terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RUI PEREIRA, FALA DO PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Rui Pereira é sem dúvidas, um dos mais conceituados técnicos do nosso futsal. Axadrezado desde nascença, regressa uma vez mais ao Boavista e está a realizar uma época bem mais positiva que o esperado. Mas é nossa intenção falar um pouco sobre a paragem que o Rui experimentou nos últimos tempos. O porquê dessa paragem?

Já houve alguns períodos que estive fora da modalidade, cerca de uma época, época e meia, mas nunca foi por vontade pessoal. Esse afastamento temporário, ficou a dever-se a falta de convites por mim, como interessantes, ou de interesses de clubes.
Cheguei a pensar que o Rui Pereira, por razões familiares, teria decidido terminar com a carreira…
Não, aliás pelo contrário. A minha família, sempre fez parte deste projecto desportivo, é até uma razão de aproximação, nesse aspecto, as coisas estão organizadas para o futsal fazer parte da nossa vida conjunta. Os miúdos gostam de ver os jogos e de acompanhar a minha actividade desportiva, que nunca colidiu com a nossa vida familiar. É algo que está dentro dos nossos hábitos e relacionamento familiar. Como disse, foram dois períodos, algo longos, mas nada de anormal.


O Rui quase desapareceu do futsal, quase não era visto, daí a minha conclusão, que agora reconheço como precipitada.
É a minha postura pessoal, que quando não estou a treinar uma equipa, me afastar um pouco dos pavilhões e dos jogos ao vivo, para que a minha presença não seja mal interpretada e não sirva – de algum modo – como pressão sobre o meu colega que esteja a treinar o clube, ao qual eu estivesse a assistir ao jogo. É verdade que quando treino um clube, assisto a mais jogos que quando estou livre.
Quando treina assiste a muitos jogos?
Claro que sim, preciso de analisar adversário e de me aperceber de determinados pormenores, que só se verificam com uma presença física.

Vamos então ao regresso.  Sabendo que já se encontrava comprometido com outro clube, pergunto-lhe. Como surgiu o convite para o regresso ao Boavista e se o processo com o clube a que estava comprometido, foi pacífico?
Eu tinha um compromisso desde a época passada, assumido com o GD da Cohaemato. Fui convidado pelo presidente do clube e comecei desde logo a organizar a época, para trabalhar na Cohaemato. Comecei a organizar – e porque tinha muito tempo para o fazer – organizar o plantel, organizar… enfim tudo para entrarmos na época sem qualquer assunto em atraso. Organizei tudo debaixo das minhas características e da realidade da Cohaemato, naturalmente.
Mas então apareceu o Boavista. Como se dá essa aproximação, que aconteceu já na pré-época?
O Boavista, começou a sentir algumas dificuldades para conseguir a continuidade do treinador anterior, o Alberto Melo, que por motivos profissionais, pressentia-se, não poder vir a dar toda a atenção que uma equipa no primeiro escalão necessita. Notava-se, que o Berto ia ter problemas por motivos profissionais, para assegurar a presença em todos os treinos e penso, que essa situação levou a que me contactassem, apresentando-me um convite para regressar ao Boavista.

Como aconteceu todo o processo?
Depois de abordado por pessoas que considero amigas, com o Morais e o Rui Melo, ponderei e fui – como teria que o fazer sempre – conversar com o Presidente da Cohaemato. Explicar-lhes que o que estava em causa não era uma proposta financeira, felizmente (quando estava comprometido com a Cohaemato) tinha aparecido uma proposta financeira, que recusei, porque estava comprometido com o clube. Explicar-lhes que o que estava em causa era o Boavista, o meu clube do coração, o clube onde estive mais anos consecutivos como treinador, o clube que me liga a toda a família, pois todos somos – na minha família – boavisteiros. Eles entenderam e assim tudo se passou de forma civilizada e pacifica entre as partes interessadas.
  
Vamos entrar então no mundo do Boavista. Eu confesso e todo o país com a excelente temporada axadrezada. A si responsável, pela equipa. Surpreendo ou nem por isso?
Vamos ser rigorosos. Realmente a pontuação que o Boavista tem neste momento é uma surpresa, pela positiva. Nós não esperávamos que a época estivesse a correr tão bem como tem estado a correr, como até agora. O Boavista, quando me convidou, fê-lo para ficar à frente de dois clubes, que é como quem diz, evitar a descida de divisão. Sabíamos que podíamos fazer um pouco mais, se o plantel correspondesse, se as coisas corressem bem etc… mas o objectivo do clube era a manutenção.
Era?
A época tem-nos surpreendido pela positiva, mas ainda falta muito para se jogar.
Deixe-me acrescentar, que quando vi o calendário, o considerei muito problemático e pensei que só pela sexta jornada, conquistariam os primeiros pontos. Enganei-me. O que quero dizer sobre isso?
Sinceramente não me assustou e até considero que o calendário foi positivo, nesse aspecto.
Explique lá isso.
A equipa técnica entrou uma semana antes do início do campeonato e por isso uma semana antes do jogo com o Belenenses e aproveitamos as duas semanas seguintes. Semanas em que defrontávamos o Benfica e o Sporting, para realizar a nossa adaptação ao grupo, com os nossos métodos numa nova pré-temporada chamemos-lhe assim. Fomos impondo as nossas formas de estar, de trabalhar e sistemas de jogo. Nessas três semanas trabalhamos sem grandes pressões preparando o futuro. Por estas razões considero que o calendário foi de certo modo, positivo.
Desistiram dos jogos com os Lisboetas?
Nunca se desiste! Encaramos, foi esses dois jogos como jogos de pré-temporada, se acontecesse algo de bom… tudo bem. Mas nada melhor que trabalhar sem a pressão dos pontos e nesse aspecto, considero que o Benfica e Sporting são adversários, em que ninguém pode esperar ganhar pontos antecipadamente, sendo assim os melhores adversários que poderíamos ter nesse período.


Conhecendo os adeptos, como conhecemos, podemos dizer que agora atravessamos a fase da euforia, em que tudo é possível e tudo se exige. Já tive o prazer de trabalhar muitos anos consigo e sei que não partilha desse entusiasmo. Como lê a situação, quando apenas se realizou a primeira volta?
Nesta fase não jogamos com objectivos classificativos, neste momento continuamos a jogar para conquistar pontos, jogo a jogo, semana a semana, para amealhar o maior número de pontos. Nesta fase, continuamos a trabalhar para evitar a descida de divisão.

Nos anos anteriores, os números de trinta e dois pontos davam para entrar no play off. Tendo conquistado, já, vinte pontos, o Boavista está a doze de se entrar nessa fase final?
Quando estamos a jogar com o Braga ou com o Belenenses, jogamos para ganhar. Não estamos a pensar se aqueles pontos, vão servir para este ou aquele objectivo. Sinceramente, neste momento, o nosso objectivo é ficar na primeira divisão. Ainda fazemos as contas às diferenças de pontos entre nós e a primeira equipa que está na zona de descida. Enquanto essa distância não for impossível de ser invertida, nós lutamos para não descer de divisão.
Quando conseguirmos atingir uma margem pontual que nos garanta a manutenção então a partir daí iremos redefinir os nossos objectivos, para que a equipa se mantenha unida e ambiciosa.

O campeonato está um pouco anormal – na minha opinião – temos tubarões afundados… que de repente podem acordar e tudo se alterar. Concorda com esta minha visão?
Completamente. O campeonato está um pouco irregular, neste momento temos duas equipas na situação de descida com doze pontos e por isso apenas a oito do quinto lugar… quando se referiu a tubarões, estou a ler… Rio Ave, Modicus, Olivais. Eu digo-lhe que a pontuação dessas equipas não está traduzida em pontos e que a qualquer momento, essas equipas podem começar a subir na tabela. Nós estamos sempre à espera semana a semana, que essas equipas comessem a somar três/quatro vitórias consecutivas e saiam da posição em que se encontram. São equipas com ambições, com tradição e equipas com valores e  plantel capazes de alterar tudo num espaço curto de semanas. Eu estou á espera que isso aconteça, por isso, considero importante, todos os pontos que possamos conquistar agora. Veja, por exemplo, que o Modicus foi há duas épocas um dos primeiros classificados, foi á final da Taça, o Rio Ave foi o terceiro classificado do ano anterior, são clubes com historial no nosso futsal. A segunda volta pode vir a ser muito diferente da primeira.

A prova sofreu alteração. Terminou o play-out (ainda bem, digo eu. Já fomos vitimas dessa ingrata e injusta fase) agora descem dois directamente e quatro terminam a época mais cedo. Qual a sua análise a este quadro?
Eu considero uma  alteração positiva, porque as equipas que sobem do segundo escalão, praticamente descem. Mesmo com quatro descidas, esses lugares eram (quase sempre ocupados pelos quatro que subiam) algumas equipas foram excepções. Furou o ano passado o Cascais, furou há dois anos o Rio Ave e mais atrás furou o Modicus. As equipas que sobem apresentam um deficit competitivo, comparadas com as que já estão há alguns anos no escalão. Por estas razões considero, uma alteração positiva.
Mas na próxima época só subirão dois, um de cada zona. Isso não tirará interesse ao segundo escalão?
Não há, na segunda divisão mais que uma duas equipas com qualidade para jogarem na primeira divisão. As diferenças são abismais, normalmente a segunda classificada de cada série da segunda divisão, não apresenta condições para competir no primeiro escalão.

A modalidade em Portugal encontra-se em mudanças. Todos criticamos, mas nem todos apresentamos soluções. Com o é que o Rui Pereira vê a actualidade e o futuro do futsal em Portugal?
Fruto da crise que atravessamos e das dificuldades que existem actualmente, há dificuldade em conseguir patrocinadores em que todos os clubes tenham condições de manter os seu melhores jogadores, verificamos que alguns clubes, mesmo de meio da tabela, viram os seus jogadores saírem para jogarem em diversos campeonatos estrangeiros. Essa realidade equilibrou mais o campeonato, mesmo que por baixo, mas tem a vantagem de estar a permitir trabalhar mais com jogadores jovens na primeira divisão que noutros tempos não teriam oportunidades. Tudo somado, estamos a ter um campeonato mais equilibrado e mais competitivo. Há três/quatro equipas de um nível superior e todas as outras competem pelo título de não descer de divisão.

A crise também afecta o futsal?
Claramente. Os melhores jogadores nacionais saem mais facilmente e os clubes deixaram de ter grandes hipóteses de ir buscar ao Brasil jogadores com o valor como se fazia até aqui.
A base de progressão que deveria nascer na segunda divisão, não se nota na primeira?
As diferenças entre a segunda e a primeira divisão, são um abismo. Não na qualidade de jogadores que teriam sempre tempo de evolução, mas no ritmo de jogo, na intensidade do mesmo, dos parâmetros físicos entre os dois escalões. Nós na segunda divisão podemos com sete/oito jogadores de média qualidade fazer um bom campeonato, mas é impossível, na primeira, com um plantel curto somar muitos pontos. Estas são as condições que um clube promovido depara quando chega ou primeiro escalão.


No caso do Boavista, o plantel estava preparado para manter uma tranquilidade no primeiro escalão?
Considero que sim. Nós trabalhamos, com base, não na ideia de nos preparamos para os jogos com determinadas equipas, consideradas adversárias directas, preparando-nos para um pico de forma para determinados jogos, mas preparamos a equipa para crescer, mesmo sem saber se o conseguia num espaço de tempo útil, desconhecíamos se demoraria dois/quatro/seis meses, mas trabalhamos para a equipa poder jogar para vencer em todos os jogos e não só em alguns jogos e com alguns adversários. O plantel reagiu mais rápido que o esperado, e considero que está pronto para qualquer jogo.

Mas é um pouco adverso ver o Boavista a treinar das vinte e duas horas e meia até à meia-noite, com atletas trabalhadores e de depois jogar com equipas que realizam dois treinos diários em horário nobre, Concorda?
Isso faz de nós pessoas mais bem preparadas. Os jogadores treinam nesse horário que referiu, levantam-se cedíssimo para as suas actividades profissionais e portanto, isso é uma dificuldade acrescida, mas dentro dessas dificuldades a capacidade de superar essas mesmas dificuldades, vem mesmo do interior do grupo e da sua qualidade. Nos últimos jogos, temos verificado que estamos a atingir um determinado patamar, que há muito tempo desejávamos atingir e a verdade é que não se tem visto a diferença entre as equipas com melhores condições que as nossas. Por exemplo, o Braga deverá ter cerca de oitenta por cento de um plantel profissionalizado e o ritmo que o Boavista conseguiu impor, no jogo em que os dois clubes se defrontaram, não permitiu ver quem treinava duas vezes por dia ou duas vezes por semana.

O Rui Pereira não é treinador que defenda ser possível ter a equipa em picos de forma, preparando-se para fases?

Nós tivemos a felicidade que logo após o jogo com o Belenenses da primeira volta, ter o tal espaço competitivo sem grandes pressões, verificar que não estávamos preparados, não conhecíamos a equipa e aproveitamos esse tempo para nos adoptarmos ao plantel e ele ao nosso ritmo de trabalho. Aproveitamos esse quinze dias e depois já estávamos preparados para jogar com o Olivais já com o ritmo preparado para combater com uma equipa da categoria, experiência, intensidade e conhecimento de primeira divisão do Olivais.

Se me permite vestir o equipamento de treinador, eu analiso que o plantel do Boavista é constituído por três escalões. Um de veteranos activos, comandado por um enorme jogador de nome Ivan, depois por um grupo com alguma experiencia e finalmente por jovens à procura do seu espaço. Com este misto, como se constitui um plantel coeso?
Fez a imagem correcta do plantel. Nós quando chegamos ao Boavista definimos que tínhamos três grupos de jogadores - não vou utilizar nomes, mas podia, porque isto que vou tornar público já lhes disse a eles – um conjunto muito veteranos, com muita experiencia de primeira divisão, mas considerados (repito, considerados) demasiados veteranos, comandados por um grande exemplo de longevidade (Ivan) que há treze anos atrás fez parte da Selecção Portuguesa que conquistou o terceiro lugar no campeonato mundial. Ivan é um exemplo que a análise que possa ser feita às pessoas pelo seu bilhete de identidade pode ser completamente errada. Este grupo de veteranos, normalmente já não compete a nível de primeira divisão.
O segundo grupo de jogadores em evolução.
Esse grupo é composto por jogadores, que têm alguma experiencia de segunda divisão, onde jogaram o ano passado. Muitos vieram das equipas de formação. E outros que com alguma experiencia, que jogaram no Boavista na época de descida e atravessaram a época passada no regresso ao primeiro escalão. Juntando a estes, um conjunto de aquisições com experiencia na segunda e terceira, que nunca jogaram no primeiro escalão.
De tudo se fez uma boa equipa?
Conseguiu-se um plantel agradável. O Boavista não tem feito uma utilização com cinco/seis jogadores. Antes pelo contrário temos feito uma utilização bastante ampla, mais que duas equipas completas a jogar.

Desculpe, mas isso contraria de certo modo, a sua forma de utilização de um plantel, nos tempos anteriores. A que se deve essa alteração de mentalidade competitiva, por parte do Rui?
Antes de mais, foi a minha forma de me adaptar, eu próprio à evolução da modalidade. Hoje em dia o ritmo com que se joga na primeira divisão, é um ritmo completamente diferente, com que se jogava no passado. A intensidade é muito mais forte e por isso é mito difícil jogar toda uma época com base em cinco/seis jogadores. Para além disso e da alteração que tive que impor aos meus métodos para me manter actualizado e acompanhar a evolução da prova, que utilizei há duas épocas no Modicus e agora no Boavista. Para além disto, dizia, tive que ter em conta as características do plantel que tinha para trabalhar.

Como o define?
É um plantel bastante equilibrado, no qual tem havido poucas oscilações. Já tivemos diversos jogadores jogar de início, diversos jogadores a jogar mais de vinte minutos e não são sempre os mesmos. Quando um jogador vacila um pouco em termos de forma, logo encontramos m para preencher essa lacuna temporária. Deixe-me dizer-lhe que desde que cheguei ao Boavista, com grande alterações no plantel, o Boavista fez apenas três contratações e uma delas ainda nem sequer foi utilizada. Utilizamos muito do grupo que fez a ápoca anterior e pré-temporada com a equipa técnica anterior.
Então evoluíram mentalmente muito! Porque no ano passado, mesmo comandando a classificação se sentia, no grupo algum nervosos que eu próprio apelidei publicamente de exagerado. Houve assim tal evolução?
Não sei como estavam anteriormente. O que lhe sei dizer é que têm estado ao nível das exigências. Fizemos duas contratações, o Kukes eo Edivaldo e agora o Tiago Moreira, do segundo escalão. É verdade que no meio do processo regressou ao grupo o Ricardo Santos. Não houve, assim uma revolução muito grande e foi com base no grupo do ano passado que se alicerçou o grupo de trabalho. Houve mais saídas que entradas, mas estas foram muito direccionadas para os pontos considerados importantes.

Rui, todos os adeptos e atletas querem vencer (sempre) os jogos todos. A equipa técnica vai apontar para jogos considerados vitais, ou encarar todos os jogos por igual?
A nossa mentalidade, desde que aqui chegamos, foi definir com os atletas, que a nossa classificação não iria ser decidida no jogo “x” ou “y”. Embora, sabendo que o jogo com o Olivais, como o último jogo com o Belenenses, são jogos diferentes, porque são adversários directos e os pontos que eles ganham entram na contagem global que nos diz respeito. São jogos que quase valem seis pontos, pois são os pontos que nós ganhamos e os pontos que eles não somam. Apesar dessa visão, nós decidimos que não haveria jogos especiais, em todos os jogos podemos conquistar pontos. Essa é a nossa postura na competição. O jogo do Braga é o melhor exemplo disso. Se tivéssemos considerado que esse jogo não era do nosso campeonato, pela excelente época do Braga, não conseguiríamos vencer e tão categoricamente como o fizemos.
Mas falou no jogo com o Olivais, porquê?
É um jogo muito, muito importante. Se conseguirmos vencer lá, praticamente garantimos a manutenção e podemos começar a pensar de outra forma para outros objectivos. No caso de uma derrota nesse jogo, as coisas ficarão muito complicadas por mais uns tempos.

Mas antes disso há o jogo com o Benfica.
Sinceramente gostava que os adeptos do Boavista fossem ver esse jogo, porque podem ter uma agradável surpresa.

Concorda que o campeonato está um bocado esquisito?
Normalmente, uma equipa que estivesse no quinto lugar, como estamos, estaria tranquila. Teria já o décimo primeiro e décimo segundo a uma distância pontual para já estar tranquilo e preparar já, outro tipo de objectivos para a prova. O campeonato não está assim. Há duas jornadas atrás, a diferença entre o sexto e o décimo terceiro era de quatro pontos, portanto, com dois maus resultados seguidos e tudo se poderia alterar profundamente. Agora esticou um pouco mais, a nossa distância de quinto para a primeira equipa da posição de descida, é de oito pontos. Dois maus resultados levam para a fase de manutenção, dois resultados positivos trazem a equipa para o plau off.
Isso é uma mensagem para os seus jogadores?
Exactamente, exactamente! Para eles e para todos os interessados. Nada está ganho, estamos muito bem, mas com nada garantido. Olhe o jogo com o Belenenses, dá para tirar muitas ilações. O Boavista fez vinte e cinco minutos fantásticos, com toda a agente a pensar numa goleada e o jogo estava para isso, mas com a reacção do Belenenses o jogo terminou com um resultado banal.
O treinador teve que trabalhar nos últimos dez minutos, para garantir a vitória num jogo em que chegaram a ser muito superiores!
O treinador teve que trabalhar e deve servir como um exemplo. Se nós virmos este jogo como tem sido a nossa época. Se considerarmos que metade do campeonato e mais um jogo, foram os vinte e cinco minutos do jogo com o Beleneneses e o que nos falta são os últimos dez minutos desse mesmo jogo,  só há uma certeza…
Que é…?
Descemos de divisão! Vamos sofrer muito. O Boavista tem que manter os mesmos prossupostos que nos trouxeram até aqui e com a mesma atitude, podemos fazer uma época fantástica, se baixarmos, nem que seja um bocadinho, a guarda as coisas podem complicar-se profundamente e para isso, que aqui estamos para evitar essa situação.

Primeira volta com dezassete pontos, se conseguirmos uma segunda volta igual.. dá…
Dá play off! (interrompeu)
Mas com trinta e quatro pontos, pode não jogar com nenhum dos primeiros dois… (Rui deu uma gargalhada e rematou a conversa)
Deixe-me, terminar agradecendo o grande apoio dos adeptos do Boavista. Tem sido um apoio fantástico e mais que lhes agradecer, quero dizer-lhes que são imprescindíveis neste percurso e pedir-lhes para manter esse apoio em toda parte que nos falta. Em nome de todo o grupo de trabalho lhes agradeço.

Entrevista de




 Manuel Pina

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