domingo, 7 de junho de 2015

ENTREVISTA CONJUNTA. COM MARTA MASSADA E DANIELA SOL

Tínhamos programado uma entrevista formal com duas atletas. Levávamos as perguntas alinhadas… mas quando nos sentamos na mesa, tudo se transformou numa conversa informal entre duas grandes amigas. As perguntas deixaram de existir, porque estas Senhoras transformaram tudo, pareciam ter conhecimento das questões que iriamos colocar… ou simplesmente, sabiam tudo de Voleibol.
Entre risadas… falamos de coisas muito sérias.
Marta Massada e Daniel Sol, ao seu melhor nível

Amadoras – Vamos iníciar por fazer uma apresentação de cada uma. Quem são desportivamente a Marta e a Dani?
Marta – Comecei a jogar com catorze anos na Académica de São Mamede, como inciada de segundo ano e em Júnior vim para o Boavista, onde estive várias épocas como sénior. Em seguida, fui para  o AVC de Famalicão e regressei de novo, ao Boavista. Entretanto, iniciei a minha actividade profissional e o Leixões que tinha acabado de subir à primeira divisão e tinha uns objectivos mais … mais ligeiros... e ingressei no Leixões, para depois deixar de jogar uns anos. Quando voltei, porque o “bichinho” não me largava, voltei ao São Mamede e depois a Dani (sorriu para a Dani) arrastou-me para o Castêlo e agora o Professor Machado arrastou-nos ás duas para o Boavista.
Dani – Eu, comecei a jogar com onze/doze anos e fiz toda a minha formação no Castêlo da Maia e joguei como Sénior alguns anos. Depois fui para o AVC e vim três anos para o Boavista.

Amadoras - Há algum título ou curiosidade que queiram destacar?
Marta – Eu no Boavista, perdi sete finais… para esta amiguinha (riu-se). Os meus títulos, como sénior, tenho uma Supertaça e uma Taça de Portugal. Aqui a  amiguinha tem  muitos mais. Eu tenho muitos “Vices” fui “Vice” em Voleibol, em Universitária, em Volei de praia universitária… muito “vices”.
Amadoras – Campeã de Vices?
Marta – Sim. Nisso sou campeã! (ambas se riram) em títulos dos outros é a dani que tem muitos… uma açambarcadora.
Amadoras – A Dani também tem muitos “vices”?
Dani – conquistei ou catorze ou quinze títulos nacionais…
Marta – Que me roubou! (gargalhada de ambas)…
Dani – Exceptuando o primeiro ano, em todos os escalões de formação fiu Campeã Nacional e como sénior, no Castêlo fui ou seis ou sete vezes Campeã Nacional.


Amadoras – Deixem-me fazer um aparte. Para além de atletas, vocês são, pelo que verifico, amigas!
Dani – Mesmo antes de adversárias e atletas nós já eramos amigas. Não é?
Marta – Eu, direi… mesmo grandes amigas. Mesmo antes de me roubares os títulos.

Amadoras _- Como se dá o ingresso no Boavista?
Marta – Estávamos a jogar no Castêlo e o que nos trouxe para o Boavista foi que o professor Machado é um chato! O Boavista estava na segunda divisão e o projecto ser atacar a primeira divisão, pelo que o “chato” do professor nos conseguiu dar a volta.
Dani – Havia a marcação daqueles jogos importantes para antecipar a subida e por isso o professor nos convenceu para vir “ajudar”. Os jogos não se realizaram, mas nós ficamos.
Marta – Apesar de eu e a Dani, ser azuis e brancas, a verdade é que o temos ambas um “bichinho” muito grande pelo Boavista.
Dani – Ai, ai, ai, vamos ser mortas (riram-se à gargalhada.)
Marta – O Boavista é um clube da cidade do Porto e para mim esta cidade é o mundo. O Boavista é do Porto e assim, eu também sou do Boavista, para além do orgulho que sinto por ter vestido esta camisola. Eu e a Dani, somos (também) Boavisteiras, ninguém tenha dúvidas!

Amadoras- Então não foi o “bichinho” do Volei que vos fez regressar…
Marta – Não. nós estávamos a competir, foi antes o “bichinho” do Boavista
Dani – E o professor Machado!

Amadoras - Como se consegue conciliar a vida profissional, com a vida familiar e a modalidade?
Dani – Primeiro de tudo, com um bom marido!
Amadoras – Bom marido?
Marta – Exactamente, sem um bom marido não há hipótese de conciliar isto tudo.
Dani – O “bichinho” do Volei atacou depois do nascimento dos filhotes, depois de termos sido mães… o bichinho atacou e voltamos ao nosso amor.
Marta – Quando jogava no Leixões, eu sentia-me prejudicada pelas urgências (Marta Massada, é Cirurgiã de Ortopedia) mas depois com a experiência comecei a gerir melhor o tempo. Quando voltei a jogar, o meu Afonso tinha dois meses e eu dava-lhe de mamar antes do treino (riu-se) e treinava.
Amadoras – E agora está à espera de outro tendo jogado estes jogos na condição de grávida…
Exactamente. Até nos liberta ao contrário do que se pensa. Liberta-nos ocupa o nosso espaço e tira-nos e stress. Concordas Dani?
Dani – Concordo, não pensamos em mais nada. (Actualmente desempregada com curso em Gestão de empresas)

Amadoras – um bom marido e uns filhotes… fazem grandes jogadoras de Voleibol?
Ambas – Sim, connosco fizeram!

Amadoras – como consideram que foi a época do Boavista?
Marta – Considero que foi muito boa, mas depois do que vi e conhecendo as meninas… podia ter sido melhor!
Dani – Concordo e lembro-me de as adversárias dizerem que impunha-mos respeito. Depois, com alguma falta de sorte e juntando isso a uma certa imaturidade, a equipa ciu um pouco. Foi uma época boa, mas podia ter sido melhor!
Marta – Toda a gente tinha medo de jogar contra nós. Mas o jogo que marcou a época foi o jogo com o Gueifães, que fomos prejudicados pelo árbitro, esse jogo, mudou a equipa. Na minha história de jogadora, acho que foi a primeira vez, que posso afirmar que este jogo foi influenciado pelo árbitro. Foi mesmo o árbitro que influenciou e decidiu o jogo. Se temos ganho esse jogo (derrota por 2/3) a equipa iria acreditar mais em si para o futuro da prova.
Dani – Senti que tivemos alguma sorte em jogos que disputamos em nossa casa. As equipas de Lisboa não se deslocaram completas e nós vencemos por 3/0 e depois quando lá fomos… perdemos!
Marta – Sim mas quando fomos ao Belenenses, fizemos um excelente primeiro set e depois… desaparecemos do jogo (o diálogo era directo entre as duas). Faltou-nos um bocadinho de maturidade.

Amadoras - Vocês sentiram-se os pilares daquela juventude?
Marta – Sinceramente, acho que tivemos importância, mas que não era necessário nem tão fundamental. Não foi em termos de jogo, porque elas sabiam muito bem, fazer as coisas. O nosso apoio foi mais em termos de serenidade que lhes transmitíamos.
Dani – Se calhar nós ajudámos um pouco a acalmar. Porque muitas delas, não estavam habituadas à pressão. Conseguíamos que elas serenassem, mas  elas têm valor suficiente para não necessitarem de nós.

Amadoras – Vocês "ralhavam" muito com elas no balneário?
Marta – Não. Aliás um dos grandes problemas da equipa era não haver balneário! Era uma equipa muito heterogénea e isso também tem os seus custos.
Dani – Nós, temos mais anos de Voleibol que muitas delas têm de idade. (gargalhada). Acho que nos adoptamos bem a elas e não elas a nós, afinal quem tem pouca idade somos mesmo nós! Elas aguentaram bem a nossa presença.
Marta – E quem ralhava mais com elas era eu e não a Dani. De mim é que elas devem estar cheias (rindo-se). Nós temos a idade que temos! Fomos muito mais “palhaças” que elas, isso é uma verdade.

Amadoras – Falando do professor Machado. Ele está sempre preocupado. Se quero falar antes do jogo… não pode ser! Se perdeu o jogo… nem vale a pena tentar falar! Se venceu… não se pode faltar porque o próximo vai ser muito difícil! Quem é o professor Machado?
Marta – É muito dedicado e isso é pelo feitio que tem e pala dedicação que coloca no que faz. É muito exigente e não é só no Voleibol, é também na sua vida. E digo-lhe uma coisa… está muuuuuuito mais calmo. Ele é muito preocupado, não só em termos de equipa, mas também em termos de pessoas e fica chateado quando as pessoas perdem força e desanimam e nesta luta, troca-se baralha-se todo.
Dani – Mas nesta altura, sabe pedir ajuda, sabe perguntar se é por aquele caminho que deve continuar.

Amadoras – Se voltassem a ter a idade infantil, voltariam a apostar no voleibol?
Marta – Sem dúvida que sim.Tenho muitas saudades desses tempos. Eu comia e respirava Voleibol
Dani – Claro que repetiria tudo e  temos muitas boas recordações. Nós se pudéssemos murávamos num pavilhão. Não tenha dúvidas. A minha mãe chegava a dizer para eu levar a cama e ficar lá  a dormir.

Amadoras – O convite feito pelo engenheiro para continuar ainda não tem resposta negativa definitiva?
Marta – Eu tenho que adiar por uns meses…
Dani – Tenho as minhas filhas no Castêlo, mas se não continuar ainda virei cá fazer uns treinos.

Amadoras – O que representou para vocês estarem nesta fase (de novo) no Boavista?
Marta – Para mim foi muito bom estar nesta caminhada do Boavista, mas tenho pena de ver que as coisas não são como antigamente. Tínhamos o pavilhão cheio, os adeptos conheciam-nos e chamavam por nós nos autocarros etc… agora as coisas são diferentes, andamos deslocados, não temos pavilhão. Mas é gratificante ver que as pessoas que cá estavam continuam a lutar e não desistem do futuro. Quem chega cá e conhece estas pessoas que não desistem entra na luta e também resiste. O Boavista é um marco da minha cidade, como o Porto. Tenho pena que não esteja no lugar a que tem direito, mas nós estivemos aqui para ajudar na luta pela recuperação.
Dani – O Boavista não me diz tanto como à Marta, porque estive cá menos tempo, mas fui muito bem recebida por todos. Mas nesta hora de reconhecimento, tenho que salientar o senhor Sousa, antigo director, a Dona Graziela e o José Manuel Palmeira que foi ele que segurou o Voleibol do Boavista, numa fase muito complicada com problemas financeiros. Era de inteira justiça referir o nome do José Manuel, pelo que ele significa para este clube.
Marta – Acrescento que foi na altura da construção do novo estádio em que começaram a aparecer problemas financeiros, tínhamos atletas profissionais e estrangeiros e ele aguentou todos os problemas com firmeza. O José Manuel é um marco na história do Voleibol do Boavista e fará sempre parte da sua história.

Amadoras- Como pode um clube como o Boavista sobreviver com estas condições de treino para um equipa de primeira divisão treinar em três pavilhões?
Marta – É muito grave e prejudicial para nós e para o Boavista. Nós jogávamos sempre fora de casa. Nós jogávamos no Fontes, mas só tínhamos um treino por semana no Fontes. Jogavamos sempre fora de casa.
Dani – O Boavista tem que ter um pavilhão! Não é possível um clube deste tamanho, não ter um pavilhão. O Boavista é um clube demasiado grande com um peso enorme nesta cidade para não ter um pavilhão. Por mais que se considere importante o futebol, não é possível encarar o futuro sem ter um pavilhão.

Amadoras – As condições de treino afecta o desempenho das jogadoras nos jogos, principalmente nos serviços?
Marta – Principalmente nos serviços. Os meus serviços que não são perto da linha, não os conseguia fazer no Carolina. Como os meus treinos eram essencialmente no Carolina e eu não vinha a outros… nunca treinei numa época os serviços. Como tenho muitos anos de voleibol, conseguia controlar um pouco isso, mas as miúdas com pouca experiencia, sentiam e vão continuar a sentir imensas dificuldades nos jogos e ficarão prejudicadas na sua evolução.
Dani – O sucesso do gesto desportivo vem da repetição e do treino. Treinar um serviço no Clara é simplesmente enviar a bola por cima da rede, nada mais. Num jogo é totalmente diferente. Senão treinarmos não há milagres. Agora as mais velhotas como nós conseguimos disfarçar. (gargalhada geral)

Amadoras - Comentem esta frase do engenheiro no jantar. “ vós não sendo boavisteiras, fazeis mais pelo Boavista que muito Boavisteiros”. Que dizem sobre isto?
Dani – Para mim, o que ele quis, foi salientar a fase que passamos de treinos para além dos afazeres profissionais e familiares. Os nossos fins-de-semana em família foram muito reduzidos. Tivemos que abdicar de muita coisa para jogar. Mas jogar é uma coisa que nós gostamos de fazer.
Marta – Quando eu vim para o Boavista aos meus dezasseis anos, principalmente entre as gentes mais velhas havia muita rivalidade entre Porto e Boavista. A minha avó ficou muito chateada por eu ter vindo para o Boavista, mas depois de ver como fui recebida e tratada, foi a primeira a reconhecer que o Boavista não era nada do que se dizia. A seguir veio para cá o meu irmão. Hoje, tenho cá o meu enteado. Entre mim e o Porto existe um problema de saúde, porque eu sou maluca pelo Porto. Mas… mas eu defendo o Boavista com a mesma força com que defendo o Porto. São os dois da minha cidade, são os dois os meus clubes e podem crer que entre a juventude muita gente pensa assim. Do outro lado da cidade, nós preocupamo-nos muito com a fase que o Boavista atravessa. Mas preocupamo-nos mesmo muito.  Qualquer Portuense tem que defender o Boavista. São clubes rivais… mas são irmãos!

Amadoras- Como vêem o desporto feminino em Portugal?
Marta – Qual desporto feminino?
Dani – Isso existe em Portugal?
Marta – Mas apesar de tudo o apoio ao voleibol feminino está maior e melhor que no nosso tempo. Nós na selecção jogávamos com as camisolas que os rapazes usavam. Eles acabavam o jogo e davam-nos as camisolas deles que nos chegavam aos joelhos. Uma vez numa fase de apuramento para o europeu aqui no Rosa Mota, foi o professor Machado que nos foi comprar meias, porque nós não tínhamos meias para jogar. Agora tê uma professora cubana, têm centro de estágio etc…

Amadoras - Para o voleibol de pavilhão é importante o voleibol de praia?
Dani – O volei de praia é importante por ele próprio, para o vólei de pavilhão não considero muito significativo.
Marta – Defendo que até deveriam estar desligados. Em condições ideias deveriam estar separados, mas no nosso país por causa das condições atmosféricas e ao facto de terminando um  campeonato se poder começar o de  praia, dá para fazer os dois mas o ideal seria separar os dois.
Dani – Se quisermos evoluir será isso que temos que fazer. Mas no nosso tempo nós pegávamos numa bola e íamos para a praia, agora tudo se alterou.
Marta  - Para muito melhor... A Daniela (jovem jogadora do Boavista, que joga as duas variantes) tem as condições que não existiam no nosso tempo. Agora quem tem potencialidades, como a Daniela tem que trabalhar e andar em frente.
Dani – Mas, devo dizer que se contam pelos dedos as miúdas que são raçudas no jogo. O nosso querer é muito superior ao querer de muitas das actuais. Há muitas barreiras para vencer e são muito poucas as que estão prontas para superar os seus limites. Serão essa as que vão continuar e vencer.

Amadoras -Vamos terminar, enviando uma mensagem para as vossas filhas adoptivas da equipa. Quem “ralha” primeiro?
Marta – O que sempre lhes disse. a postura no jogo é a nossa postura na vida. Num espaço de hora e meia de jogo nós podemos viver todas as situações que a vida nos impõe. Se formos espertas vamos aprender dentro do campo situações que nos vão ser úteis na vida.
Dani – É muito importante… saber ouvir! Sem mas nem meios mas… simplesmente ouvir. Perceber porque é que aquilo é importante para mim, quando me disseram isso! Saber ouvir e interpretar.
Marta – Temos que melhorar, sempre todos os dias. Superar-nos a nós e ser competitivas com as outras . não é crime ser competitivas com as colegas.
Amadoras – Nem estraga amizades…
Dani – Não, não estraga. Veja o nosso exemplo. Somos grandes amigas e passamos a vida a competir entre nós.

Amadoras – Não vamos individualizar, mas como prevêem o futuro das miúdas do Boavista?
Marta – Há ali grande potencial. Bastará lutarem contra os seus limites que o futuro aparecerá e não precisam de nós para nada.
Amadoras – Vamos abrir uma excepção para a capitã. A Catarina pareceu-me sempre tão diferente do que era. Porque terá sido?
Dani – Talvez por nossa causa, se tenha sentido um pouco inibida e tenha perdido a autoconfiança, mas ela tem condições para superar e tem grande potencial. Talvez com a saída das velhotas ela volte a sentir-se mais livre


Amadoras – Como vêem a formação das jovens?
Dani – Mal, está muito mal. Nós tiramos o nosso curso e treinávamos muito mais que eles treinam agora e dá para fazer tudo ao mesmo tempo, porque eu fiz.
Marta – Há dois estados de espirito nos pais portugueses. O do “coitadinho” em que os filhos coitadinhos ou estudam ou se esforçam… coitadinhos é muita coisa junta! Ou o de esperar que os filhos sejam o Cristiano Ronaldo da Modalidade. Ambos estão errados. Eu sou esposa. Sou mãe, sou ortopedista e jogo… dá para fazer tudo.

Amadoras – Mas há quem defenda que formar não é lutar por vitórias…
Dani – Que formação é essa? O atleta tem que ser formado na base da vitória, muitas vezes vi que as nossas jovens convivem demasiado bem com a derrota.
Marta – Dou um exemplo do que a Dani está a dizer. No jogo com o Belenenses em Lisboa, desistimos do jogo no segundo set, depois de um excelente primeiro set. a Dani estava no chuveiro a chorar, ao tomar duche e a miúdas estavam na risota…não sentiram a derrota! Demasiado habituadas a aceitar a derrota. A derrota nunca se aceita! Uma pessoa que aceite facilmente a derrota, vai ser um “manso” toda a vida. Nunca será respeitado. Isto também é formar.

Ficaríamos todo o dia a conversar, mas temos que parar… o que sentem estas Senhoras pelo voleibol?
Marta – Saudade

Dani – Que grande saudade

Entrevista de 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

BRUNO FERNANDES, FAZ BALANÇO DO PRIMEIRO ANO DO KICKBOXING NO BOAVISTA

O Kickboxing, vai completar o seu segundo ano nos quadros das modalidades axadrezadas. Para registar esse facto e efectuarmos um resumo sobre a actividade, entrevistamos o director do departamento, Bruno Fernandes.

Nestes dois anos, foram atingidos os objectivos a que se propuseram no início?
Os nossos objectivos foram excedidos, ultrapassando as nossas expectativas. Nestes dois anos e contabilizando apenas as classificações com direito a pódio, isto nos três primeiros lugares, tivemos vinte e um atletas, o que só por si, diz tudo sobre o que conseguimos.

A nível de atletas/alunos, pode quantificar o total?
A nível de competição, que são atletas oficiais, temos muitos. A nível de alunos/atletas de manutenção temos neste momento quarenta e dois inscritos.
Com quantos começaram?
Com poucos… meia dúzia (sorrindo).

Neste caso, foi um sonho, que se transformou rapidamente em realidade?
Sim, foi subindo sempre, o que nos satisfaz, obviamente.

Quando se fala em artes marciais nos clubes, fica a ideia que isso é um projecto de cariz individual e não, propriamente do Clube? Sentiu isso neste vosso projecto?
Não sei se alguém pensou assim, mas nós fomos trabalhando e neste momento, não tenho dúvidas de dizer, com convicção que o Kicboxing é uma modalidade totalmente do Boavista Futebol Clube.

Foi fácil?
Fomos trabalhando calmamente porque sabíamos o que queríamos e com a obtenção de títulos as pessoas apareceram e as coisas começaram a crescer. É mesmo assim, vamos crescendo e as coisas vão evoluindo.

O facto de seres conhecido como um dos Boavisteiros de sete-costados ajudou?

Penso que sim!
Quais os objectivos a curto-prazo?
Teremos este fim-de-semana, a Taça de Portugal, onde estaremos representados por nove atletas. Teremos os Regionais em Julho, campeonatos da zona Norte. Depois, teremos em Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro, competições de Galas Oficiais. Para além destas provas teremos as Galas de Clube e de Ginásios, mas aí será por convites dos atletas.

Quais as idades dos atletas de manutenção?
O mais novo que temos. Tem doze anos e o mais velho, cinquenta e quatro. Dos cinco aos noventa e nove… podem treinar.

Quais as condições para a inscrição dos interessados?
A primeira, terá que ser sócio do Boavista.

Não sendo?
Tem que passar a ser.

As outras condições?
Tem que pagar uma mensalidade de vinte euros, com direito a três trinos semanais para a manutenção, com aulas nas segundas, quartas e sextas, com a primeira aula das dezoito ás vinte e a segunda das vinte às vinte e uma e trinta. Os atletas de competição treinam todos os dias.

Quais as dificuldades, que se deparam de momento?
Há sempre dificuldades em tudo na vida, mas vamos resolvendo sempre como se pode. Neste momento, temos que resolver as viagens dos atletas seleccionados para o Mundial, em representação de Portugal.

Ainda não está resolvido?
Não! Vamos esperar saber se a Federação, paga ou participa parcialmente nas deslocações dos nossos atletas, caso contrário, teremos que angariar receitas apara as viagens. Estas são as dificuldades de momento, porque já temos patrocinadores para as provas nacionais.

Até onde podeis continuar a crescer?
Nós não queremos crescer muito. Nós queremos é muitos títulos.

A competição é o mais importante?
Obviamente. Quem quiser treinar manutenção pode vir, que aprende muito, mas a nossa luta é mesmo a competição e o objectivo, conquistar títulos.

O Boavista no Kickboxing, já é uma referência?
Não duvide que é mesmo!

sábado, 7 de março de 2015

DANIELA SILVA - A PANTERA DO VOLEIBOL

Daniela Silva, é uma jovem voleibolista da equipa sénior. Simpática e muito activa, divide o seu amor ao Volei entre o pavilhão e a praia, mas com uma intensidade tal, que cedo conquistou os adeptos axadrezados.

Quem é a Daniela e onde começaste a jogar Voleibol?
Comecei no SC Arcozelo, por volta dos meus oito anos de idade. Joguei nesse clube cerca de sete anos, fazendo aí a minha formação. Depois de vários problemas no clube, optaram por suspender a secção e assim passei a jogar no SC Espinho. Em Espinho, joguei em Juvenis e no primeiro ano de Júnior, estando nesse clube apenas dois anos. No final dessa segunda época, fui convidada para vir para o Boavista e aceitei.
Então há quantos anos estás no Boavista?
Este é o meu segundo ano, vim ainda com idade para jogar nas juniores, mas nunca joguei nesse escalão pois sempre pertenci à equipa sénior, desde que cá cheguei.
Quem determinou esse facto?
Foi o professor Machado (treinador principal) que não quis que fosse para as Juniores.
Jogadora de elite?
Não é isso, mas… gostei da aposta do professor (riu-se)

Qual a tua posição em campo?
Actualmente, sou Libero, mas até ao escalão de juniores era atacante e ainda agora, sempre que o professor precisa, jogo alguns jogos a atacante, mas preferencialmente gosto de ser libero.
Terminada a primeira fase do campeonato e quando vamos entrar na fase decisiva, com vês a prestação da equipa neste campeonato da primeira divisão?
Com a equipa que temos e tendo em conta, que o plantel foi formado para jogar na segunda divisão atacando a subida, como objectivo principal, considero que realizamos uma boa prova na primeira divisão. A nossa primeira ronda, correu muito bem, estivemos várias jornadas nos primeiros lugares, conseguimos vencer um set ao Leixões enquanto algumas equipas que acabaram nos primeiros quatro lugares não o conseguiram.
Positiva no teu entender esta prestação?
Sim, claramente. Nós temos um plantel com uma média de idade de vinte e dois, vinte e três anos, com grande margem de progressão. Temos seniores de primeiro ano que nunca tinham jogado por seniores e muito menos numa primeira divisão. Não podemos comparar esta divisão com nenhuma outra.

Mas concordas que a equipa teve uma quebra, que a empurrou para a luta pela manutenção?
Temos algumas jogadores que só conseguem fazer dois treinos por semana e isso acabou por ter influência nessa descida de forma e com resultados menos positivos
Vamos entrar na nova fase da manutenção qual a vossa ambição?
O nosso objectivo nunca foi estar neste grupo e mostramos durante o ano que temos equipa e valor para ficar no grupo superior, mas por vários motivos estamos neste. O que eu sinto e todas sentimos é que vamos encarar os jogos como decisivos, respeitando as adversárias, mas considero que não vamos ter qualquer percalço para vencer este grupo. Todas as equipas terão possibilidades, mas acho que a nossa é a mais forte do grupo das últimas quatro.
Manutenção assegurada?
Vamos lutar e dar tudo para isso e estou certa que sim. Ficaremos na primeira divisão.
E para o ano?
Com mais tempo para os treinos e com uma outra entrada vamos formar uma equipa mais forte, para lutarmos para lugares mais cimeiros. Este ano tivemos atletas a treinar duas vezes por semana e mesmo assim considero que poderíamos ter conseguido melhor. Perdemos por 3/2 com o Gueifães que está nos quatro primeiros, lutamos de igual para igual com o Belenenses, neste último jogo. Penso que com mais um pouco e, continuando a trabalhar como até aqui, podemos ameaçar ficar nos quatro primeiros e no mínimo ficar, à vontade, no segundo grupo.

Estar presente na Final-four da Taça de Portugal é significativo?
Concordo que é um feito e ainda para mais com um jogo difícil na Madeira, em que a viagem sempre atrapalha bastante. Mas temos todo o mérito para estar na final.
Eu sei que és uma apaixonada pelo Volei de praia. Não é cansativo jogar somente com uma colega e uma equipa ser formada somente por um par?
Para além de cansativo, nesse aspecto, temos a acrescentar o piso de areia que nos cansa muito, mas o Volei de praia é um mundo à parte do Volei de pavilhão!
Porquê?
Vê-se outra raça nas jogadoras, vê-se outra maneira de jogar, tem muito público a apoiar e assistir aos jogos. O público comparece nem que seja só para ver as meninas. É outro mundo…mesmo.
A ambição da Daniela vai até onde?
Eu quero chegar longe, o primeiro passo, quero voltar a representar a selecção.
Já jogaste na selecção Nacional?
Sim representei Portugal no escalão de Júnior e adorava um dia representar a selecção de seniores. Desejo ser um dia campeã nacional que seria um feito para marcar a minha desportiva de vez.
Voltando à praia. Tens dupla certa para os teus jogos?
Sim para o campeonato Nacional faço dupla com a Ana Gomes, do Esmoriz, na selecção Nacional de Praia, são os técnicos que escolhem a dupla e tenho jogado com a Vanessa Paquete do PortoVolei. Juntas, já representamos Portugal.
Uma questão que me confunde. Sendo tu tão “nova” no Boavista, é fácil verificar que tens um grupo de fãs especial. Todos apoiam todas as jogadoras mas a Daniela é especial. Como explicas isso?
Ora bem… eu sou das pessoas que gosta de honrar o símbolo da camisola e dou tudo dentro do campo. Tudo mas mesmo tudo. Sempre fui assim, mas confesso que desde quase cá cheguei verifico que há muita simpatia com a minha pessoa. Talvez pela raça que imponho no jogo. Eu sei que cativei várias pessoas em especial o Paulo Ricardo, o Octávio…
Bem, esses adoram-te…
(riu-se) mas é verdade, sinto-me muito acarinhada. Mesmo as minhas atletas, e através do Faceboock muita gente, me diz que eu sou a imagem que gostam de ver, que honro o Clube, dizem que eu sou uma verdadeira pantera.
Orgulhosa?
Claro! É bonito ouvir esses comentários mas o importante é sentir que as pessoas reconhecem a forma como me entrego ao jogo.
Nos intervalos das seniores, és adjunta das iniciadas. Com quem trabalhas?
Com o professor Alexandre.
Uma mensagem para terminar?

Queria pedir que os adeptos apoiam-se mais o Voleibol feminino. Passaram a ver os jogos, porque o  desporto não é só futebol. Espero ver mais gente nos pavilhões quando jogamos

Entrevista de

 Manuel Pina

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

EVARISTO RIBEIRO E JOSÉ MARTINGO, EM ENTREVISTA DUPLA

Como (já) é do conhecimento dos adeptos axadrezados, a equipa sénior do andebol sofreu uma alteração a nível de orientação técnica. Reunimos os dois treinadores, Evaristo Ribeiro e José Martingo, que formam a nova equipa técnica e realizamos uma entrevista conjunta.


Começamos pelo técnico principal, Evaristo Ribeiro. Como se processou o vosso ingresso no comando do Boavista?
Evaristo - Um dia de manhã fui contactado pelo meu amigo, José Martingo, que me perguntou o que pensava sobre assumir o comando do Boavista. A nossa relação de amizade e de trabalho já vem de uns anos a esta parte e se nos últimos seis anos, o José esteve sempre comigo e nunca me abandonou, quase senti a obrigação de lhe dizer que sim, dado que facilmente percebi que ele queria aceitar tão honroso convite.

Pelo que verifico, vocês para além de amigos formam uma equipa. Vamos começar por identificar primeiro o Evaristo. Quem é o Evaristo Ribeiro no andebol?
Evaristo - Para quem não me conhece devo dizer que ingressei no Andebol com dez anos de idade. Neste momento, tenho cinquenta o que equivale em dizer que tenho quarenta anos interruptos de andebol. A minha formação foi toda feita no FC Porto, depois saí uma época para a Sanjoanense. Estive, no ABC de Braga, com o técnico António Cunha, durante cinco épocas e regresso ao FC Porto.
Jogador de elite do nosso andebol?
De elite não. Era um atleta sempre disponível para trabalhar e bom colega de balneário, que ocupava um lugar de certo modo ingrato no campo.
Qual era a sua posição?
Era guarda-redes, numa altura em que apareceram vários jogadores internacionais com valor para esse lugar, eu fiquei um pouco na sombra, mas sempre a fazer o melhor que sabia em prol da equipa. Depois a partir dos meus vinte e três anos foi me dada a oportunidade para começar a treinar e daí até aqui, nunca mais parei.
Na condição de treinador, quais os clubes onde passou?
Passei por vários clubes, como por exemplo, Académico do Porto, Nuno Alvares, Leça, Gaia e Cal.
Sempre continuamente?
Sempre seguido, no momento, era minha intenção fazer um  pequeno interregno, porque  pensei dar um novo rumo à minha vida, mas o José e o Boavista “obrigaram-me” a mudar de ideias e vou continuar.

Vamos agora conhecer o José Martingo. Fale -nos do seu passado. Quem foi no mundo do andebol, o José Martingo?
Martingo - No passado e no presente! Porque ainda continuo por cá. Comecei cedo, com nove anos. Comecei e completei todas as etapas de formação até sénior no Salgueiros. Neste clube, fiquei até terem extinto a secção de andebol, entrei para o Académico, passei pelo S. Mamede, Santana e Sª da Hora onde encontrei o meu amigo Evaristo, que era o treinador e me convidou para ingressar no clube. A partir daí a nossa carreira é conjunta.
Já como treinador?
Não. Eu prolonguei muito a minha carreira de jogador. No Senhora da Hora, ainda estive quatro anos e depois acompanhei-o para o CAL, eu ainda como jogador e ele treinador. Terminei aí a carreira de jogador e passei para treinador com o Evaristo.

Falemos do Boavista. Neste projecto actual o clube aposta na permanência constante nos primeiros escalões. A equipa caiu um pouco a nível de resultados. Pergunto, chegaram a tempo de evitar sobressaltos ao deveriam chegar mais cedo? A manutenção será fácil ou difícil?
Martingo - Vamos por partes. Só passam os quatros primeiros para a luta pelo título e penso que deste modo, será muito difícil intrometermo-nos nessa hipótese, até admito que já não hipóteses.

Então falemos da manutenção neste escalão. Fácil?
Um clube com tal historial e nome como o Boavista, não pode ficar em modalidade alguma a jogar pela simples manutenção, tem sempre que jogar para lugares mais altos. Assim. Considero que devemos primeiro consolidar a posição na segunda divisão e depois apostar em voos mais altos como é ambição num clube de tal emblema.
Mas este ano é manter a equipa neste escalão. Pergunto ao Vilarinho, concorda comigo?
Vilarinho – O que nos  foi pedido quando tomamos conta da equipa, foi manter a equipa neste escalão, não vai ser fácil mas acho isso possível.
Não vai ser fácil?
Não, repito. Mas acredito ao ver que o grupo de trabalho tem qualidade e está unido nesse projecto. Estão a trabalhar muito bem. Eles querem ajuda para o seu trabalho e nós estamos aqui para dar essa ajuda e todos juntos iremos conseguir, com algumas dificuldades iremos conseguir atingir os nossos objectivos. O Boavista é um clube de massas de adeptos e garantido a continuidade do clube neste escalão, poderemos no futuro ambicionar mais que a permanência.

Acreditam que é possível colocar na próxima época o Boavista a lutar pelos primeiros lugares?
Vilarinho - Se mantivermos a grande maioria destes jogadores e colocarmos aqui mais três elementos do nível dos que já temos, mantendo igualmente as condições de trabalho, como temos feito, considero que o Boavista tem condições para lutar – repito – a lutar pelo apuramento para uma fase final.
Isso é importante?
Uma das coisas que eu desconhecia era que o Boavista tem muita formação, mesmo muita. Ora se tem uma equipa de Juniores a lutar pela subida ao escalão principal, com praticamente garantida a passagem à fase final. Temos todo interesse em termos a equipa júnior na primeira divisão nacional. Quando se forma com tanta qualidade, tem que forçosamente se apontar para que  os escalões  mais altos ao mais alto nível.

Mas será possível imaginar o Boavista na primeira divisão a lutar contra colossos com grandes orçamentos?
Martingo – Acho perfeitamente possível esse facto, senão vejamos. Os orçamentos actuais não têm nada a ver com os orçamentos de há uns anos atrás. Tirando os habituais candidatos ao título os orçamentos dos outros clubes, são muito reduzidos. Há muitos jogadores a jogar na primeira divisão sem receber qualquer valor. Numa filosofia parecida com essa o Boavista tem todas condições para jogar na primeira divisão. Terá que haver um novo investimento mas não muito diferente do actual para atingir este patamar.
Estão prontos a conseguir esse objectivo?
Martingo - Obviamente se estudarmos bem o projecto, podemos perfeitamente conseguir
Vilarinho – Sim desde que se trabalhe em profundidade, nós estamos consciente que é possível.

Vocês vêem substituir um amigo, numa situação sempre desagradável. Desejam enviar uma mensagem ao Eduardo Ferreira?
Evaristo – Eu fui apanhado de surpresa e penso que o José também. Em muitos anos de andebol é sempre possível que esta situação aconteca com qualquer treinador. Mais importante que as pessoas é o clube e as pessoas que o dirigem já tinham tomada a decisão e deixado em aberto o cargo. Eles é que dirigem o clube e acharam que era o momento para a mudança. Mas eu realço, que mais importante, que o treinador são os jogadores que têm que se manter unidos e a dar continuidade ao trabalho. Não sei o que correu mal e por mim, estou á vontade, porque lhe confesso, nunca tinha visto o Boavista a jogar, nem conhecia a sua vida interna.
Martingo – Nós fomos convidados pelo director da equipa, Fernando Oliveira, que tinha assumido interinamente a equipa. Quando fomos convidados havia um vazio no comando da equipa, não viemos substituir ninguém, porque nessa altura o nosso amigo Eduardo já não estava vá.

Quantos jogos faltam e qual a meta final?
Martingo – Nós temos uma meta pessoal que não divulgamos a ninguém, mas faltando nove jogos, sempre lhe digo que queremos conseguir a manutenção acima do meio da tabela.
Evaristo – Se analisarmos a tabela vemos que alguns clubes têm uma diferença significativa sobre nós, mas acho que é possível atingir a meta que idealizamos.

Vão lutar pela permanência e simultaneamente preparar a equipa para o ano, ou pensar apenas nesta época?
Martingo - Não sei se vai ser comigo, com o José ou com os dois ou ainda com outras pessoas, que se vai jogar para o ano. Mas vamos tentar mudar algumas coisas e que acho ser razoável conseguir mudar.

Muitas pessoas acusavam a equipa de jogar demasiado pelo pivot e centro. Essa estratégia vai ser alterada?
Evaristo - Essa é a filosofia do Eduardo, que não se pode questionar, mas nós pretendemos dar mais largura ao jogo e liberdade ao jogador para utilizar os flancos.

Martingo – Eu nunca vi o Boavista jogar, por isso não comento isso, mas sempre lhe posso dizer que neste momento, os golos que obtemos estão mais divididos por todos jogadores o que demonstra a nossa filosofia de jogo.

Entrevista de 
Manuel Pina

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

BUNÉMIA GOMOS, UMA VOLEIBOLISTA QUE VAI SER ADVOGADA

Bunémia Gomes, foi uma das últimas aquisições para a equipa sénior do Voleibol axadrezado. Vamos conhecer melhor esta jovem Guineense, sempre pronta a responder e com um constante sorriso, é conhecida na modalidade como, Bu Gomes.


Quem é a Bu?
Sou natural de da Guiné-Bissau e neste momento, estudo em Portugal, na Universidade Lusíada no curso de Direito e jogo voleibol no Boavista.
Há quanto tempos estás em Portugal?
A cerca de nove anos.

Vamos falar um pouco do passado. Antes de ingressares no Boavista em que clubes jogaste?
A época passada, joguei no Ribeirense do Pico e anteriormente joguei no Múrcia em Espanha e também no Ala de Gondomar.

Como nasceu o gosto pela modalidade, foi cá ou já vem da Guiné?
Foi cá que ganhei este prazer de jogar Voleibol, à cerca de nove anos.

Como surgiu?
Comecei a jogar no desporto escolar, na minha escola de Aveiro. Depois passei para o CV Aveiro, onde fiz a minha formação. Posteriormente, mudei residência para o Porto e passei a jogar no Ala de Gondomar.

Durante estes anos de voleibol, tens algo que te marque pela positiva e que consideres significativo?
Fiz parte da selecção Nacional de Portugal, onde espero voltar.
Então já és cidade portuguesa?
Sim, tenho a nacionalidade portuguesa.

Falemos da tua aventura em Espanha. Jogaste como profissional?
Sim, em Espanha jogava exclusivamente voleibol e considerei esssa fase, uma aposta que quis experimentar, dedicando-me de forma  profissional ao jogo. Penso que é uma experiencia que todas as atletas desejam fazer, para conhecerem a realidade lá fora.

E que diferenças encontraste?
Em Espanha o trabalho é muito mais intenso e mais exigente. Eu, basicamente, só treinava e mesmo assim sentia que era muito exigente, claro que estamos a falar de trabalhos de uma equipa profissional.

Passemos a falar do Boavista. Como se dá o teu ingresso no Clube?
Foi através do Professor Nuno (treinador adjunto do Boavista) que aproveitou o conhecimento com algumas das minhas colegas da época passada e me convidou a ingressar no Bosvista.
Foi fácil?
Bem… a minha intenção era parar com  o voleibol por um tempo e dedicar-me exclusivamente aos estudos este ano. Mas o professor, acabou por me convencer e aqui estou com muito orgulho.

Pelo que vejo, consideras os estudos como prioridade?
Exactamente, os estudos são muito importantes e estão à frente de tudo. Preciso de tratar do meu futuro.

Neste momento, o Boavista conseguiu a desejada subida ao primeiro escalão. Como te sentes no clube?
Para já, muito bem! Mesmo estando fora do Boavista, reparei no esforço e na intenção da subida, durante as últimas épocas e fico contente, por o terem conseguido, depois de tanto terem batalhado por esse objectivo.

Foste alguma vez adversária do Boavista?
Uma vez. Em jogo da Taça de Portugal.

Como analisas a vossa participação na primeira divisão?
Eu considero muito boa. Para uma equipa estreante neste escalão, temos feito um campeonato sossegado e dentro daquilo que nos pode ser exigido.

Objectivos?
Acima e primeiro de tudo, manter o Clube na primeira divisão. Continuar a trabalhar como até aqui e dar o trabalho que temos dado, a outras equipas com maiores ambições, de momento, que nós.

Vais continuar no Boavista?
Vamos ver o que o futuro diz. Vou ver se é possível manter este equilíbrio entre estudo e treinos, ou se as exigências dos estudos o impedirão. De todo o modo, no momento, penso que irei conseguir conciliar as duas coisas e continuar no Boavista, se estiverem interessados na minha continuidade.

Como te analisas tecnicamente?
O meu ponto fraco é a recepção, sou jogadora de zona quatro, gosto de defender e penso que o meu ponto mais forte é o serviço.

Entrevista de 
Manuel Pina