que iriam naturalmente complicar, como por exemplo o A. Criança, o Freixieiro. Demonstramos o nosso valor a vencer em Alpendurada e a partir daí foi quase só gerir.
Sem tirar o pé…
Sim, claro jogando sempre o melhor que podíamos porque o nosso “mister” nem outra coisa aceitava, para ele é sempre a sério.
Entramos na segunda fase já a nível nacional, onde vocês foram brilhantes. Ultrapassando a tua veio filosófica do final do jogo em Loures, diz-me lá acreditavas em vencer o Sporting?
Eu acreditava. Eu vivo o futsal intensamente e sempre acriditei que tínhamos equipa para os vencer.
Mas o resultado da primeira mão era de dois a dois…
Isso é verdade mas a nossa conversa nos balneários do Rosa Mota, quer no intervalo, quer no final do jogo, era unânime e todos reconhecíamos que tínhamos equipa para vencer e por isso vamos a Lisboa e arrumamos a questão lá, como podíamos ter arrumado cá.
Mas com cinco minutos de jogo lá, estáveis a perder por dois a zero…
Sim, dois a zero, com dois amarelos, com os árbitros a mostrar ao que estavam, tudo isso é verdade.
Nessa altura, tu pensavas… já fomos (provocamos)
Não, não. Quem reparasse em mim via que eu estive sempre em pé incentivando os meus colegas porque eu sabia que nós éramos melhores e tínhamos que ganhar. Dei sempre moral aos meus colegas porque acredito na capacidade deles.
Conseguir o empate antes do intervalo, foi importante?
Sim, foi muito importante. Porque ao atingirmos o intervalo com tudo igual outra vez e com tempo para assentar-mos ideias e conseguir a calma que não conseguimos no início. A segunda foi toda nossa.
Pois… mas vamos de novo, aquela nossa conversa de Loures. Como é que foi aquele golo, que sofreste?
É contra a corrente do jogo
Isso, eu sei e estou de acordo, mas explica como o viste…
É um canto o jogador do Sporting enrola a bola para dentro, não quero deitar nomes para a lareira (interrompemos… podes dizer mal dos teus colegas, à vontade) mas se não me engano há dois jogadores nossos, pareceu-me o Miguel e o Leandro, ficam os dois a olhar para a bola e nenhum ataca. E o Dani, que estava a marcar o número sete deles, não permite ver a bola. Assim quando vejo a bola ela está a entrar e, eu nada mais posso fazer que a olhar. Talvez essa tenha sido a imagem que fiou na ideia dos espectadores.
Para não pensares que estou sempre a dizer mal de ti, que não é verdade, vamos falar de duas extraordinárias jogadas que fizeste na primeira mão da final. Como é que te ocorreu fazer aquilo? (duas grandes defesas e lançando o contra ataque vai marcar ele próprio dois golos).É hábito teu?
No Boavista nunca tinha feito isso. Já fiz golos de baliza a baliza quando o adversário joga de cinco para quatro, mas em jogadas destas nunca tinha marcado. Desde o ano passado que o Sérgio tem treinado comigo estas transições que nos dão superioridade numérica. Já no campeonato tinha ensaiado esta jogada, mas ainda não tinha saído, estive muitas vezes perto de marcar mas nunca o consegui, mas tentei muitas vezes.
E consegues logo na final…
No intervalo quando estava a aquecer para entrar no jogo o Sérgio veio ter comigo e disse-me “ o Axel e o Ivo têm instruções para quando tiveres a bola na tua posse abrirem os dois nas alas e tu meteres a bola num deles ou seres tu a começar a jogada”.
Diz-nos como foi…
Lembro-me que há uma primeira jogada em que eu dou no Axel mas ele não conseguiu afundar em mim. Na jogada do primeiro golo, eu dou no Pedro, ele ganha vantagem no adversário directo dele e consegue meter a bola ao primeiro poste e marco. No segundo eu fiz a defesa meti a bola e fiz um sprintezinho (riu-se) para chegar primeiro que o Alex e marcar.
Foi uma homenagem que os teus colegas te fizeram…
Foi (riu-se).
Isto aconteceu quando ganhavam por quatro a zero e esse lace do primeiro golo, relança a equipa…
Eles estavam por cima de nós! (interrompe).
Ainda bem que registas isso, porque eu considero que o ABC vale mais do que o resultado diz. Concordas?
Claramente! O resultado é injusto para eles! Quando marco aquele golo que é o quinto, faço uma festa enorme porque interiormente senti que ali resolvemos o jogo. A partir daí olhávamos para os olhos deles e notava-se que eles praticamente tinham desistido com esse golo. Até ali, na segunda parte, eles estavam muito fortes e deram muito trabalho.
Foi o teu melhor jogo da época?
No seu todo, foi!
Uma das questões que eu coloquei no início da época ao Sérgio era de temer que a subida de escalão vocês não conseguissem manter a competitividade e chagar ao título. Afinal estava errado, a que se deve o facto de não terem sentido esse choque?
Vamos por partes. Entraram dois jogadores, o Dani e o Axel que vieram dar muita qualidade ao plantel. Os jogadores que já estavam que eram o Pedro, o Alex e o Leandro que eram jogadores com muita qualidade. No primeiro ano de juvenis dois deles tiveram poucas oportunidades de mostrar o seu valor e esta época, com as oportunidades reais, que o Sérgio lhes deu, mostraram o seu real valor. Juntando a estes os que subiram e que tinham muita qualidade, formamos uma excelente equipa.
As exigências que o Sérgio vos impõe não vos cansam? Depois de um treino de hora e meia, muitas vezes ainda vai conversar convosco mais meia hora. Muitas vezes não pensam em…?
Podes dizer mal do Sérgio à vontade.
Eu não digo mal do Sérgio, toda a gente que me conhece sabe que para mim o Sérgio é um ídolo. Quer como pessoa quer como treinador. Ajudou-me a crescer muito enquanto homem enquanto atleta e os métodos de treino dele dão resultados. Ele aprendeu muito com o Berto, mas ele tem muito valor como treinador. Mesmo os atletas que entram notam a diferença de ritmo e intensidade dos treinos. Isso nota-se dentro do campo. Não há equipa que trabalhe como nós!
Para o ano continuas juvenil?
Continuo.
E com o Sérgio a treinador?
Espero bem que sim.
Para revalidar o título, embora seja mais difícil?
Não acho que seja mais difícil. Muitos dos atletas do primeiro ano, pensaram erradamente que não iriam ter tantas oportunidades e não deram tudo o que podiam, foi o erro deles. Para o ano, sabendo que vão jogar, vão dar tudo e por isso vão manter o nível da equipa.
O treinador coloca os dois guarda-redes nos jogos. Mesmo num jogo decisivo ele faz. Isso demonstra a confiança que tem em vocês os dois. Mas como vês tu isso, sem filosofias e não haverá uma luta para um ser encostado?
Não essa luta não existe. Nós sabemos que somos dois grandes guarda-redes, na minha opinião somos os dois melhores guarda-redes nacionais. Estou-me a lembrar do guarda-redes do Vermoim que é muito bom, do Sporting que também é e alguns da associação do Porto que têm valor, mas nós somos melhores.
O Fragata é um grande guarda-redes, temos estilos diferentes, eu sou melhor numas coisas e o Fragata é melhor noutras. Nos treinos vamo-nos ajudando e vamos evoluindo e completando-nos.
O Boavista o que significa para ti?
Eu antes de vir para o Boavista via o Boavista como o papa tudo no futsal. Já tinha jogado com eles e tinha perdido por catorze, por quinze, enfim. Eu olhava para o Miguel Ângelo… minha nossa senhora! Na altura, o Filipe, o João, o Leandro, o Pincha e o Alex e como eu toda a gente olhava para eles como ídolos.
O sonho de qualquer jogador era estar numa equipa assim. Eu consegui realizar o meu sonho.
Fora do futsal, o que te diz?
Como Instituição, foram campeões Nacionais, nos quatro campeonatos anteriores lutaram sempre pelo título e desde que aqui estou vibro muito pelo Clube. Mesmo estando aqui há três ou quatro anos, ganhamos umas costelas.
Que idade tens?
Dezasseis.
Explica como é isso enquanto toda a gandulada está na praia tu ainda tens escola. Porquê?
Estou a tirar um curso de recuperação de computadores e ano lectivo só acaba na quarta-feira. Tenho que estudar para ir aos exames nacionais para puder ir para o décimo e recuperar os anos que deixei erradamente para trás.
Mesmo nesse aspecto o Sérgio está atento?
Exactamente, o Sérgio está atento a tudo, sempre que tive problemas ele ajudou-me. Lembro que numa sexta-feira após um treino aqui no Fontes, ele que nos vai levar a todos e eu sou o primeiro que ele deixa, nesse dia fez ao contrário, foi levar todos e ficou comigo até à uma hora da manhã.
Queres acabar com alguma mensagem?
Sim para os seccionistas e treinadores. O Simas, o Bruno, o Nuno, o João, eles que trabalham todo o ano para que nada nos falte e são excelentes. É claro que às vezes no balneário há aqueles conflitos e tal… mas é para despertar. Um abraço para todos.
Porque te chamam... ervilha?
Sei lá, são malucos!

LUÍS PEDRO, O GUARDA-REDES MATADOR

LUÍS PEDRO
O JOVEM GUARDIÃO E UM DOS "ICONES" DO BOAVISTA

Luís Pedro é um dos dois guarda-redes da equipa juvenil de futsal que se sagrou campeã Nacional. Aproveitamos um intervalo entre aulas (aceite pela prof) e na esplanada da pantera conversamos um pouco, para melhor o conhecermos.

Luís, passados uns dias da conquista nacional, como a continuas a sentir?
É uma sensação muito boa, porque no fundo consegui concretizar um sonho, que comecei a alimentar desde que comecei a jogar o Boavista. Nos iniciados ainda não há campeonato a nível nacional, por isso o ano passado só ganhamos o título distrital. Sempre tive a esperança que nos juvenis, com a equipa forte que temos, de vencermos o titulo Nacional.
Vamos falar um pouco de ti, quando entraste no Boavista?
Eu vim no ano de dois mil e sete, das escola de Gondomar, para os iniciados. Fui duas vezes campeão Distrital de Iniciados e agora de Juvenis, distrital e Nacional.
Na primeira fase da época, a nível distrital, vocês assumiram-se como favoritos sem medo de algum adversário?
Sabíamos que o maior adversário era o Alpendurada, não por ser forte como equipa mas por ter cinco/seis jogadores fortes, bons mesmo, que formam um conjunto forte que joga um bom futsal. Depois havia aquelas equipas que iriam naturalmente complicar, como por exemplo o A. Criança, o Freixieiro. Demonstramos o nosso valor a vencer em Alpendurada e a partir daí foi quase só gerir.
Sem tirar o pé…
Sim, claro jogando sempre o melhor que podíamos porque o nosso “mister” nem outra coisa aceitava, para ele é sempre a sério.
Entramos na segunda fase já a nível nacional, onde vocês foram brilhantes. Ultrapassando a tua veio filosófica do final do jogo em Loures, diz-me lá acreditavas em vencer o Sporting?
Eu acreditava. Eu vivo o futsal intensamente e sempre acriditei que tínhamos equipa para os vencer.
Mas o resultado da primeira mão era de dois a dois…
Isso é verdade mas a nossa conversa nos balneários do Rosa Mota, quer no intervalo, quer no final do jogo, era unânime e todos reconhecíamos que tínhamos equipa para vencer e por isso vamos a Lisboa e arrumamos a questão lá, como podíamos ter arrumado cá.
Mas com cinco minutos de jogo lá, estáveis a perder por dois a zero…
Sim, dois a zero, com dois amarelos, com os árbitros a mostrar ao que estavam, tudo isso é verdade.
Nessa altura, tu pensavas… já fomos (provocamos)
Não, não. Quem reparasse em mim via que eu estive sempre em pé incentivando os meus colegas porque eu sabia que nós éramos melhores e tínhamos que ganhar. Dei sempre moral aos meus colegas porque acredito na capacidade deles.
Conseguir o empate antes do intervalo, foi importante?
Sim, foi muito importante. Porque ao atingirmos o intervalo com tudo igual outra vez e com tempo para assentar-mos ideias e conseguir a calma que não conseguimos no início. A segunda foi toda nossa.
Pois… mas vamos de novo, aquela nossa conversa de Loures. Como é que foi aquele golo, que sofreste?
É contra a corrente do jogo.
Isso, eu sei e estou de acordo, mas explica como o viste…
É um canto o jogador do Sporting enrola a bola para dentro, não quero deitar nomes para a lareira (interrompemos… podes dizer mal dos teus colegas, à vontade) mas se não me engano há dois jogadores nossos, pareceu-me o Miguel e o Leandro, ficam os dois a olhar para a bola e nenhum ataca. E o Dani, que estava a marcar o número sete deles, não permite ver a bola. Assim quando vejo a bola ela está a entrar e, eu nada mais posso fazer que a olhar. Talvez essa tenha sido a imagem que fiou na ideia dos espectadores.
Para não pensares que estou sempre a dizer mal de ti, que não é verdade, vamos falar de duas extraordinárias jogadas que fizeste na primeira mão da final. Como é que te ocorreu fazer aquilo? (duas grandes defesas e lançando o contra ataque vai marcar ele próprio dois golos).É hábito teu?
No Boavista nunca tinha feito isso. Já fiz golos de baliza a baliza quando o adversário joga de cinco para quatro, mas em jogadas destas nunca tinha marcado. Desde o ano passado que o Sérgio tem treinado comigo estas transições que nos dão superioridade numérica. Já no campeonato tinha ensaiado esta jogada, mas ainda não tinha saído, estive muitas vezes perto de marcar mas nunca o consegui, mas tentei muitas vezes.
E consegues logo na final…
No intervalo quando estava a aquecer para entrar no jogo o Sérgio veio ter comigo e disse-me “ o Axel e o Ivo têm instruções para quando tiveres a bola na tua posse abrirem os dois nas alas e tu meteres a bola num deles ou seres tu a começar a jogada”.
Diz-nos como foi…
Lembro-me que há uma primeira jogada em que eu dou no Axel mas ele não conseguiu afundar em mim. Na jogada do primeiro golo, eu dou no Pedro, ele ganha vantagem no adversário directo dele e consegue meter a bola ao primeiro poste e marco. No segundo eu fiz a defesa meti a bola e fiz um sprintezinho (riu-se) para chegar primeiro que o Alex e marcar.
Foi uma homenagem que os teus colegas te fizeram…
Foi (riu-se).
Isto aconteceu quando ganhavam por quatro a zero e esse lace do primeiro golo, relança a equipa…
Eles estavam por cima de nós! (interrompe).
Ainda bem que registas isso, porque eu considero que o ABC vale mais do que o resultado diz. Concordas?
Claramente! O resultado é injusto para eles! Quando marco aquele golo que é o quinto, faço uma festa enorme porque interiormente senti que ali resolvemos o jogo. A partir daí olhávamos para os olhos deles e notava-se que eles praticamente tinham desistido com esse golo. Até ali, na segunda parte, eles estavam muito fortes e deram muito trabalho.
Foi o teu melhor jogo da época?
No seu todo, foi!
Uma das questões que eu coloquei no início da época ao Sérgio era de temer que a subida de escalão vocês não conseguissem manter a competitividade e chagar ao título. Afinal estava errado, a que se deve o facto de não terem sentido esse choque?
Vamos por partes. Entraram dois jogadores, o Dani e o Axel que vieram dar muita qualidade ao plantel. Os jogadores que já estavam que eram o Pedro, o Alex e o Leandro que eram jogadores com muita qualidade.


No primeiro ano de juvenis dois deles tiveram poucas oportunidades de mostrar o seu valor e esta época, com as oportunidades reais, que o Sérgio lhes deu, mostraram o seu real valor. Juntando a estes os que subiram e que tinham muita qualidade, formamos uma excelente equipa.
As exigências que o Sérgio vos impõe não vos cansam? Depois de um treino de hora e meia, muitas vezes ainda vai conversar convosco mais meia hora. Muitas vezes não pensam em…? Podes dizer mal do Sérgio à vontade.
Eu não digo mal do Sérgio, toda a gente que me conhece sabe que para mim o Sérgio é um ídolo.
Quer como pessoa quer como treinador.


Ajudou-me a crescer muito enquanto homem enquanto atleta e os métodos de treino dele dão resultados. Ele aprendeu muito com o Berto, mas ele tem muito valor como treinador. Mesmo os atletas que entram notam a diferença de ritmo e intensidade dos treinos. Isso nota-se dentro do campo. Não há equipa que trabalhe como nós!
Para o ano continuas juvenil?
Continuo.
E com o Sérgio a treinador?
Espero bem que sim.
Para revalidar o título, embora seja mais difícil?
Não acho que seja mais difícil. Muitos dos atletas do primeiro ano, pensaram erradamente que não iriam ter tantas oportunidades e não deram tudo o que podiam, foi o erro deles. Para o ano, sabendo que vão jogar, vão dar tudo e por isso vão manter o nível da equipa.
O treinador coloca os dois guarda-redes nos jogos. Mesmo num jogo decisivo ele faz. Isso demonstra a confiança que tem em vocês os dois. Mas como vês tu isso, sem filosofias e não haverá uma luta para um ser encostado?
Não essa luta não existe. Nós sabemos que somos dois grandes guarda-redes, na minha opinião somos os dois melhores guarda-redes nacionais.


Estou-me a lembrar do guarda-redes do Vermoim que é muito bom, do Sporting que também é e alguns da associação do Porto que têm valor, mas nós somos melhores.
O Fragata é um grande guarda-redes, temos estilos diferentes, eu sou melhor numas coisas e o Fragata é melhor noutras. Nos treinos vamo-nos ajudando e vamos evoluindo e completando-nos.
O Boavista o que significa para ti?
Eu antes de vir para o Boavista via o Boavista como o pápa tudo no futsal. Já tinha jogado com eles e tinha perdido por catorze, por quinze, enfim. Eu olhava para o Miguel Ângelo… minha nossa senhora! Na altura, o Filipe, o João, o Leandro, o Pincha e o Alex e como eu toda a gente olhava para eles como ídolos.
O sonho de qualquer jogador era estar numa equipa assim. Eu consegui realizar o meu sonho.
Fora do futsal, o que te diz?
Como Instituição, foram campeões Nacionais, nos quatro campeonatos anteriores lutaram sempre pelo título e desde que aqui estou vibro muito pelo Clube. Mesmo estando aqui há três ou quatro anos, ganhamos umas costelas.
Que idade tens?
Dezasseis.
Explica como é isso enquanto toda a gandulada está na praia tu ainda tens escola. Porquê?
Estou a tirar um curso de recuperação de computadores e ano lectivo só acaba na quarta-feira. Tenho que estudar para ir aos exames nacionais para puder ir para o décimo e recuperar os anos que deixei erradamente para trás.
Mesmo nesse aspecto o Sérgio está atento?
Exactamente, o Sérgio está atento a tudo, sempre que tive problemas ele ajudou-me. Lembro que numa sexta-feira após um treino aqui no Fontes, ele que nos vai levar a todos e eu sou o primeiro que ele deixa, nesse dia fez ao contrário, foi levar todos e ficou comigo até à uma hora da manhã.
Queres acabar com alguma mensagem?
Sim para os seccionistas e treinadores. O Simas, o Bruno, o Nuno, o João, eles que trabalham todo o ano para que nada nos falte e são excelentes. É claro que às vezes no balneário há aqueles conflitos e tal… mas é para despertar. Um abraço para todos.
Porque te chamam... ervilha?
Sei lá, são malucos!

domingo, 11 de julho de 2010

HENRIQUE SANTOS, SEM MEIAS PALAVRAS


Henrique Santos, treinador dos iniciados do andebol, é um homem consciente que os seus jovens atletas poderiam ter conseguido um pouco mais numa época de choque pelo nível competitivo encontrado.
Mostrou-se calmo como sempre e confiante no futuro, registando muito de positivo, nesta conversa no café da pantera, antes de mais um treino.
Foi uma viagem pelo passado e chegou a ter pontos de análise para o futuro e em alguns pontos pareceu uma lição técnica de andebol..

A ÉPOCA QUE TERMINOU
Vamos começar por um resumo do ano. O campeonato foi forte, ou os atletas eram jovens de mais?
O campeonato foi o que eu estava à espera. A verdade é que vendo os adversários que teríamos que defrontar, achava que tínhamos hipóteses de permanecer e descemos.
Nota-se uma mágoa. Falhou o quê?
Nem dá para explicar porque descer com os mesmos pontos da equipa que ficou é algo frustrante, complicado e muito mau. Tivemos um jogo muito difícil em Leiria e perdemos esse jogo. A partir daí tudo ficou muito complicado. Démos tudo, mas sabíamos que depois dessa derrota irmos, no último jogo, ganhar ao S. Bernardo era quase impossível.
Mas na globalidade, foi positivo?
Acabou por ser uma época como era esperado. Num campeonato exigente com uma equipa muito jovem, muito tenrinha, a defrontar equipas fortíssimas com ritmos “estúpidos” a jogar andebol, que pareciam coisas do outro mundo.
Muito difícil?
Sentimos muitas dificuldades na primeira fase, onde quase só somamos derrotas, tirando o Fafe. Na segunda e terceira fase, demos um ar da nossa raça, começamos a ver o que era a primeira divisão. Sabíamos que ia ser complicado, isso, sabíamos. Se me perguntarem se podíamos ter feito mais… acho que sim!
Ao fim e ao cabo, um empate conseguido num jogo qualquer teria salvado a época. Não lhe custa ver essa realidade?
O que custa foi ter perdido o lugar classificativo, com o D. Fuas Roupinho. Primeiro porque o D. Fuas não tem andebol para nós e ficou provado isso nos jogos que fizemos com eles.
Mas perderam lá, como explica?
Foi um dia mau. Começou com uma viagem muito complicado que aconteceu num dia de temporal desfeito. Chegamos com um grande atraso, depois o pavilhão para o jogo estava em obras e chovia no interior, tivemos que procurar outro pavilhão… saímos de lá já era noite e tudo isso nos veio a prejudicar. No jogo em nossa casa, vencemos com facilidade, porque somos claramente mais fortes.
Foi aí que perdeu o seu campeonato?
Não! Onde perdemos foi no 1º de Maio! Não esperava essa derrota, sem ela safávamo-nos.
Se o campeonato tivesse início agora seria diferente?
Sem dúvida alguma. Acabamos a prova com mais velocidade, mais ritmo competitivo, os jogadores já conseguiram encaixar as situações do próprio jogo, num um contra um, no ataque e contra ataque, que são situações que acontecem muito na primeira divisão. Neste aspecto, eles evoluíram muito e, são neste momento, muito melhor equipa.
Numa análise individual do treinador, houve surpresas?
Tive miúdos que evoluíram muito. Alguns mais do que eu esperava, outros ficaram aquém do que contava deles e me acabaram por desiludir. Eu sei a razão porque aconteceu.
Podemos saber, qual?
Tinha dois miúdos muito bons que vieram dos infantis, digo mesmo fantásticos. Mas quando só treinamos três vezes por semana e só se vem a um treino… não se consegue evoluir e essas duas grandes promessas acabaram por perder o lugar na equipa.
Mas porque não vinham aos reinos essas duas promessas?
Falo mais por um deles, que tinha seis negativas na escola, que no final acabou por passar de ano, muito à rasca e como é normal os pais começaram a cortar-lhe as pernas desportivamente falando, deixando-o vir a penas a um treino. O resultado foi que muitas vezes nem sequer era convocado, porque não o iria convocar em deferimento de outros que treinavam sempre. Mas pela positiva tive miúdos que me surpreenderam e estiveram muito bem dando muitas esperanças para o futuro.
O PRESENTE
A equipa vai sofrer muitas alterações por causa das idades?
Sobem quatro ou cinco jogadores para os juvenis, um deles que tem uma influência brutal, porque é um jogador fora de série, que é o caso do João. Não tenho dúvidas nenhumas que o João vai ser uma mais-valia na equipa de juvenis, onde vai ser muito importante. Mesmo com estas saídas, vamos ficar com uma equipa muito interessante e equilibrada, para disputar o campeonato nacional da segunda divisão.
O FUTURO
Candidata a subir?
Para mim, sem dúvida alguma… é para subir. Com três ou quatro jogadores que virão dos infantis com muita qualidade, estamos a falar do Diogo – que está na Selecção Nacional de Iniciados em rio Maior - estamos a falar do Paulo, do João e do próprio Bernardo que são excelentes atletas. São quatro miúdos que vão ser uma mais-valia na equipa de juvenis para o ano, estou certo disso.
Esta época será diferente, pelo menos o contacto com as vitórias será muito maior. Isso é positivo?
Para mim o objectivo é repetir o que fizemos há dois anos. Passar à fase final, estar nos seis melhores, entre cinquenta e duas equipas, como há dois anos estivemos na Régua. Esse é o primeiro objectivo que sei ser possível e pelo qual vamos lutar desde início da época.
Confiante?
Sim estou, mas claro que pode acontecer o aparecimento de um out-sider, como há dois anos aconteceu connosco e nem sermos apurados. Mas estou confiante no nosso apuramento. Acho que eles…ou nós! Eu ainda não sei se vou continuar…
Essa é uma pergunta que lhe quero colocar. Já me conhece e sabe que eu não durmo muito… por isso, tenho dúvidas se você vai continuar neste escalão. Já há algumas definições sobre isso?
Continuar no Boavista é uma das minhas prioridade, existem convites, não vou dizer que não. Há e o Santos (Director) sabe que há, como houve quatro ou cinco convites o ano passado. O ano passado com a grande época que fizemos, não falavam convites para os treinadores e jogadores.
Está difícil?
Eu disse ao Santos, que sinto-me bem aqui, sinto-me apoiado, tenho horários excelentes, estou perto de casa, não é o dinheiro que me vai fazer decidir, mesmo sabendo que é uma parte complicada. Só teria um poder de decisão se me oferecessem um valor que me dispensa-se de trabalhar (riu-se). Por isso, falei com o Santos e comuniquei-lhe que se o Boavista estiver descontente com o meu serviço eu saio, se estiver interessado na continuidade dos meus serviços, por mim estou pronto a continuar onde quiserem. Estou contente com as pessoas , sinto-me bem com todos, tenho cada vez mais uma certa afinidade com os pais dos jogadores, tudo isso conta muito e não era por aí que ia abandonar.
Sei que pode mudar de equipa… como vê também ando informado. É verdade?
Na realidade pode haver algumas alterações entre os treinadores do clube. Eu sinto-me bem nos iniciados, mas parece que quero que eu mude…
DE VOLTA AO PASSADO PESSOAL
Será uma novidade?
Não! Eu já treinei seniores no início da minha carreira! Eu tinha um guarda-redes com trinta e oito anos! Ainda ontem no andebol de praia o vi e ele nunca se esqueceu de mim. No início da carreira eu treinava guarda-redes, porque sentia vocação para esse cargo e tirei um curso nessa área, porque era nessa área que eu me revia. Depois debrucei-me pelos outros pontos. Por isso já treinei seniores. juvenis e juniores.
Então nem sempre foi um técnico de formação…
Eu estive dois anos nos seniores, foi uma excelente experiência nos seniores! Tínhamos um balneário fantástico e aprendei muito com os mais velhos que tínhamos lá. Falava com eles e trocávamos experiencias e ideias.
Em que clube?
No Lusitanos, numa excelente equipa baseada em miúdos que subiram dos juniores e ficamos em segundo lugar.
O PRESENTE … DE NOVO!
Voltemos um pouco atrás…
No andebol até aos juvenis consideramos formação, por exemplo no Futsal o escalão de juniores ainda é formação, no andebol não. No andebol a formação vai até aos juvenis.
Vamos exemplificar… Iniciados?
Os iniciados são um escalão que gosto de treinar porque para além de ter um campeonato com muitos jogos, é muito competitivo porque tem muitas equipas. É impensável outra modalidade onde o campeonato da segunda divisão ter cinquenta equipas.
Juvenis?
Os juvenis é o escalão que serve de passagem que fica no final da formação e no início da competição. Foi o escalão em que me iniciei quando cheguei ao Boavista, fomos vice-campeões nacionais e ganhamos a Taça da Associação do Porto, foi esta equipa que subiu esta última época à primeira divisão e será esta a equipa que eu posso voltar a treinar se acontecer a tal reestruturação que está em estudo. É um grupo muito forte e muito unido, que este ano, também por as dificuldades da primeira divisão e com alguns atletas mais desmotivados por jogar menos tempo, estará um pouco descrente mas que facilmente se levantra. Há sempre diferenças de trabalho, minhas do Franquelim, do Vítor porque cada um tem a sua forma e o seu método de trabalho.
Falemos da sua…
As minhas equipas são muito competitivas e têm que seguir as regras à risca, podem não jogar muito andebol, mas apresentam sempre um grande nível de competição. Antes de haver de uma equipa, tem que haver um grupo! Não pode haver uns a puxar para cada lado. Os juvenis é um escalão muito perigoso e difícil. Há os grupos dos que vão ao cinema, há o grupo dos que já bebem uns canecos, o grupo dos que já fumam, etc… isso vai provocar uma naturalmente formação de grupos, dentro da equipa.
Concordo com essa visão, até por experiencia do meu tempo de arbitragem…
Depois há os grupos dos que já saem à noite e pensam que já sabem tudo. Se conseguirmos unir todos estes grupos, não tenho dúvidas que faremos uma equipa muito competitiva e que no mínimo tem que ir á fase final do campeonato. Eu conheço bem aquela equipa, que com os atletas que vão entrar e que irão lutar pelo seu estatuto, penso que o João irá pegar nessa equipa. Não digo que pegue de estaca mas vai jogar muitas vezes.
Mas qual o escalão que prefere treinar?
Não sei qual a que prefiro. Já disse ao Santos isso mesmo, se uma delas estivesse na primeira divisão naturalmente escolheria essa. Estando ambas na segunda, eu penso assim; se for para os Juvenis fico contente porque vou para a equipa que conheço e que formei há dois anos. Se ficar nos iniciados, fico também contente, porque é um grupo que tomei conta no ano passado e que estão a evoluir e essa é a grande vantagem, que é estar presente na sua constante evolução.
PESSOAL
Durante um jogo, que lhe está a correr mal. Como actua você, como treinador ambicioso e competitivo, ou como técnico de formação que deixa o resultado para segundo plano?
Muito simples. Campeonato nacional da primeira divisão, é para ganhar, seja em que escalão for. Temos um emblema para defender e as pessoas têm que compreender. Vou dar-lhe um exemplo, eu tive um problema desse género quando cheguei ao Boavista.
Se tiver seis ou sete atletas que lhe oferecem mais garantias é nesses que aposta?
Exactamente, é nesses que aposto.
Voltemos ao exemplo…
Eu vim de um clube – Lusitanos – em que estive nos juvenis quando cheguei aqui peguei nos iniciados. Com esse grupo, fomos ao Ismai disputar um encontro que tínhamos que vencer, para ganhar uma Taça, era uma Taça regional, mas era uma Taça! Cheguei lá e coloquei em campo aqueles que considerava ser a melhor equipa. No final a mãe de dois atletas veio ter comigo e reclamou, dizendo-me que se soubesse que era para isso, não era preciso treinar durante a semana. Respondi-lhe que falaríamos depois do próximo treino porque naquela altura estávamos todos a pensar a quente. Antes desse treino fui falar com o director.
e perguntei. Santos, no Boavista estamos para vencer ou para rodar todos? Se for para rodar todos, não precisa de treinador, mete sete no inicio, outros sete na segunda parte e está perfeito. As pessoas têm que ver que a seguir aos iniciados estão os juvenis e nesse escalão tudo vai ser muito mais duro e, eles têm que saber que estar no banco é o mesmo que estar em jogo. Verem o que se passa lá dentro, ver como o adversário é mais forte no um para um, ver as dificuldades do adversário, ver qual o ponto mais fraco do adversário para sabermos como vamos actuar e aplicar as nossas jogadas. Não é criticar os que estão lá dentro e depois quando entram fazem igual e cometem os mesmos erros. Estar no banco é o mesmo que estar a jogar, para sermos mais competitivos.
Eles reagem positivamente?
Passaram dois casos este nítidos, nítidos, que ninguém consegue explicar e deixou tudo de boca aberta. É caso do Costa que é um jogador fabuloso que perdeu o lugar para o Queijinho, que é aquele jogador pequenino, gordinho por quem ninguém dava nada e o queijinho foi titular fez seis golos ao ABC, marcou sete ao S Bernardo e acabou uma época em beleza, teve uma evolução estúpida é um jogador rematador. Aquele molenga do inicio da época é agora dos que mais trabalha e isso porquê? Porque viu que só com trabalho se consegue evoluir. Quando estavam no banco estava concentrado, quando entrava no jogo cumpria e as coisas acabaram por acontecer. Agora, se me vão dizer que é para rodar todos… se der para rodar sou o primeiro, mas também sou um treinador muito conservador. Trocar é só quando eu estiver a ganhar por doze e sei que vou ganhar por vinte, como aconteceu o ano passado quando ganhamos por cinquenta e dois em que ao intervalo mudei a equipa toda e nunca mais os meti. Estar por estar eu não estou! Para rodar então vamos para o regional e não nos importamos com os resultados. No nacional é para ganhar sempre! Num nacional para um clube como o Boavista – que pode estar a passar dificuldades, como está, mas é um emblema que tem que ser honrado. Nós naõ podemos levar cinquenta, depois toda a gente iria falar nisso. O Boavista levar cinquenta, não é a mesma coisa que o Padroense levar cinquenta.
A REALIDADE
Falando das dificuldades e falta de condições – que nem muitos boavisteiros conhecem – que vocês têm, falta de subsídios, poucos tempos de treinos, etc… o que faz um treinador continuar no Boavista? Porque é que continua no Boavista?
Falar do Boavista, é falar a mesma linguagem de um Porto, de um Benfica, de um Sporting. O Boavista é um emblema nacional. Repare eu trocar o Boavista pelo Padroense, pelo Cal, pelo Lusitanos - que foi o clube de onde vim e sei que me acolhiam de certeza - não tem cabimento algum. Olhe, o ano passado tive um convite do FC Porto e não aceitei. E não aceitei depois de estudar o projecto porque ele fizeram-me uma oferta material baseado em saberem que eu nada recebo no Boavista. Fizeram uma proposta de mais cinquenta euros daquilo que acordei com o Boavista – porque pensaram que eu não recebendo aqui iria aceitar. Não gostei e recusei. Eu não troco o Boavista por este ou aquele, como já lhe disse.
Porquê?
Estar no Boavista é estar num clube histórico, num clube centenário. Sou sincero quando vim para cá o Boavista não me dizia nada! Sou Leixonense, tenho uma costela do Benfica, por isso o Boavista para mim era mais um clube. Mas isto é como tudo, vim para cá aprendi a gostar do Boavista, se calhar era o primeiro a pedir ao Santos para me arranjar um convite para vir ao futebol ver o Boavista. Isto é que fez ficar por aqui. Repare nós chegamos ao fim da época, ou à Pascoa e o Boavista é convidado para estar em inúmeros torneios. E algumas só pelo nosso nome. Quer um exemplo o Samora Correia que convidam sempre as melhores equipas do país e convidam sempre o Boavista. Fomos recebidos como heróis, fomos dormir para uma Residencial de quatro estrelas sem pagarmos um tostão e ainda nos transportaram num autocarro para a Nazaré onde teríamos que estar noutro torneio. É por isso que um homem fica por aqui. O Boavista é um emblema.

E tem mais! Vencer pelo Boavista tem mais valor, porque toda a gente quer ganhar ao Boavista. Dou um exemplo, quando fomos jogar a Lamego o pavilhão estava completamente cheio, mas cheio mesmo. Perguntei se era sempre assim ter um pavilhão cheio num jogo de iniciados, responderam-me que não. Estava cheio porque era o Boavista que ia jogar e só está assim cheio quando jogamos nós ou o Porto. Isso alegrou-me encheu-me o ego ver um pavilhão cheio, cheio, cheio para ver os iniciados do Boavista.
Fica para sempre…
Não será assim, se tiver que deixar, deixo mas não será fácil, até porque à frente de tudo temos o senhor António Santos que tudo faz para nada nos faltar e para isto continuar. Nunca deixaria por deixar. Isso não o faço!
Eu que tenho algum contacto convosco noto a vossa união…
É verdade e tem que ser e existir uma colaboração total entre todos treinadores, seccionistas. E se não fosse assim não íamos a lado nenhum. Todos nós colaboramos para que nada falte, se não posso ir eu vai outro, mas vai sempre alguém. Todos os treinadores são fantásticos, temos gente com muito valor. O caso do Carmo, que começou a dar os primeiros passos como treinador mas que está aqui há muito tempo, sabe como se faz e desfaz e é uma mais-valia para o Boavista. Ele organiza o andebol de praia, ele procura torneios, ele joga e treina… ou fim e ao cabo é um organizador de toda a formação.
Falta então resolver os pequenos pormenores com o Director para a continuidade?
Exactamente, o Santos deu-me o toque para treinar os juvenis. Não lhe disse nem que sim nem que não, disse-lhe que via com bom grado. Sinto-me que me querem nos juvenis porque me vêem como mais um treinador de competição que de formação. Se assim que querem… vamos a isso!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

FRANQUELIM CARDOSO - O TREINADOR DA SUBIDA

Franquelim Cardoso, foi o treinador que comandou os juniores na subida à primeira divisão nacional. Encontramo-nos para falar mais calmamente do passado e acabamos a falar do futuro. Falou-se de futsal, de Ginástica… falou-se do Boavista.

Passado este tempo, ainda tem o amargo na boca de não ter ganho o título nacional?
Ninguém me tira isso da cabeça. Mas com o que aconteceu, acho que a verdade desportiva foi posta um pouco (para não dizer outra coisa) em causa, mas alheando-nos disso penso que esta subida teve um sabor maior que ser Campeão Nacional.
Durante o vosso percurso registo jogos de mata/mata que ultrapassaram sempre. Alguma vez sentiu a rapaziada a quebrar e temer o futuro?
Desde o primeiro dia que foi a 26 de Agosto que marcou o início da época o nosso grande objectivo era a subida de divisão, porque nas duas épocas anteriores sempre morremos na praia, como se costuma dizer. Por isso a nossa aposta era claramente a subida de divisão. Tudo foi alicerçado com esse objectivo.
Quer fazer uma retrospectiva do campeonato?
Na primeira fase ficamos em segundo lugar, atrás do Espinho. Na segunda fase em que nós, o Espinho, o Fafe e o Ismai, eram equipas que todas podiam disputar a fase final da prova.
Essa foi a fase mais importante?
Sim mais importante e muito difícil, porque as equipas eram muito iguais. Houve uma altura em que quando jogamos contra o Fafe e trememos um bocado. Isto porque nós ganhamos ao Fafe por cinco golos.
O Fafe era uma equipa que tinha descido da primeira e tinha jogadores a jogar na primeira divisão de seniores, que lhes dava grande ritmo de jogo. Quando digo que trememos um bocado, digo-o porque depois de vencermos o Fafe perdemos com o Espinho por um golo. Depois fomos jogar ao Ismai o jogo do tudo ou nada! Nesse jogo os jogadores foram extraordinários e cumpriram rigorosamente com tudo o que lhes foi pedido, quer a nível defensivo, quer a nível ofensivo.. Nessa semana e no próprio jogo, vimos que tínhamos uma equipa preparada para o que desse e viesse. Nesse jogo abrimos logo para seis/sete golos e mantivemos sempre essa postura.
Essa postura acabou por ser determinante nos jogos com o Gaia?
Sim. Nesse jogos, nós sabíamos que o Gaia, embora estivesse a disputar a (não) descida, o que aconteceu aos últimos quatro da primeira divisão, era ma equipa muito mais forte que nós, em termos de velocidade de bola, em termos de saída para o ataque.
Tivemos que trabalhar muito tacticamente para evitar que os pontas não recebessem a bola, e como lado deles é mais forte, tínhamos que reduzir espaços, marcando homem a homem, quando a bola vinha desse lado para o lateral esquerdo deles que era o maior perigo. Como na primeira divisão não se defende assim, o Gaia sentiu-se um bocado perdido. E nós tivemos a sorte do jogo…
A sorte também se procura…
É verdade e nós procuramos tê-la nesse jogo. Diz-se muitas vezes que uma equipa tem a sorte do jogo, a sorte nos ressaltos etc… mas para isso acontecer é preciso procurar a bola e os ressaltos acabam por acontecer.
Voltemos ao jogo do Gaia…
Mal começou o jogo abrimos logo para sete a dois, depois houve uma altura em que o Gaia reduziu para três/quatro golos. Tive que pedir um time-out e modificar o sistema de defesa. Sempre a defesa porque com o Gaia não podíamos jogar na expectativa para ver o que iria acontecer! Não. Nesse jogo tivemos que no ataque, atacar e na defesa atacar. Jogamos sempre ao ataque e resolvemos a situação, quando atingimos nova diferença de seis golos. A partir daí eles nunca mais tiveram hipóteses.
Falando do futuro. Esta equipa tem arcaboiço para se manter na primeira divisão?
Esta equipa, acho que pode ser uma agradável surpresa em termos de primeira divisão, embora com a saída do Carmo, do Rúben, do Guilherme e do Armando, que é muita gente a sair… se calhar é a espinha dorsal da equipa, porque é um central, um pivot e um lateral esquerdo.
Segundo descobri, vai aproveitá-los para reactivar a equipa sénior do Boavista. É verdade, isso?
Óh pá…( marcou passo e arrancou de novo) está alinhavado. Ainda agora vim de uma reunião com um jogador que foi campeão nacional pela Ac. De S. Mamede e que nos ficou de dar uma resposta, sobre o qual eu considero ser um grande reforço.
E você vai ser o treinador dos seniores?
Sim vou acumular as duas equipas, a de juniores e a de seniores.
Então está confirmada essa nova equipa?
Sim, está.
Vai conseguir mais tempos de treino, ou como está a planear o trabalho?
Eu vou ter mais tempo de treino… (rui-se profundamente) eu vou ter! Mas vamos tentar conciliar os treinos, ou por um imediatamente a seguir ao outro, à sexta-feira treinarão as duas equipas em conjunto.
É uma situação nova para si?
Não. Já estive nessa situação a treinar juniores e seniores. Conseguiu-se tempos para isso, consegui tempo para mim e no fim de contas, acho que é uma boa altura para apostar nos seniores porque com os nossos juniores que sobem, se formos buscar mais dois jogadores fora, temos que ter no mínimo dez seniores e mais a nossa equipa de juniores acho que é a nossa altura para dar o salto.
Objectivos para os seniores?
Tentar nesta época subir à terceira Nacional e depois esperar por estes juniores, que com andamento que vão adquirir na primeira divisão, ficarão com um andamento que nos dará garantias em termos futuros. O objectivo ao lançar a equipa sénior é para no futuro próximo garantirmos a permanência destes atletas no Boavista.
Pode dizer-se que a interrupção do ano passado estava programada?
A paragem do ano passado foi calculada. E o cálculo foi a contar com esta equipa de juniores que tem atletas com ritmo de treino, são jogadores que estão no Boavista desde os infantis ou iniciados, gostam do clube, trabalham bem e não levantam problemas.
Explique uma questão. Qualquer miúdo entra para o andebol do Boavista, quer saiba ou não o que é andebol. Passados alguns tempos, os mesmos chegam aos juniores e afirmam-se como verdadeiros andebolistas. A que se deve esse facto?
O Boavista em termos de escola de andebol, pode dizer-se que uma excelente escola. Tem bons treinadores, os jogadores estão bem preparados e se olharmos para o passado, quatro cinco anos, vemos atletas que se formaram no Boavista a jogar na primeira divisão. Por isso não é de agra, o Boavista sempre teve boas escolas e isso é fundamental, porque o andebol está cada vez mais caro, cada vez se tem que apostar mais na formação.
Falar de Boavista FC, o pensamento leva-nos a pensar no Benfica, no Porto etc… Mas as condições que vos oferecem nada têm de comum. O que leva o Franquelim a continuar no Boavista?
No meu caso, posso dizer que sou Boavisteiro e por isso é mais fácil aceitar este estado de coisas, porque corro um pouco por amor à camisola. Os meus colegas não sendo boavisteiros, fazem o mesmo que eu, com o mesmo prazer e intensidade, fazendo tudo por tudo pelo emblema. O Boavista ainda é uma marca.
Um exemplo disso?
Olhe esta equipa de juniores. No início da época quem nos acompanhava eram os pais e mais uns amigos. Fomos para a segunda fase e o público que aparece no pavilhão já totalmente diferente. São pessoas que gostam de andebol, pessoas ligadas ao andebol que sabem que o Boavista é garantia de espectáculo. A partir dessa fase começamos a ver muita gente no pavilhão.
Eu tive oportunidade de escrever, que vocês começaram sozinhos e acabaram envoltos numa multidão…
Também devemos muito ao senhor Pina, porque muitas pessoas vão ao Blog e o Blog sempre nos acompanhou durante a época. Tudo foi criado e teve o fenómeno de uma bola de neve, começamos por afirmar que o objectivo era ser campeão nacional. Tudo isso foi crescendo e chegados á segunda fase, começamos a ver no pavilhão gente do futebol. Até ali, não era normal ver sócios de futebol a verem a jogos de andebol. Isso é muito importante, porque os jogadores também conhecem as pessoas e vêem as alterações da atenção que é dado ao seu trabalho.
E na terceira fase?
Bem aí aconteceu o que nós nunca pensamos ver. Pavilhões cheios tanto no Boavista como a jogar fora. Eu lembro que fomos jogar ao Alto de Moinhos e tivemos um pavilhão completo. Porquê? Porque era o Boavista que estava lá! Nos boletins de jogos, o oficial de mesa regista o número de espectadores e não havia nenhm outro jogo, nem mesmo com o vizinho Ginásio do Sul se registava tal número de assistentes. Fomos jogar a Espinho e o pavilhão estava completamente cheio. Com os nossos familiares, meia dúzia de Panteras que faziam um barulho descomunal, o pavilhão está completamente esgotado. Tudo isto foi muito gratificante.
Houve uma união de adeptos…
Como conclusão e ainda sobre o nome do Boavista, eu fui ver os jogos do futsal de Juvenis – que foram Campeões Nacionais e apresento-lhes os meus parabéns – e vi no Rosa Mota uma bancada cheia e a de cima bem composta. Vi os mesmos jovens na Senhora da Hora com uma bancada completamente cheia e não me venham dizer que eram só familiares, que não é.
Também sei que esteve no sarau de Ginástica…
Bem o Sarau de Ginástica…para um clube que está na situação que o Boavista está. Apresentar um sarau com aquela qualidade, com a quantidade de miúdos a fazer ginástica e apresentar as suas qualidades, é uma coisa do outro mundo. Se calhar o Presidente, se tivesse estado presente teria uma melhor ideia da realidade do Boavista – ele terá a ideia sobre o futebol, já cá esteve há anos – eu interrogo-me como é possível um clube estar nesta situação com uma massa humana a trabalhar com o faz.
Verifiquei com o contacto que tive com o andebol, que vocês se misturam nos trabalhos. Está institucionalizado?
É uma coisa engraçada que se nota no Boavista. Aqui não há quintas. Noutros clubes notam-se essas quintas, os juniores têm a sua quinta, os juvenis a sua, os infantis outra. Cada um trata da sua quinta e está feito. Aqui não. O Vítor se não puder ir a um jogo, vou eu. Se não posso ir eu vai o Vítor. Nos seccionistas é a mesma coisa, umas vezes aprece o de juniores nos iniciados, são formas de trabalhar que são marca do clube. Reparem é muito raro uma equipa de juniores dar-se bem e ligar aos infantis e no Boavista parece que são todos irmãos, criticando-se e brincando uns com os outros. Criou-se um ambiente muito familiar.
Teve uma reunião com o director, está tudo acertado?
Comigo esta tudo acertado a reunião foi para preparar o início dos trabalhos.
Está tudo de férias?
Não. Continuamos a treinar duas vezes por semana, para manter a forma!
Foi uma época para registar. Alguma coisa o marcou nela?
Para além da subida, há uma coisa que ainda não entendi bem. Foi no jogo com o Espinho, onde os meus jogadores entraram apostados em vencer. Com o jogo equilibrado e connosco a jogar com menos uma unidade, houve uma jogada que envolveu o Fábio e um adversário e que o árbitro decidiu excluir so dois, até aí aceito. Mas o que não percebi foi a exclusão de Carmo na mesma jogada, porque ele não ofende ninguém e o árbitro excluiu-o também. Ficamos quatro contra seis e o Espinho abriu para cinco golos e acabou com o jogo. Sinceramente ainda não entendi.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CATARINA GOMES - TREINADORA DE VOLEIBOL

Catarina Gomes, acumula o cargo de treinadora das Minis e o de treinadora-adjunta das juvenis. É uma mulher calma, fria mas convicta do caminho que pisa. Com grande entrega às suas meninas, mas sempre exigente.

Na qualidade de treinadora das Minis. Como analisa esta época?
Penso que foi uma excelente época, começamos com algumas dificuldades em termos de nº de atletas, mas graças a um excelente trabalho de divulgação por parte das atletas e respectivas famílias conseguimos rapidamente colmatar essa insuficiência.
Chegamos ao fim da época com uma média de 25 atletas por treino, o que não é nada mau. Foi também uma época muito boa porque penso que nós, treinadoras e dirigentes, conseguimos transmitir muito bem os valores que fazem parte desta casa e deste departamento e as atletas integraram-se muito bem, bem como respectivas famílias a quem aproveito para agradecer todo o incansável apoio que deram durante a época.
Sempre que se proporciona contamos um pouco da grande história deste clube às nossas atletas,e mais concretamente do historial do voleibol para que elas compreendam a responsabilidade que é envergar a camisola axadrezada seja em que competição for - sentimos que é muito importante que uma atleta pense que, independentemente do lugar em que o Boavista está hoje, é importante erguer novamente o nome deste clube e ser parte activa nessa mudança, todas as atletas deverão sentir que podem fazer a diferença!
Em termos de resultados não nos propusemos a grandes conquistas uma vez que sabíamos que estavamos a começar com equipas completamente novas (em idade e experiência) e que com apenas 2 treinos semanais não seria fácil atingir grandes resultados, ainda assim conseguimos surpreender.
CATARINA E JU... AS TREINADORAS DA MINIS

Cumprimos todos os objectivos que tinhamos delineado no início da época.

Na idade delas é muito cedo para descobrir "craques" mas há alguma atleta que mostre dons especiais?
Não, temos um conjunto de atletas com mais facilidade em termos de aprendizagem e concentração o que lhes permite atingir resultados mais rapidamente, mas devo dizer que temos um grupo com bastantante potencial.
Não podemos esquecer que o voleibol é extremamente exigente em termos de coordenação motora e, por exemplo, as atletas mais altas têm mais dificuldade a este nível.
Para além desta grande exigência de coordenação motora temos as regras do jogo (minivoleibol) que são um pouco diferentes das do voleibol e que exigem uma enorme concentração às atletas que, como é normal, de início estão dentro de campo muito presas por não saberem quando jogar a bola nem para onde. Portanto nestas idades não podemos falar em "craques" porque são miúdas que nestes escalões podem jogar muito bem e não se adaptar aos escalões superiores e também acontece de haverem miúdas que nestes escalões mais baixos passam completamente despercebidas e depois dão muito nas vistas num escalão acima. O que mais a prende a estas miúdas?
Talvez seja o facto de ensinar as grandes bases do voleibol...quando elas chegam às nossas mãos não sabem nada de voleibol e depois é muito bom ver toda a aprendizagem dar frutos.
O facto de serem tão novas também é motivador porque elas acreditam realmente nelas e jogam muito mais descontraídas e normalmente não escondem as suas vontades e emoções - tão depressa estão a rir como de repente estão a chorar - o facto de serem tão genuínas facilita-nos o trabalho.

É fácil trabalhar com elas? E ensinar Voleibol a meninas tão jovens?
Como já tive oportunidade de dizer é um trabalho que requer muita paciência. É fácil no sentido que estão numa idade de aprendizagem e absorvem tudo o que dizemos, copiam-nos em gestos e expressões e são persistentes. Por outro lado temos treinos em que elas chegam completamente "alteradas" da escola e o treino torna-se quase impossível porque elas ainda não têm a percepção de: concentrar para treinar - treinar para obter resultados.
Já tivemos alturas em que a maioria das miúdas chegaram ao treino a dizer "Hoje não quero correr!" ou "Já estou farta de fazer abdominais!" e geralmente isto acontece na altura dos testes escolares - temos que arranjar forma de as pôr a fazer estas acções divertindo-se, de modo a não desmotivarem e continuarem a gostar da modalidade e dos treinos.

Para além de treinar as Minis é treinadora de que escalão?
Sou treinadora-adjunta das juvenis.

Como analisa a época que terminou na vertente competitiva e na vertente de formação?
Sempre que pude acompanhei as seniores e penso que o grupo era muito coeso, pessoalmente penso que os objectivos a que se propuseram eram um pouco altos, não por falta de valor da nossa equipa mas porque estavam a disputar um campeonato em que só sobe uma equipa, com equipas de muito valor e bastante fortes na minha opinião.
No entanto devo salientar que até nem foram contra essas equipas aqueles que considero que foram os piores jogos. Em termos de formação penso que as treinadoras dos escalões de infantis, iniciadas e juvenis só devem estar orgulhosas do trabalho que realizaram esta época, são muito novas e estão aqui a ter a oportunidade para aprender algo que não é nada fácil que é orientar uma equipa, e não sabendo quais os objectivos a que se propuseram, penso que foi visível uma enorme evolução em todas as atletas e em todos os grupos graças à sua dedicação. Estão de parabéns.

Como analisa a escola de Voleibol do Boavista?
Penso que continua a ser das melhores que conheço, uma vez que, como já foi dito, não estamos aqui apenas para formar estas meninas como atletas, para nós é extremamente importante formá-las como pessoas e isso, posso dizê-lo com conhecimento de causa, é visível em qualquer jogo ou torneio em que qualquer uma das nossas equipas participa, sendo nisso superior a qualquer campeão regional ou nacional que possa aparecer.

Sente que tem carências e quais?
Penso que a expressão carência é um pouco pesada. Existem algumas lacunas sim, mas que com o passar do tempo vão sendo preenchidas. Se queria mais horas de treino e mais espaço? Óbvio que sim, bem como também gostaria de ter mais e melhor material e todas as atletas equipadas a preceito, mas sabemos que para já não vai sendo possível e sabíamos que eram essas as condições quando cá chegamos. A única coisa que realmente me chateia é o facto de nos retirarem treinos tendo havido meses em que apenas tivemos um treino por semana. Ainda assim, não posso falar de carências quando temos uma fantástica Directora sempre a lutar pelo o nosso melhor mesmo quando as forças lhe faltam,quando temos pais sempre dispostos a ajudar, um fantástico blog da modalidade (BoavistaVolei) actualizado diariamente e como não posso deixar de referir, uma Direcção que nos apoiou sempre da forma que pôde, isto é, mostrando-se presente e mostrando-nos que não estamos esquecidos.

Não considera que a partir das Infantis o Boavista poderia ser mais competitivo, ou considera que não é factor de importância?
Penso que o factor competição é muito importante seja em que escalão for, se não houver competição não há objectivos e se não houver objectivos o que estamos cá a fazer? Agora há escalões em que a competitividade não é o mais importante, que a meu ver são os escalões de minis e infantis porque se nestas idades formos muito exigentes com as atletas elas acabam por se sentir frustradas e desmotivar e muitas vezes isso leva ao abandono precoce da modalidade.
Também penso que o escalão de infantis deve ser sempre fruto de uma análise muito cuidada, ainda entram muitas atletas para esta modalidade na idade de infantil, sem as bases fornecidas no escalão de minis, e como sabemos, no Boavista todas as atletas são bem-vindas, por outro lado as atletas que já têm formação técnica do escalão de minis, deparam-se com uma realidade de jogo completamente diferente pelo que às vezes é difícil exigir grandes resultados neste escalão.

Objectivos para a próxima época?
Os meus objectivos como treinadora de minis passam por sermos mais e melhores. Grande parte das nossas atletas desta época que passou vão subir de escalão, faz parte da sua evolução e ficamos muito contentes por isso. As que não sobem já sabem que o grau de exigência vai ser maior para que os resultados que não atingiram na época que passou possam ser atingidos na próxima.
Espero sinceramente que tal como aconteceu esta época, as nossas atletas ganhem uma grande paixão seja pela modalidade seja pelo clube que representam e que cheguemos também ao final da próxima época com zero desistências.

Não teme criar divisões entre as atletas quando determina quem foi a Atleta do Ano? Acha importante esse título?
Não, e não vejo motivo para que essas divisões fossem criadas. Desde o início da época que tínhamos a eleição das atletas do mês e quando chegamos a meio da época decidimos atribuir esta nomeação (atleta do ano). Todas as atletas foram avisadas e todas as atletas foram consideradas nesta nomeação - todas sabiam quais seriam os parâmetros considerados, entre eles participação em treinos e torneios, estar informada sobre o que se passa na modalidade e nos outros escalões e serem interactivas num blogue (BoavistaVolei) que foi criado para elas e, como é óbvio o factor evolução, espírito de equipa e garra que são valores desejados por todos os treinadores nos seus atletas.
Esta nomeação fomentou ainda o espírito de entreajuda porque esse também era um dos parâmetros avaliados, i.e., se eu ajudo a minha colega e a minha treinadora vê ganho pontos. O que é certo é que depois de lhe termos comunicado essa nossa decisão elas começaram a tornar-se altamente participativas na modalidade, que era o grande objectivo desta nomeação. Temos grandes laços de amizade criados no seio deste grupo tanto entre atletas como entre estas e treinadoras e dirigentes.