domingo, 14 de setembro de 2014

VITOR NASCIMENTO, NA HORA DO ADEUS DO TREINADOR


Na sabedoria popular, existem verdades incontornáveis. Diz-se – entre outras – que não existem pessoas insubstituíveis, dizemos, nós, que sendo verdade, existem pessoas muito difícil de serem substituídas. Na hora da sua despedida de técnico de Andebol, Vítor Nascimento, ficará nesse  segundo campo e, para quem o conhece e ao seu trabalho (como nós) podemos afirmar que vai contrariar o ditado popular.

O Amadoras, realizou uma extensa entrevista com o Vitor Nascimento no dia do reconhecimento público da sua partida de treinador do Boavista. Pode parecer grande, mas nunca se aproximará de quanto este “Monstro de Carinho e ensinamento” dedicado aos mais jovens mereceria. Nela tentaremos descobrir o homem que marcou o andebol jovem axadrezado,  durante mais de dezena e meia de anos.

O HOMEM
Amadoras - Comecemos por identificar o cidadão Vitor Nascimento.  Nascido onde? Idade?
Vitor Nascimento - Nasci a 6 de Setembro de 1971, na Freguesia de Massarelos-Porto, na Rua mais bonita e com melhores vistas da Cidade do Porto (Rua de Entre-Quintas) onde se localiza a Casa Tait, o Museu Romântico do Vinho do Porto e inicia a ecadaria de um dos percursos do romântico e uma vista do Douro de tirar a respiração (que eu conheço muito bem, acrescenta o editor)

 Qual a sua profissão?
Trabalho na Universidade do Porto, desde o início deste ano lectivo no Departamento de Integração Académica dos Serviços de Acção Social, mas desde 1992 até 2013 trabalhei no Gabinete de Desporto da Universidade do Porto

Como nasceu o amor pelo andebol?
Iniciei no Andebol pela “mão” de um amigo de Infância, antigo Atleta do Boavista e Internacional, de seu nome Paulo Pinhal, que me convidou a mim e outros amigos (vizinhos e da escola) a experimentar a prática do Andebol no velhinho e saudoso CDUP.
Foi logo amor desde o 1º dia, pelos novos Amigos, pelo Treinador, no fundo porque encontrei uma excelente família.

Essa vantagem de se apresentar sempre frio e calmo mesmo nos momentos de pressão nasceu consigo, ou foi cultivada com o andar dos anos?
Eu não me considero frio e não sou assim tão calmo como pensa. Naturalmente tenho a minha forma de estar, na qual me considero uma pessoa ponderada e respeitadora o que dá a entender que a pressão me passa ao lado e também porque o Andebol me dá um prazer imenso, bem como a partilha e vivência com todos os seus agentes.
Naturalmente que a experiência nos dá mais serenidade e o facto de sempre ter sido um treinador de formação, em que estamos constantemente a transmitir mensagens para os jovens atletas, faz com que tenhamos de filtrar muitos dos nossos impulsos, para que possamos ser o próprio exemplo.

O ANDEBOLISTA
Qual foi a sua carreira como jogador de andebol, quais os clubes que representou?
Como jogador representei o CDUP, Estrela e Vigorosa e Académico do Porto.

Algum título importante conquistado?
Alguns Títulos de Campeão Regional e uma Série de Taças que não consigo neste momento enumerar nem discriminar.

Qual a posição que ocupava em campo?
Inicialmente, motivado pelo meu grande Mentor e Treinador, Prof. Mário Santos, era Ponta Direita, apesar de ser destro, mas, penso que tinha uma excelente basculação, poder de salto e um fascínio por jogar numa posição de tão difícil nexecução para quem jogava com a mão direita.
Posteriormente, com o amadurecimento e com o facto de os treinadores acharem que tinha boas apetências para o posto, tornei-me Pivot.

O Vitor treinador, como analisa o Vítor atleta/jogador?
Tive um Treinador, o Prof. Paulo Sá, que uma vez me definiu: “ Algo Limitado, mas muito Dedicado e Esforçado e sempre necessário”…
Na verdade concordo com ele, comecei a jogar com 17 anos, já no escalão de juniores, com 18 anos, já jogava pelos juniores e pelos seniores…
Como Treinador sei que é uma idade muito avançada para começar, mas na verdade, não foi isso que me impediu de treinar, treinar e treinar para poder evoluir e poder jogar…
Não fui o melhor jogador, mas era aquele que mais vontade tinha de provar e fazer por merecer.
Muitas vezes treinei sozinho a rematar da ponta, a saltar por cima de uma barreira de atletismo e com a baliza torta a encurtar o angulo para dificultar a obtenção do golo.

Como nasceu o gosto para treinar?
Comecei a ser Treinador por necessidade, ou seja, na altura existia um escalão que não tinha treinador e como não havia recursos para contratar alguém e talvez porque achassem que eu tinha algum jeito, propuseram-me para tomar conta desses jovens…
Começou aí uma aventura que termina agora e que durou 25 anos.

Sempre treinou jovens de formação ou já treinou adultos?
Sempre treinei formação, Infantis, Iniciados e Juvenis.
Houve apenas uma época em que treinei uma equipa senior, mas, foi mais um ajudar o Clube amigo que necessitava de uma pessoa credenciada para o efeito.


Esta decisão de abandonar a actividade ou de pelo menos sair do Boavista, foi fruto de uma circunstância pontual ou de uma ideia amadurecida?
Esta decisão é muito amadurecida.
Chegou a hora de pensar na minha familia, poder proporcionar-lhes tempo de qualidade, de poder também apostar na minha formação académica, tudo isto enquanto tenho idade em que ainda me posso “divertir”
Pelo que esta decisão é muito difícil de tomar, mas é necessária para mim e a minha familia.
Pelo que não é sair do Boavista, mas sim terminar a carreira de Treinador…

 Qual a razão dessa mudança de rumo, que ninguém esperava?
As Razões indiquei-as na resposta anterior.
De certa forma as pessoas já sabiam desta decisão, pois   eu próprio para me mentalizar fui dizendo do meio da época para cá, no entanto sei que a maioria das pessoas não queria acreditar que era mesmo uma decisão irreversível. (o Portas era irrevogável).

Há quantos anos veste a camisola do Boavista?
Atingi a maioridade no Boavista, 18 ANOS de Xadrez ao Peito

Depois de tantos anos é fácil sair?
É muito difícil… Já estou cheio de saudades, cada semana que passa até ao fim da época é mais uma estação cada vez mais próxima da linha de chegada…
Nem quero imaginar o que irei sentir quando tudo acabar.

O que o leva a deixar o clube de seu coração. A falta de condições para treinar, outros objectivos mais elevados, ou ainda outra qualquer razão?
O que me leva a deixar o Clube são decisões familiares e de formação e valorização pessoal…
Neste Clube nunca me queixei de nada mesmo tendo razões para tal, sempre arregacei as mangas e sempre dei o melhor de mim, sem exigir nada a quem quer que fosse.
Para mim bastava ter Atletas, Bolas e local para treinar que as condições estavam todas reunidas.

Na estrutura técnica do andebol, o Vitor é visto como o primeiro pilar da formação, formando em seu redor uma equipa de seguidores nos seus atletas, meio comandante, meio pai, meio exemplo. Não teme que os seus pupilos fiquem órfãos, com a sua saída?
Nem penso nisso sequer…
Tenho a certeza e desejo que quem me substituir tenha o mesmo e mais sucesso que eu, pois é sinal que os nossos “meninos”, que são quem realmente importa, continuam a ter pessoas competentes e que se importam com eles.
Os miúdos adaptam-se facilmente a tudo, pelo que naturalmente com o passar do tempo não sentirão a minha falta, tenho certeza que daqui por 5 anos se lembrarão de muitas coisas que lhes transmiti, mas que neste momento e pela idade que têm não conseguem ainda assimilar toda a informação dada.
Espero apenas que no futuro se lembrem que sempre fui uma pessoa correcta, justa e dedicada que sempre os tratou e respeitou, tendo por base estes princípios e que consigam aplicar todos os valores que lhes transmiti, quer como atletas, quer como homens.

Porque nunca apostou em treinar equipas mais adultas dentro do Boavista?
Fui convidado por diversas vezes, mas sempre recusei…
Não era o meu Campeonato…
Prefiro promover os jovens em Adultos…

Nas suas equipas, nunca se ouvem os seus jogadores queixarem que perderam por culpa dos árbitros, como se ouve nas outras. Simples acaso ou algo mais que isso?
Nas minhas equipas os atletas sabem que há Autoridade, Responsabilidade e Liberdade, todos sabem o seu papel, todos sabem a necessidade de interrelacionarem estes 3 princípios para que possam respeitar e ser respeitados.
Não posso pensar em formar só um jogador de andebol, tenho também o dever de o ajudar a educar como homem, logo só é desporto se houver correcção e elevação.
E eu disso não prescindo…
Quando perco, sempre digo que foi por ter marcado menos golos e ter tido mais falhas técnicas que o adversário… ou tão simplesmente por reconhecer que o adversário possa ter sido melhor que nós…

Sabemos que o Boavista vai entrar de novo na primeira Liga de futebol. Há quem considere que isso será bom para as amadoras, outros consideram o contrário. E você?
Honestamente acho que vai ser indiferente para o Andebol e para as Modalidades Amadoras.
Em 18 anos do Boavista, estive no melhor e no pior do Clube, mas, na verdade há já muitos anos que as modalidades desportivas se aguentam sem ou com um muito reduzido apoio da Direcção.
Vou esperar para ver, mas, gostaria que houvesse um forte apoio e houvesse algum reconhecimento das Amadoras, até pelo lutar e superar que tiveram no “Coma induzido” em que o Clube esteve nestes últimos anos.

Nos últimos anos foram exigidos sacrifícios enormes aos colaboradores das amadoras. Pela parte que lhe toca, acha que valeu a pena tudo que deu ao clube?
Quem pode dizer se os meus sacrifícios valeram a pena, são os meus Directores.
Por mim, só posso dizer que fiz de tudo para manter o Clube, foi Dirigente, Treinador, Psicólogo, Motorista, etc…
Fiz e dei tudo o que tinha pelo Andebol do nosso Clube e aí posso dizer-lhe uma coisa com toda a certeza: “Não abandonei nem deixei morrer o nosso Andebol”, perante tudo isto e olhando para a realidade desportiva do Andebol agora, posso dizer que tudo porque lutei, valeu a pena.

Falemos no geral do andebol axadrezado.
O que há de positivo?
De Positivo temos o factor humano, social e desportivo, somos uma autêntica família, quase todos os atletas são da nossa formação.
Cada vez estamos mais consolidados, cada vez mais fortes, cada vez mais competitivos.
Penso que este ano, foi um ano dourado, um ano em que todos os escalões atingiram e ultrapassaram com distinção os objectivos propostos no início da época desportiva.
Vejo também o aumento do número de jovens que temos a praticar Andebolno nosso Clube.
E encaro também como positivo o facto de o Andebol do Boavista já ser desejado e procurado por outros atletas.
E o que acha negativo?
De negativo, saliento as condições estruturais que temos, mais concretamente a falta de locais e horários de treino condignos para todos os escalões e alheamento e sensibilidade por parte da Direcção a este grande problema.
Nem quero imaginar o que atingiríamos caso tivéssemos um pavilhão com medidas regulamentares para treinos regulares…

Sentiu-se sempre um homem compreendido dentro do clube, ou muitas vezes não continuou um assunto porque… não valia a pena?
Sempre fui muito bem tratado por todas as pessoas.
Sempre tive relações cordiais com todas as pessoas, pois sempre fui correcto e respeitador nas opiniões e na aceitação.
A minha forma de estar no desporto é prática, directa e correcta, pelo que como nunca recebi nenhum reparo sobre a minha postura, só posso considerar que sempre fui compreendido.

Todos estes anos de xadrez. Na hora da despedida o que diz o Vitor… valeu a pena?
Nesta hora de despedida, solto algumas lágrimas
É a decisão mais difícil da minha vida
È sentir que saio com a certeza que a minha “missão” foi totalmente cumprida…
É Saber que fui sempre igual a mim próprio
È Sentir que fui bem estimado por todos os Agentes do Andebol
È Tão gratificante saber que consegui incutir o gosto pela modalidade a tantas centenas de jovens
É Estar de bem comigo próprio por saber que sempre dei o melhor de mim, sempre de forma altruísta
É relembrar que sempre tive a humildade de saber ouvir para saber estar
È tanta coisa…
Sentir que sempre fui justo e correcto para com todos
É saber que fui mais que um treinador, que fui um amigo, um tio e pai dos atletas.
É saber que incuti nos próprios pais dos atletas o espirito do Andebol do Boavista
Sou uma pessoa grata e se mereço algum reconhecimento, muito a este Clube o devo.
Mas essencialmente, valeu a Pena, por TUDO o que consegui e TODOS  que conheci e que o Andebol me proporcionou …
Serei sempre Boavisteiro e estarei sempre a apoiar o Andebol.

Nota: Do editor, depois de palavras tão sensibilizantes a que não conseguimos alheios, terminamos esta entrevista com um nota, que ameniza a tristeza da sua partida.
Vitor Nascimento, vai continuar ao serviço do Boavista, com supervisor do sector de formação e ainda que não seja já oficial... Como sempre o Amadoras sabe e nunca... se engana. Hoje despedimo-nos do treinador... o amigo, continua connosco!

Entrevista


de
Manuel Pina


sexta-feira, 20 de junho de 2014

HENRIQUES SANTOS, NA DESPEDIDA DO BOAVISTA



Na vida de um desportista, os ciclos estão em constante movimento e por maior que seja a identificação com um emblema, virá o tempo de mudar a página.
Nesta fase de mudança encontra-se o técnico de andebol, Henrique Santos, que após oito anos de xadrez se preparar para mudar. Conversamos com um homem algo triste, mas consciente do seu trabalho em prol do Boavista e aceitando a hora de mudança.

Havia quem tivesse algum receio da vossa participação no escalão principal nacional. Mas a equipa terminou numa excelente posição. Surpreendeu-o essa prestação dos Juvenis?
Confesso que, sempre considerei ser possível a manutenção, mas até eu fiquei surpreendido com a classificação final. Depois de acabarmos a primeira volta em penúltimos ou antepenúltimos, acabamos em quarto lugar nessa fase, na qual o terceiro dava acesso à fase seguinte. Todos quisemos chegar mais alto, mas o objectivo principal foi conseguido com brilhantismo e muito mérito. Estamos de parabéns e considero uma época positiva.

Mas o início foi difícil. Quais os motivos?
Foi complicado porque tivemos grandes alterações no plantel. Cinco jogadores saíram do Boavista e um subiu aos juniores, numa equipa de sete, perder seis é sempre muito complicado. Formamos uma nova equipa com alguns incitados. No início foi mesmo complicado ao perder todos os primeiros jogos, temi que isso os afectasse, mas a resposta foi muito positiva da parte de todos.

A disputar um campeonato com os mais poderosos adversários, com outra condições e ambições, o Boavista realizou um extraordinário campeonato. não o surpreendeu na verdade?
Não. Não me surpreendeu!
A sua equipa era assim tão forte?
Tínhamos valor para estar e ficar na primeira divisão. Sabíamos que ia ser difícil, que teríamos que fazer um trabalho completamente diferente a nível de contacto e choque. Tínhamos muitos jogadores dos iniciados, que - para quem está um pouco por fora do andebol, não entenderá – sai de utilizar um bola dois para uma bola três, que para eles é um autêntico canhão, porque é a bola de seniores. Tiveram muitas dificuldades de utilizar esse tipo de bolas e a resina, mas fizeram a sua adaptação que não sendo fácil foi conseguida aos poucos e poucos. As vitórias começaram a aparecer com o crescimento deles e obviamente as vitórias trazem a motivação e o grupo cresceu muito.  Repare os primeiros cinco jogos, foram cinco derrotas. Depois da primeira vitória as coisas encarreiraram e na segunda volta só perdemos com os candidatos, que foi o Porto e os Carvalhos.
  
Curiosamente o ano passado fizeram um campeonato idêntico aos vencerem todos os jogos...
É um grupo muito forte e muito unido, não sendo um grupo com a qualidade que todos queríamos e para isso é preciso dar tempo ao tempo, mas é um grupo muito coeso que formam uma excelente equipa. Continuando a crescer para o ano estarão nos juvenis de pedra e cal.

Ainda não tenho a confirmação, mas consta-se que o Henrique vai sair do Boavista. Confirma?
É verdade, sim senhor. Fizemos agora a Taça encerramento que vencemos – registe-se – e no final da época sairei do clube onde estou há oito anos.
A Taça encerramento era importante?
Foi disputada por quatro equipas, mas muito fortes e vê-se pelos resultados muito equilibrados que era uma prova importante e que vencemos com inteiro mérito.

Voltando à sua anunciada saída. Quer falar um pouco das razões?
Após o último jogo da taça, comuniquei aos jogadores que iria embora e só após essa conversa é que tornei pública a noticia da minha saída, porque eles teriam que ser os primeiros a saber.
Tem outro projecto?
Desculpe, mas são coisas que eu não quero abordar aqui, para me defender a mim e ao Boavista. Como disse na carta que tornei publica, só tenho que agradecer a este clube pelos oito anos que aqui passei. Neste momento, não tenho projecto algum, embora os convites tenham começado a aparecer mas ainda não me debrucei sobre nenhum. Uma certeza, porém, parado não vou ficar e em breve terão notícias minhas. Neste momento, desejo todas as felicidades ao Boavista. Ao meu sucessor desejo todas as felicidades porque vai herdar uma equipa com valor, embora com um plantel maís curto, porque alguns elementos vão subir a juniores e dos iniciados ninguém sobe.

Esses pormenores passam muitas vezes ao lado dos espectadores. Mas são um problema para os treinadores?
São as realidades que a formação apresenta e que todos os treinadores têm que superar. Mas da equipa de iniciados podem ir buscar antecipadamente alguns porque têm jogadores com valor para isso.


O que se sente na hora da despedida?
Um bocado de nostalgia, mas como se diz as pessoas passam e o clube fica e continua. Só posso dizer bem deste clube, fui bem recebido, bem tratado e mesmo dentro das enormes dificuldades que tivemos principalmente em termos logísticos. Tivemos que treinar em “meio pavilhão” andamos constantemente com a casa às costas, foram anos difíceis que todos tivemos e que poucas pessoas imaginam, mas acabaram por unir os grupos porque todos sabíamos as condições, todos os aceitávamos e todos as ultrapassamos. Os grupos fazem assim.

Ninguém defende que as dificuldades ajudam, mas eu vi este grupo ser formado nos infantis até aqui e verifiquei que os jogadores tratam o Henrique por tu embora sem nunca o desrespeitar. São quase irmãos do treinador. Como se pode gerir um grupo assim?
Há aqui uma coisa que as pessoas têm que ver e correndo o risco de ser criticado, pelo que vou afirmar, mas afirmo sem receios. A formação do Boavista evoluiu muito e todos os anos saem daqui jogadores para clubes com maiores ambições. Não estou  a dizer que saem verdadeiros aristocratas de andebol, mas têm saído bons atletas que têm singrado em vários clubes, Porto, Águas Santas etc… tivemos um atleta que este ano foi campeão nacional pelo Águas santas que na época anterior foi vice-campeão nacional aqui, que é Pedro Silva. O ano só à equipa de juvenis vieram buscar cá cinco jogadores. Isto prova que há no Boavista um excelente trabalho de base desde os infantis. Eu ando há um ano ou dois a dizer que a formação do Boavista é das melhores formações do norte. Tem uma pessoa como o Vitor Nascimento, a trabalhar “cá em baixo”, que é fenomenal que deixa os jogadores a jogar de olhos fechados…
Se o Vítor confirmar a saída é uma grande perda?
Enorme! Essa é a maior perda do Boavista, se o Vítor sair. Primeiro é um símbolo do clube pelos anos que cá está e depois, nestes escalões de formação o Vítor é qualquer coisa!
Regressando á sua ideia…
O Boavista é um clube muito mais apetecível que quando cá cheguei. Tem outra estaleca, tem outros escalões muito bons, tem os juvenis na primeira divisão, tem os iniciados que discutem sempre as fases finais e para além da excelente prova dos juniores que nesta fase venceram toda a gente e têm os seniores que subiram de divisão. É um clube apetecível. Isto é uma coisa fantástica, agora as pessoas não podem exigir que se ganhe sempre.
  
Diferente de outros tempos?
Quando cá cheguei disseram-me que eu tinha uma equipa e eu… tinha cinco jogadores! Fui buscar jogadores ao futsal do Freixieiro que eram meus conhecidos, que não sabiam jogar futsal e trouxe para o andebol, fui buscar jogadores ao voleibol e fiz a tal equipa, que foi a uma fase final de segunda divisão de iniciados. As coisas de há oito anos para cá evoluíram muito. Nesse tempo jogar com o Boavista nem contava era vitória certa. Agora toda a gente respeita e teme, jogar com o Boavista é um jogo grande do campeonato. dos infantis aos juniores, nos últimos dois anos o Boavista tem feito carreiras fenomenais. Só um exemplo. Quem viu aqui o jogo de seniores entre o Boavista e o Monte, que era um jogo decisivo, só um dos sete titulares veio de fora do Boavista. Todos os outros seis eram da formação do Boavista!  Tirando o Miguel que veio do ABC, toda a  restante equipa, foi feita aqui.

Quem nos lê fará inevitavelmente a pergunta. Sendo assim porque sai?
Vou embora porque o departamento decidiu que assim terá que ser.
Não foi opção pessoal?
Não! se calhar tentado introduzir novas ideias, novas pessoas – que é bom – e todos temos que mudar um pouco os ares. Mas confesso, que não foi da forma que eu gostava que fosse. Mas atenção. Não tenho nada a ver com ninguém eu estou completamente agradecido ao Boavista, eu aprendi muito aqui neste clube onde me dou e darei bem com todos.

Entrou de um clube e saiu (também) Boavisteiro?
Quem consegue estar neste clube sem se sentir Boavisteiro? Muita luta, muito esforço, muitas dificuldades que provocam uma união e um respeito por este emblema. Não saio Boavisteiro, serei sempre uma parte  Boavisteiro.


Entrevista
de


Manuel Pina

JORGE DIAS, TÉCNICO DE FORMAÇÃO DE VOLEIBOL EM ANÁLISE AO PROJECTO AXADREZADO

Jorge Dias, é um jovem apaixonado pelo Voleibol que faz parte do grupo técnico que se propõe reestruturar ( a nível competitivo) o voleibol de formação do Boavista. Designer, de profissão mas voleibolista por paixão. Vamos conhecer melhor as suas ideias e visão do universo da formação axadrezada.



Na minha opinião, esta época foi dividida em duas fases. Após os campeonatos, vocês alteraram todos os métodos de trabalho. Qual a razão?
Fizemos isso, essencialmente para começar a trabalhar para a próxima época e começar a reestruturar o próprio departamento de voleibol do Boavista, no que respeita à formação, que consideramos precisar de uma grande remodelação e acima de tudo de um grande incentivo, para as miúdas poderem trabalhar com um bocadinho mais de vontade.

Passado este período, já verifica algumas mudanças?
O balanço é bom. Já se começam a ver algumas coisas positivas, principalmente na entrega das miúdas. Alguns escalões, estavam totalmente desmotivados com o trabalho que estavam a fazer, devidos aos resultados que (não) conseguiam. Isso era evidente. Com a falta de resultados é normal as miúdas perderem o entusiasmo no trabalho que estão a realizar e  era o que estava a acontecer.

Agora já estão diferentes?
Com a reestruturação que lhes foi proposta, o trabalho passou a ser diferente e elas começaram a entender que as coisas resultam.

Mas vocês promoveram as jogadoras para escalões superiores aos quais só pertenceriam na próxima época. Isso não as desmotiva ao não vencerem os jogos que disputam, já que jogam contra atletas mais adultas?
O desânimo e a desmotivação só podem ter a ver com uma coisa. Elas não se sentirem realizadas. Quando estão a dar o melhor o resultado não é o mais importante. Foi o que lhes fizemos sentir. O importante nesta fase, é elas trabalharem bem para no próximo ano e nos anos vindouros,  estarem a melhor nível, ao nível das equipas mais fortes que estão constantemente a apurar-se para os nacionais. O importante é que elas trabalhem a ritmo mais elevado, mas que trabalhem bem. Essencialmente bem, esqueçamos os resultados de momento, porque para nós nesta fase, não é importante. Ganhar uma AVP não é importante., preferimos perfeitamente, a abdicar de uma AVP e conquistar um acesso ao nacional.
  
O início (que eu acompanhei) nem foi fácil nem pacífico, mas agora parece que as jovens já se integraram. Concorda comigo?
Sim é verdade! Agora estão muito diferentes e nota-se essa clara diferença no trabalho e nos resultados. Não temos tido grandes vitórias mas temos tido… grandes jogos, porque não gosto de falar em vitórias morais. Mas que as miúdas, mesmo perdendo um jogo se sentem realizadas porque estão a dar o máximo e estão a combater pelo sets e pelos resultados. Isso nota-se.

Mas neste processo, algumas desistiram. Perdeu alguma atleta que tenha sentido pena?
Perdi muitas! Perdi muitas, mas neste processo é a lei natural. É como na natureza, os mais fraquinhos, que se sentem sem armas e sem forças para lutarem com os mais fortes, acabam por sentir que não têm grande espaço. E só há duas hipóteses, ou mudam e lutam ainda mais, para enfortecer os seus pontos mais fracos para estar ou lado dos fortes ou acabam por ficar para trás.

Na próxima época, já veremos os resultados?
Não lhe vou dizer isso, porque não é uma verdade. Era isso que eu queria, como é obvio o que qualquer treinador perspectiva é que se consigam alterar os resultados de uma época para a outra. Mas para mim, para o ano continuamos a apostar naquilo que foi analisado e aprovado, que é que o Boavista precisa de uma reestruturação muito forte, não é só aos meus olhos que isso se vê. Eu gostava de fazer parte do grupo que vai colocar o Boavista onde merece estar.

Para além de técnico de voleibol, qual é a sua profissão?
Eu, sou designer e trabalho em Gaia.
Como nasceu este amor pelo voleibol?
Joguei vinte e sete anos.

Como se consegue conciliar esses dois amores?
Ao fim de vinte e sete anos tenho que praticar – mesmo a jogar – uma vez por semana e ninguém me pode tirar isso, porque se não… mexe comigo!

Sente motivado a ensinar estas miúdas?
É obvio e se não me sentisse motivado, já tinha saído.

Entrevista de

Manuel Pina

domingo, 8 de junho de 2014

DRª JOANA FREITAS, A PSICÓLOGA DAS AMADORAS


Joana Freitas,  é psicóloga e tendo começado a trabalhar com a Academia de futsal do Boavista tem um projecto ,que visa dar um apoio global a todas as modalidades amadoras do Boavista. Com esta entrevista, tentaremos compreender melhor esse objectivo e conhecer a doutora.



Quem é a Joana Freitas?
Sou psicóloga, formada em psicologia pós graduada em recursos humanos, trabalho em consulta em Santa Maria da Feira e, neste momento, estou a fazer voluntariado no grupo de autistas no Porto.

Isso particularmente e no Boavista?
Tenho dado apoio a alguns atletas da academia e consultas no departamento de futsal.

Como nasceu a ideia dessa colaboração com o Boavista?
Essa colaboração iniciou-se quando eu entrei como seccionista para a academia acompanhando o meu marido (Paulo Freitas) entretanto, tinha uma clinica que fechou e não tinha, no imediato, local para continuar o trabalho com alguns jovens e, trouxe-os comigo e alguns ficaram aqui comigo.

Vamos tentar esclarecer alguns pormenores. Em que consiste o seu trabalho?
Depende da problemática dos meus pacientes. Se são hiperactivos, se têm algum tipo de perturbação de personalidade se têm alterações de comportamento, se são problemas escolares ou familiares, etc… Depende. Eu tenho especialidade em hiperactividade e dificuldades de aprendizagem.

Quem faz uma primeira triagem sobre os jovens, são os dirigentes, os familiares ou é a Doutora que os vai observando?
Neste momento, tenho dois jovens a quem acompanho na academia. Um já o conhecia e trouxe-o para cá, porque era meu paciente fora do Bessa. O outro, foi a mão que falou com o meu marido, este miúdo é hiperactivo.

Um fenómeno muito comum entre os jovens?
Sim, é verdade e aqui a academia tem vários.

O seu trabalho está a ser feito em exclusividade para o futsal?
Neste momento, tenho trabalhado com o futsal, mas o objectivo é trabalhar com todas as modalidades, continuo a aguardar contactos de outros departamentos.

Como explica que ainda não tenha sido contactada por alguém de outras modalidades?
Penso que haverá um problema de dar divulgação do nosso projecto entre as amadoras. Já me colocaram por diversas vezes a questão se trabalho só para o futsal. Já disse e repito, que não. Sempre me disponibilizei para as amadoras, porque acho que é um trabalho extensivo ao interesse de todos os jovens.

Como é que qualquer interessado “chega” aos serviços da doutora?
Através da secção de ginástica, onde já foi entregue a cópia de um protocolo de compromissos entre mim e o Boavista, na pessoa da directora Sara Monteiro. Encontrarão lá todos os meus contactos, ou através de qualquer membro do futsal. De uma forma ou outra, será fácil chegar ao meu contacto.

Vamos falar de algo que toda a gente questiona. Que encargo terá cada paciente e quem paga o seu trabalho?
São os pais que estão a pagar as consultas, só que a um preço muito mais baixo que o habitual no exterior.


Podemos conhecer esses valores?
No Porto, geralmente as consultas variam entre os trinta e cinco e os cinquenta euros, enquanto aqui no Boavista, custam vinte.

Onde se realizam as consultas? Espaço, dias e horários?
Actualmente no departamento de futsal, embora desejo alterar para outro espaço dentro dos espaços das amadoras, porque – mesmo agradecendo a atenção e disponibilidade de todos – considero não ter as condições ideias para esse trabalho, mas enquanto não encontrar outro espaço continuaremos no departamento de futsal. Tenho vindo ao sábado à tarde e até, ao domingo de manhã e nesse horário, fui informada que as instalações da ginástica estão encerradas, que era, inicialmente, o espaço que estava idealizado para receber os pacientes. Quero registar que tenho as chaves do futsal e agradeço toda a disponibilidade, mas acho que deveremos alterar condições e espaço até para não se transmitir, a ideia errada, que só recebo miúdos do futsal.

A divulgação, passa em seu entender por um novo espaço?
Sim, porque já me apercebi, que as modalidades são autónomas (quase independentes) umas das outras e, para trabalhar com todas, terei que ter um espaço independente… digamos assim! (sorriu).

O povo liga (erradamente) psicologia a psiquiatria e temos ao invés de ser considerados pacientes serem tratados como loucos. Não teme que por essa inibição as pessoas não procurem o seu trabalho?
Primeiro, não tem nada a ver uma especialidade com a outra, embora entenda a sua questão. Já acontece menos, mas ainda acontece a situação de as pessoas terem vergonha de ir ao psicólogo, por essas razões. Mas já acontece menos! Mas ainda noto que os pais temem levar os filhos ao psicólogo, com medo que os filhos fiquem com rótulo.


Que mensagem quer divulgar?
O psicólogo não é um bicho. Apenas ajuda os miúdos (e adultos, mas eu estou mais vocacionada para os jovens, crianças e adolescentes) a ultrapassarem dificuldades pontuais e mesmo de área desportiva.

É uma doutora desportiva?
Quando completei a minha licenciatura, tive que fazer a tese de curso e escolhi a área de desporto que é a área que mais gosto. A psicologia do desporto tem muito quer a nível motivação de aceitação e compreensão de resultados etc… tudo envolve aspectos psicológicos.

Num mundo cada vez mais difícil e competitivo. Concorda?
Totalmente, muitas vezes os adultos passam ao lado (ou julgam que passam) de certos problemas mas para os miúdos as coisas são bem mais difíceis. Mesmo a nível de competição, os miúdos não estão preparados nem para perder, nem para ganhar. Esta é a sensação que noto quando assisto a jogos entre eles.

Já que me fala nesse aspecto, há algo que eu sempre notei. Quando num jogo de adultos uma equipa é claramente superior à outra e atinge um resultado dilatado, quase que pára… enquanto os miúdos, na mesma situação, tentam mais golos para mostrar a sua clara superioridade, roçando a humilhação adversária. A que se deve tal facto?
Isso é real. Os miúdos não têm essas noções, as ideias bases da competição. Uma das coisas que tenho trabalhado aqui na academia com o ajuda do meu marido e que continuamos a analisar em casa é a questão das regras. Os miúdos não têm regras. Eles pensam que podem falar para os treinadores/directores de qualquer maneira. Não podem! Os miúdos têm que ter regras de base. Nós estamos a tentar alterar esses comportamentos aqui na academia.

Antigamente, notavam-se diferenças de vestir e de comportamentos entre várias zonas. Agora viver na cidade ou na aldeia é igual. Nota-se que os miúdos e adolescentes, não usam guarda-chuva, que sentam nos locais das bagageiras em vez de se sentarem nos bancos. Mas todos, mesmo todos fazem o mesmo. Como se explica um comportamento tão copiado?
Funciona por imitação! No comportamento humano, o comportamento gera, comportamento. É a máxima da psicologia… comportamento gera comportamento. Vai por modelos. Repare se os pais fazem determinada coisa os miúdos vão, por instinto, imitar os pais. Se têm um professor ou um treinador que considerem modelo, vão ter a tendência para o imitar. E quem não cumprir as “normais instituídas” pela maioria (boas ou más) é posto de lado.

Na minha vida profissional contacto muito com o ambiente escolar, que neste momento – passe o exagero – se aproxima do que nos transmitido em filmes do ambiente prisional. Grupos, imposições de comportamentos, exclusões etc… concorda com esta visão ou sou pessimista?
Nada tem a ver com os professores. São os miúdos que formam os grupos e outros - lamentavelmente – são marginalizados, ou porque não se integram nos grupos, ou porque não têm roupa da marca X, ou porque não usas as sapatilhas Y. eu tenho em santa Maria da Feira um miúdo que é vitima de Bulling infantil, cada vez menos os miúdos são e estão educados para viver na sociedade e para a sociedade.

As escolas têm psicólogos?
Sim mas a verdade é que muitos psicólogos foram retirados das escolas para se diminuírem despesas!

E os que estão ficam dentro de um gabinete, quando o mundo se passa no recreio…
Trabalhar - e eu já trabalhei – num agrupamento é muito difícil, embora eu entenda a sua opinião.

Vamos voltar ao Boavista. Quando começou este projecto?
Desde Setembro do ano passado.

Qual a parte que entende por positiva, para já?
A parte positiva. Eu gosto muito de desporto, gosto muito de trabalhar com estes miúdos, faço a parte burocrática da academia em casa, tento ajudar em tudo o que for possível porque me meti voluntariamente neste projecto, não tenho facilidade de estar nos treinos aso sábados de manhã, porque dou formação, mas sempre que posso venho. Acho que os miúdos têm crescido muito e acho que a academia cresceu muito, em quantidade e qualidade.

Voltamos ao mesmo. Falamos de futsal, por ausência e culpa dos outros?
É verdade mas eu aí preciso de ajuda, porque repito, estou aqui para trabalhar com todos e não só com o futsal e desde já estou ao dispor de todas as modalidades amadoras.

As coisas negativas?
As comunicações entre todos os departamentos e escalões, acho que há falta de comunicações interna e de divulgação do nosso projecto. Para além do local para as consultas que considera muito importante, para dar-mos mais condições aos pacientes e acompanhantes e para transmitirmos a ideia real que não trabalho só para o futsal. Isto é muito importante. Outra coisa que falha e que já propus realizar é uma formação de treinadores e dirigentes, no âmbito de comunicação e gestão de conflitos e de motivação desportiva.

Doutora, dentro de alguns meses faremos um novo balanço desse projecto

Entrevista de




Manuel Pina Ferreira

sexta-feira, 30 de maio de 2014

PAULO FREITAS - ANÁLISA O PRIMEIRO ANO DA ACADEMIA DE FUTSAL

Paulo Freitas, acumula os cargos de director da equipa júnior de futsal com igual cargo na Academia de futsal. Foi, nesta última situação, que o contactamos e com ele tivemos uma conversa, durante mais um treino da Academia de futsal axadrezada.


O Paulo é o responsável da Academia?
Sou o director da Academia o coordenador é o Manuel Moreira que vai ser, simultaneamente, o coordenador das equipas de camadas de formação dos Iniciados até aos Benjamins. No dia-a-dia sou o responsável mais directo.

Decorreram uma ou duas semanas, após o primeiro aniversário da academia. Qual o balanço que faz desse primeiro ano?
Tem sido um ano de constante evolução quer em termos organizativos, quer em perspectiva de futuro que é realmente o mais importante. Já tivemos alguns atletas a passar para os escalões de formação – o que é muito importante – considero uma vertente muito importante em qualquer academia, como é importante, a parte da formação do atleta, como das próprias crianças. Nesse aspecto, temos tido vários sucessos, com crianças com maiores dificuldades de comportamento que estão a ficar cada melhor e aqui, também contamos com o departamento médico de psicologia, que existe nas amadoras do Boavista que tem ajudado alguns dos nossos atletas e nessa perspectiva acho que foi um ano de sucesso.
  
Permita-me uma interrupção. Esse departamento é do futsal ou das amadoras?
Efectivamente, esse departamento está ao serviço de todas as modalidades das Amadoras do Boavista e não exclusivamente de alguma.

Como antevê o futuro a curto prazo?
Na nossa perspectiva é que este primeiro ano, sirva como alavanca para a continuidade da afirmação do nosso projecto.

Qual o número de atletas que têm neste momento?
Já chagamos a ter cerca de trinta atletas. Neste momento, temos menos porque alguns, entretanto, passaram para os escalões de formação. Nesta fase, estão a entrar mais atletas e teremos cerca de vinte e cinco.


Qual o número desejado?
Para nós o ideal, com um treino semanal, seriam entre os trinta e os quarenta. Porquê? Porque temos duas turmas, divididas em fachas etárias, para podermos dar mais atenção a  todos os atletas. Temos três treinadores por turma, o que considero muito bom, sendo  possível uma melhor orientação e faze-los crescer ainda mais.

Para os interessados. Vamos relembrar as condições para a inscrição na academia. Quais são os valores necessários?
Não há inscrição, que é muito importante! Temos um valor de dez euros por mês, que é obrigatório. Quer a criança compareça ou não, isto para não se criar a ideia que “eu não estive no treino, logo não terei que o pagar” . assim a mensalidade é de dez euros!

Algumas excepções?
Quando há irmãos, o segundo irmão tem um desconto de cinquenta por cento, tendo a família que pagar apenas quinze euros pelos dois. Temos alguns casos desses. Para além disso temos que adquirir um equipamento completo, que é formado pelo equipamento principal completo e uma camisola de treino, tudo no valor de vinte e cinco euros.

  
Resumindo. Aquilo que nasceu de uma ideia com paixão, ao fim de ano é uma realidade?
Exactamente. O nosso objectivo e, como dizem os treinadores, é acabar com as captações para o futsal. Não esquecer que todos  os nossos treinadores estão na formação do Boavista, que é o caso do João Marques que é o técnico dos juniores, o caso do Nuno Guimarães que é treinador dos benjamins e vai passar para os infantis e o Luís que dá apoio quer aos iniciados quer aos benjamins.
Na minha opinião temos uma equipa técnica muito boa que os observa e os coloca nos respectivos escalões de formação competitiva oficial. Temos miúdos que mesmo não tendo idade para serem benjamins já estão a treinar com eles, porque são a aposta no futuro. No qual desejamos que cada vez menos ajam captações na nossa formação.

No fundo a academia pode ser o primeiro degrau da formação?
É isso que se pretende que miúdos com seis/sete/oito anos ainda sem idade para competir estejam já integrados nesses escalões competitivos.

Como se administra a academia?
Convém dizer que somos completamente autónomos. A academia é independente financeiramente de todos os organismos, quer em despesas quer nas receitas e, mesmo estas receitas, são aplicadas todas na academia. Não existe objectivo de gerar lucros nem de provocar encargos ao departamento de futsal.

Qual a composição do grupo de trabalho?
A Academia é composta pelo coordenador Manuel Moreira (mentor do projecto), actual treinador do escalão de iniciados, pelos treinadores Nuno Guimarães (também do escalão de benjamins), João Marques (também do escalão de juniores) e Luís Cardoso (treinador adjunto dos iniciados e dos benjamins), sendo a parte directiva composta por mim - Paulo Freitas -, pela psicóloga das amadoras Joana Mota Freitas e agora recentemente, com a preciosa colaboração do Rui Resende, também director dos seniores.

Os sábados de manhã serão reservados - na vossa agenda - para os futuros crakes?
Com todo o prazer que isso nos dá, marcamos presença em todos os sábados e continuamos a esperar a chegada de mais jovens para se iniciarem no futsal e para fazerem novos conhecimentos com crianças da sua idade, ajudando-os assim simultaneamente no seu crescimento.

Entrevista de


Manuel Pina Ferreira