quarta-feira, 28 de julho de 2010

NUNO ANDRADE, CAMPEÃO UM EXEMPLO DE FÉ AXADREZADA

Nuno Andrade jovem de vinte e sete anos, é conhecido por muitos (somente) como o treinador adjunto da equipa de juvenis de futsal, que se sagrou campeã Nacional, mas o Nuno ultrapassa em muito isso.
É o maior Boavisteiro do mundo (admite que possam haver outros iguais a eles, mas maiores não existem), é um homem que tem sempre um sorriso nos lábios mesmo quando em seu redor reina o desespero, é perito em dar a volta aos textos. Assim, esta entrevista teria que ser á sua imagem.
Sem fio de jogo… jogando como a bola surgia mas sempre em profundidade.
AS ORIGENS
És sócio do Boavista há quantos anos?
Há dezoito anos (
depois de fazer contas de cabeça) tinha nove anos.
Já perdoaste ao teu padrinho por te pôr o nome de Andrade, em vez de Pantera?
Não fico contente… não fico contente por ser Andrade, mas há coisas na vida que temos que levar com elas. (
estavam abertas as hostilidades).
Conheci-te no futsal, mas depois verifiquei os teus conhecimentos no futebol. Qual é a modalidade que gostas mais?
Nasci a ver futebol de onze e mais tarde apaixonei-me pelo futsal.
Como nasceu o treinador de futsal?
Joguei futsal num clube amador que era o Forenses Clube do Porto, joguei durante dez anos. Durante esse tempo fui operado por duas vezes ao joelho, fui analisando e apreendendo com todos os treinadores e um dia optei por tirar o curso de treinador. Por circunstâncias da vida comecei a trabalhar no ramo de hotelaria e adiei o meu inicio nas funções, por motivos de os horários não serem compatíveis.
Tinhas que começar no Boavista, era o era…
(rindo-se) Surgiu um convite do Sérgio para colaborar com ele e comecei no meu Clube.
Já o conhecias?
Conhecia-o como Boavisteiro e viver o Clube como eu vivo. Ele soube que eu tinha alguns conhecimentos de futsal e que desejava colaborar com o clube e juntamo-nos neste projecto. Eu não estou a pensar em fazer carreira na modalidade, estou aqui porque é o Boavista FC. O meu primeiro objectivo é ajudar o Boavista.
A hierarquia está invertida, tu tens um curso mais antigo que o treinador principal. Não devias ser tu a mandar?
Deveria… (rindo-se muito) eu deixo o Sérgio mandar, mas sempre com o olho em cima dele…
O TÍTULO NACIONAL
O que sente um treinador ao ser Campeão Nacional?
O nosso objectivo, é ganhar todos os jogos. Se isso nos trouxer um título, um torneio, nós ficamos contentes, acima do nosso trabalho é pelo trabalho dos miúdos. Para eles poderem dizer no futuro que com treze anos foram campeões de iniciados, com quinze foram campeões de juvenis e quando nos virem a mim, ao Sérgio, ao Simas, ao João, ao Bruno, na rua (daqui a uns anos) que foi connosco que o conquistaram. Para mim tudo é importante, seja o torneio do Gaia, o campeonato distrital…
Mas um Nacional… (interrompemos) é superior!
O que nos trouxe de mais o Título Nacional foi a divulgação do nome do Boavista FC a nível de todo o país, isso é que é normal e estamos habituados, pois somos um clube de nível nacional.
Há pouco torceste o nariz, na anterior pergunta. E qual foi a sensação como Boavisteiro?
Foi voltar às velhas alegrias! E acima de tudo, porque neste momento toda a gente olha para o Boavista com um olhar diferente daquele que o Clube merece. O Boavista merece ser visto como o quarto grande, um clube que já levou o nome de Portugal por essa Europa fora, que era temido por muitos clubes Europeus. Este título foi útil para recordar esses tempos pelo menos aos portugueses.
Então explica-me lá, esta questão. Como vê um Boavisteiro que o título conquistado, seja mais reconhecido pelo Sporting CP, que pelos próprios Boavisteiros?
Acima de tudo o Sporting sabia que tinha uma grande equipa e que era candidato à conquista do título e sabiam que só uma grande equipa lhes poderia tirar essa conquista. Nós tivemos uma primeira experiência desagradável com o Sporting no torneio do Gaia e sabíamos a sua categoria. Eles no campeonato de Lisboa em que só cederam um empate, com um plantel repleto de jogadores de grande valia, sabiam que só uma igual ou superiores a eles lhes podia tirar esse título.
Nem parece teu… a fugir à questão.
Foram dois jogos de grande espectáculo e – pronto aí vai – porque eles têm uma ligação às modalidades superior a nós. Hoje eu sinto que os sócios do Boavista voltaram a dar outro valor às modalidades, talvez devido à situação do clube, mas sinto o regresso dos sócios. Eu considero de certa forma normal, porque as conquistas que futebol de onze do Boavista teve nos últimos vinte anos, acabaram por engolir um pouco o que as Amadoras iam fazendo.
Regressemos ao treinador. És treinador há dois anos e conseguiste três títulos, és o Mourinho do futsal?
Não! O Mourinho do futsal é o Sérgio! Eu sou adjunto do Mourinho do futsal!
O Mourinho também foi adjunto…
Pois…mas o Sérgio é que é o Mourinho.
Durante uma época desportiva, chega o cansaço e muitas vezes desejamos que chegue depressa o seu final. Mas a meio das férias, já temos saudades do trabalho. Sentes esta loucura, meia estúpida?
Sentimos a falta do dia-a-dia, dos problemas para resolver, das discussões em torno da equipa, dos bate papo… sentimos falta de tudo isso. Nós temos que sentir falta para depois regressarmos com força para mais uma época.
É uma loucura…
É normal! Para loucos, é normal!
A PARTIDA DO BOAVISTEIRO
Vais-nos deixar ao partir para Inglaterra. Quais as razões?
Primeiro familiares e depois profissionais.
Vais ensinar os “Bifes” a jogar futsal?
Eu gostaria de colaborar com alguma associação de futsal, mas nos primeiros tempos ainda não. Primeiro tenho que me adaptar a uma vida toda nova e depois poderei tentar. Tentarei isso até para não estar afastado da modalidade.
Vais para fora para te esqueceres dos problemas do teu Boavista?
Eu tenho um plano que é vir cá assiduamente, todos os meses ou de dois em dois meses e uma das razões é vir ver o meu clube, seja o futsal, o voleibol ou o futebol de onze. Agora com o internet vou estar ligado com o Clube todos os dias.
Vais conseguir explicar aos Ingleses o que se passa com o Boavista?
Vou explicar, como aqui tenho feito, que isto é uma situação passageira e que de hoje para amanhã o Boavista estará de novo a jogar em Anfielde Road, em Old Trafford e meter medo aos grandes.
O ano passado escolhias jogadores para o futebol, nas tuas críticas, só pela forma de caminhar…
Vê-se logo pela forma de caminhar. (riu-se).
Para tal perito, como vês esta realidade?
Não é agradável, isso não é! O que é preciso é que no dia 1 de Setembro tenhamos uma equipa inscrita. Quanto a jogadores vai ser difícil encontrar qualidade, pois como na última época, andamos a procurar jogadores à última hora e temos que nos sujeitar aos que ainda estiveram livres. Eu penso e espero que dentro de alguns anos vamos a voltar a não ter que escolher jogadores “aos magotes” e que se faça uma equipa com tempo, com qualidade, com categoria.

Este ano vais fazer falta na escolha dos “magotes”…
Eu vou para Inglaterra fazer prospecção de jogadores para o futuro!

NUNO " PRESIDENTE"

Só um Boavisteiro inteligente, tem direito a esta pergunta. O que farias se fosses Presidente do Boavista?
O que faria? (pela primeira vez…pensou mais demoradamente)
Sim o que farias?
Acima de tudo tentaria a unidade entre os sócios, que é o mais importante! (ganhou vigor e disse alto e bom som) enquanto andarmos aqui divididos com tricas internas, nunca vamos conseguir passar uma imagem positiva para o exterior. O exterior sente que o Boavista está a passar ao lado do panorama do futebol português e o Boavista não pode estar nessa posição. Eu sei que é difícil andar tantos anos a mostrar aos media e governantes que o Boavista está actualmente a viver com enormes dificuldades, mas pode voltar aos tempos passados. Tive conhecimento pela TV que o Twente que foi campeão holandês e que em dois mil teve uma crise enorme e dez anos depois é campeão holandês. Neste momento vivemos estas dificuldades, isso não quer dizer que daqui a dez anos o Boavista não volte ao seu lugar.
Mas como?
Temos que organizar um plano, com os sócios, com os governantes da cidade e do pais, apesar de muitos deles gostarem de ver o Boavista na desgraça, mas nós temos que nos rodear de pessoas importantes, que queiram o bem do Clube e mesmo que seja engolir alguns sapos. Se for preciso engolir alguns sapos, nós estamos cá para os engolir.
Nunca duvidei que eras o meu Presidente…
Sem problema, haja união e venham os sapos…

COMPARAÇÕES DE FUTEBOIS


Porque achas que o pessoal do futebol de onze, olha para o futsal de cima da burra?
Não é os sócios, não é o clube. É o país desportivo e considero isso normal, porque o país sempre viveu com base no futebol há cerca de cento e dez anos e o futsal começou há dez ou quinze anos. Ao fim ao cabo é igual à forma como nós do futsal, olhamos para o Futebol de praia. Nós – as pessoas do futsal – é que temos a obrigação de conquistar o pessoal do futebol. E é o que está a acontecer. Neste momento o futsal tem um numero de adeptos que não tinha à dez anos.


O ADJUNTO

O adjunto de uma equipa é muita vezes um moderador e equilibrador de emoções. Sentes-te um moderador entre o rigor do Sérgio e a irreverência dos jovens?
A maior missão que eu tinha dentro do grupo, não era aconselhar o Sérgio sobre a forma de jogar, porque ele sabe muito bem como o fazer.
Sabe bem? (provocamos)
Muito bem! Como grande treinador que é sabe muito bem o que fazer e não precisa de mim para isso. A minha maior missão para além de observar os adversários e gerir a logística era o elo de ligação com os jogadores. Ter atletas com dezasseis anos, no pico da adolescência ainda com ideias aos saltos, na idade de serem revoltados e com vontade de imporem as suas ideias, boas ou más, não interessa para o caso. Nós temos que andar junto deles no papel de morador (como você diz) e acima de tudo a ouvi-los e dar-lhes a volta ao texto.
Amenizando?
A amenizar!
Qual foi o momento mais difícil da época?
Foi a semana a seguir ao primeiro jogo com o Vila Flor. Foi muito difícil, muito difícil.
Mas convém lembrar que venceram por oito a três…
Mas foi muito difícil, se calhar por isso mesmo. Foi por causa da idade deles, mas no final considero que ganhamos aí uma equipa que nos iria levar ao título. Ganhamos um grupo de homens, porque o resultado, ganhar oito ou quatro a três, ou quinze a zero não teve importância. Nós tivemos muitos resultados desses e nada aconteceu, o que mexeu connosco foi a atitude.
Esse puxão de orelhas culminou em duas goleadas nos jogos da final, levando muita gente a questionar o valor do Nelas. O que tens a dizer sobre isso?
O Nelas tem o seu valor e acima de tudo é um clube amigo que se dedica muito bem a formação de jovens do futsal. O primeiro jogo é fundamental em que eles tiveram algum azar, a arbitragem não esteve bem para os dois lados e nós fizemos um jogo quase perfeito.


DESPEDIDAS

Vamos entrar nas despedidas. O que tens a dizer aos teus putos?
Não é uma despedida, é um até já. Espero que eles continuem a gostar de futsal como até aqui. Espero que continuem no Boavista, porque apesar de andarem para aí muitas propostas e aliciamento, eu acredito que eles continuando por aqui com o carinho que todos têm por eles, com o futuro que as pessoas lhes perspectivam e que lhe darão todo o apoio para que isso se concretize, eles podem ser o futuro do futsal em Portugal.
E aos Boavisteiros?
Aos Boavisteiros digo-lhes simplesmente que acreditem no futuro. Para acreditar e temos que nos unir. Apesar de eu não concordar com tudo o que está acontecer no Boavista, considero que é indispensável a união de todos, para todos juntos ajudarmos a recuperação do Boavista.
Mas para se conseguir unir um grupo, não achas que não pode haver dúvidas sobre o que se informa e a verdade mesmo que dura estará sempre acima de tudo. Achas que isso se passa no momento?
Vou-lhe responder diplomaticamente. Quero acreditar que sim!
Agora vais responder por instinto, em frases curtas.
Armando Simas?
Vital!
João Marques, que arrumou contigo (risota geral)?
Grande substituto!
Bruno Santos?
Um grande companheiro!
António Morais?
Um grande amigo!
Tu falas assim do Big Boss?
Um grande amigo!
Blog das Amadoras?
Um acompanhante diário!
Acompanhas?
Acompanho diariamente, sim senhor!
Sérgio Carvalho?
Um grande professor. Um grande amigo. Um homem que eu quero que hoje, amanhã e depois, continue ligado ao futsal e ao Boavista FC. Quero vê-lo ligado ao Boavista não só como adepto, quero vê-lo como treinador e como futuro dirigente. Ele é uma mais-valia para qualquer grupo. É um grande homem na sua vida profissional e familiar. É um homem que conquista tudo o que se propõe. Com ele aprendi mais em dois anos que em todos os anteriores.
Sérgio treinador ou Sérgio dirigente?
Como treinador o Sérgio é metódico, tacticamente é astuto, no banco sabe perspectivar a dez a quinze minutos e consegue formar e gerir um grupo.
Vais voltar ao Boavista?
Eu não me vou afastar do Boavista, vou tentar vir cá no máximo de dois em dois meses. Eu vou fazer prospecção de mercado e pode ser que traga aí três ou quatro craks (gargalhada) vou estar ligado ao Clube pela internet e com a assiduidade que for possível estar sempre presente.

Entrevista feita por Manuel Pina

domingo, 25 de julho de 2010

FERNANDO RIJO - EX-ATLETA DO VOLEIBOL MASCULINO

JUNTO Á PANTERA, QUE NUNCA ABANDONOU

RECORDANDO ATRAVÉS DAS FOTOS DO ALBUM QUE GUARDA

Tivemos conhecimento que em tempos distantes o Boavista teve equipas de Voleibol na vertente Masculina.
Hoje vamos apresentar uma entrevista com um antigo atleta dessa equipa.
Fernando Rijo, antigo atleta ainda hoje não sabe a razão da extinção dessa equipa. Foi obrigado a prosseguir a sua carreira até ao título nacional alcançado com outras cores, mas nunca deixou o seu amor de família… o Boavista FC do qual é associado nº127.
O CIDADÃO
Recuemos então (um pouco) no tempo.
Como podemos identificar o nosso convidado?
Chamo-me Manuel Fernando Bragança Rijo, tenho setenta e quatro anos e sou o sócio número 127.
É Boavisteiro desde que nasceu?
Eu digo aos meus amigos que em vez de ter setenta e quatro anos de sócio deveria ter setenta e cinco. Quando o meu pai “fez” o filho já lá ia o cromossoma do Boavista, por isso, antes de nascer já era do Boavista. A minha família já vai na quinta geração de boavisteiros. O meu avô era sócio do Boavista, não ligando nada de desporto, mas por influência do filho (meu pai). O meu pai e meus tios foram atletas do Boavista em hóquei em campo.

ENTRAR PELO FUTEBOL, PARA ACABAR NO VOLEIBOL
Naquela altura um desportista nunca se dedicava a uma só modalidade. Aconteceu isso com o Senhor?
Quando iniciei a minha vida profissional fui trabalhar com o meu pai na Alfândega, como Despachante, que acabou por ser a minha profissão, vim aqui ao Boavista para tentar jogar futebol, que era o sonho de todos os jovens.
Então começou como futebolista…
Comecei a treinar com o Senhor Ricardo Cardoso, um homem espectacular. Aconteceu que em Outubro com a mudança da hora, os treinos passaram para meio da tarde e eu não pude comparecer por razões profissionais.
E aparece o Voleibol?
Um amigo disse-me, não podes jogar futebol, passa para o Voleibol. Nessa altura o Voleibol jogava-se de Abril a Outubro em ringues, como não haviam pavilhões. Por isso no inverno não havia Voleibol.
Onde treinavam?
Num ringue que havia atrás da bancada do Bessa, os jogos eram no topo do campo do Bessa, em frente à casa do guarda das instalações, o senhor Manuel.
Voltemos atrás…
Esse meu amigo conhecia o chefe de secção do Voleibol, que era o senhor Rolando Pinto que era funcionário da Orquestra Sinfónica do Porto e vim cá falar com ele. Encontrei-me com ele no café Imperial e decidi então, vir jogar Voleibol.
Como foi a sua carreira?
O primeiro treino foi na constituição num jogo contra o FC Porto, disputado no final da tarde de um dia de Abril. Para espano meu a equipa do Boavista era constituída, em grande parte por aletas de outras modalidades. Foram meus colega a no Voleibol, o Jaime Garcia, o José Caiado – irmão do Fernando e do António Caiado – acabaram no futebol e iam para o Voleibol. Eu com dezassete anos jogava com colegas com mais de trinta.
Foi o início da modalidade no Clube?
Não o Voleibol á existia. Estive duas épocas no Boavista e na terceira apareceu um Director cujo nome não me recordo, que resolveu acabar com algumas modalidades no Boavista entre as quais o voleibol.
Qual a razão?
Não sei porquê. Porque nós custávamos um tostão ao Clube, mesmo as deslocações para jogos eram pagas por nós, por isso não sei o porquê dessa decisão.
Como se deslocavam?
Olhe para os jogos, às vezes aparecia um amigo mais carola que tinha carro e nos levamos para os jogos. Levava, porque o regresso… nós que nos safássemos… às vezes de transporte público, outras a pé.. nós regressávamos. E foi por essa razão quando atingi a maior idade que eu, num dia na Praia Moderna, que era a praia dos boavisteiros, onde parava o Fernando Caiado, o Presidente Fernando Moreira a quem chamavam o Pai Américo pelo que deu ao Clube e que foi Presidente durante muitos anos, onde jogávamos Volei de praia. Nessa praia em conversa com um amigo acabei de ir… jogar para o Leixões, onde fiz toda a minha carreira, até aos trinta e sete anos.

FIM DO VOLEIBOL NO BOAVISTA PASSAGEM PARA O LEIXÕES
No Leixões há um Rijo. Pertence-lhe?
É meu irmão e fui eu que o levei para lá. Esse meu irmão era mais novo, também Boavisteiros, ao ponto de fugir às aulas para vir ver os treinos do futebol e para jogar bilhar com os jogadores de futebol em Pedro Hispano. A minha andava aflita com isso e eu para resolver a questão levei-o para os juniores do Leixões que já tinham formação e ele acabou por ficar por lá. Ele hoje é um Matosinhense puro, enquanto eu não, morei lá mas depois vim para Nevolgide, ele nunca deixou Matosinhos.
O Senhor é natural de onde?
Eu sou de Lordelo do ouro, como toda a minha família, da rua de Serralves.
Tem acompanhado o voleibol actual do Boavista?
Tenho acompanhado no Vosso site (Blog das Amadoras) porque a minha filha mais velha foi cá atleta e campeã!

FILHA LUÍSA, CAMPEÃ NO BOAVISTA
Como se chama?
Luísa Fernanda Gomes Rijo.
Falemos um pouco dela….
Ela jogou em vários clubes. Começou no Fluvial com o padrinho dela que era o Professor Costa Pereira, mais tarde treinador no Leixões. Depois quando ele saiu do Leixões veio para cá, onde esteve muitos anos. A seguir foi para o Castêlo da Maia onde já lhe pagavam e acabou no Vilacondense. Ainda hoje joga Voleibol de praia com quarenta e dois anos. Faz voleibol de praia com a filha. Ela jogava no tempo das irmãs Schullers, da Paula Semedo e da Cristina Pereira.
Então conhecia a Cristina?
Muito bem! Os pais dela eram grandes amigos meus. O pai da Cristina era meu colega no Leixões e a mãe era colega da minha mulher também no Leixões. A mãe tinha vindo de Coimbra e o pai jogava no CDUP acabando por se conhecerem no Leixões. A Cristina formou-se no leixões e depois veio para o Boavista.
O senhor jogou no Boavista mais ao menos em que época?
Na época de 1956 até 1958.
Mas separou-se do Boavista?
Não nunca. Fui só aleta e adepto, mas nunca me desliguei. Tenho camarote, eu o meu filho e o meu neto. Fora o meu sobrinho que também é sócio e o filho. A família Rijo é conhecida.
Pertence ao inspector Rijo?
Uma vez, quando ele me colocou o emblema dos cinquenta anos de sócio, perguntei-lhe e chagamos à conclusão que poderemos ser primos em sexto ou sétimo grau. Embora tenha uma grande ligação com o meu irmão por causa do ciclismo e continuam a visitar-se normalmente.
AS COMPETIÇÕES NO PASSADO
Vamos recordar um pouco as competições da época?
O forte do Voleibol era em Lisboa. As melhores equipas eram o Lisboa Ginásio que era melhor equipa Nacional e o Sporting que tinha um jogador conhecido por todos noutra modalidade que era o Moniz Pereira. Eles tinham a hegemonia porque já jogavam em pavilhões enquanto cá não existiam. Quando o campeonato se realizava era nos fins dos regionais, em Novembro. A fase final era realizada num fim-de-semana só, em Lisboa. Entre as duas melhores equipas do Porto e de Lisboa. Nós jogávamos em Lisboa num pavilhão, com luz artificial, condições que nunca tínhamos durante o ano e só o ambiente já era meia derrota.
Mas depois as coisas alteraram-se…
Com uma vitória do SC Espinho. Aconteceu uma reviravolta, apareceu o FC Porto, o Leixões.
Estamos a falar da globalidade?
Sim eu estou a responder á sua questão na generalidade. Foi nessa fase que fui campeão Nacional ao serviço do Leixões.
Retomemos o fio à meada…
Começamos a jogar cá também em pavilhões e a evoluir. Mas antes os campeonatos começaram a ser disputados cá e lá no verão. Assim eles também tinham que jogar cá ao ar livre e sentiram as nossas dificuldades, de conseguir jogar com ventos com sol etc… as coisas ficaram mais idênticas. Hoje a hegemonia é no norte.
TERMINAR CARREIRA NO INFANTE
Ainda esteve noutra aventura?
Sim no Infante Sagres que também só teve Voleibol durante dois anos e formou a equipa com os veteranos do Leixões. Jogávamos na terceira divisão era bom para manter-mos o bichinho. Eu era sócio do Infante e a minha mulher, era treinadora da equipa feminina e fomos para lá. Não havia pavilhão para treinar e alugava-se um ao banco e alguém resolveu acabar com o Voleibol.
Lá como cá…
Durante estes anos não conseguiu quem acabou com o Voleibol Masculino no Boavista?
Não e ainda não entendi porquê. Podiam acabar com outras que tinham custos, mas talvez fosse para ficarem com espaços para outros. Ao Voleibol a única coisa que nos davam eram as camisolas, porque sapatilhas e calções éramos que as comprávamos. Depois o curioso é que acabou o Voleibol, o hóquei em patins e Basquetebol e ficou o ringue…
A sua história tem algum em comum com a que nos contou o Senhor Jacinto Catau do Hóquei. Conhece-o?
Neste momento, digo-lhe que não mas como somos da mesma época…
Então vou dar-lhe o contacto dele para conversarem um bocado.

Foi uma viagem a um passado que este campeão Boavisteiro nos conduziu. Um homem com setenta e quatro anos de vida e setenta e cinco de Boavisteiro.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

JOÃO MARQUES, DE FIO A PAVIO... SEMPRE EM FRENTE

João Marques, teve um ano movimentado como treinador pois participou em três projectos e acabou Campeão Nacional.
É um apaixonado por futsal e um acérrimo adepto do Boavista. Um jovem com dezanove anos de idade e onze de camisola axadrezada ao peito.
Interrompeu as férias e veio por umas horas ao Porto para nos conceder uma entrevista. Sem entrar em polémicas, mas nunca fugindo ás perguntas, Que parecia trazer na ponta da lingua.

O ATLETA
Vamos começar pelo atleta. Porquê o futsal?
Como jogador actuei durante doze anos, onze dos quais no Boavista. Optei pelo futsal, porque o meu pai foi director do Boavista nas actividades Amadoras e eu passava horas e horas no pavilhão Acácio Lelo e sempre me cativou ver jogos e treinos de Andebol, de Voleibol e de futsal.
Sempre gostei de jogar à bola com os meus amigos, na escola na rua e assim sempre me cativou mais o futsal. Outra razão de escolher o futsal em vez do futebol de onze, foi a preocupação que os pais sempre têm e os meus também tinham, que na altura do inverno pudesse adoecer com o frio e a chuva.
Começaste no Boavista?
Sim vim desde as escolinhas até júnior do primeiro ano sempre no Boavista, depois saí para os juniores do FC Foz.
Conquistaste algum título durante esse trajecto?
Não. No Boavista a única coisa que consegui vencer foi uma prova extra que para um clube como o nosso, é muito pouco. Em infantis consegui ser campeão de série mas depois na final, perdemos com o Freixieiro por um golo.
Sais do Boavista para o FC Foz, ainda júnior. Porquê?
O Foz criou nesse ano uma equipa de juniores, porque tinha subido à terceira divisão nacional. Tinha lá muitos amigos e considerei que lá ira mais tempo de utilização, por isso apostei na mudança para evoluir como jogador.
O TREINADOR
Mas no ano seguinte (2009) deixas de jogar e nasce o treinador, o que aconteceu?
Eu no ano que estive no Foz estive quase parado em termos de escola porque completei o décimo segundo ano mas não consegui colocação na universidade. Para me manter activo fiz o curso de nível um de futsal.
Mas podíamos ter continuado a jogar…
O director máximo do futsal do Foz, Doutor Luís Figueiredo, propôs que eu fosse rodar por um ano noutro clube. Eu analisei e tomei a opção de acabar a nível de jogador e iniciar-me como treinador.
O que te levou a tirar o curso de treinador?
Eu estou a estudar na Faculdade de Desporto e esse é o meu principal objectivo.
Qual é o curso?
Ciências de Desporto.
Logo no primeiro ano de treinador regressas ao Boavista. Como aconteceu esse regresso?
Inicialmente ingressei no Ases de Leça com uma equipa de feminino que se formou nesse ano, cujo director desportivo, era o Gabriel pereira, atleta da Fundação Jorge Antunes e era o treinador principal da equipa. Comecei a pré-época mas surgiram alguns conflitos e optei por sair, mesmo antes do início do campeonato. Posteriormente falei com o nosso Director de Futsal, o Senhor António Morais e mostrei disponibilidade para o caso ele ter algum escalão a precisar dos meus serviços. Dentro desta disponibilidade surgiu a oportunidade do meu regresso para fazer dupla como adjunto com o Vasco Fragata.
Mas era o inicio de uma época movimentada. A meio passas de adjunto a responsável principal. Como?
A quatro ou cinco jogos do final do campeonato, o Vasco por motivos pessoais teve que interromper a sua prestação na equipa e por isso eu assumi a direcção técnica dos iniciados.
Em que classificação terminaram?
Em terceiro lugar.

Ficou, em algumas pessoas, a ideia que podiam conseguir mais. O que pensas sobre isso?
Sinceramente acho que nós fizemos um bom trabalho e que obtivemos uma boa classificação final. Se repararmos o primeiro classificado foi o Caxinas só com vitórias, com uma super equipa que tinha muitos jogadores com andamento de juvenis, jogando ate alguns jogos de juvenis.
O segundo classificado foi o Freixieiro com os mesmo pontos que nós, que tem outras condições que nós não temos. Têm pavilhão próprio que lhes permite realizar três treinos semanais de pelo menos duas horas e neste escalão de formação isso é muito importante.
Pelo nosso lado tínhamos miúdos sem escola de futsal que tivemos que os formar de início, tínhamos meia dúzia com escola mas que não eram (ainda) fundamentais na equipa. Por tudo isto, acho que o terceiro lugar foi uma boa classificação.
De repente ingressas nos juvenis. Ora explica lá, mais essa mudança na época.
Um dia fui ver um jogo de infantis com o Sérgio Carvalho, a meio da conversa ele disse-me que o Nuno Andrade, na altura o seu adjunto, iria residir para Inglaterra e perguntou-me se estaria interessado em colaborar como adjunto, na fase final nacional do campeonato. Assim eu iniciei-me como adjunto dos iniciados, depois como principal dos mesmos e acabei como adjunto nos juvenis.
Onde foste campeão nacional. Para o ano vais continuar nos juvenis ou regressas aos iniciados?
Vou continuar nos juvenis, como adjunto. Havia a oportunidade de assumir como treinador principal os iniciados, mas achei por bem, nesta fase inicial de treinador, ganhar mais experiencia e maturidade com alguém que percebe, como é o caso do Sérgio, que já conquistou vários títulos e que já demonstrou que sabe como lidar com um grupo. Acho que continuar como adjunto do Sérgio é a melhor opção para mim.
És um treinador da formação ou em formação?
Neste momento sou um treinador em formação na formação. Mas de futuro serie um treinador de qualquer escalão.
FALANDO DE FORMAÇÃO
Dá-me o teu comentário sobre esta minha afirmação. Nos juvenis sente-se que a equipa partiu para ser campeão. Nos outros escalões, fico com a ideia que se parte para ver se seremos campeões, por exemplo os juniores que tinha uma excelente equipa. Como analisas?
Esse discurso muda consoante os jogadores que temos. Se repararmos em relação aos juvenis, nós temos jogadores que já estão bastante identificados com o clube. Alguns já se encontram no Boavista há vários anos e este ano, por exemplo, só entraram dois jogadores vindos de outro clube. Nos ouros escalões, como nos juniores tínhamos uma excelente equipa, é certo, que até poderia ser o futuro da equipa sénior, mas não aconteceu porque são jogadores que não estavam identificados com o clube.
Estão cá há um ou dois anos e não estão ainda identificados com os objectivos que um clube como o Boavista tem forçosamente que perseguir.
Segundo entendi defendes que se deve começar com um grupo de base e depois reforçando com outros (poucos) elementos, durante a evolução. Entendi bem?
Eu acho que isso é que a formação. Pegar em jovens desde a base e leva-los até juvenis ou juniores, sempre com alguma reestruturação, com a inclusão de algumas mais-valias. Jogadores de qualidade são sempre bem-vindos, mas devemos manter sempre a base da equipa formada por jovens que se identifiquem com o clube,
muitos deles Boavisteiros, o que agora já é difícil. Acho que isso é a base do sucesso.
É difícil conseguir miúdos Boavisteiros?
Cada vez mais difícil, o que é grave e deveria fazer pensar os responsáveis.
Voltando aos juvenis. O título foi o corolário lógico do vosso trabalho?
Sim estávamos plenamente conscientes do valor da equipa e de ser possível atingir o título. Mesmo depois do empate em casa com o Sporting nós transmitimos ao grupo a plena confiança que poderíamos ir ganhar a Loures, tal como aconteceu. Esse foi o grande passo para a conquista do campeonato. O outro passo que considero importante, foi quando no final do primeiro jogo da fase nacional quando vencemos por oito a três o SC Vila Flor, termos feito ver aos jogadores que o realizamos um mau jogo como equipa colectiva. Durante a semana transmitimos a mensagem desse facto e acho que ganhamos um grupo mais coeso.
Mas foi uma goleada…
Apesar de termos ganho confortavelmente o jogo foi mau.
O FUTURO
Para o ano a equipa vai manter este nível?
Vamos perder alguns jogadores importantes, como o caso do Pedro, do Alex, do Dani, do Axel e do Leandro. Vamos buscar alguns e temos um base que vai subir do primeiro para o segundo ano e dois ou três que chegarão dos iniciados, por isso
vamos estar na luta.
Registamos, criticas indirectas nas duas entrevistas que realizamos sobre os jogadores do primeiro ano. Tomaste conhecimento delas?
Concordo com as críticas, pois penso que os jogadores de primeiro ano cometeram um erro. Não digo que fossem todos, mas houve alguns que se baldaram um bocado porque sabiam que não iriam ser uma opção tão frequente, no fim-de-semana dos jogos. Eles sabem que o ano deles é o segundo ano da chegada ao escalão. É aí que eles têm que dar o grande salto em termos evolutivos, é aí que eles têm que mostrar o seu valor.
Mas esse salto só vai acontecer se no ano anterior, que é o primeiro ano no escalão, eles treinarem e esforçarem-se ao máximo, porque se não em vez de ganharem um ano e evoluírem, vão perder um ano e começarem quase do zero no segundo ano de juvenis.

O TÍTULO NACIONAL
Sem entrarmos em polémicas. Como Boavisteiro, como treinador, como homem do futsal, achas que se reconheceu o vosso título como mereciam?
Sinceramente acho que não tivemos o reconhecimento pelo clube que o nosso título merecia. Se repararmos no segundo jogo da final em Nelas só tínhamos uma pessoa da Direcção que era o Vice-presidente-adjunto, o Senhor Engenheiro, Américo Santos, mas na qualidade de adepto, aliás que habitualmente nos acompanhou. Não houve uma recepção da parte da Direcção, não houve nada. Acho até, que a muitos parece que lhes caiu mal a nossa conquista do título. Eu estava à espera de mais por parte de Direcção, ao contrário dos adeptos que foram inexcedíveis no apoio que nos deram durante a época e principalmente nos jogos das meias-finais e final foram sem dúvida o sexto jogador.
Uma constatação fácil de ser feita é o facto de na equipa de juvenis todos os dirigentes e treinadores, serem boavisteiros “ Malucos pelo Clube”. Doeu-vos mais essa falta de reconhecimento?
Eu estava à espera de melhor, confesso, mas pouco me afectou. No seio do grupo sabíamos a importância deste titulo, sabíamos o que este título podia trazer ao Boavista, que numa época de crise que nós atravessamos, é um título importante, porque é um título nacional. Este título é a afirmação que o Boavista ainda tem uma equipa que é a melhor do país a jogar futsal. Não nos afectou porque nós sabíamos o valor que tínhamos e essa certeza não importava transmitir às pessoas de fora. Esse título entre nós foi vivido duma maneira inexcedível.

INCONFIDÊNCIAS DA NOSSA PARTE
Peço perdão ao João mas não resisto a publicar uma conversa tida em off ainda à cerca deste ponto, em que ele desabafava…
Chegaram a criticar o facto de a Direcção nos ter cedido o autocarro do clube e o qestionaram o valor do título por termos ganho por catorze golos no total da final. Isto é grave, porque foi feito por um homem de dentro da organização do clube, com responsabilidades no futebol de formação… quem entende um pouco disto, sabe que o nosso principal adversário era o Sporting (com todo o respeito pelo ABC Nelas)
e aos Leões nós vencemos com toda a categoria, não temos culpas da ordem que o sorteio proporcionou.
Mas mesmo com o Nelas os resultados enganam…
Respeitamos o ABC ao máximo, fizemos contra eles um jogo quase perfeito, ao nível da segunda parte com o Sporting, e aproveitamos tudo o que jogo nos proporcionou e terminamos com um resultado que nem nós prevíamos, mas esse resultado foi fruto do nosso trabalho, do nosso rigor e da nossa categoria.
Só quem não percebe, ou está de má fé, pode questionar este verdade. Mas foi grave essa afirmação, porque veio de dentro do Nosso Clube. Eu vou para o futebol, a todas modalidades, grito, apoio e sofro. Quero lá saber se não é futsal. É o Boavista, é o meu clube!
Renovo o pedido de perdão mas considero que era importante publicar este desabafo sofrido por um Grande Boavisteiro! Todos que o conhecem sabem isso muito bem.

O FUTSAL DO BOAVISTA
Como vês o futsal globalmente no Boavista?
É obvio que com esta crise as modalidades do Boavista estão a passar algumas dificuldades. Em termos de futsal formação, continuamos a ter boas equipas, que são um orgulho e demonstram que o Boavista ainda é uma Instituição que cativa muitos miúdos. Em termos de seniores fizemos uma época que poderia ter sido melhor, embora com muitas adversidades. Penso que nesta época podemos voltar aos lugares de cima.
E o futsal a nível nacional?
Acho que esta a ser um bocado rejeitado pela federação, dou um exemplo, que foi mau de mais. Quando o Módicus foi campeado nacional da segunda divisão e não teve nenhum representante da Federação para lhes entregar o troféu de campeão. Na minha opinião a Federação continua a olhar muito mais para o futebol que para o futsal.
Não achas que o troféu que conquistaram, é demasiado simples?
Sim para o que representa, considero que deveria ter uma grandiosidade maior.
O ACTUAL MOMENTO DO BOAVISTA
Membro de uma família reconhecidamente boavisteira, como vês esta fase da vida do Boavista?
Vejo com alguma apreensão, porque considero que o Boavista não esta a ir pelo caminho correcto. Estamos com bastantes dificuldades em inscrever equipas em todas as modalidades por questões financeiras, para alimentar uma Instituição paralela ao Boavista, que é a Sad em prejuízo das actividades Amadoras e sem ver a viabilidade da continuidade dessa Sad.
Para o João Marques é mais fácil ter o pai fora, ou dentro da Direcção do Boavista?
Esse facto nunca me fez sentir nem superior nem inferior a ninguém. Nunca teve influencia quando eu era jogador porque passou sempre ao lado dos treinadores e dirigentes, eu era apenas e só, mais um jogador. Como treinador, o meu pai já não pertencia aos quadros do Boavista. Eu nunca fui o filho do vice-presidente. Eu estou lá porque sou boavisteiro, porque gosto da modalidade.
O CHEFE
Falando do Sérgio. Ele sempre demonstrou grandes capacidades para o dirigismo. O teu pai sempre se opôs à passagem para o lado do treinador, com medo que o Sérgio não atingisse como técnico o que atingiria com dirigente. Qual a tua opinião?
Acho que é um treinador espectacular. Ele consegue conciliar, uma coisa que é fundamental na formação – que é conciliar a amizade com o trabalho. Ele consegue descobrir problemas pessoais dos jogadores, quando mais ninguém os vê. É um treinador como nunca tive enquanto jogador que organiza palestras, analisando os jogos ao pormenor para nunca faltar nada aos jogadores. Sem tirar mérito aos outros treinadores da formação, para mim é o melhor. Todos os anos ganha títulos!
Para terminar, fala-me daquilo que eu considero a grande aventura de jogar em Lisboa ao meio-dia saindo do mesmo dia do Porto.
Foi tudo programado. Fizemos um género de estágio no estádio do Bessa, aí devemos agradecer ao clube que tudo fez para que nada nos faltasse. No jogo de Loures havia duas possibilidades, ou jogar ao meio-dia ou jogar ás dezanove horas depois de um Sporting/ Benfica em seniores que é sempre problemático. Decidimos libertar os nossos jogadores dessa pressão e confusão. Foi excepcional e os nossos miúdos portaram-se como homens.
Mas nunca tentes fazer isso com os seniores…em qualquer clube.
Num jogo daqueles, em que todos querem jogar eu acho que seria da mesma maneira…

domingo, 18 de julho de 2010

PEDRO FRAGATA - UM CAMPEÃO NACIONAL

Pedro Fragata é o (outro) guarda redes dos Juvenis Campeões Nacionais de Futsal. Está há tanto tempo no Boavista que teve que esperar um ano para ser criada a equipa que o lançou.
É um jovem de acções e convicções mas de muito poucas falas. Um tormento para quem o quer conhecer melhor.

Nome e idade?
Pedro Fragata e tenho quinze anos.
Quando começas-te a jogar pelo Boavista?
Ui! Quando entrei para o Boavista ainda nem havia escolas e eu tinha idade de escolas. Treinei durante uma época com o infantis.
Como apareces no Clube?
Foi o meu tio (Vasco Fragata) que me trouxe.
Lembras-te do teu primeiro treinador?
Foi um Senhor chamado Jos, o Senhor Augusto e o Coelho.
Voltemos um pouco atrás, em que escalão te iniciaste?
Comecei nas Escolas que entretanto foram formadas, onde joguei três épocas. Depois estive dois anos nos infantis, dois nos iniciados e estou há uma época nos Juvenis.
Quantos títulos já conquistaste?
Conquistei dois títulos nas escolas, nos infantis só fui vice-campeão pois perdi duas finais nos penaltis. Nos iniciados ganhei dois campeonatos por isso, fui bi-campeão. Este ano ganhei o campeonato distrital e fui campeão Nacional. No total conquistei seis títulos e fiquei duas vezes em segundo.
Muita coisa para um "puto" com quinze anos...
Acho que sim, mas quando eu digo fui, estou a pensar em mim, mas é claro que não fui só eu, fomos todos que pertenciam às minhas equipas. Ninguém ganha sozinho.
Porque optas pelo futsal, quando o mais normal é escolher o onze?
No início, quando o meu tio me trouxe, eu vim mesmo pelo desporto, depois comecei a gostar disto e agora só quero, mesmo o futsal.
E porquê, guarda-redes?
Quando estava nos infantis, à espera que criassem a equipa de escolas, jogava onde calhava e só havia um guarda-redes, por isso em todos os treinos ia um jogador à escolha para a baliza. Um dia, foi a minha vez e mandaram-me para a baliza. Gostei, calhou-me bem e nunca mais saí desse lugar.
As tuas camisolas têm todas o número oitenta e oito. Porque razão?
Era o número do Alex, antigo guarda-redes dos seniores do Boavista. Eu gostava muito dele e ele ensinou-me muito.
Mas ele já saiu do Clube. Isso não mudou a tua admiração?
Nada mudou. Falava muito com ele e na altura que saiu do Boavista voltei a falar com ele. Continua a ser um dos meus ídolos e vou continuar com o mesmo número.
Habituado vencer títulos, como viveste este?
Para além de mais é um título nacional! Depois se juntarmos o título à situação que o Clube vive, acho que foi muito importante para o Boavista no seu todo. Para mim foi uma honra vestir esta camisola no ano em que conquistamos estes título,
Em alguma altura sentis-te que o título podia fugir?
Sinceramente não! Desde o início da época que acreditei que irámos ser campeões. Da forma como sempre trabalhamos, com a equipa que tínhamos, com o rigor do Sérgio, sinceramente, sempre pensei que íamos chegar longe.
Concordas com o que o Ervilha disse?
Sim, até pelos objectivos que o Sérgio nos impunha, não havia outra hipótese. Fomos campeões mas trabalhamos muito para isso.
Quem teve a ideia de dividir o tempo de jogo entre os dois guarda-redes?
Isso já vem das escolinhas, só no último ano de escolinhas em que eu era o único guarda-redes é que defendia todo o jogo, a partir daí sempre foi assim, metade cada um.
Não é frustrante tu saberes que ao intervalo, vais ser substituído?
Não, porque sei que ao intervalo vai entrar um que vai fazer o mesmo trabalho, ou melhor, que eu. O que interessa é no final termos vencido o jogo.
Mas qualquer jogador quer jogar sempre. Não me digas que não é assim?
Isso é óbvio, mas eu sei que ele também está para ajudar a equipa e que as regras são essas e não há problema.
Pensas que para o ano consegues ser bi-campeão?
Se nos esforçarmos e trabalharmos como este ano, acho que tudo é possível.
Mas vão sair jogadores para os Juniores. A equipa não se vai ressentir?
Vão sair três ou quatro, mas os outros que eram do primeiro ano vão estar mais maduros e mais conscientes com o que devemos fazer.
Concordas com a visão critica do Luís sobre alguns?
Talvez. Mas este ano eles vão dar mais quando se sentirem mais necessários.
Em que ano estudas?
Passei agora para o décimo primeiro ano (excelente) e estou em Ciências e Tecnologia.
No futuro apostas no curso ou aposta em experimentar o profissionalismo no futsal?
O meu primeiro objectivo desportivo, é jogar nos seniores do Boavista.
Então vais fazer a formação toda no Boavista. Se aparecer outro clube?
Não há hipótese nenhuma de eu sair, quero ficar sempre no Boavista.
Que importância têm os dirigentes para ti?
São fundamentais, porque nos acompanham sempre, porque trabalham para nos apoiar e quero deixar aqui uma palavra de agradecimento para eles.
Vocês são jovens. Depois de treinos de hora e meia, muitas vezes o Sérgio promove umas sessões de esclarecimento. Não vos satura?
Eu estou habituado a isso. Outros não estão e acham que... mas... tem que ser assim. Ao fim e ao cabo, os resultados aparecem e dizem que o Sérgio tem razão.

ARNALDO PINA EM ENTREVISTA SOBRE O SEU MUSEU

Nota: Para ver video do museu deve clicar sobre;
http://act-amadoras-boavista.blogspot.com/2010/07/museu-boavisteiro-em-casa-do-arnaldo.html

ARNALDO PINA E O SEU MUSEU
Aquando da visita ao museu do Arnaldo Pina, realizamos uma entrevista com o proprietário que é uma figura de relevo entre os associados do Boavista.

Como nasceu esta ideia de criar um Museu particular em sua casa?
A ideia do museu, nasceu curiosamente em tempo de crise do Boavista Futebol Clube. Na altura em que andávamos na mó de cima, no primeiro, segundo lugar e na taça Uefa, etc... era tudo muito bonito. A verdade é que nessa altura não me nasceu ideia alguma, talvez por andarmos todos eufóricos...eufóricos. Curiosamente no tempo de crise pensei se não poderia divulgar o meu Boavista de outra forma, como o faço na janela de minha casa.
Toda a gente que passa aqui em frente sabe que aqui vive um Boavisteiro. Foi na tristeza, não foi na alegria.
As despesas são grandes?
São! Posso dizer-lhe que tudo que aqui está não tem uma cópia feita fora de minha casa, o que logo, quer dizer que só em papel e tinta está um valor muito grande. A nível de quadros comprei tudo porque nada tinha e o restante fui comprando aos bocados. Uma chapéu aqui, um prato acolá, mais um copo ali... olhe não vendia este museu por nada deste mundo, já vê o valor que tem para mim.
Teve colaboração de outros sócios?
Tive de alguns. Um deu uma medalha, outro uma bandeira, outro um quadro, um deu-me um cachecol que não encontraria em lado nenhum, porque esse cachecol tem quatro equipas, etc... um jogador das velhas guardas deu-me um par de chuteiras, na semana passada consegui um par de luvas de boxe, dadas pelo senhor Caldas quando você me levou a ver os novos ringues de Boxe do Boavista. A todos agradeço a colaboração.
O espaço aqui em sua casa está claramente esgotado. Tem planos para expandir o Museu? E como o vai fazer?
Desde algum tempo que ando à procura de espaço que não seja caro na cidade para fazer lá o Museu porque tenho arca cheia e essas gavetas cheias de mais material e para colocar o exposto com mais espaço e mais dignidade. Gostaria que fosse num quarteirão aqui perto, mas se tiver que ser noutro lado, vou para lá.
E porque não pedir à Direcção o aluguer de espaço no estádio do Bessa?
Faria isso e deixaria a porta aberta todo o dia a quem quisesse visitar o museu. Nunca falei com ninguém sobre esse aspecto, mas já que lançou essa ideia sou capaz de me debruçar sobre ela e falar com alguém do Boavista.

Pensei que pudesse haver incompatibilidade como há o museu do Boavista e ... não sei.
Numa casa particular, não pode abrir a casa a toda a gente?
Se eu estiver em casa e tocarem à campainha para verem o museu, de certeza que eu tenho imenso prazer em a mostrar. No caso de não estar em casa é natural que os meus familiares não a irão abrir a quem não conhecem.
Os dirigentes do Boavista sabem da existência do Museu?
Já ofereci um CD com um filme do qual mandei fazer cópias, ao Rui Gonçalo. Quero oferecer cópias a várias pessoas.
Eu sei que já teve uma colaboração oficial com o clube. Quando aconteceu essa colaboração?
A sério, foi em dois mil e quatro, quando estive no museu do Boavista conjuntamente com o Senhor Dúlio e Senhor Sousa. Não montei nem construi nada, quando em Dezembro de dois mil e quatro ajudei em algumas coisas, a limpar as taças por exemplo. Depois com a aproximação do Euro 2004 e por eu falar quatro línguas incluindo o português, aproveitaram para eu fazer um acompanhamento aos estrangeiros que visitavam o museu. Acho que fui uma peça muito importante no Boavista da altura, em que fui muito solicitado.

Sem auferir de nada?
Nada, absolutamente e dentro do voluntariado acho que fui muito útil ao Boavista.
O museu do Boavista, está como o seu. Saturadissimo! Como associado conhecedor da causa, qual a solução que propõem?
Já na altura do Doutor João Loureiro, antes de estes problemas aparecerem, o museu estava construído e eu fui ver a inauguração que foi espectacular, ver aquilo pela primeira vez.
Actualmente está saturado pois há muitas taças para colocar e não existe lugar onde. E não há lugar porquê? Porque dentro do museu existe uma parede de pladur, onde estão os galhardetes, que tapa uma porta que dá acesso a uma escada em caracol que dá ligação a uma sala inferior que se destinava a completar o museu.
Então havia um projecto para expansão?
Sim havia e o que estava projectado era, em cima ficava tudo o que dissesse respeito a modalidades profissionais e em baixo tudo o que fosse das amadoras. Estava-se a programar eu ficar encarregado da parte amadora e o senhor Dúlio com a parte profissional.
E tudo ficou parado porquê?
Porque o Doutor João Loureiro considera que não havia dinheiro para desenvolver o projecto. Rasgar as escadas não era caro, o que seria caro era comprar vitrinas de exposição e o restante material. Há muitas taças dentro de gavetas... eu considero que se tivesse concretizado esse projecto ficavamos (conheço o do Vitória de Setúbal) com o melhor museu do país a nível de taças.
Não acha prioritário esse projecto?
Eu acho muito prioritário... olhe por falar nisso. Arranjaram-se voluntários para a construção dos ginásios. O João Loureiro no dia da inauguração nem sabia como aquilo estava, feito por homens que puseram os ginásios muito bonitos e que merecem todo o respeito e agradecimento dos Boavisteiros, como por exemplo você senhor Pina.
E agora não se conseguem voluntários para esta obra prioritária. Começávamos com o essencial e depois iamos completando tudo o restante. Não era preciso fazer tudo de uma vez, fazíamos uma vitrina depois outra e outra... com calma e serenidade.
E porque não se inicia?
A Direcção actual tem que pensar nisso, não é só estar encostada nos gabinetes, tem que pensar nisso! Isto é uma ideia minha.
Falou já duas vezes no Rui Gonçalo, tem alguma ligação especial com ele?
Não. Eu conheço pouco o Rui. Conheço o pai há muitos anos, só não sabia que ele o pai. Conhecia-o como habitual espectador das obras do sintético e um dia em conversa é que eu soube que ele era o pai do rui Gonçalo. A simpatia que tenho pelo o Rui é derivada de eu me ter dirigido a ele por duas vezes e ele me ter respondido muito bem e com respeito.
O futebol é o mais importante para si, mas também tem aqui referências de outras modalidades?
O futebol é a mola real. Mas tenho muitas coisas de outras modalidades que tinha guardadas em gavetas, por exemplo de ginástica, eu tenho jornais de á quarenta anos atrás e se eu tivesse lugar para os colocar... tenho jornais com noticias do Boavista quando o Pinheiro de Azevedo (ex-primeiro ministro) da Bola, do Record, do Mundo desportivo, que gostava de por em local que todos pudessem ver. Só jornais do Boavista, tenho ali guardados mais de cem edições.
Como vê o Boavista na segunda “B”?
O ano passado… lá se portou bem porque tiramos o sétimo lugar depois de nos vermos aflitos em determinados momentos. Esta época, não sei ainda qual vai ser o nosso futuro e onde vamos jogar.
Mudamos de assunto, isso incomoda-o?
Sou sincero não tenho opinião formada sobre se tivermos que jogar nos distritais, o que acho importante é o Boavista recuperar e voltar a jogar na primeira Liga. Quanto mais rápido melhor! Qual o caminho a percorrer? Sinceramente não sei! Mas o que sei é que é preciso que se comece o mais depressa possível.
Acredita, voltar a ver o Boavista na primeira divisão?
Primeiro o importante é ver o Boavista FC aberto! Depois tentar chegar lá nem que demore 10 anos! Agora o Boavista não pode fechar (acabar) isso é o mais importante, seja no nacional seja no distrital, o Boavista FC não pode acabar!
Se lhe colocarem a seguinte questão. Arnaldo Pina, o Boavista só regressa à primeira divisão daqui a dez anos, mas para isso tens que comer o pão que o diabo amassou. Está pronto para isso?
Absolutamente, o que quero é ver as camisolas axadrezadas em campo! O Boavista já teve alturas em que jogou com o Carcavelinhos… com clubes já nem se ouve falar deles e muitos já morreram e o Boavista continua e continuará, nem que seja nos distritais. O que é preciso é saber as consequências nas diferenças entre as divisões. O que quero ver é ver as camisolas de xadrez nem que seja a jogar contra o Ermesinde, com o Nuno Alvares…
Mas com intenção de subir…
Sim com a ambição de subir, não é andar ali toda a vida.
O Boavista é um clube histórico, tem que ocupar o seu lugar…
É histórico e tem a sua história e a história não se apaga. O D. Afonso Henriques morreu e continua na história. O Vasco da Gama descobriu o Brasil, morreu mas ninguém apagou esse acontecimento, está na escola e está nos livros. A história não morre! Quando digo, que jogamos com o Ermesinde, com o Rio Tinto, no Gondomar, digo isso mas quero que o Boavista suba e eles fiquem para trás.
Durante a noite, aqui fechado a olhar para estas recordações, o que pensa um Boavisteiro?
Penso em muita coisa. E penso se a solução para o Boavista é a passagem pelo distrital…vamos já para o distrital! A solução é essa? Então vamos iniciar já a recuperação! O que eu tenho é que saber se quem pensa assim, está certo e essa é a única solução… e não sei!
E quando vai saber?
Não sei! Deveríamos ser informados. Se a solução é lutar na segunda divisão, temos que ir por aí, mas neste momento ninguém sabe em que pensar, falta informação aos sócios, para podermos discutir esse aspecto.
Se continuarmos na segunda, eles têm que apresentar trunfos para subirmos, porque se não vamos ficar na segunda toda a vida? Isso não pode ser. Temos que voltar ao topo do futebol. De onde vamos partir? Não sei! O estádio do Bessa tem que ter utilização continua. O Bessa é como o CC de Belém ou a Casa da Música… não pode estar desactivo.
Ninguém é eterno. O senhor tem o seu museu catalogado de forma a que a família lhe dê continuidade?
Em escrita ainda irei catalogar tudo! Tem dois CD com os filmes descritivos de tudo, as pretendo passar para o papel tudo o que está exposto.
De novo o espaço. Com maior área seria mais fácil a apresentação?
Claro. Se tiver mais espaços posso separar mais a exposição recuperar muito material que está guardado e então aí, sim, fazer um livro descrevendo tudo o que está exposto. Tenho que encontrar o espaço. Vou tentar falar com a Direcção para tentar um espaço no Bessa.
Os sócios têm vindo visitar o seu museu?
Alguns já, outros já os convidei e ainda não. Mas espero que até o Presidente venha um dia cá ver e para isso o vou convidar.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

LUÍS PEDRO O G/R FILÓSOFO


Luís Pedro é um dos dois guarda-redes da equipa juvenil de futsal que se sagrou campeã Nacional. Aproveitamos um intervalo entre aulas (aceite pela prof) e na esplanada da pantera conversamos um pouco, para melhor o conhecermos.

Luís, passados uns dias da conquista nacional, como a continuas a sentir?
É uma sensação muito boa, porque no fundo consegui concretizar um sonho, que comecei a alimentar desde que comecei a jogar o Boavista. Nos iniciados ainda não há campeonato a nível nacional, por isso o ano passado só ganhamos o título distrital. Sempre tive a esperança que nos juvenis, com a equipa forte que temos, de vencermos o titulo Nacional.
Vamos falar um pouco de ti, quando entraste no Boavista?
Eu vim no ano de dois mil e sete, das escola de Gondomar, para os iniciados. Fui duas vezes campeão Distrital de Iniciados e agora de Juvenis, distrital e Nacional.
Na primeira fase da época, a nível distrital, vocês assumiram-se como favoritos sem medo de algum adversário?
Sabíamos que o maior adversário era o Alpendurada, não por ser forte como equipa mas por ter cinco/seis jogadores fortes, bons mesmo, que formam um conjunto forte que joga um bom futsal. Depois havia aquelas equipas que iriam naturalmente complicar, como por exemplo o A. Criança, o Freixieiro. Demonstramos o nosso valor a vencer em Alpendurada e a partir daí foi quase só gerir.
Sem tirar o pé…
Sim, claro jogando sempre o melhor que podíamos porque o nosso “mister” nem outra coisa aceitava, para ele é sempre a sério.
Entramos na segunda fase já a nível nacional, onde vocês foram brilhantes. Ultrapassando a tua veio filosófica do final do jogo em Loures, diz-me lá acreditavas em vencer o Sporting?
Eu acreditava. Eu vivo o futsal intensamente e sempre acriditei que tínhamos equipa para os vencer.
Mas o resultado da primeira mão era de dois a dois…
Isso é verdade mas a nossa conversa nos balneários do Rosa Mota, quer no intervalo, quer no final do jogo, era unânime e todos reconhecíamos que tínhamos equipa para vencer e por isso vamos a Lisboa e arrumamos a questão lá, como podíamos ter arrumado cá.
Mas com cinco minutos de jogo lá, estáveis a perder por dois a zero…
Sim, dois a zero, com dois amarelos, com os árbitros a mostrar ao que estavam, tudo isso é verdade.
Nessa altura, tu pensavas… já fomos (provocamos)
Não, não. Quem reparasse em mim via que eu estive sempre em pé incentivando os meus colegas porque eu sabia que nós éramos melhores e tínhamos que ganhar. Dei sempre moral aos meus colegas porque acredito na capacidade deles.
Conseguir o empate antes do intervalo, foi importante?
Sim, foi muito importante. Porque ao atingirmos o intervalo com tudo igual outra vez e com tempo para assentar-mos ideias e conseguir a calma que não conseguimos no início. A segunda foi toda nossa.
Pois… mas vamos de novo, aquela nossa conversa de Loures. Como é que foi aquele golo, que sofreste?
É contra a corrente do jogo
Isso, eu sei e estou de acordo, mas explica como o viste…
É um canto o jogador do Sporting enrola a bola para dentro, não quero deitar nomes para a lareira (interrompemos… podes dizer mal dos teus colegas, à vontade) mas se não me engano há dois jogadores nossos, pareceu-me o Miguel e o Leandro, ficam os dois a olhar para a bola e nenhum ataca. E o Dani, que estava a marcar o número sete deles, não permite ver a bola. Assim quando vejo a bola ela está a entrar e, eu nada mais posso fazer que a olhar. Talvez essa tenha sido a imagem que fiou na ideia dos espectadores.
Para não pensares que estou sempre a dizer mal de ti, que não é verdade, vamos falar de duas extraordinárias jogadas que fizeste na primeira mão da final. Como é que te ocorreu fazer aquilo? (duas grandes defesas e lançando o contra ataque vai marcar ele próprio dois golos).É hábito teu?
No Boavista nunca tinha feito isso. Já fiz golos de baliza a baliza quando o adversário joga de cinco para quatro, mas em jogadas destas nunca tinha marcado. Desde o ano passado que o Sérgio tem treinado comigo estas transições que nos dão superioridade numérica. Já no campeonato tinha ensaiado esta jogada, mas ainda não tinha saído, estive muitas vezes perto de marcar mas nunca o consegui, mas tentei muitas vezes.
E consegues logo na final…
No intervalo quando estava a aquecer para entrar no jogo o Sérgio veio ter comigo e disse-me “ o Axel e o Ivo têm instruções para quando tiveres a bola na tua posse abrirem os dois nas alas e tu meteres a bola num deles ou seres tu a começar a jogada”.
Diz-nos como foi…
Lembro-me que há uma primeira jogada em que eu dou no Axel mas ele não conseguiu afundar em mim. Na jogada do primeiro golo, eu dou no Pedro, ele ganha vantagem no adversário directo dele e consegue meter a bola ao primeiro poste e marco. No segundo eu fiz a defesa meti a bola e fiz um sprintezinho (riu-se) para chegar primeiro que o Alex e marcar.
Foi uma homenagem que os teus colegas te fizeram…
Foi (riu-se).
Isto aconteceu quando ganhavam por quatro a zero e esse lace do primeiro golo, relança a equipa…
Eles estavam por cima de nós! (interrompe).
Ainda bem que registas isso, porque eu considero que o ABC vale mais do que o resultado diz. Concordas?
Claramente! O resultado é injusto para eles! Quando marco aquele golo que é o quinto, faço uma festa enorme porque interiormente senti que ali resolvemos o jogo. A partir daí olhávamos para os olhos deles e notava-se que eles praticamente tinham desistido com esse golo. Até ali, na segunda parte, eles estavam muito fortes e deram muito trabalho.
Foi o teu melhor jogo da época?
No seu todo, foi!
Uma das questões que eu coloquei no início da época ao Sérgio era de temer que a subida de escalão vocês não conseguissem manter a competitividade e chagar ao título. Afinal estava errado, a que se deve o facto de não terem sentido esse choque?
Vamos por partes. Entraram dois jogadores, o Dani e o Axel que vieram dar muita qualidade ao plantel. Os jogadores que já estavam que eram o Pedro, o Alex e o Leandro que eram jogadores com muita qualidade. No primeiro ano de juvenis dois deles tiveram poucas oportunidades de mostrar o seu valor e esta época, com as oportunidades reais, que o Sérgio lhes deu, mostraram o seu real valor. Juntando a estes os que subiram e que tinham muita qualidade, formamos uma excelente equipa.
As exigências que o Sérgio vos impõe não vos cansam? Depois de um treino de hora e meia, muitas vezes ainda vai conversar convosco mais meia hora. Muitas vezes não pensam em…?
Podes dizer mal do Sérgio à vontade.
Eu não digo mal do Sérgio, toda a gente que me conhece sabe que para mim o Sérgio é um ídolo. Quer como pessoa quer como treinador. Ajudou-me a crescer muito enquanto homem enquanto atleta e os métodos de treino dele dão resultados. Ele aprendeu muito com o Berto, mas ele tem muito valor como treinador. Mesmo os atletas que entram notam a diferença de ritmo e intensidade dos treinos. Isso nota-se dentro do campo. Não há equipa que trabalhe como nós!
Para o ano continuas juvenil?
Continuo.
E com o Sérgio a treinador?
Espero bem que sim.
Para revalidar o título, embora seja mais difícil?
Não acho que seja mais difícil. Muitos dos atletas do primeiro ano, pensaram erradamente que não iriam ter tantas oportunidades e não deram tudo o que podiam, foi o erro deles. Para o ano, sabendo que vão jogar, vão dar tudo e por isso vão manter o nível da equipa.
O treinador coloca os dois guarda-redes nos jogos. Mesmo num jogo decisivo ele faz. Isso demonstra a confiança que tem em vocês os dois. Mas como vês tu isso, sem filosofias e não haverá uma luta para um ser encostado?
Não essa luta não existe. Nós sabemos que somos dois grandes guarda-redes, na minha opinião somos os dois melhores guarda-redes nacionais. Estou-me a lembrar do guarda-redes do Vermoim que é muito bom, do Sporting que também é e alguns da associação do Porto que têm valor, mas nós somos melhores.
O Fragata é um grande guarda-redes, temos estilos diferentes, eu sou melhor numas coisas e o Fragata é melhor noutras. Nos treinos vamo-nos ajudando e vamos evoluindo e completando-nos.
O Boavista o que significa para ti?
Eu antes de vir para o Boavista via o Boavista como o papa tudo no futsal. Já tinha jogado com eles e tinha perdido por catorze, por quinze, enfim. Eu olhava para o Miguel Ângelo… minha nossa senhora! Na altura, o Filipe, o João, o Leandro, o Pincha e o Alex e como eu toda a gente olhava para eles como ídolos.
O sonho de qualquer jogador era estar numa equipa assim. Eu consegui realizar o meu sonho.
Fora do futsal, o que te diz?
Como Instituição, foram campeões Nacionais, nos quatro campeonatos anteriores lutaram sempre pelo título e desde que aqui estou vibro muito pelo Clube. Mesmo estando aqui há três ou quatro anos, ganhamos umas costelas.
Que idade tens?
Dezasseis.
Explica como é isso enquanto toda a gandulada está na praia tu ainda tens escola. Porquê?
Estou a tirar um curso de recuperação de computadores e ano lectivo só acaba na quarta-feira. Tenho que estudar para ir aos exames nacionais para puder ir para o décimo e recuperar os anos que deixei erradamente para trás.
Mesmo nesse aspecto o Sérgio está atento?
Exactamente, o Sérgio está atento a tudo, sempre que tive problemas ele ajudou-me. Lembro que numa sexta-feira após um treino aqui no Fontes, ele que nos vai levar a todos e eu sou o primeiro que ele deixa, nesse dia fez ao contrário, foi levar todos e ficou comigo até à uma hora da manhã.
Queres acabar com alguma mensagem?
Sim para os seccionistas e treinadores. O Simas, o Bruno, o Nuno, o João, eles que trabalham todo o ano para que nada nos falte e são excelentes. É claro que às vezes no balneário há aqueles conflitos e tal… mas é para despertar. Um abraço para todos.
Porque te chamam... ervilha?
Sei lá, são malucos!

LUÍS PEDRO, O GUARDA-REDES MATADOR

LUÍS PEDRO
O JOVEM GUARDIÃO E UM DOS "ICONES" DO BOAVISTA

Luís Pedro é um dos dois guarda-redes da equipa juvenil de futsal que se sagrou campeã Nacional. Aproveitamos um intervalo entre aulas (aceite pela prof) e na esplanada da pantera conversamos um pouco, para melhor o conhecermos.

Luís, passados uns dias da conquista nacional, como a continuas a sentir?
É uma sensação muito boa, porque no fundo consegui concretizar um sonho, que comecei a alimentar desde que comecei a jogar o Boavista. Nos iniciados ainda não há campeonato a nível nacional, por isso o ano passado só ganhamos o título distrital. Sempre tive a esperança que nos juvenis, com a equipa forte que temos, de vencermos o titulo Nacional.
Vamos falar um pouco de ti, quando entraste no Boavista?
Eu vim no ano de dois mil e sete, das escola de Gondomar, para os iniciados. Fui duas vezes campeão Distrital de Iniciados e agora de Juvenis, distrital e Nacional.
Na primeira fase da época, a nível distrital, vocês assumiram-se como favoritos sem medo de algum adversário?
Sabíamos que o maior adversário era o Alpendurada, não por ser forte como equipa mas por ter cinco/seis jogadores fortes, bons mesmo, que formam um conjunto forte que joga um bom futsal. Depois havia aquelas equipas que iriam naturalmente complicar, como por exemplo o A. Criança, o Freixieiro. Demonstramos o nosso valor a vencer em Alpendurada e a partir daí foi quase só gerir.
Sem tirar o pé…
Sim, claro jogando sempre o melhor que podíamos porque o nosso “mister” nem outra coisa aceitava, para ele é sempre a sério.
Entramos na segunda fase já a nível nacional, onde vocês foram brilhantes. Ultrapassando a tua veio filosófica do final do jogo em Loures, diz-me lá acreditavas em vencer o Sporting?
Eu acreditava. Eu vivo o futsal intensamente e sempre acriditei que tínhamos equipa para os vencer.
Mas o resultado da primeira mão era de dois a dois…
Isso é verdade mas a nossa conversa nos balneários do Rosa Mota, quer no intervalo, quer no final do jogo, era unânime e todos reconhecíamos que tínhamos equipa para vencer e por isso vamos a Lisboa e arrumamos a questão lá, como podíamos ter arrumado cá.
Mas com cinco minutos de jogo lá, estáveis a perder por dois a zero…
Sim, dois a zero, com dois amarelos, com os árbitros a mostrar ao que estavam, tudo isso é verdade.
Nessa altura, tu pensavas… já fomos (provocamos)
Não, não. Quem reparasse em mim via que eu estive sempre em pé incentivando os meus colegas porque eu sabia que nós éramos melhores e tínhamos que ganhar. Dei sempre moral aos meus colegas porque acredito na capacidade deles.
Conseguir o empate antes do intervalo, foi importante?
Sim, foi muito importante. Porque ao atingirmos o intervalo com tudo igual outra vez e com tempo para assentar-mos ideias e conseguir a calma que não conseguimos no início. A segunda foi toda nossa.
Pois… mas vamos de novo, aquela nossa conversa de Loures. Como é que foi aquele golo, que sofreste?
É contra a corrente do jogo.
Isso, eu sei e estou de acordo, mas explica como o viste…
É um canto o jogador do Sporting enrola a bola para dentro, não quero deitar nomes para a lareira (interrompemos… podes dizer mal dos teus colegas, à vontade) mas se não me engano há dois jogadores nossos, pareceu-me o Miguel e o Leandro, ficam os dois a olhar para a bola e nenhum ataca. E o Dani, que estava a marcar o número sete deles, não permite ver a bola. Assim quando vejo a bola ela está a entrar e, eu nada mais posso fazer que a olhar. Talvez essa tenha sido a imagem que fiou na ideia dos espectadores.
Para não pensares que estou sempre a dizer mal de ti, que não é verdade, vamos falar de duas extraordinárias jogadas que fizeste na primeira mão da final. Como é que te ocorreu fazer aquilo? (duas grandes defesas e lançando o contra ataque vai marcar ele próprio dois golos).É hábito teu?
No Boavista nunca tinha feito isso. Já fiz golos de baliza a baliza quando o adversário joga de cinco para quatro, mas em jogadas destas nunca tinha marcado. Desde o ano passado que o Sérgio tem treinado comigo estas transições que nos dão superioridade numérica. Já no campeonato tinha ensaiado esta jogada, mas ainda não tinha saído, estive muitas vezes perto de marcar mas nunca o consegui, mas tentei muitas vezes.
E consegues logo na final…
No intervalo quando estava a aquecer para entrar no jogo o Sérgio veio ter comigo e disse-me “ o Axel e o Ivo têm instruções para quando tiveres a bola na tua posse abrirem os dois nas alas e tu meteres a bola num deles ou seres tu a começar a jogada”.
Diz-nos como foi…
Lembro-me que há uma primeira jogada em que eu dou no Axel mas ele não conseguiu afundar em mim. Na jogada do primeiro golo, eu dou no Pedro, ele ganha vantagem no adversário directo dele e consegue meter a bola ao primeiro poste e marco. No segundo eu fiz a defesa meti a bola e fiz um sprintezinho (riu-se) para chegar primeiro que o Alex e marcar.
Foi uma homenagem que os teus colegas te fizeram…
Foi (riu-se).
Isto aconteceu quando ganhavam por quatro a zero e esse lace do primeiro golo, relança a equipa…
Eles estavam por cima de nós! (interrompe).
Ainda bem que registas isso, porque eu considero que o ABC vale mais do que o resultado diz. Concordas?
Claramente! O resultado é injusto para eles! Quando marco aquele golo que é o quinto, faço uma festa enorme porque interiormente senti que ali resolvemos o jogo. A partir daí olhávamos para os olhos deles e notava-se que eles praticamente tinham desistido com esse golo. Até ali, na segunda parte, eles estavam muito fortes e deram muito trabalho.
Foi o teu melhor jogo da época?
No seu todo, foi!
Uma das questões que eu coloquei no início da época ao Sérgio era de temer que a subida de escalão vocês não conseguissem manter a competitividade e chagar ao título. Afinal estava errado, a que se deve o facto de não terem sentido esse choque?
Vamos por partes. Entraram dois jogadores, o Dani e o Axel que vieram dar muita qualidade ao plantel. Os jogadores que já estavam que eram o Pedro, o Alex e o Leandro que eram jogadores com muita qualidade.


No primeiro ano de juvenis dois deles tiveram poucas oportunidades de mostrar o seu valor e esta época, com as oportunidades reais, que o Sérgio lhes deu, mostraram o seu real valor. Juntando a estes os que subiram e que tinham muita qualidade, formamos uma excelente equipa.
As exigências que o Sérgio vos impõe não vos cansam? Depois de um treino de hora e meia, muitas vezes ainda vai conversar convosco mais meia hora. Muitas vezes não pensam em…? Podes dizer mal do Sérgio à vontade.
Eu não digo mal do Sérgio, toda a gente que me conhece sabe que para mim o Sérgio é um ídolo.
Quer como pessoa quer como treinador.


Ajudou-me a crescer muito enquanto homem enquanto atleta e os métodos de treino dele dão resultados. Ele aprendeu muito com o Berto, mas ele tem muito valor como treinador. Mesmo os atletas que entram notam a diferença de ritmo e intensidade dos treinos. Isso nota-se dentro do campo. Não há equipa que trabalhe como nós!
Para o ano continuas juvenil?
Continuo.
E com o Sérgio a treinador?
Espero bem que sim.
Para revalidar o título, embora seja mais difícil?
Não acho que seja mais difícil. Muitos dos atletas do primeiro ano, pensaram erradamente que não iriam ter tantas oportunidades e não deram tudo o que podiam, foi o erro deles. Para o ano, sabendo que vão jogar, vão dar tudo e por isso vão manter o nível da equipa.
O treinador coloca os dois guarda-redes nos jogos. Mesmo num jogo decisivo ele faz. Isso demonstra a confiança que tem em vocês os dois. Mas como vês tu isso, sem filosofias e não haverá uma luta para um ser encostado?
Não essa luta não existe. Nós sabemos que somos dois grandes guarda-redes, na minha opinião somos os dois melhores guarda-redes nacionais.


Estou-me a lembrar do guarda-redes do Vermoim que é muito bom, do Sporting que também é e alguns da associação do Porto que têm valor, mas nós somos melhores.
O Fragata é um grande guarda-redes, temos estilos diferentes, eu sou melhor numas coisas e o Fragata é melhor noutras. Nos treinos vamo-nos ajudando e vamos evoluindo e completando-nos.
O Boavista o que significa para ti?
Eu antes de vir para o Boavista via o Boavista como o pápa tudo no futsal. Já tinha jogado com eles e tinha perdido por catorze, por quinze, enfim. Eu olhava para o Miguel Ângelo… minha nossa senhora! Na altura, o Filipe, o João, o Leandro, o Pincha e o Alex e como eu toda a gente olhava para eles como ídolos.
O sonho de qualquer jogador era estar numa equipa assim. Eu consegui realizar o meu sonho.
Fora do futsal, o que te diz?
Como Instituição, foram campeões Nacionais, nos quatro campeonatos anteriores lutaram sempre pelo título e desde que aqui estou vibro muito pelo Clube. Mesmo estando aqui há três ou quatro anos, ganhamos umas costelas.
Que idade tens?
Dezasseis.
Explica como é isso enquanto toda a gandulada está na praia tu ainda tens escola. Porquê?
Estou a tirar um curso de recuperação de computadores e ano lectivo só acaba na quarta-feira. Tenho que estudar para ir aos exames nacionais para puder ir para o décimo e recuperar os anos que deixei erradamente para trás.
Mesmo nesse aspecto o Sérgio está atento?
Exactamente, o Sérgio está atento a tudo, sempre que tive problemas ele ajudou-me. Lembro que numa sexta-feira após um treino aqui no Fontes, ele que nos vai levar a todos e eu sou o primeiro que ele deixa, nesse dia fez ao contrário, foi levar todos e ficou comigo até à uma hora da manhã.
Queres acabar com alguma mensagem?
Sim para os seccionistas e treinadores. O Simas, o Bruno, o Nuno, o João, eles que trabalham todo o ano para que nada nos falte e são excelentes. É claro que às vezes no balneário há aqueles conflitos e tal… mas é para despertar. Um abraço para todos.
Porque te chamam... ervilha?
Sei lá, são malucos!

domingo, 11 de julho de 2010

HENRIQUE SANTOS, SEM MEIAS PALAVRAS


Henrique Santos, treinador dos iniciados do andebol, é um homem consciente que os seus jovens atletas poderiam ter conseguido um pouco mais numa época de choque pelo nível competitivo encontrado.
Mostrou-se calmo como sempre e confiante no futuro, registando muito de positivo, nesta conversa no café da pantera, antes de mais um treino.
Foi uma viagem pelo passado e chegou a ter pontos de análise para o futuro e em alguns pontos pareceu uma lição técnica de andebol..

A ÉPOCA QUE TERMINOU
Vamos começar por um resumo do ano. O campeonato foi forte, ou os atletas eram jovens de mais?
O campeonato foi o que eu estava à espera. A verdade é que vendo os adversários que teríamos que defrontar, achava que tínhamos hipóteses de permanecer e descemos.
Nota-se uma mágoa. Falhou o quê?
Nem dá para explicar porque descer com os mesmos pontos da equipa que ficou é algo frustrante, complicado e muito mau. Tivemos um jogo muito difícil em Leiria e perdemos esse jogo. A partir daí tudo ficou muito complicado. Démos tudo, mas sabíamos que depois dessa derrota irmos, no último jogo, ganhar ao S. Bernardo era quase impossível.
Mas na globalidade, foi positivo?
Acabou por ser uma época como era esperado. Num campeonato exigente com uma equipa muito jovem, muito tenrinha, a defrontar equipas fortíssimas com ritmos “estúpidos” a jogar andebol, que pareciam coisas do outro mundo.
Muito difícil?
Sentimos muitas dificuldades na primeira fase, onde quase só somamos derrotas, tirando o Fafe. Na segunda e terceira fase, demos um ar da nossa raça, começamos a ver o que era a primeira divisão. Sabíamos que ia ser complicado, isso, sabíamos. Se me perguntarem se podíamos ter feito mais… acho que sim!
Ao fim e ao cabo, um empate conseguido num jogo qualquer teria salvado a época. Não lhe custa ver essa realidade?
O que custa foi ter perdido o lugar classificativo, com o D. Fuas Roupinho. Primeiro porque o D. Fuas não tem andebol para nós e ficou provado isso nos jogos que fizemos com eles.
Mas perderam lá, como explica?
Foi um dia mau. Começou com uma viagem muito complicado que aconteceu num dia de temporal desfeito. Chegamos com um grande atraso, depois o pavilhão para o jogo estava em obras e chovia no interior, tivemos que procurar outro pavilhão… saímos de lá já era noite e tudo isso nos veio a prejudicar. No jogo em nossa casa, vencemos com facilidade, porque somos claramente mais fortes.
Foi aí que perdeu o seu campeonato?
Não! Onde perdemos foi no 1º de Maio! Não esperava essa derrota, sem ela safávamo-nos.
Se o campeonato tivesse início agora seria diferente?
Sem dúvida alguma. Acabamos a prova com mais velocidade, mais ritmo competitivo, os jogadores já conseguiram encaixar as situações do próprio jogo, num um contra um, no ataque e contra ataque, que são situações que acontecem muito na primeira divisão. Neste aspecto, eles evoluíram muito e, são neste momento, muito melhor equipa.
Numa análise individual do treinador, houve surpresas?
Tive miúdos que evoluíram muito. Alguns mais do que eu esperava, outros ficaram aquém do que contava deles e me acabaram por desiludir. Eu sei a razão porque aconteceu.
Podemos saber, qual?
Tinha dois miúdos muito bons que vieram dos infantis, digo mesmo fantásticos. Mas quando só treinamos três vezes por semana e só se vem a um treino… não se consegue evoluir e essas duas grandes promessas acabaram por perder o lugar na equipa.
Mas porque não vinham aos reinos essas duas promessas?
Falo mais por um deles, que tinha seis negativas na escola, que no final acabou por passar de ano, muito à rasca e como é normal os pais começaram a cortar-lhe as pernas desportivamente falando, deixando-o vir a penas a um treino. O resultado foi que muitas vezes nem sequer era convocado, porque não o iria convocar em deferimento de outros que treinavam sempre. Mas pela positiva tive miúdos que me surpreenderam e estiveram muito bem dando muitas esperanças para o futuro.
O PRESENTE
A equipa vai sofrer muitas alterações por causa das idades?
Sobem quatro ou cinco jogadores para os juvenis, um deles que tem uma influência brutal, porque é um jogador fora de série, que é o caso do João. Não tenho dúvidas nenhumas que o João vai ser uma mais-valia na equipa de juvenis, onde vai ser muito importante. Mesmo com estas saídas, vamos ficar com uma equipa muito interessante e equilibrada, para disputar o campeonato nacional da segunda divisão.
O FUTURO
Candidata a subir?
Para mim, sem dúvida alguma… é para subir. Com três ou quatro jogadores que virão dos infantis com muita qualidade, estamos a falar do Diogo – que está na Selecção Nacional de Iniciados em rio Maior - estamos a falar do Paulo, do João e do próprio Bernardo que são excelentes atletas. São quatro miúdos que vão ser uma mais-valia na equipa de juvenis para o ano, estou certo disso.
Esta época será diferente, pelo menos o contacto com as vitórias será muito maior. Isso é positivo?
Para mim o objectivo é repetir o que fizemos há dois anos. Passar à fase final, estar nos seis melhores, entre cinquenta e duas equipas, como há dois anos estivemos na Régua. Esse é o primeiro objectivo que sei ser possível e pelo qual vamos lutar desde início da época.
Confiante?
Sim estou, mas claro que pode acontecer o aparecimento de um out-sider, como há dois anos aconteceu connosco e nem sermos apurados. Mas estou confiante no nosso apuramento. Acho que eles…ou nós! Eu ainda não sei se vou continuar…
Essa é uma pergunta que lhe quero colocar. Já me conhece e sabe que eu não durmo muito… por isso, tenho dúvidas se você vai continuar neste escalão. Já há algumas definições sobre isso?
Continuar no Boavista é uma das minhas prioridade, existem convites, não vou dizer que não. Há e o Santos (Director) sabe que há, como houve quatro ou cinco convites o ano passado. O ano passado com a grande época que fizemos, não falavam convites para os treinadores e jogadores.
Está difícil?
Eu disse ao Santos, que sinto-me bem aqui, sinto-me apoiado, tenho horários excelentes, estou perto de casa, não é o dinheiro que me vai fazer decidir, mesmo sabendo que é uma parte complicada. Só teria um poder de decisão se me oferecessem um valor que me dispensa-se de trabalhar (riu-se). Por isso, falei com o Santos e comuniquei-lhe que se o Boavista estiver descontente com o meu serviço eu saio, se estiver interessado na continuidade dos meus serviços, por mim estou pronto a continuar onde quiserem. Estou contente com as pessoas , sinto-me bem com todos, tenho cada vez mais uma certa afinidade com os pais dos jogadores, tudo isso conta muito e não era por aí que ia abandonar.
Sei que pode mudar de equipa… como vê também ando informado. É verdade?
Na realidade pode haver algumas alterações entre os treinadores do clube. Eu sinto-me bem nos iniciados, mas parece que quero que eu mude…
DE VOLTA AO PASSADO PESSOAL
Será uma novidade?
Não! Eu já treinei seniores no início da minha carreira! Eu tinha um guarda-redes com trinta e oito anos! Ainda ontem no andebol de praia o vi e ele nunca se esqueceu de mim. No início da carreira eu treinava guarda-redes, porque sentia vocação para esse cargo e tirei um curso nessa área, porque era nessa área que eu me revia. Depois debrucei-me pelos outros pontos. Por isso já treinei seniores. juvenis e juniores.
Então nem sempre foi um técnico de formação…
Eu estive dois anos nos seniores, foi uma excelente experiência nos seniores! Tínhamos um balneário fantástico e aprendei muito com os mais velhos que tínhamos lá. Falava com eles e trocávamos experiencias e ideias.
Em que clube?
No Lusitanos, numa excelente equipa baseada em miúdos que subiram dos juniores e ficamos em segundo lugar.
O PRESENTE … DE NOVO!
Voltemos um pouco atrás…
No andebol até aos juvenis consideramos formação, por exemplo no Futsal o escalão de juniores ainda é formação, no andebol não. No andebol a formação vai até aos juvenis.
Vamos exemplificar… Iniciados?
Os iniciados são um escalão que gosto de treinar porque para além de ter um campeonato com muitos jogos, é muito competitivo porque tem muitas equipas. É impensável outra modalidade onde o campeonato da segunda divisão ter cinquenta equipas.
Juvenis?
Os juvenis é o escalão que serve de passagem que fica no final da formação e no início da competição. Foi o escalão em que me iniciei quando cheguei ao Boavista, fomos vice-campeões nacionais e ganhamos a Taça da Associação do Porto, foi esta equipa que subiu esta última época à primeira divisão e será esta a equipa que eu posso voltar a treinar se acontecer a tal reestruturação que está em estudo. É um grupo muito forte e muito unido, que este ano, também por as dificuldades da primeira divisão e com alguns atletas mais desmotivados por jogar menos tempo, estará um pouco descrente mas que facilmente se levantra. Há sempre diferenças de trabalho, minhas do Franquelim, do Vítor porque cada um tem a sua forma e o seu método de trabalho.
Falemos da sua…
As minhas equipas são muito competitivas e têm que seguir as regras à risca, podem não jogar muito andebol, mas apresentam sempre um grande nível de competição. Antes de haver de uma equipa, tem que haver um grupo! Não pode haver uns a puxar para cada lado. Os juvenis é um escalão muito perigoso e difícil. Há os grupos dos que vão ao cinema, há o grupo dos que já bebem uns canecos, o grupo dos que já fumam, etc… isso vai provocar uma naturalmente formação de grupos, dentro da equipa.
Concordo com essa visão, até por experiencia do meu tempo de arbitragem…
Depois há os grupos dos que já saem à noite e pensam que já sabem tudo. Se conseguirmos unir todos estes grupos, não tenho dúvidas que faremos uma equipa muito competitiva e que no mínimo tem que ir á fase final do campeonato. Eu conheço bem aquela equipa, que com os atletas que vão entrar e que irão lutar pelo seu estatuto, penso que o João irá pegar nessa equipa. Não digo que pegue de estaca mas vai jogar muitas vezes.
Mas qual o escalão que prefere treinar?
Não sei qual a que prefiro. Já disse ao Santos isso mesmo, se uma delas estivesse na primeira divisão naturalmente escolheria essa. Estando ambas na segunda, eu penso assim; se for para os Juvenis fico contente porque vou para a equipa que conheço e que formei há dois anos. Se ficar nos iniciados, fico também contente, porque é um grupo que tomei conta no ano passado e que estão a evoluir e essa é a grande vantagem, que é estar presente na sua constante evolução.
PESSOAL
Durante um jogo, que lhe está a correr mal. Como actua você, como treinador ambicioso e competitivo, ou como técnico de formação que deixa o resultado para segundo plano?
Muito simples. Campeonato nacional da primeira divisão, é para ganhar, seja em que escalão for. Temos um emblema para defender e as pessoas têm que compreender. Vou dar-lhe um exemplo, eu tive um problema desse género quando cheguei ao Boavista.
Se tiver seis ou sete atletas que lhe oferecem mais garantias é nesses que aposta?
Exactamente, é nesses que aposto.
Voltemos ao exemplo…
Eu vim de um clube – Lusitanos – em que estive nos juvenis quando cheguei aqui peguei nos iniciados. Com esse grupo, fomos ao Ismai disputar um encontro que tínhamos que vencer, para ganhar uma Taça, era uma Taça regional, mas era uma Taça! Cheguei lá e coloquei em campo aqueles que considerava ser a melhor equipa. No final a mãe de dois atletas veio ter comigo e reclamou, dizendo-me que se soubesse que era para isso, não era preciso treinar durante a semana. Respondi-lhe que falaríamos depois do próximo treino porque naquela altura estávamos todos a pensar a quente. Antes desse treino fui falar com o director.
e perguntei. Santos, no Boavista estamos para vencer ou para rodar todos? Se for para rodar todos, não precisa de treinador, mete sete no inicio, outros sete na segunda parte e está perfeito. As pessoas têm que ver que a seguir aos iniciados estão os juvenis e nesse escalão tudo vai ser muito mais duro e, eles têm que saber que estar no banco é o mesmo que estar em jogo. Verem o que se passa lá dentro, ver como o adversário é mais forte no um para um, ver as dificuldades do adversário, ver qual o ponto mais fraco do adversário para sabermos como vamos actuar e aplicar as nossas jogadas. Não é criticar os que estão lá dentro e depois quando entram fazem igual e cometem os mesmos erros. Estar no banco é o mesmo que estar a jogar, para sermos mais competitivos.
Eles reagem positivamente?
Passaram dois casos este nítidos, nítidos, que ninguém consegue explicar e deixou tudo de boca aberta. É caso do Costa que é um jogador fabuloso que perdeu o lugar para o Queijinho, que é aquele jogador pequenino, gordinho por quem ninguém dava nada e o queijinho foi titular fez seis golos ao ABC, marcou sete ao S Bernardo e acabou uma época em beleza, teve uma evolução estúpida é um jogador rematador. Aquele molenga do inicio da época é agora dos que mais trabalha e isso porquê? Porque viu que só com trabalho se consegue evoluir. Quando estavam no banco estava concentrado, quando entrava no jogo cumpria e as coisas acabaram por acontecer. Agora, se me vão dizer que é para rodar todos… se der para rodar sou o primeiro, mas também sou um treinador muito conservador. Trocar é só quando eu estiver a ganhar por doze e sei que vou ganhar por vinte, como aconteceu o ano passado quando ganhamos por cinquenta e dois em que ao intervalo mudei a equipa toda e nunca mais os meti. Estar por estar eu não estou! Para rodar então vamos para o regional e não nos importamos com os resultados. No nacional é para ganhar sempre! Num nacional para um clube como o Boavista – que pode estar a passar dificuldades, como está, mas é um emblema que tem que ser honrado. Nós naõ podemos levar cinquenta, depois toda a gente iria falar nisso. O Boavista levar cinquenta, não é a mesma coisa que o Padroense levar cinquenta.
A REALIDADE
Falando das dificuldades e falta de condições – que nem muitos boavisteiros conhecem – que vocês têm, falta de subsídios, poucos tempos de treinos, etc… o que faz um treinador continuar no Boavista? Porque é que continua no Boavista?
Falar do Boavista, é falar a mesma linguagem de um Porto, de um Benfica, de um Sporting. O Boavista é um emblema nacional. Repare eu trocar o Boavista pelo Padroense, pelo Cal, pelo Lusitanos - que foi o clube de onde vim e sei que me acolhiam de certeza - não tem cabimento algum. Olhe, o ano passado tive um convite do FC Porto e não aceitei. E não aceitei depois de estudar o projecto porque ele fizeram-me uma oferta material baseado em saberem que eu nada recebo no Boavista. Fizeram uma proposta de mais cinquenta euros daquilo que acordei com o Boavista – porque pensaram que eu não recebendo aqui iria aceitar. Não gostei e recusei. Eu não troco o Boavista por este ou aquele, como já lhe disse.
Porquê?
Estar no Boavista é estar num clube histórico, num clube centenário. Sou sincero quando vim para cá o Boavista não me dizia nada! Sou Leixonense, tenho uma costela do Benfica, por isso o Boavista para mim era mais um clube. Mas isto é como tudo, vim para cá aprendi a gostar do Boavista, se calhar era o primeiro a pedir ao Santos para me arranjar um convite para vir ao futebol ver o Boavista. Isto é que fez ficar por aqui. Repare nós chegamos ao fim da época, ou à Pascoa e o Boavista é convidado para estar em inúmeros torneios. E algumas só pelo nosso nome. Quer um exemplo o Samora Correia que convidam sempre as melhores equipas do país e convidam sempre o Boavista. Fomos recebidos como heróis, fomos dormir para uma Residencial de quatro estrelas sem pagarmos um tostão e ainda nos transportaram num autocarro para a Nazaré onde teríamos que estar noutro torneio. É por isso que um homem fica por aqui. O Boavista é um emblema.

E tem mais! Vencer pelo Boavista tem mais valor, porque toda a gente quer ganhar ao Boavista. Dou um exemplo, quando fomos jogar a Lamego o pavilhão estava completamente cheio, mas cheio mesmo. Perguntei se era sempre assim ter um pavilhão cheio num jogo de iniciados, responderam-me que não. Estava cheio porque era o Boavista que ia jogar e só está assim cheio quando jogamos nós ou o Porto. Isso alegrou-me encheu-me o ego ver um pavilhão cheio, cheio, cheio para ver os iniciados do Boavista.
Fica para sempre…
Não será assim, se tiver que deixar, deixo mas não será fácil, até porque à frente de tudo temos o senhor António Santos que tudo faz para nada nos faltar e para isto continuar. Nunca deixaria por deixar. Isso não o faço!
Eu que tenho algum contacto convosco noto a vossa união…
É verdade e tem que ser e existir uma colaboração total entre todos treinadores, seccionistas. E se não fosse assim não íamos a lado nenhum. Todos nós colaboramos para que nada falte, se não posso ir eu vai outro, mas vai sempre alguém. Todos os treinadores são fantásticos, temos gente com muito valor. O caso do Carmo, que começou a dar os primeiros passos como treinador mas que está aqui há muito tempo, sabe como se faz e desfaz e é uma mais-valia para o Boavista. Ele organiza o andebol de praia, ele procura torneios, ele joga e treina… ou fim e ao cabo é um organizador de toda a formação.
Falta então resolver os pequenos pormenores com o Director para a continuidade?
Exactamente, o Santos deu-me o toque para treinar os juvenis. Não lhe disse nem que sim nem que não, disse-lhe que via com bom grado. Sinto-me que me querem nos juvenis porque me vêem como mais um treinador de competição que de formação. Se assim que querem… vamos a isso!