domingo, 11 de julho de 2010

HENRIQUE SANTOS, SEM MEIAS PALAVRAS


Henrique Santos, treinador dos iniciados do andebol, é um homem consciente que os seus jovens atletas poderiam ter conseguido um pouco mais numa época de choque pelo nível competitivo encontrado.
Mostrou-se calmo como sempre e confiante no futuro, registando muito de positivo, nesta conversa no café da pantera, antes de mais um treino.
Foi uma viagem pelo passado e chegou a ter pontos de análise para o futuro e em alguns pontos pareceu uma lição técnica de andebol..

A ÉPOCA QUE TERMINOU
Vamos começar por um resumo do ano. O campeonato foi forte, ou os atletas eram jovens de mais?
O campeonato foi o que eu estava à espera. A verdade é que vendo os adversários que teríamos que defrontar, achava que tínhamos hipóteses de permanecer e descemos.
Nota-se uma mágoa. Falhou o quê?
Nem dá para explicar porque descer com os mesmos pontos da equipa que ficou é algo frustrante, complicado e muito mau. Tivemos um jogo muito difícil em Leiria e perdemos esse jogo. A partir daí tudo ficou muito complicado. Démos tudo, mas sabíamos que depois dessa derrota irmos, no último jogo, ganhar ao S. Bernardo era quase impossível.
Mas na globalidade, foi positivo?
Acabou por ser uma época como era esperado. Num campeonato exigente com uma equipa muito jovem, muito tenrinha, a defrontar equipas fortíssimas com ritmos “estúpidos” a jogar andebol, que pareciam coisas do outro mundo.
Muito difícil?
Sentimos muitas dificuldades na primeira fase, onde quase só somamos derrotas, tirando o Fafe. Na segunda e terceira fase, demos um ar da nossa raça, começamos a ver o que era a primeira divisão. Sabíamos que ia ser complicado, isso, sabíamos. Se me perguntarem se podíamos ter feito mais… acho que sim!
Ao fim e ao cabo, um empate conseguido num jogo qualquer teria salvado a época. Não lhe custa ver essa realidade?
O que custa foi ter perdido o lugar classificativo, com o D. Fuas Roupinho. Primeiro porque o D. Fuas não tem andebol para nós e ficou provado isso nos jogos que fizemos com eles.
Mas perderam lá, como explica?
Foi um dia mau. Começou com uma viagem muito complicado que aconteceu num dia de temporal desfeito. Chegamos com um grande atraso, depois o pavilhão para o jogo estava em obras e chovia no interior, tivemos que procurar outro pavilhão… saímos de lá já era noite e tudo isso nos veio a prejudicar. No jogo em nossa casa, vencemos com facilidade, porque somos claramente mais fortes.
Foi aí que perdeu o seu campeonato?
Não! Onde perdemos foi no 1º de Maio! Não esperava essa derrota, sem ela safávamo-nos.
Se o campeonato tivesse início agora seria diferente?
Sem dúvida alguma. Acabamos a prova com mais velocidade, mais ritmo competitivo, os jogadores já conseguiram encaixar as situações do próprio jogo, num um contra um, no ataque e contra ataque, que são situações que acontecem muito na primeira divisão. Neste aspecto, eles evoluíram muito e, são neste momento, muito melhor equipa.
Numa análise individual do treinador, houve surpresas?
Tive miúdos que evoluíram muito. Alguns mais do que eu esperava, outros ficaram aquém do que contava deles e me acabaram por desiludir. Eu sei a razão porque aconteceu.
Podemos saber, qual?
Tinha dois miúdos muito bons que vieram dos infantis, digo mesmo fantásticos. Mas quando só treinamos três vezes por semana e só se vem a um treino… não se consegue evoluir e essas duas grandes promessas acabaram por perder o lugar na equipa.
Mas porque não vinham aos reinos essas duas promessas?
Falo mais por um deles, que tinha seis negativas na escola, que no final acabou por passar de ano, muito à rasca e como é normal os pais começaram a cortar-lhe as pernas desportivamente falando, deixando-o vir a penas a um treino. O resultado foi que muitas vezes nem sequer era convocado, porque não o iria convocar em deferimento de outros que treinavam sempre. Mas pela positiva tive miúdos que me surpreenderam e estiveram muito bem dando muitas esperanças para o futuro.
O PRESENTE
A equipa vai sofrer muitas alterações por causa das idades?
Sobem quatro ou cinco jogadores para os juvenis, um deles que tem uma influência brutal, porque é um jogador fora de série, que é o caso do João. Não tenho dúvidas nenhumas que o João vai ser uma mais-valia na equipa de juvenis, onde vai ser muito importante. Mesmo com estas saídas, vamos ficar com uma equipa muito interessante e equilibrada, para disputar o campeonato nacional da segunda divisão.
O FUTURO
Candidata a subir?
Para mim, sem dúvida alguma… é para subir. Com três ou quatro jogadores que virão dos infantis com muita qualidade, estamos a falar do Diogo – que está na Selecção Nacional de Iniciados em rio Maior - estamos a falar do Paulo, do João e do próprio Bernardo que são excelentes atletas. São quatro miúdos que vão ser uma mais-valia na equipa de juvenis para o ano, estou certo disso.
Esta época será diferente, pelo menos o contacto com as vitórias será muito maior. Isso é positivo?
Para mim o objectivo é repetir o que fizemos há dois anos. Passar à fase final, estar nos seis melhores, entre cinquenta e duas equipas, como há dois anos estivemos na Régua. Esse é o primeiro objectivo que sei ser possível e pelo qual vamos lutar desde início da época.
Confiante?
Sim estou, mas claro que pode acontecer o aparecimento de um out-sider, como há dois anos aconteceu connosco e nem sermos apurados. Mas estou confiante no nosso apuramento. Acho que eles…ou nós! Eu ainda não sei se vou continuar…
Essa é uma pergunta que lhe quero colocar. Já me conhece e sabe que eu não durmo muito… por isso, tenho dúvidas se você vai continuar neste escalão. Já há algumas definições sobre isso?
Continuar no Boavista é uma das minhas prioridade, existem convites, não vou dizer que não. Há e o Santos (Director) sabe que há, como houve quatro ou cinco convites o ano passado. O ano passado com a grande época que fizemos, não falavam convites para os treinadores e jogadores.
Está difícil?
Eu disse ao Santos, que sinto-me bem aqui, sinto-me apoiado, tenho horários excelentes, estou perto de casa, não é o dinheiro que me vai fazer decidir, mesmo sabendo que é uma parte complicada. Só teria um poder de decisão se me oferecessem um valor que me dispensa-se de trabalhar (riu-se). Por isso, falei com o Santos e comuniquei-lhe que se o Boavista estiver descontente com o meu serviço eu saio, se estiver interessado na continuidade dos meus serviços, por mim estou pronto a continuar onde quiserem. Estou contente com as pessoas , sinto-me bem com todos, tenho cada vez mais uma certa afinidade com os pais dos jogadores, tudo isso conta muito e não era por aí que ia abandonar.
Sei que pode mudar de equipa… como vê também ando informado. É verdade?
Na realidade pode haver algumas alterações entre os treinadores do clube. Eu sinto-me bem nos iniciados, mas parece que quero que eu mude…
DE VOLTA AO PASSADO PESSOAL
Será uma novidade?
Não! Eu já treinei seniores no início da minha carreira! Eu tinha um guarda-redes com trinta e oito anos! Ainda ontem no andebol de praia o vi e ele nunca se esqueceu de mim. No início da carreira eu treinava guarda-redes, porque sentia vocação para esse cargo e tirei um curso nessa área, porque era nessa área que eu me revia. Depois debrucei-me pelos outros pontos. Por isso já treinei seniores. juvenis e juniores.
Então nem sempre foi um técnico de formação…
Eu estive dois anos nos seniores, foi uma excelente experiência nos seniores! Tínhamos um balneário fantástico e aprendei muito com os mais velhos que tínhamos lá. Falava com eles e trocávamos experiencias e ideias.
Em que clube?
No Lusitanos, numa excelente equipa baseada em miúdos que subiram dos juniores e ficamos em segundo lugar.
O PRESENTE … DE NOVO!
Voltemos um pouco atrás…
No andebol até aos juvenis consideramos formação, por exemplo no Futsal o escalão de juniores ainda é formação, no andebol não. No andebol a formação vai até aos juvenis.
Vamos exemplificar… Iniciados?
Os iniciados são um escalão que gosto de treinar porque para além de ter um campeonato com muitos jogos, é muito competitivo porque tem muitas equipas. É impensável outra modalidade onde o campeonato da segunda divisão ter cinquenta equipas.
Juvenis?
Os juvenis é o escalão que serve de passagem que fica no final da formação e no início da competição. Foi o escalão em que me iniciei quando cheguei ao Boavista, fomos vice-campeões nacionais e ganhamos a Taça da Associação do Porto, foi esta equipa que subiu esta última época à primeira divisão e será esta a equipa que eu posso voltar a treinar se acontecer a tal reestruturação que está em estudo. É um grupo muito forte e muito unido, que este ano, também por as dificuldades da primeira divisão e com alguns atletas mais desmotivados por jogar menos tempo, estará um pouco descrente mas que facilmente se levantra. Há sempre diferenças de trabalho, minhas do Franquelim, do Vítor porque cada um tem a sua forma e o seu método de trabalho.
Falemos da sua…
As minhas equipas são muito competitivas e têm que seguir as regras à risca, podem não jogar muito andebol, mas apresentam sempre um grande nível de competição. Antes de haver de uma equipa, tem que haver um grupo! Não pode haver uns a puxar para cada lado. Os juvenis é um escalão muito perigoso e difícil. Há os grupos dos que vão ao cinema, há o grupo dos que já bebem uns canecos, o grupo dos que já fumam, etc… isso vai provocar uma naturalmente formação de grupos, dentro da equipa.
Concordo com essa visão, até por experiencia do meu tempo de arbitragem…
Depois há os grupos dos que já saem à noite e pensam que já sabem tudo. Se conseguirmos unir todos estes grupos, não tenho dúvidas que faremos uma equipa muito competitiva e que no mínimo tem que ir á fase final do campeonato. Eu conheço bem aquela equipa, que com os atletas que vão entrar e que irão lutar pelo seu estatuto, penso que o João irá pegar nessa equipa. Não digo que pegue de estaca mas vai jogar muitas vezes.
Mas qual o escalão que prefere treinar?
Não sei qual a que prefiro. Já disse ao Santos isso mesmo, se uma delas estivesse na primeira divisão naturalmente escolheria essa. Estando ambas na segunda, eu penso assim; se for para os Juvenis fico contente porque vou para a equipa que conheço e que formei há dois anos. Se ficar nos iniciados, fico também contente, porque é um grupo que tomei conta no ano passado e que estão a evoluir e essa é a grande vantagem, que é estar presente na sua constante evolução.
PESSOAL
Durante um jogo, que lhe está a correr mal. Como actua você, como treinador ambicioso e competitivo, ou como técnico de formação que deixa o resultado para segundo plano?
Muito simples. Campeonato nacional da primeira divisão, é para ganhar, seja em que escalão for. Temos um emblema para defender e as pessoas têm que compreender. Vou dar-lhe um exemplo, eu tive um problema desse género quando cheguei ao Boavista.
Se tiver seis ou sete atletas que lhe oferecem mais garantias é nesses que aposta?
Exactamente, é nesses que aposto.
Voltemos ao exemplo…
Eu vim de um clube – Lusitanos – em que estive nos juvenis quando cheguei aqui peguei nos iniciados. Com esse grupo, fomos ao Ismai disputar um encontro que tínhamos que vencer, para ganhar uma Taça, era uma Taça regional, mas era uma Taça! Cheguei lá e coloquei em campo aqueles que considerava ser a melhor equipa. No final a mãe de dois atletas veio ter comigo e reclamou, dizendo-me que se soubesse que era para isso, não era preciso treinar durante a semana. Respondi-lhe que falaríamos depois do próximo treino porque naquela altura estávamos todos a pensar a quente. Antes desse treino fui falar com o director.
…
e perguntei. Santos, no Boavista estamos para vencer ou para rodar todos? Se for para rodar todos, não precisa de treinador, mete sete no inicio, outros sete na segunda parte e está perfeito. As pessoas têm que ver que a seguir aos iniciados estão os juvenis e nesse escalão tudo vai ser muito mais duro e, eles têm que saber que estar no banco é o mesmo que estar em jogo. Verem o que se passa lá dentro, ver como o adversário é mais forte no um para um, ver as dificuldades do adversário, ver qual o ponto mais fraco do adversário para sabermos como vamos actuar e aplicar as nossas jogadas. Não é criticar os que estão lá dentro e depois quando entram fazem igual e cometem os mesmos erros. Estar no banco é o mesmo que estar a jogar, para sermos mais competitivos.
Eles reagem positivamente?
Passaram dois casos este nítidos, nítidos, que ninguém consegue explicar e deixou tudo de boca aberta. É caso do Costa que é um jogador fabuloso que perdeu o lugar para o Queijinho, que é aquele jogador pequenino, gordinho por quem ninguém dava nada e o queijinho foi titular fez seis golos ao ABC, marcou sete ao S Bernardo e acabou uma época em beleza, teve uma evolução estúpida é um jogador rematador. Aquele molenga do inicio da época é agora dos que mais trabalha e isso porquê? Porque viu que só com trabalho se consegue evoluir. Quando estavam no banco estava concentrado, quando entrava no jogo cumpria e as coisas acabaram por acontecer. Agora, se me vão dizer que é para rodar todos… se der para rodar sou o primeiro, mas também sou um treinador muito conservador. Trocar é só quando eu estiver a ganhar por doze e sei que vou ganhar por vinte, como aconteceu o ano passado quando ganhamos por cinquenta e dois em que ao intervalo mudei a equipa toda e nunca mais os meti. Estar por estar eu não estou! Para rodar então vamos para o regional e não nos importamos com os resultados. No nacional é para ganhar sempre! Num nacional para um clube como o Boavista – que pode estar a passar dificuldades, como está, mas é um emblema que tem que ser honrado. Nós naõ podemos levar cinquenta, depois toda a gente iria falar nisso. O Boavista levar cinquenta, não é a mesma coisa que o Padroense levar cinquenta.
A REALIDADE
Falando das dificuldades e falta de condições – que nem muitos boavisteiros conhecem – que vocês têm, falta de subsídios, poucos tempos de treinos, etc… o que faz um treinador continuar no Boavista? Porque é que continua no Boavista?
Falar do Boavista, é falar a mesma linguagem de um Porto, de um Benfica, de um Sporting. O Boavista é um emblema nacional. Repare eu trocar o Boavista pelo Padroense, pelo Cal, pelo Lusitanos - que foi o clube de onde vim e sei que me acolhiam de certeza - não tem cabimento algum. Olhe, o ano passado tive um convite do FC Porto e não aceitei. E não aceitei depois de estudar o projecto porque ele fizeram-me uma oferta material baseado em saberem que eu nada recebo no Boavista. Fizeram uma proposta de mais cinquenta euros daquilo que acordei com o Boavista – porque pensaram que eu não recebendo aqui iria aceitar. Não gostei e recusei. Eu não troco o Boavista por este ou aquele, como já lhe disse.
Porquê?
Estar no Boavista é estar num clube histórico, num clube centenário. Sou sincero quando vim para cá o Boavista não me dizia nada! Sou Leixonense, tenho uma costela do Benfica, por isso o Boavista para mim era mais um clube. Mas isto é como tudo, vim para cá aprendi a gostar do Boavista, se calhar era o primeiro a pedir ao Santos para me arranjar um convite para vir ao futebol ver o Boavista. Isto é que fez ficar por aqui. Repare nós chegamos ao fim da época, ou à Pascoa e o Boavista é convidado para estar em inúmeros torneios. E algumas só pelo nosso nome. Quer um exemplo o Samora Correia que convidam sempre as melhores equipas do país e convidam sempre o Boavista. Fomos recebidos como heróis, fomos dormir para uma Residencial de quatro estrelas sem pagarmos um tostão e ainda nos transportaram num autocarro para a Nazaré onde teríamos que estar noutro torneio. É por isso que um homem fica por aqui. O Boavista é um emblema.
…
E tem mais! Vencer pelo Boavista tem mais valor, porque toda a gente quer ganhar ao Boavista. Dou um exemplo, quando fomos jogar a Lamego o pavilhão estava completamente cheio, mas cheio mesmo. Perguntei se era sempre assim ter um pavilhão cheio num jogo de iniciados, responderam-me que não. Estava cheio porque era o Boavista que ia jogar e só está assim cheio quando jogamos nós ou o Porto. Isso alegrou-me encheu-me o ego ver um pavilhão cheio, cheio, cheio para ver os iniciados do Boavista.
Fica para sempre…
Não será assim, se tiver que deixar, deixo mas não será fácil, até porque à frente de tudo temos o senhor António Santos que tudo faz para nada nos faltar e para isto continuar. Nunca deixaria por deixar. Isso não o faço!
Eu que tenho algum contacto convosco noto a vossa união…
É verdade e tem que ser e existir uma colaboração total entre todos treinadores, seccionistas. E se não fosse assim não íamos a lado nenhum. Todos nós colaboramos para que nada falte, se não posso ir eu vai outro, mas vai sempre alguém. Todos os treinadores são fantásticos, temos gente com muito valor. O caso do Carmo, que começou a dar os primeiros passos como treinador mas que está aqui há muito tempo, sabe como se faz e desfaz e é uma mais-valia para o Boavista. Ele organiza o andebol de praia, ele procura torneios, ele joga e treina… ou fim e ao cabo é um organizador de toda a formação.
Falta então resolver os pequenos pormenores com o Director para a continuidade?
Exactamente, o Santos deu-me o toque para treinar os juvenis. Não lhe disse nem que sim nem que não, disse-lhe que via com bom grado. Sinto-me que me querem nos juvenis porque me vêem como mais um treinador de competição que de formação. Se assim que querem… vamos a isso!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

FRANQUELIM CARDOSO - O TREINADOR DA SUBIDA

Franquelim Cardoso, foi o treinador que comandou os juniores na subida à primeira divisão nacional. Encontramo-nos para falar mais calmamente do passado e acabamos a falar do futuro. Falou-se de futsal, de Ginástica… falou-se do Boavista.

Passado este tempo, ainda tem o amargo na boca de não ter ganho o título nacional?
Ninguém me tira isso da cabeça. Mas com o que aconteceu, acho que a verdade desportiva foi posta um pouco (para não dizer outra coisa) em causa, mas alheando-nos disso penso que esta subida teve um sabor maior que ser Campeão Nacional.
Durante o vosso percurso registo jogos de mata/mata que ultrapassaram sempre. Alguma vez sentiu a rapaziada a quebrar e temer o futuro?
Desde o primeiro dia que foi a 26 de Agosto que marcou o início da época o nosso grande objectivo era a subida de divisão, porque nas duas épocas anteriores sempre morremos na praia, como se costuma dizer. Por isso a nossa aposta era claramente a subida de divisão. Tudo foi alicerçado com esse objectivo.
Quer fazer uma retrospectiva do campeonato?
Na primeira fase ficamos em segundo lugar, atrás do Espinho. Na segunda fase em que nós, o Espinho, o Fafe e o Ismai, eram equipas que todas podiam disputar a fase final da prova.
Essa foi a fase mais importante?
Sim mais importante e muito difícil, porque as equipas eram muito iguais. Houve uma altura em que quando jogamos contra o Fafe e trememos um bocado. Isto porque nós ganhamos ao Fafe por cinco golos.
O Fafe era uma equipa que tinha descido da primeira e tinha jogadores a jogar na primeira divisão de seniores, que lhes dava grande ritmo de jogo. Quando digo que trememos um bocado, digo-o porque depois de vencermos o Fafe perdemos com o Espinho por um golo. Depois fomos jogar ao Ismai o jogo do tudo ou nada! Nesse jogo os jogadores foram extraordinários e cumpriram rigorosamente com tudo o que lhes foi pedido, quer a nível defensivo, quer a nível ofensivo.. Nessa semana e no próprio jogo, vimos que tínhamos uma equipa preparada para o que desse e viesse. Nesse jogo abrimos logo para seis/sete golos e mantivemos sempre essa postura.
Essa postura acabou por ser determinante nos jogos com o Gaia?
Sim. Nesse jogos, nós sabíamos que o Gaia, embora estivesse a disputar a (não) descida, o que aconteceu aos últimos quatro da primeira divisão, era ma equipa muito mais forte que nós, em termos de velocidade de bola, em termos de saída para o ataque.
Tivemos que trabalhar muito tacticamente para evitar que os pontas não recebessem a bola, e como lado deles é mais forte, tínhamos que reduzir espaços, marcando homem a homem, quando a bola vinha desse lado para o lateral esquerdo deles que era o maior perigo. Como na primeira divisão não se defende assim, o Gaia sentiu-se um bocado perdido. E nós tivemos a sorte do jogo…
A sorte também se procura…
É verdade e nós procuramos tê-la nesse jogo. Diz-se muitas vezes que uma equipa tem a sorte do jogo, a sorte nos ressaltos etc… mas para isso acontecer é preciso procurar a bola e os ressaltos acabam por acontecer.
Voltemos ao jogo do Gaia…
Mal começou o jogo abrimos logo para sete a dois, depois houve uma altura em que o Gaia reduziu para três/quatro golos. Tive que pedir um time-out e modificar o sistema de defesa. Sempre a defesa porque com o Gaia não podíamos jogar na expectativa para ver o que iria acontecer! Não. Nesse jogo tivemos que no ataque, atacar e na defesa atacar. Jogamos sempre ao ataque e resolvemos a situação, quando atingimos nova diferença de seis golos. A partir daí eles nunca mais tiveram hipóteses.
Falando do futuro. Esta equipa tem arcaboiço para se manter na primeira divisão?
Esta equipa, acho que pode ser uma agradável surpresa em termos de primeira divisão, embora com a saída do Carmo, do Rúben, do Guilherme e do Armando, que é muita gente a sair… se calhar é a espinha dorsal da equipa, porque é um central, um pivot e um lateral esquerdo.
Segundo descobri, vai aproveitá-los para reactivar a equipa sénior do Boavista. É verdade, isso?
Óh pá…( marcou passo e arrancou de novo) está alinhavado. Ainda agora vim de uma reunião com um jogador que foi campeão nacional pela Ac. De S. Mamede e que nos ficou de dar uma resposta, sobre o qual eu considero ser um grande reforço.
E você vai ser o treinador dos seniores?
Sim vou acumular as duas equipas, a de juniores e a de seniores.
Então está confirmada essa nova equipa?
Sim, está.
Vai conseguir mais tempos de treino, ou como está a planear o trabalho?
Eu vou ter mais tempo de treino… (rui-se profundamente) eu vou ter! Mas vamos tentar conciliar os treinos, ou por um imediatamente a seguir ao outro, à sexta-feira treinarão as duas equipas em conjunto.
É uma situação nova para si?
Não. Já estive nessa situação a treinar juniores e seniores. Conseguiu-se tempos para isso, consegui tempo para mim e no fim de contas, acho que é uma boa altura para apostar nos seniores porque com os nossos juniores que sobem, se formos buscar mais dois jogadores fora, temos que ter no mínimo dez seniores e mais a nossa equipa de juniores acho que é a nossa altura para dar o salto.
Objectivos para os seniores?
Tentar nesta época subir à terceira Nacional e depois esperar por estes juniores, que com andamento que vão adquirir na primeira divisão, ficarão com um andamento que nos dará garantias em termos futuros. O objectivo ao lançar a equipa sénior é para no futuro próximo garantirmos a permanência destes atletas no Boavista.
Pode dizer-se que a interrupção do ano passado estava programada?
A paragem do ano passado foi calculada. E o cálculo foi a contar com esta equipa de juniores que tem atletas com ritmo de treino, são jogadores que estão no Boavista desde os infantis ou iniciados, gostam do clube, trabalham bem e não levantam problemas.
Explique uma questão. Qualquer miúdo entra para o andebol do Boavista, quer saiba ou não o que é andebol. Passados alguns tempos, os mesmos chegam aos juniores e afirmam-se como verdadeiros andebolistas. A que se deve esse facto?
O Boavista em termos de escola de andebol, pode dizer-se que uma excelente escola. Tem bons treinadores, os jogadores estão bem preparados e se olharmos para o passado, quatro cinco anos, vemos atletas que se formaram no Boavista a jogar na primeira divisão. Por isso não é de agra, o Boavista sempre teve boas escolas e isso é fundamental, porque o andebol está cada vez mais caro, cada vez se tem que apostar mais na formação.
Falar de Boavista FC, o pensamento leva-nos a pensar no Benfica, no Porto etc… Mas as condições que vos oferecem nada têm de comum. O que leva o Franquelim a continuar no Boavista?
No meu caso, posso dizer que sou Boavisteiro e por isso é mais fácil aceitar este estado de coisas, porque corro um pouco por amor à camisola. Os meus colegas não sendo boavisteiros, fazem o mesmo que eu, com o mesmo prazer e intensidade, fazendo tudo por tudo pelo emblema. O Boavista ainda é uma marca.
Um exemplo disso?
Olhe esta equipa de juniores. No início da época quem nos acompanhava eram os pais e mais uns amigos. Fomos para a segunda fase e o público que aparece no pavilhão já totalmente diferente. São pessoas que gostam de andebol, pessoas ligadas ao andebol que sabem que o Boavista é garantia de espectáculo. A partir dessa fase começamos a ver muita gente no pavilhão.
Eu tive oportunidade de escrever, que vocês começaram sozinhos e acabaram envoltos numa multidão…
Também devemos muito ao senhor Pina, porque muitas pessoas vão ao Blog e o Blog sempre nos acompanhou durante a época. Tudo foi criado e teve o fenómeno de uma bola de neve, começamos por afirmar que o objectivo era ser campeão nacional. Tudo isso foi crescendo e chegados á segunda fase, começamos a ver no pavilhão gente do futebol. Até ali, não era normal ver sócios de futebol a verem a jogos de andebol. Isso é muito importante, porque os jogadores também conhecem as pessoas e vêem as alterações da atenção que é dado ao seu trabalho.
E na terceira fase?
Bem aí aconteceu o que nós nunca pensamos ver. Pavilhões cheios tanto no Boavista como a jogar fora. Eu lembro que fomos jogar ao Alto de Moinhos e tivemos um pavilhão completo. Porquê? Porque era o Boavista que estava lá! Nos boletins de jogos, o oficial de mesa regista o número de espectadores e não havia nenhm outro jogo, nem mesmo com o vizinho Ginásio do Sul se registava tal número de assistentes. Fomos jogar a Espinho e o pavilhão estava completamente cheio. Com os nossos familiares, meia dúzia de Panteras que faziam um barulho descomunal, o pavilhão está completamente esgotado. Tudo isto foi muito gratificante.
Houve uma união de adeptos…
Como conclusão e ainda sobre o nome do Boavista, eu fui ver os jogos do futsal de Juvenis – que foram Campeões Nacionais e apresento-lhes os meus parabéns – e vi no Rosa Mota uma bancada cheia e a de cima bem composta. Vi os mesmos jovens na Senhora da Hora com uma bancada completamente cheia e não me venham dizer que eram só familiares, que não é.
Também sei que esteve no sarau de Ginástica…
Bem o Sarau de Ginástica…para um clube que está na situação que o Boavista está. Apresentar um sarau com aquela qualidade, com a quantidade de miúdos a fazer ginástica e apresentar as suas qualidades, é uma coisa do outro mundo. Se calhar o Presidente, se tivesse estado presente teria uma melhor ideia da realidade do Boavista – ele terá a ideia sobre o futebol, já cá esteve há anos – eu interrogo-me como é possível um clube estar nesta situação com uma massa humana a trabalhar com o faz.
Verifiquei com o contacto que tive com o andebol, que vocês se misturam nos trabalhos. Está institucionalizado?
É uma coisa engraçada que se nota no Boavista. Aqui não há quintas. Noutros clubes notam-se essas quintas, os juniores têm a sua quinta, os juvenis a sua, os infantis outra. Cada um trata da sua quinta e está feito. Aqui não. O Vítor se não puder ir a um jogo, vou eu. Se não posso ir eu vai o Vítor. Nos seccionistas é a mesma coisa, umas vezes aprece o de juniores nos iniciados, são formas de trabalhar que são marca do clube. Reparem é muito raro uma equipa de juniores dar-se bem e ligar aos infantis e no Boavista parece que são todos irmãos, criticando-se e brincando uns com os outros. Criou-se um ambiente muito familiar.
Teve uma reunião com o director, está tudo acertado?
Comigo esta tudo acertado a reunião foi para preparar o início dos trabalhos.
Está tudo de férias?
Não. Continuamos a treinar duas vezes por semana, para manter a forma!
Foi uma época para registar. Alguma coisa o marcou nela?
Para além da subida, há uma coisa que ainda não entendi bem. Foi no jogo com o Espinho, onde os meus jogadores entraram apostados em vencer. Com o jogo equilibrado e connosco a jogar com menos uma unidade, houve uma jogada que envolveu o Fábio e um adversário e que o árbitro decidiu excluir so dois, até aí aceito. Mas o que não percebi foi a exclusão de Carmo na mesma jogada, porque ele não ofende ninguém e o árbitro excluiu-o também. Ficamos quatro contra seis e o Espinho abriu para cinco golos e acabou com o jogo. Sinceramente ainda não entendi.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CATARINA GOMES - TREINADORA DE VOLEIBOL

Catarina Gomes, acumula o cargo de treinadora das Minis e o de treinadora-adjunta das juvenis. É uma mulher calma, fria mas convicta do caminho que pisa. Com grande entrega às suas meninas, mas sempre exigente.

Na qualidade de treinadora das Minis. Como analisa esta época?
Penso que foi uma excelente época, começamos com algumas dificuldades em termos de nº de atletas, mas graças a um excelente trabalho de divulgação por parte das atletas e respectivas famílias conseguimos rapidamente colmatar essa insuficiência.
Chegamos ao fim da época com uma média de 25 atletas por treino, o que não é nada mau. Foi também uma época muito boa porque penso que nós, treinadoras e dirigentes, conseguimos transmitir muito bem os valores que fazem parte desta casa e deste departamento e as atletas integraram-se muito bem, bem como respectivas famílias a quem aproveito para agradecer todo o incansável apoio que deram durante a época.
Sempre que se proporciona contamos um pouco da grande história deste clube às nossas atletas,e mais concretamente do historial do voleibol para que elas compreendam a responsabilidade que é envergar a camisola axadrezada seja em que competição for - sentimos que é muito importante que uma atleta pense que, independentemente do lugar em que o Boavista está hoje, é importante erguer novamente o nome deste clube e ser parte activa nessa mudança, todas as atletas deverão sentir que podem fazer a diferença!
Em termos de resultados não nos propusemos a grandes conquistas uma vez que sabíamos que estavamos a começar com equipas completamente novas (em idade e experiência) e que com apenas 2 treinos semanais não seria fácil atingir grandes resultados, ainda assim conseguimos surpreender.
CATARINA E JU... AS TREINADORAS DA MINIS

Cumprimos todos os objectivos que tinhamos delineado no início da época.

Na idade delas é muito cedo para descobrir "craques" mas há alguma atleta que mostre dons especiais?
Não, temos um conjunto de atletas com mais facilidade em termos de aprendizagem e concentração o que lhes permite atingir resultados mais rapidamente, mas devo dizer que temos um grupo com bastantante potencial.
Não podemos esquecer que o voleibol é extremamente exigente em termos de coordenação motora e, por exemplo, as atletas mais altas têm mais dificuldade a este nível.
Para além desta grande exigência de coordenação motora temos as regras do jogo (minivoleibol) que são um pouco diferentes das do voleibol e que exigem uma enorme concentração às atletas que, como é normal, de início estão dentro de campo muito presas por não saberem quando jogar a bola nem para onde. Portanto nestas idades não podemos falar em "craques" porque são miúdas que nestes escalões podem jogar muito bem e não se adaptar aos escalões superiores e também acontece de haverem miúdas que nestes escalões mais baixos passam completamente despercebidas e depois dão muito nas vistas num escalão acima. O que mais a prende a estas miúdas?
Talvez seja o facto de ensinar as grandes bases do voleibol...quando elas chegam às nossas mãos não sabem nada de voleibol e depois é muito bom ver toda a aprendizagem dar frutos.
O facto de serem tão novas também é motivador porque elas acreditam realmente nelas e jogam muito mais descontraídas e normalmente não escondem as suas vontades e emoções - tão depressa estão a rir como de repente estão a chorar - o facto de serem tão genuínas facilita-nos o trabalho.

É fácil trabalhar com elas? E ensinar Voleibol a meninas tão jovens?
Como já tive oportunidade de dizer é um trabalho que requer muita paciência. É fácil no sentido que estão numa idade de aprendizagem e absorvem tudo o que dizemos, copiam-nos em gestos e expressões e são persistentes. Por outro lado temos treinos em que elas chegam completamente "alteradas" da escola e o treino torna-se quase impossível porque elas ainda não têm a percepção de: concentrar para treinar - treinar para obter resultados.
Já tivemos alturas em que a maioria das miúdas chegaram ao treino a dizer "Hoje não quero correr!" ou "Já estou farta de fazer abdominais!" e geralmente isto acontece na altura dos testes escolares - temos que arranjar forma de as pôr a fazer estas acções divertindo-se, de modo a não desmotivarem e continuarem a gostar da modalidade e dos treinos.

Para além de treinar as Minis é treinadora de que escalão?
Sou treinadora-adjunta das juvenis.

Como analisa a época que terminou na vertente competitiva e na vertente de formação?
Sempre que pude acompanhei as seniores e penso que o grupo era muito coeso, pessoalmente penso que os objectivos a que se propuseram eram um pouco altos, não por falta de valor da nossa equipa mas porque estavam a disputar um campeonato em que só sobe uma equipa, com equipas de muito valor e bastante fortes na minha opinião.
No entanto devo salientar que até nem foram contra essas equipas aqueles que considero que foram os piores jogos. Em termos de formação penso que as treinadoras dos escalões de infantis, iniciadas e juvenis só devem estar orgulhosas do trabalho que realizaram esta época, são muito novas e estão aqui a ter a oportunidade para aprender algo que não é nada fácil que é orientar uma equipa, e não sabendo quais os objectivos a que se propuseram, penso que foi visível uma enorme evolução em todas as atletas e em todos os grupos graças à sua dedicação. Estão de parabéns.

Como analisa a escola de Voleibol do Boavista?
Penso que continua a ser das melhores que conheço, uma vez que, como já foi dito, não estamos aqui apenas para formar estas meninas como atletas, para nós é extremamente importante formá-las como pessoas e isso, posso dizê-lo com conhecimento de causa, é visível em qualquer jogo ou torneio em que qualquer uma das nossas equipas participa, sendo nisso superior a qualquer campeão regional ou nacional que possa aparecer.

Sente que tem carências e quais?
Penso que a expressão carência é um pouco pesada. Existem algumas lacunas sim, mas que com o passar do tempo vão sendo preenchidas. Se queria mais horas de treino e mais espaço? Óbvio que sim, bem como também gostaria de ter mais e melhor material e todas as atletas equipadas a preceito, mas sabemos que para já não vai sendo possível e sabíamos que eram essas as condições quando cá chegamos. A única coisa que realmente me chateia é o facto de nos retirarem treinos tendo havido meses em que apenas tivemos um treino por semana. Ainda assim, não posso falar de carências quando temos uma fantástica Directora sempre a lutar pelo o nosso melhor mesmo quando as forças lhe faltam,quando temos pais sempre dispostos a ajudar, um fantástico blog da modalidade (BoavistaVolei) actualizado diariamente e como não posso deixar de referir, uma Direcção que nos apoiou sempre da forma que pôde, isto é, mostrando-se presente e mostrando-nos que não estamos esquecidos.

Não considera que a partir das Infantis o Boavista poderia ser mais competitivo, ou considera que não é factor de importância?
Penso que o factor competição é muito importante seja em que escalão for, se não houver competição não há objectivos e se não houver objectivos o que estamos cá a fazer? Agora há escalões em que a competitividade não é o mais importante, que a meu ver são os escalões de minis e infantis porque se nestas idades formos muito exigentes com as atletas elas acabam por se sentir frustradas e desmotivar e muitas vezes isso leva ao abandono precoce da modalidade.
Também penso que o escalão de infantis deve ser sempre fruto de uma análise muito cuidada, ainda entram muitas atletas para esta modalidade na idade de infantil, sem as bases fornecidas no escalão de minis, e como sabemos, no Boavista todas as atletas são bem-vindas, por outro lado as atletas que já têm formação técnica do escalão de minis, deparam-se com uma realidade de jogo completamente diferente pelo que às vezes é difícil exigir grandes resultados neste escalão.

Objectivos para a próxima época?
Os meus objectivos como treinadora de minis passam por sermos mais e melhores. Grande parte das nossas atletas desta época que passou vão subir de escalão, faz parte da sua evolução e ficamos muito contentes por isso. As que não sobem já sabem que o grau de exigência vai ser maior para que os resultados que não atingiram na época que passou possam ser atingidos na próxima.
Espero sinceramente que tal como aconteceu esta época, as nossas atletas ganhem uma grande paixão seja pela modalidade seja pelo clube que representam e que cheguemos também ao final da próxima época com zero desistências.

Não teme criar divisões entre as atletas quando determina quem foi a Atleta do Ano? Acha importante esse título?
Não, e não vejo motivo para que essas divisões fossem criadas. Desde o início da época que tínhamos a eleição das atletas do mês e quando chegamos a meio da época decidimos atribuir esta nomeação (atleta do ano). Todas as atletas foram avisadas e todas as atletas foram consideradas nesta nomeação - todas sabiam quais seriam os parâmetros considerados, entre eles participação em treinos e torneios, estar informada sobre o que se passa na modalidade e nos outros escalões e serem interactivas num blogue (BoavistaVolei) que foi criado para elas e, como é óbvio o factor evolução, espírito de equipa e garra que são valores desejados por todos os treinadores nos seus atletas.
Esta nomeação fomentou ainda o espírito de entreajuda porque esse também era um dos parâmetros avaliados, i.e., se eu ajudo a minha colega e a minha treinadora vê ganho pontos. O que é certo é que depois de lhe termos comunicado essa nossa decisão elas começaram a tornar-se altamente participativas na modalidade, que era o grande objectivo desta nomeação. Temos grandes laços de amizade criados no seio deste grupo tanto entre atletas como entre estas e treinadoras e dirigentes.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

PAULO CORREIA - O FOTÓGRAFO DAS AMADORAS

Paulo Correia é conhecido por todos os elementos das Amadoras, como o fotógrafo oficial, percorre quilómetros sempre a seu custo para obter o melhor boneco. Sempre pelo Boavista. Encontramo-nos numa tarde de sol, na Maia e escutamos a sua opinião e alguns lamentos.

Gostas de fotografia ou gostas de fotografar o Boavista?
Gosto de fotografia mas como o Boavista é muito importante para mim, sinto-me bem a tirar fotografias ao Boavista mas gosto de fotografias em geral.>Como nasceu essa ideia?
Eu ia ao futebol, era adepto exclusivamente do futebol, conheci o Prelada que me convidava para ir ver o Futsal, o Voleibol… etc. Comecei a ir e a gostar e daí nasceu uma paixão pelas modalidades Amadoras. Afastei-me do Futebol e comecei a fotografar, a querer mais e melhor e evoluir neste aspecto.
Mesmo a nível de material?
Claro, há pouco tempo comprei uma máquina muito superior à que tinha para continuar a evoluir em qualidade.
Muita gente me pergunta se tu és associado novo, porque não era habitual seres visto pelo Bessa. Há quanto tempo és sócio?
Sou sócio há muito tempo, mas só frequentava o futebol sénior, até o Prelada me ter desviado.
O Prelada foi importante nessa mudança?
Claro que foi. Antes de o conhecer eu pensava que o Boavista era futebol, ele fez-me ver que o Boavista tem muito mais que o futebol.
Voltamos a falar do sócio…
Sou sócio desde pequenino do Boavista, confesso que o ano passado desanimei e deixei atrasar as quotas, mas já as actualizei e tenho tudo direitinho com o Boavista.

Esta época acompanhavas mais o Voleibol. Alguma razão em especial?
Numa tarde em que fui com o Prelada ao futsal às quinze horas ele convidou-me para ir ao Voleibol que era às dezassete. Fui com ele e conheci a Dª Graziela e optei pelo Volei porque considerei que elas formavam um família, que vivia a modalidade de uma forma diferente. Gostei de acompanhar todas as modalidades, mas via o Voleibol como uma família que se davam todas muito bem.
Nesta fase de fim de época, tens planos de reestruturação do teu trabalho?
Sinto que tenho que mudar, até porque sozinho é impossível levar a cabo tudo o que tinha planeado. Mas é muito difícil conseguir voluntariado para esta área, pois todas as pessoas que tento contactar e trazer para este trabalho, me pedem alguma ajuda monetária pelo menos para a gasolina e um valor por jogo.
Espera aí… tu trabalhas de graça e ainda tinhas que pagar?
Pedem, pedem! Mesmo gente que está no Boavista pedem sempre, pelo menos dez euros para gasolina, dez euros por jogo… O que eu vou fazer de futuro é organizar melhor o meu tempo e fazer uma selecção de importância, porque não posso estar em todo lado ao mesmo tempo e tentar continuar a ir ao maior número de jogos possíveis.
Porque não fazes uma reunião com os directores dos departamentos para te organizares e até poderes fazer parte das comitivas aos jogos fora?
Eu já faei com o director do futsal, o senhor Morais. Ele disse-me que algumas vezes isso será possível outras não. Por exemplo com os Juvenis isso não foi possível, tudo bem! Para a próxima época disseram-me que isso será facilitado. A nível de Voleibol, isso já foi conseguido, a nível do Andebol disseram que sempre que eu quisesse haveria boleia.
Há quem diga que gastas o teu ordenado todo com este dedicação. É verdade?
Dá muita despesa, isso dá. Posso dizer-lhe que no ano passado gastei (só em viagens e alimentação) mais de dois mil euros…à vontade! Cheguei a sair daqui e ir a Cascais de comboio à minha custa, para fotografar um jogo de Voleibol. Ainda recentemente, fui ao Bessa para ir com o Futebol Feminino e não consegui boleia, porque não havia transportes nem tempo, resolvi ir sozinho de táxi a Perosinho e tive que pagar vinte euros. No último fim de semana, levantei-me às cinco a manhã fui para Albergaria fotografar o futebol feminino e de noite fui para o sarau de ginástica. Pronto, é amor ao Boavista e vou continuar a fazê-lo. O meu futuro é fotografar, o meu amor é o Boavista e por isso tenho que continuar a investir nisto. …
Agora que gasto muito dinheiro, gasto! Mas não quero pedir nada ao Boavista.
A nível de futebol, com tens acompanhado?
Deixei de acompanhar totalmente o futebol de onze sénior. Porque comparando o futebol com as amadoras, eu verifico que nas amadoras os jogadores se esforçam, têm objectivos, têm garra lutam pelo clube, têm amor e honram a camisola. No futebol o que se vê? Vê-se que eles querem é ordenado, querem é ganhar dinheiro e se por acaso falhar o pagamento de um, dois ou três meses já querem abandonar o clube. Não gostam do Boavista, estão ali só pelo dinheiro.
Estranho. Eras espectador de futebol e agora és espectador de tudo menos de futebol… não é estranho?
Eu era espectador só de futebol, porque não conhecia a outras modalidades. Não conhecia o verdadeiro Boavista nem a sua dimensão e realidade, ainda esta semana fui ao Sarau e fiquei espantado. Como é que há tanta coisa no clube que eu nem sabia?
E pensas que os outros conhecem?
Claro que não! Muita gente não imagina o que é este mundo. Agora começam a descobrir porque o Futebol juvenil é no Bessa, o futebol feminino é no Bessa, ainda agora o Voleibol esteve no Bessa e comecem a perceber-se que o Boavista é muito maior do que aquilo que julgavam. Por exemplo um jogo de futebol de sete em que o Boavista a jogar em casa, joga no Bougadense, com é que as pessoas têm conhecimento e podem acompanhar? Dizem que para o na vai ser tudo no Bessa, se for assim as pessoas vão ter a noção da realidade do Boavista.
Como sócio antigo, como vês a actual situação do Clube?
A situação do Boavista é má, para não dizer péssima, penso que a culpa é dos Loureiros, mas não só, não foi uma gestão feita por uma pessoa, mas por mais pessoas que são realmente as responsáveis. Penso que muito dificilmente o Boavista (se não acabar com a CAD) voltará ao lugar que merece, que é a primeira divisão.
A tua amiga que iniciou este trabalho contigo desapareceu. Porquê?
Penso que não volta mais. Inicialmente adoeceu e ninguém sabe a razão, desmaiava sete/oito vezes por dia… recuperou dessa doença (sem saber como) entretanto tirou formação na Faculdade e segue um objectivo Universitário e não terá tempo para voltar ao Boavista para tirar fotos.
Continuas amigo dela e ela continua Boavisteira?
Sim somos amigo falo com elas muitas vezes e ela continua boavisteira.
Tu és o grande fornecedor dos resultados que postamos na hora. Tem sido fácil essa colaboração?
Nem sempre é fácil. Muitas vezes quando perdem e não enviam o resultado, eu peço via mensagens de segunda até quarta e não muitas vezes não consigo respostas, para obter um comentário aos jogos. Quanto às previsões muitas vezes chego a ter medo de estar a tornar-me aborrecido.
….
O Voleibol foi-me mandado, o andebol quando perdia… esquecia-se muitas vezes. O futsal a nível de escolinhas e infantis foi sempre muito difícil. Quando os directores não colaboram é muito complicado. Para o ano quero ultrapassar este assunto e vou falar com os Directores para os seccionistas ficarem obrigados a enviar o resultado logo que o jogo termine.
Estás de férias?
Pedi estas férias para ir à Lousã com o Voleibol e acabei por não ir. Esta semana vai-me fazer falta para acompanhar a pré-época das modalidades mas não há nada a fazer.
Podes vir a mudar a relações com todas as modalidades?
Penso que sim, porque já todos me conhecem e sabem o que eu pretendo. Não peço nada que não seja possível dar, apenas apoio na informação de comentários e previsões dos jogos e quando possível boleia para poder estar no maior número de jogos possíveis. E peço que quando cometer algum erro (sempre por querer fazer mais pelo Boavista) me digam pois errar é humano e penso que tenho direito a compreender, o que está errado. Todos juntos podemos informar melhor para bem do Boavista FC.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

MANUEL TAVARES UM HOMEM DO VOLEIBOL


Manuel Tavares é o seccionista das seniores do Voleibol axadrezado. Pessoa atenta, mas calma e ponderada.
Tem uma vida ligada ao Voleibol, primeiro com atleta depois como árbitro e agora dirigente do Boavista. Não quis ficar só na foto e procurou o seu grupo, mostrando ser um homem de equipa

Temos conhecimento de o Senhor ser um Homem do Voleibol. Vamos começar por o tentar conhecer um pouco melhor. Como começou no Volei?
Posso dizer que comecei a ver Voleibol ainda estava no verso, digamos assim, porque eu morava ao lado de um campo de Voleibol, que era ao ar livre.
Pertencia a quem esse espaço?
Ao Grupo Dramático e Recreativo Oliveirense (Oliveira do Douro, V. N. Gaia).
Continuemos com a explicação...
De míudo habituei-me cedo, a ver os jogos que me entusiasmavam a mim e à minha geração.
Como praticante, jogou em que clube?
Joguei no Oliveirense até aos juniores.
Abandonou cedo a prática...
Sim, depois dos juniores passei para a parte directiva do Clube.
Mas sei que posteriormente passou para a arbitragem. Como aconteceu?
Curiosamente por influência de um saudoso dirigente do Boavista, o Senhor Alcídio Fonseca que era meu chefe na empresa em que trabalhávamos. Na altura os clubes eram obrigados a apresentar elementos para a arbitragem. Como ele sabia que eu estava ligado ao Voleibol e aliás, o nosso patrão também estava ligado à arbitragem, foi dirigente da A.Voleibol do Porto, como presidente da A. Geral durante muitos anos. Com esta situação toda o meu chefe contratou-me para ser árbitro na posição de representante do Boavista.
Quantos anos durou essa missão?
Esse bichinho durou cerca de trinta anos.
Foi mais árbitro que jogador...
Efectivamente é verdade.
Até que escalão na arbitragem?
Terminei como nacional, fui Estagiário, Regional e Nacional. Não me candidatei a internacional, porque considerei que não tinhas as condições exigidas pelos Regulamentos, mormente a falta do conhecimento de Inglês e a falta de tempo.
Não saber inglês cortou-lhe as pernas?
Tenho conhecimento que existiram árbitros que foram internacionais sem saberem inglês, mas isso são contas de outro Rosário...
Curiosamente volta ao dirigismo no Boavista. Como aconteceu?
Há cerca de um ano, ano e meio em conversa com o falecido José Manuel Palmeira, mostrei interesse em colaborar com o Boavista. Comecei como árbitro no Boavista e como sabia que existia um ambiente muito bom no Boavista, fiz-lhe notar esse meu desejo. O José Manuel ficou de me contactar mal eu terminasse a arbitragem. ficou essa promessa – isto aconteceu, muito antes de ele ter adoecido. Depois aconteceu o que todos lamentamos e sabemos, mas eu cumpri a promessa e aqui estou como seccionista do Boavista.
Infelizmente não chegaram a trabalhar juntos...
Sim a minha carreira de árbitro terminava em 2009/10 e só nessa altura tive oportunidade para assumir o meu objectivo/promessa.
A situação do Volei axadrezado no que respeita a condições te treino etc... surpreendeu-o ou já estava informado?
Eu já sabia que infelizmente o Boavista não nada em dinheiro, como seria desejável para relançar a modalidade a outros níveis. A conjuntara actual não permite que o Boavista possa lutar por outros patamares desportivos. Mas estou convencido que boas vontades e com a vontade dos dirigentes ao mais alto nível do Clube isso poderá ser possível em breve.
Acredita nisso?
Isso tem que acontecer porque se no momento o Boavista não tem estruturas de base porque perdeu o pavilhão Acácio Lelo, mas estou convencido que num futuro próximo, como já disse, com as boas vontades dos dirigentes do alto nível, se possa proporcionar a todas as modalidades e não só ao Voleibol bases para se guindar o clube a outro nível competitivo.
Acredita no regresso à divisão A1?
Sem dúvida nenhuma!
Isso vai impor uma estrutura mais activa, já que na A1 e até na A2, algumas equipas já não são totalmente amadoras...
Obviamente que cada vez mais é necessário um esforço financeiro para se manterem vivas as modalidades ditas amadoras, se bem que se saiba que o Voleibol do Boavista é estritamente amador. Paga-se quase simbolicamente aos treinadores, mas estou convencido que esse esforço que um dia se irá fazer para levar o Boavista a outros níveis, obviamente que terá que partir duma base sólida e duradoira.
Quantos treinos se realizam por semana?
Quatro treinos durante a época. Nesta fase estamos só a fazer três.
Para a A1 serão precisos mais treinos ou reforçar a equipa?
Naturalmente que teremos de conseguir alguns reforços. Muito embora o valor das actuais atletas esteja a um razoável nível, mas se o Boavista quiser lutar por outros patamares terá obviamente de reforçar a equipa.
Esta pergunta é mais dos escalões de formação, mas não resisto a coloca-la. No Boavista algumas atletas seniores são treinadoras de formação no Clube. Como considera isto?
Poderá haver nos outros clubes, pontualmente essa situação, mas penso que não será a melhor, isto por aquilo que eu vejo, impiricamente claro, noutros clubes são contratados técnicos que se dedicam só a treinar as equipas.
Vejo-as demasiado desportistas. Não faltará o espírito de querer ganhar?
Não acho! Esse espírito elas têm-no incutido pelas suas treinadoras, são equipas aguerridas pelo que eu tenho visto, só que faltará algumas qualidades mais técnicas para, por exemplo se poderem qualificar para os nacionais.
O Paulo Pardelejo defendo que até aos juniores todas têm o direito a jogar. Depois disso cada um(a) tem que fazer uma auto-análise sobre a sua continuação na modalidade. Concorda?
De certo modo concordo com ele. O que se pretende das camadas jovens não será o objectivo primordial atingir os nacionais, mas se um dia o Boavista quiser colocar equipas nos nacionais, terá forçosamente que ter outra estrutura.
Na próxima semana vai acontecer o Torneio que será o primeiro e que se quer seja mesmo o primeiro de muitos, em homenagem ao José Manuel Palmeira. O senhor vai estar presente?
Seguramente vou estar presente, não só como director, mas também vou participar como árbitro, creio que ainda estarei dentro das regras mesmo das que foram alteradas. Esperemos que este torneio se perpetue na medida que se homenageie-e o José Manuel pelo que fez pelo Voleibol do Boavista. Trabalhou pela modalidade para que o Voleibol no Boavista seja uma realidade e agora com a Esposa como Directora, acho que o Boavista tem capacidade para, não só, manter esta modalidade como para elevar num futuro próximo.
Ele dizia-me muitas vezes que era director no tempo das vacas magras... se as coisas melhorassem, apareceriam outros...mas ele marcou o Voleibol.
O José Manuel marcou seguramente o Voleibol. Foi um homem que deu tudo ao Boavista nesta modalidade, um homem interessantíssimo, interessado na modalidade, amigo das atletas e do Clube. Ele diria isso, naturalmente e por modéstia, mas eu sei que o seu objectivo era levar o Boavista sempre o mais longe possível e tinha tudo estruturado para o conseguir.
Eram amigos?
Eu considero um grande amigo, não só pelo infúrtunio que lhe aconteceu. Acho que era uma pessoa afável, amigo do amigo. Não é por ele já ter desaparecido que digo isto, porque na família do Voleibol ele foi sempre uma pessoa muito querida.
Nunca o ouvia queixar-se das suas dores...
Absolutamente. Era um homem de coração, um homem forte e agora terá na sua esposa uma continuidade do seu trabalho por esta modalidade. Oxalá que os dirigentes do mais alto nível se interessem pala realidade do Voleibol, que é um modalidade que não traz prejuízo e fará engrandecer o Boavista.
As meninas que entram no Volei, não são todas Boavisteiras, mas ao vestir a camisola podem passar a sê-lo...
Exactamente e assim poderá ajudar a crescer o clube.
Como dizia o José Manuel não é preciso ser Boavisteiro de pequenino...
Claro. E ele é a prova disso, porque deu tudo ao Clube. Ao clube e ao Voleibol.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

FUTSAL - NUNO MOREIRA EM GRANDE MOMENTO DE FORMA

Nuno Moreira, mostrou-se um homem humilde, sorridente (pois sempre brincou com as respostas) mas sempre muito consciente da realidade, quer do Boavista, mas também da sua.
Reconhece que o fim da época vai ser exigente, mas diz-se pronto para tudo o que vier.

Como ingressaste no Boavista?
Fui abordado pelos directores do Boavista e conversamos um pouco e como, o Buffon (Filipe Miranda) jogava no Boavista, esse facto também pesou na minha decisão, além que o Boavista sempre foi uma equipa que sempre me chamou atenção. Tanto pelo nome como pelo futsal que praticavam e pensei que aqui poderia evoluir mais.

Vamos falar um pouco de ti. Onde começas-te a jogar? Quais os clubes que jogaste?
Comecei a jogar desde muito cedo no Monte Xisto, com o Buffon. Tinha para ai uns 9 anos e joguei la ate aos 16 anos. Depois joguei 2 ou 3 anos futebol numa equipa amadora , o Aldeia Nova.
Posteriormente, voltei ao Monte Xisto, onde voltei a jogar com o Buffon e mantive-me até que aos 24 anos o Monte Xisto acabou e fui jogar para a Mocidade da Arrábida que estava na primeira divisão nacional.
Depois passei pelo Modicus, voltei ao Mocidade. Neste clube, que passou por alguns problemas que acabaram por decidir o fim da sua existência, fiquei até o ao fim desse processo. Quando isso aconteceu, fui para o Gondomar onde passei 2 anos maravilhosos.

Os teus colegas chamam-te o "abono de família". O que sentes ao ouvir esse comentário?
(Rindo-se)… Nunca ouvi (continuou a rir-se) mas vindo deles espero tudo! É bom ouvir isso. Mas no fundo, somos todos abonos uns dos outros. (nunca deixou de se rir)

O que sente ao marcar sete golos quando a equipa marca nove?
Sinceramente não senti nada de anormal. Até fiquei mais feliz na semana passada quando marquei só 1 golo, pois senti que foi mais importante para a equipa do que estes. Tive a felicidade de marcar 7 golos, como poderia ter sido outro colega meu. Isso é o menos importante.
O importante é nós termos ganho.

Depois de uma fase apertada, o Boavista venceu cinco jogos. Está mais fácil agora? O que mudou?
É verdade, estava a ficar difícil, mas graças a essas vitórias estamos na luta. Vamos continuar a trabalhar para continuar a jogar bem e a ganhar jogos se possível. Penso que o facto de nos termos unido e passar a jogar mais como equipa. E claro, também um pouco de sorte, que até aí não a estávamos a ter.

O que pensas da parte final do campeonato?
Vai ser difícil. Pois vamos jogar contra as equipas que estão nos primeiros lugares. Nós estamos tristes com a nossa classificação, pois não queríamos estar a lutar para descer de divisão, mas sim para subir. O campeonato não nos correu da forma que queríamos e estamos a lutar para não descer. Estes jogos vão ser como uma prova, apesar de já não mudar nada, ao menos vamos tentar vencê-los para mostrar e provar a nos próprios e a outras pessoas que
a nossa classificação, não condiz com o valor da equipa.
O calendário é difícil. Acreditas na manutenção?
Sim, acredito. É para isso que nos trabalhamos nos treinos e nos jogos. É para conseguirmos garantir a manutenção. Mas tudo é possível e a classificação não esta fácil, por isso ainda há muito a fazer. Nada é ou está garantido.

Alguma pensaste em deixar a tua profissão para jogar exclusivamente futsal?
Tantas vezes. Então quando tenho que me levantar de madrugada , ou trabalhar muitas horas seguidas…,é que penso. (gargalhada)

Achas que em Portugal há condições para se ser profissional de futsal?
É difícil, pois há poucas equipas e as que há, o seu nível de qualidade é muito elevado e
não existem oportunidades para qualquer um.

A tua profissão faz-te faltar a muitos treinos. Com consegues estar em forma?
Sim, é verdade. Muitas vezes não posso treinar , mas ao fim do trabalho vou correr um pouco. No meu trabalho tem muitas escadas para subir e pesos para carregar (rindo-se). vou treinando por lá (continua a rir-se)

Tencionas continuar no Boavista?
Sim, se Deus quiser vou continuar no Boavista. Assim como espero que toda equipa ou quase toda, continue. Sinceramente, é isso o que eu espero.

És leitor do Blog das amadoras?
Sim, sempre que posso dou uma vista de olhos.

Alguma coisa te tem surpreendido no Boavista?
Tenho ficado impressionado com o apoio que os Panteras Negras nos têm dado numa época em que não temos andado no lugar que esperávamos. Sempre que precisámos, eles estão presentes, principalmente nos jogos difíceis e importantes. Isso mexe com a equipa e em nome de todos quero enviar-lhes o nosso Muito Obrigado.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ANTÓNIO SANTOS (DIRECTOR DO ANDEBOL) EM ENTREVISTA

NO "CENTRO" DE OPERAÇÕES NO BESSA

António Santos é o núcleo de uma organização coesa, solidaria e lutadora, que a assegura a continuidade do Andebol axadrezado na travessia do tempo das "vacas magras". Directo analisa um pouco o actual momento do andebol.
Como foi começar a época com tantas dificuldades?
Foi muito difícil começar a época porque a nossa dificuldade era arranjar o dinheiro para as inscrições e filiação das equipas.
A nível de inscrições de atletas de formação tínhamos crédito na Associação de Andebol do Porto que é atribuído pela Porto Lazer - Câmara Municipal do Porto. E depois tivemos a preciosa ajuda da Associação dos Amigos do Boavista FC que veio aliviar um pouco as dificuldades.
Podia falar um pouco sobre o motivo que levou ao fim do andebol sénior?
O principal motivo que levou ao fim do andebol sénior foi a nova organização da Federação de Andebol de Portugal e também por motivos financeiros.
Isto é porque terminou a Liga Profissional de Andebol, por não ter clubes suficientes tendo esse clubes da Liga sido inseridos na 1ª Divisão Nacional e os que estavam na 1ª divisão desceram a segunda e os da 2ª desceram a 3ª, e nós como estávamos na 3ª divisão descemos para uma divisão fantasma que ninguém sabia como era nem mesmo a Federação de Andebol de Portugal então chamara-lhe Prova de acesso a 3ª divisão.
Quer dizer que em termos financeiros tudo ficou mais caro, inscrição na prova e atletas. E como não estamos numa boa fase financeira resolvemos terminar com a equipa sénior.

Como tem "visto" a época dos infantis, iniciados, juvenis e juniores?
Os INFANTIS é um bom grupo de miúdos que gostam de andebol e tem dois excelentes treinadores, João Carmo e Ruben Moreira, que são dois jovens juniores que já cá estão -há alguns anos e para alem de mais tem espírito ganhador, a época inicialmente foi mais fácil porque já tínhamos miúdos que vinham do ano anterior e tiveram um grupo bastante acessível. Agora é que vão ter um pouco mais de dificuldades porque já há uma escolha das melhores equipas.
Os INICIADOS são comandados pelo Henrique Santos, terminaram a época anterior em grande só não fomos campeões da 2ª divisão por diversas razões nos jogos da Fase Final que foi na Régua, mas subimos a 1ª divisão onde estão as melhores equipas de iniciados, é claro que nesta época perdemos alguns jogadores para os juvenis (por subida de escalão).
Esta época não esta a ser tão produtiva com a anterior porque estamos entre as melhores equipas nacionais de iniciados e muitos jogadores estão em fase de aprendizagem.
Os JUVENIS são treinados pelo Victor Nascimento que tem sido um bom formador de homens e é uma excelente pessoa.
Os JUNIORES são comandados pelo Técnico Franquelim Cardoso, têm uma boa equipa que já vem da época passada e que foi reforçada com a subida de alguns juvenis e outros que vieram de fora.
É uma equipa unida que eu acho que pode ir muito longe, mas temos que ter os pés bem assentes na terra e estar certos das nossas dificuldades...

NO TERRENO, INFORMANDO-SE DA SITUAÇÃO DOS JUNIORES

Parece que temos extremos duas grandes equipas de infantis e juniores e equipas mais fracas de iniciados e juvenis que tem a dizer sobre isto?
O que tenho a dizer sobre isso é que não temos extremos, temos quatro equipas que estão em formação, duas na 1ª divisão e duas na 2ª divisão.
Que quer dizer que são campeonatos completamente diferentes. Enquanto a nossa maior preocupação é a formação de cada atleta e se podermos ganhar tanto melhor.
O que o move a estar a frente do andebol do Boavista?
O que me move para estar a frente do Andebol do Boavista FC em primeiro lugar o meu filho que joga nos Juniores, também ser Boavisteiro desde pequenino e gostar de acompanhar o crescimento dos jovens e das pessoas que estão ligadas a toda a organização onde tenho conhecido pessoas que de certeza não conhecia se não estivesse ligado ao Boavista FC, Andebol.

Para o ano, já vão funcionar todos os escalões?
Para o ano em princípio vão funcionar todos os escalões da época anterior, a não ser que surjam coisas novas.

Quais são as vossas maiores dificuldades?
As nossas maiores dificuldades são sem dúvida financeiras, falta de pavilhão e um bom patrocinador, alguém que não goste tanto de Futebol e invista no Andebol...mais "carolas"...

Acredita que podemos ser campeões de juniores e infantis e que nos vamos safar em juvenis e iniciados?
Acredito que poderemos ser campeões de juniores da 2ª divisão mas isso não depende de mim, sinto que a equipa esta muito motivada para esse efeito.
Os infantis acredito que podem ir a fase final e lá tudo pode acontecer.
Os juvenis, não vai ser fácil manter a 1ªdivisão mas acreditamos até ao final do campeonato.
Os iniciados só depende deles para manter a 1ª divisão tem é que ganhar os jogos que faltam.

Quantos atletas praticam andebol no Boavista?
Actualmente estão inscritos 110 atletas distribuídos pelos diversos escalões.

Sente que é uma modalidade que atrai os jovens?
Sinto que a modalidade atrai os jovens quando a divulgação acontecer como a dois anos atrás (se não estou em erro) com a série juvenil "Morangos com Açúcar".
Foi nessa altura que tivemos equipas de Bambis, Minis e Infantis que já não tínhamos desde que o Pavilhão Acácio Lello foi abaixo.
Podia falar um pouco sobre cada treinador dos diversos escalões?
O que posso dizer de todos os Treinadores é que são pessoas Sérias e Humildes que gostam do Andebol, do Boavista FC e da formação dos jovens.
Não esquecendo também todos os Dirigentes, Sérgio Moreira, Serafim Pinto, José Nunes e Raul Cunha que com eles e comigo trabalham em prol do Boavista FC Andebol.

O que pensa do andebol do Boavista para a próxima época?
Penso que vai ser mais um ano de sacrifício e luta pela modalidade, e contra a sua extinção

Podia comentar a prestação dos infantis no torneio da Nazaré e dos juvenis e iniciados em Gaia?
Foram prestações positivas tantos dos infantis na Nazaré como a dos iniciados e dos juvenis no Madalenense.
São torneios para rodar jogadores menos utilizados e alguns novos que ainda não têm o andebol enraizado.
Parece que foi tudo combinado porque ficaram todos os escalões em 3º lugar. Foi boa a divulgação do Boavista tanto para Espanha ou para França, que eram equipas participantes.

Como conseguiram ultrapassar o falecimento de um atleta dos juvenis em pleno treino?
Foi um momento muito difícil que deixou marcas em todas as pessoas que lidavam com ele. É um assunto que ainda custa a falar.

Sente que a equipa ficou marcada para toda a época?
A equipa ficou marcada mas também trouxe mais união, tanto de Atletas como Técnicos, Dirigentes e antigos atletas que com ele lidaram.