terça-feira, 8 de abril de 2014

ENTREVISTA COM NUNO COSTA COORDENADOR DA FORMAÇÃO DO VOLEIBOL


Nuno Costa, é o coordenador do Voleibol de formação, cargo que acumula com o técnico-adjunto da equipa sénior. No seu regresso ao Bessa conjuntamente com José Machado, tem um projecto de alterar significativamente, a formação axadrezada da modalidade.
Estivemos com ele nos minutos que antecederam mais um treino da equipa de Cadetes, na qual apoia o trabalho de Joana Ferraz.

Nuno este é o seu primeiro ano ao serviço do Boavista?
Não. Estive anteriormente durante quatro anos no Boavista, há sete ou oito épocas atrás.
Trabalhando, nessa fase, com o professor José Machado?
Exactamente e agora volto cá na mesma situação.

Vamos começar pela formação. Tendo conhecimento do seu cargo de coordenador, tenho visto há uns tempos atrás a orientar os trenos. Isso faz parte de algum projecto de alterações?
Sim. Há dois/três meses atrás. o director do Voleibol, Artur Nunes, numa conversa entre os dois, pediu-me que dentro das minhas possibilidades, ficasse a coordenador os trabalhos da formação e desde aí, temos feito uma análise ao estado actual do clube, ao estado actual dos treinadores da formação de voleibol e ao nível competitivo das diversas equipas, na sua qualidade individual e colectiva. Dentro disso, foi traçado um plano que visa essencialmente, uma mudança de mentalidade, que passa naturalmente pelas correcções técnicas e tácticas da evolução das diferentes equipas.

Tenho verificado que você e o Jorge Dias, responsável pelas Juniores, têm imposto um trabalho que mais parece de pré-época. Estou certo nesta visão e qual o objectivo?
É uma reestruturação a pensar no que se pode fazer no próximo ano, decidimos “antecipar” meia época começando do zero agora, para quando chegarmos à próxima época já conseguirmos um nível competitivo mais idêntico às outras equipas, visto que o Boavista não tem ido às fases nacionais, ficando sempre pelas fases regionais. O objectivo, para já, passa por conseguirmos competir a um nível superior ao que estamos neste momento, ou seja, competir em campeona
tos de nível nacional dos diferentes escalões..

Aposta na concretização desse objectivo a curto prazo?
Da análise que efectuamos, verificamos que há equipas que terão mais condições de conseguir isso, outras com maior dificuldade, mas vamos tentar que isso seja um hábito no nosso clube, como já o foi noutras alturas. A curto, ou médio prazo, dependo do valor e assimilação das atletas.

Vejo as atletas algo queixosos ao ritmo de trabalho que lhe imposto no momento. Naturalmente tem essa percepção. Espera isso, ou estar a ser mais difícil que o que tinha previsto?
Eu posso falar mais do escalão de Cadetes, que eram iniciadas até há um mês atrás, porque é o escalão com que trabalho directamente, devido à indisponibilidade de treinadores, com horários de Faculdade, etc… acabou por me cair um pouco às costas também. Igualmente acompanho os restantes trabalhos, mas este escalão, tem sido, até agora, bem recebido o trabalho que tem sido implantado, já se vai notando algumas diferenças quer de mentalidade, quer de disponibilidade mental e física das atletas, para este tipo de trabalho. Logicamente que é sempre um tipo de trabalho, que se tem que ir impondo aos poucos, porque é, principalmente a nível mental, de uma grande exigência e que demora algum tempo a implantar-se em pessoas que não estão habituadas a trabalhar a esse nível.


Para quem já esteve no Boavista anteriormente e regressa oito anos depois, nota diferenças entre as formações do passado e a actual?
Sim, noto e bastantes diferenças, nomeadamente a nível de resultados. Não digo a nível da qualidade a cem por cento, porque há atletas com qualidade para jogar e evoluir. A nível do colectivo, com essas repercussões de resultados nos campeonatos nacionais e regionais tem vindo a baixar um pouco o nível dessa formação.


Resultados. Já para o próximo ano?
Nós trabalhamos para isso, mas temos que ter em mente que é um trabalho pensado a médio prazo, ou seja, se calhar os resultados do trabalho que agora começamos só o iremos ter mais palpáveis daqui a duas/três épocas. Isto não invalida, por exemplo, que o apuramento para as fases nacionais seja na próxima época, o objectivo de todas as nossas equipas de formação.

Passemos às seniores. Quando tomaram conta da equipa, nunca lhes foi exigido a subida de divisão, mas neste momento, o Boavista está apurado para a final four da promoção. Se a direcção nos o exigiu, como pensaram os treinadores?
Logicamente, que enquanto equipa técnica, comandado pelo professor José machado, sempre  foi esse o nosso pensamento. Aliás nós não viríamos para cá com outro pensamento, habituados a um nível competitivo que estamos. Na primeira fase e pelo que nos foi pedido pela Direcção, não seria esse o objectivo, mas nossas mentes, sempre foi esse o nosso objectivo. Esta praticamente garantida (falta um ponto) a presença na final-four e depois serão três jogos a doer e praticamente tudo o que foi feito para trás não tem interesse algum.

Seria importante jogarem casa, sendo o Boavista a organizar essa final, ou isso traria uma pressão extra e desnecessária sobre a equipa?
Acho que não traria grande pressão jogue-se onde jogar haverá sempre pressão sobre todas as equipas porque é uma final. Quem conseguir lidar melhor com essa pressão e conseguir lidar melhor com o adversário e conseguir contrariar melhor as tendências dos adversários vai conseguir o título.

Considera o Boavista favorito ao título?
Eu acho que o CV Lisboa e o PE Lobato foram duas surpresas para mim porque não os tinha como adversários e naturalmente serão de um grau considerável de dificuldade. A equipa dos Açores é uma equipa que habitualmente cria umas surpresas porque não temos conhecimento nenhum sobre elas, ao contrário delas que conhecem o nosso trabalho. Têm conseguido ter acesso a alguns vídeos sobre as outras equipas e isso, pode ajudar de certa forma, a conhecer-nos melhor a nós e a dificultar-nos um pouco o trabalho. Pela nossa parte teremos a dificuldade de não as conhecer a elas, mas acredito que naqueles momentos decisivos as coisas vão para a área de conforto das atletas e quem souber gerir melhor e estiver mais confiante é quem conseguirá levar o caneco.


Uma derrota é sempre uma derrota, mas algumas acabam por ser vir de aviso. A derrota do passado domingo, sendo totalmente inesperada pode ser transformada em positiva?

Primeiro nós não eramos invencíveis, porque já tínhamos perdido com a Académica de Coimbra, algumas pessoas em S. Mamede esqueceram-se disso. Independente desse facto, não há equipas invencíveis e nós em todos os jogos, sejam com vitórias ou derrotas temos sempre coisas a tirar, a aprender e a ler. Sabemos que temos muito para crescer e aprova disso é o jogo da taça, por exemplo, embora tenhamos lá ido com praticamente jogadores de dezoito anos e atletas menos utilizadas, serviu-nos para perceber que ainda temos um longo caminho a percorrer se queremos jogar num nível da A1 e se queremos que as atletas continuem a evoluir.




Entrevista de;

Manuel Pina Fereira

sexta-feira, 21 de março de 2014

ENTREVISTA COM MIRCO CABRAL JUDOCA


No âmbito do protocolo de colaboração, em várias vertentes, entre o Boavista Futebol Clube – Actividades Amadoras – e a escola Fontes Pereira de Melo, Mirco Cabral, aluno desta Instituição de ensino, assinou contrato com o Boavista, na modalidade de Judo, continuando a representar a sua escola no desporto escolar e vestindo de xadrez no desporto de competição.

Fomos ao ginásio da Fontes,entrevistar Mirco, que também dá aulas de Judo - estagiando com os seus treinadores.
Foi durante uma aula de Judo, que entrevistamos este jovem Judoca.

Quem é Mirco Cabral?
Sou natural de Cabo Verde, tenho vinte anos e completo vinte e um no próximo mês de Abril. Vim para Portugal com quinze anos, decorria o ano de dois mil e nove.
Directamente para o Porto, ou para outra cidade?
Vim directamente para o Porto.
O ALUNO
Vamos falar um pouco do aluno. Frequentou outra escola em Portugal?
Não. Quando cheguei, decorria já o segundo período e por isso, não tinha escolas para entrar. Apresentei, aqui na Fontes, um pedido de acesso, que foi imediatamente aceite. A Directora da Escola, a Engenheira, Ana Alonso, no mesmo dia desse pedido, encaminhou para uma turma, na qual frequentei as aulas, embora não pudesse ser avaliado, por já ter passado a época de inscrições.
E manteve-se na turma, mesmo sabendo que não lhe valeria (oficialmente) de nada?
Sim, frequentei todo o ano como um aluno normal, ambientando-me e ganhando ritmo para o ano seguinte. Fiquei muito agradecido à Direcção por me terem dado essa oportunidade e reconheço que foi muito positivo.
Já terminou o curso, aqui no Fontes?
Sim, já terminei o curso, mas como desejo entrar para uma faculdade e em Setembro terei que realizar um exame nacional, que é obrigatório, continuo a frequentar as aulas, para conseguir melhores notas. Assim, continuo a ter aulas de português para melhorar os meus conhecimentos e continuo ligado ao desporto escolar, na escola.
Nesse capítulo, tenho conhecimento que já dá aulas de judo a alunos. Aluno e instrutor simultaneamente?
Estou a colaborar com os treinadores, que continua a ser os meus enquanto atleta. A minha colaboração serve de ajuda. Serve, também, para incentivar os meus colegas mais jovens que estão a começar a praticar o Judo.
Estando na Fontes há cinco anos, já se apercebeu que esta escola tem muitos alunos a praticar desporto federado. Esse facto, fica a dever-se ao espirito desportivo dos alunos ou existe um incentivo extra, por parte dos Vossos professores de Educação Física?
Vou falar da minha experiencia escolar no âmbito do Judo, no entanto, é perfeitamente visível o trabalho extraordinário de apoio do Dr. José Mário Cachada, que se empenha a cem por cento para o desporto escolar e não só com o Judo, mas em todas as modalidades. Conheço todos os professores de educação física e sei, que dão tudo para o desporto escolar. Levam-nos a todos os sítios e dão-nos todo o seu apoio, no Judo, no Futsal, no Atletismo.
Actualmente, os professores de educação física estão a impor a sua presença na sociedade. Anteriormente, não era assim. Você considera que um professor de educação física e um professor de corpo inteiro, como outro de qualquer disciplina?
Eu, até diria ao contrário. Hoje em dia, um professor de educação física tem um papel mais importante que qualquer professor. Hoje em dia, vemos os miúdos parados numa sala em frente ao computador, sem terem qualquer contacto com o desporto. Antigamente todos jogavam futebol, todos se movimentavam fisicamente, agora é só jogar play station. O professor de física, ligado a qualquer actividade lúdica/desportiva tem um papel fundamental no combate a um dos males dos jovens como sendo a obesidade infantil. Eu acho que se tem que dar o espaço merecido ao professor de física.

O JUDO
Vamos então falar um pouco de Judo. Como nasceu o gosto pela modalidade?
Tudo aconteceu no meu primeiro ano escolar, quando estava a fazer o décimo ano.
Então quando chegou a Portugal, não praticava judo?
Tudo começou aqui na Fontes. A professora, informou-nos que se tivéssemos actividade no desporto escolar teríamos benefício na disciplina de educação física. Eu estava a fazer o curso de desporto e soube, que a inscrição no desporto escolar, tinha o benefício de um valor na nota da disciplina. Eu até brinquei com a situação, perguntando se caso, eu tivesse vinte valores, com o ponto de benefício teria… vinte e um pontos (riu-se). Tinha um  colega praticava Judo, que me convidou para vir experimentar e assim fiz, gostei do que vi e estou aqui até hoje.
Do desporto escolar, para o desporto de competição. A partir daqui quais são os seus objectivos?
Estou focado neste ano, porque é o meu primeiro ano de sénior, vai ser um ano difícil para me adaptar ao ritmo de seniores, que têm pessoas com muito mais experiência que eu, alguns com mais anos de prática de Judo que eu tenho de vida e isso, no Judo, pesa muito. Mas resumindo, neste dois anos que se seguem quero marcar a minha presença no Judo sénior de Portugal.

O BOAVISTA
Você, acabou de assinar pelo Boavista como atleta federado no desporto de competição, dentro do espírito de colaboração que existe entre a Fontes e o Clube. O que tem a dizer sobre essa passagem para o Boavista?
Antes de responder, quero frisar que o Judo da Fontes no desporto escolar é também um clube. Quanto ao Boavista, para além do grande orgulho que esse facto representa para mim, devo dizer que durante o ano anterior eu já tinha o prazer de treinar no Bessa conjuntamente com atletas do Boavista, graças à amizade do meu mestre com o mestre Pedro Pinheiro do Boavista. O objectivo principal, era elevar o meu nível, treinando e convivendo com atletas de competição. Actualmente, graças ao protocolo que considero muito bom, ingressei de corpo inteiro no Boavista, repito, o que me dá imenso orgulho.
Os seus treinadores, José cachada e Pedro Seco, vêem um futuro muito promissor para si. Essa pressão que exerce não o incomoda?
O Judo já me ensinou muita coisa e entre essas ensinou a viver e lidar com a pressão. Em todos os combates que faço, sinto essa pressão, como a sinto na própria vida. O judo, não nos ensina só o combate desportivo, mas ensina, igualmente, a lidar com pressões da nossa vida.
Tudo que aprendemos no judo pode ser aplicado na nossa vida, por exemplo, eu sinto-me mais preparado e sei viver muito melhor, com a pressão que sinto, comparando com o que acontecia há anos atrás. A pressão que os treinadores exercem sobre mim, considero-a positiva, porque por vezes, ajuda-me a motivar-me mais que o que estou.
Não considera o Judo uma modalidade ingrata? Num combate se escorregar… tudo acaba sem hipótese de recuperação. Não acha isso, uma injustiça?
Não, sinceramente, não considero, porque num combate tanto eu como o meu adversário estamos em iguais circunstâncias e expostos às mesma condição, à mesma sorte, ao mesmo azar. Se eu posso escorregar, ele também pode escorregar…
Um pergunta de quem nada percebe de Judo. Como define a modalidade, o que é o Judo?
Eu diria que o Judo não é só um desporto, é acima de tudo, um estilo de vida. É fácil chegar aqui e praticar Judo, difícil é viver como um Judoca. Temos que tentar levar para o dia-a-dia o que aprendemos no tapete, ou seja, aprendemos a lidar com as situações que nos deparam dia-a-dia. Um aspecto, do qual gosto, é saber que aprendemos a cair. Vamos cair, mas sabemos que também aprendemos a levantarmo-nos. Vamos cair outra vez, vamo-nos levantar outra vez, isto é o ciclo da vida, é o ciclo do Judo, aprender sempre!
A nível de selecções ou a nível internacional já teve algum contacto?
Ainda não tive oportunidade de ser chamado a alguma selecção, mas através do apoio que a escola me deu tive a oportunidade de representar Portugal, duas vezes, na Taça da Europa. Estive presente em duas representações de Portugal no âmbito do desporto Escola, e confesso, que foram os momentos mais altos que tive e que me deram mais satisfação.
O que representa para si, estar aqui a ajudar os seus colegas conjuntamente com os seus treinadores?
Para mim é tudo! Eu no Judo o que mais gosto é de ensinar. Considero que se trabalhar muito irei ser um bom atleta, mas de certeza que no futuro serei muito melhor treinador que atleta eu gosto de ensinar.
Depois da receptividade que lhe proporcionaram na Fontes e mesmo sem conhecermos o que o futuro nos trará, o Mirco ficará sempre ligado à Fontes?
Sem dúvida. Sem saber o que vai acontecer, eu serei sempre um filho da Escola Fontes Pereira de Melo.

Entrevista de Manuel Pina Ferreira

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

RUI PEREIRA, FALA DO PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Rui Pereira é sem dúvidas, um dos mais conceituados técnicos do nosso futsal. Axadrezado desde nascença, regressa uma vez mais ao Boavista e está a realizar uma época bem mais positiva que o esperado. Mas é nossa intenção falar um pouco sobre a paragem que o Rui experimentou nos últimos tempos. O porquê dessa paragem?

Já houve alguns períodos que estive fora da modalidade, cerca de uma época, época e meia, mas nunca foi por vontade pessoal. Esse afastamento temporário, ficou a dever-se a falta de convites por mim, como interessantes, ou de interesses de clubes.
Cheguei a pensar que o Rui Pereira, por razões familiares, teria decidido terminar com a carreira…
Não, aliás pelo contrário. A minha família, sempre fez parte deste projecto desportivo, é até uma razão de aproximação, nesse aspecto, as coisas estão organizadas para o futsal fazer parte da nossa vida conjunta. Os miúdos gostam de ver os jogos e de acompanhar a minha actividade desportiva, que nunca colidiu com a nossa vida familiar. É algo que está dentro dos nossos hábitos e relacionamento familiar. Como disse, foram dois períodos, algo longos, mas nada de anormal.


O Rui quase desapareceu do futsal, quase não era visto, daí a minha conclusão, que agora reconheço como precipitada.
É a minha postura pessoal, que quando não estou a treinar uma equipa, me afastar um pouco dos pavilhões e dos jogos ao vivo, para que a minha presença não seja mal interpretada e não sirva – de algum modo – como pressão sobre o meu colega que esteja a treinar o clube, ao qual eu estivesse a assistir ao jogo. É verdade que quando treino um clube, assisto a mais jogos que quando estou livre.
Quando treina assiste a muitos jogos?
Claro que sim, preciso de analisar adversário e de me aperceber de determinados pormenores, que só se verificam com uma presença física.

Vamos então ao regresso.  Sabendo que já se encontrava comprometido com outro clube, pergunto-lhe. Como surgiu o convite para o regresso ao Boavista e se o processo com o clube a que estava comprometido, foi pacífico?
Eu tinha um compromisso desde a época passada, assumido com o GD da Cohaemato. Fui convidado pelo presidente do clube e comecei desde logo a organizar a época, para trabalhar na Cohaemato. Comecei a organizar – e porque tinha muito tempo para o fazer – organizar o plantel, organizar… enfim tudo para entrarmos na época sem qualquer assunto em atraso. Organizei tudo debaixo das minhas características e da realidade da Cohaemato, naturalmente.
Mas então apareceu o Boavista. Como se dá essa aproximação, que aconteceu já na pré-época?
O Boavista, começou a sentir algumas dificuldades para conseguir a continuidade do treinador anterior, o Alberto Melo, que por motivos profissionais, pressentia-se, não poder vir a dar toda a atenção que uma equipa no primeiro escalão necessita. Notava-se, que o Berto ia ter problemas por motivos profissionais, para assegurar a presença em todos os treinos e penso, que essa situação levou a que me contactassem, apresentando-me um convite para regressar ao Boavista.

Como aconteceu todo o processo?
Depois de abordado por pessoas que considero amigas, com o Morais e o Rui Melo, ponderei e fui – como teria que o fazer sempre – conversar com o Presidente da Cohaemato. Explicar-lhes que o que estava em causa não era uma proposta financeira, felizmente (quando estava comprometido com a Cohaemato) tinha aparecido uma proposta financeira, que recusei, porque estava comprometido com o clube. Explicar-lhes que o que estava em causa era o Boavista, o meu clube do coração, o clube onde estive mais anos consecutivos como treinador, o clube que me liga a toda a família, pois todos somos – na minha família – boavisteiros. Eles entenderam e assim tudo se passou de forma civilizada e pacifica entre as partes interessadas.
  
Vamos entrar então no mundo do Boavista. Eu confesso e todo o país com a excelente temporada axadrezada. A si responsável, pela equipa. Surpreendo ou nem por isso?
Vamos ser rigorosos. Realmente a pontuação que o Boavista tem neste momento é uma surpresa, pela positiva. Nós não esperávamos que a época estivesse a correr tão bem como tem estado a correr, como até agora. O Boavista, quando me convidou, fê-lo para ficar à frente de dois clubes, que é como quem diz, evitar a descida de divisão. Sabíamos que podíamos fazer um pouco mais, se o plantel correspondesse, se as coisas corressem bem etc… mas o objectivo do clube era a manutenção.
Era?
A época tem-nos surpreendido pela positiva, mas ainda falta muito para se jogar.
Deixe-me acrescentar, que quando vi o calendário, o considerei muito problemático e pensei que só pela sexta jornada, conquistariam os primeiros pontos. Enganei-me. O que quero dizer sobre isso?
Sinceramente não me assustou e até considero que o calendário foi positivo, nesse aspecto.
Explique lá isso.
A equipa técnica entrou uma semana antes do início do campeonato e por isso uma semana antes do jogo com o Belenenses e aproveitamos as duas semanas seguintes. Semanas em que defrontávamos o Benfica e o Sporting, para realizar a nossa adaptação ao grupo, com os nossos métodos numa nova pré-temporada chamemos-lhe assim. Fomos impondo as nossas formas de estar, de trabalhar e sistemas de jogo. Nessas três semanas trabalhamos sem grandes pressões preparando o futuro. Por estas razões considero que o calendário foi de certo modo, positivo.
Desistiram dos jogos com os Lisboetas?
Nunca se desiste! Encaramos, foi esses dois jogos como jogos de pré-temporada, se acontecesse algo de bom… tudo bem. Mas nada melhor que trabalhar sem a pressão dos pontos e nesse aspecto, considero que o Benfica e Sporting são adversários, em que ninguém pode esperar ganhar pontos antecipadamente, sendo assim os melhores adversários que poderíamos ter nesse período.


Conhecendo os adeptos, como conhecemos, podemos dizer que agora atravessamos a fase da euforia, em que tudo é possível e tudo se exige. Já tive o prazer de trabalhar muitos anos consigo e sei que não partilha desse entusiasmo. Como lê a situação, quando apenas se realizou a primeira volta?
Nesta fase não jogamos com objectivos classificativos, neste momento continuamos a jogar para conquistar pontos, jogo a jogo, semana a semana, para amealhar o maior número de pontos. Nesta fase, continuamos a trabalhar para evitar a descida de divisão.

Nos anos anteriores, os números de trinta e dois pontos davam para entrar no play off. Tendo conquistado, já, vinte pontos, o Boavista está a doze de se entrar nessa fase final?
Quando estamos a jogar com o Braga ou com o Belenenses, jogamos para ganhar. Não estamos a pensar se aqueles pontos, vão servir para este ou aquele objectivo. Sinceramente, neste momento, o nosso objectivo é ficar na primeira divisão. Ainda fazemos as contas às diferenças de pontos entre nós e a primeira equipa que está na zona de descida. Enquanto essa distância não for impossível de ser invertida, nós lutamos para não descer de divisão.
Quando conseguirmos atingir uma margem pontual que nos garanta a manutenção então a partir daí iremos redefinir os nossos objectivos, para que a equipa se mantenha unida e ambiciosa.

O campeonato está um pouco anormal – na minha opinião – temos tubarões afundados… que de repente podem acordar e tudo se alterar. Concorda com esta minha visão?
Completamente. O campeonato está um pouco irregular, neste momento temos duas equipas na situação de descida com doze pontos e por isso apenas a oito do quinto lugar… quando se referiu a tubarões, estou a ler… Rio Ave, Modicus, Olivais. Eu digo-lhe que a pontuação dessas equipas não está traduzida em pontos e que a qualquer momento, essas equipas podem começar a subir na tabela. Nós estamos sempre à espera semana a semana, que essas equipas comessem a somar três/quatro vitórias consecutivas e saiam da posição em que se encontram. São equipas com ambições, com tradição e equipas com valores e  plantel capazes de alterar tudo num espaço curto de semanas. Eu estou á espera que isso aconteça, por isso, considero importante, todos os pontos que possamos conquistar agora. Veja, por exemplo, que o Modicus foi há duas épocas um dos primeiros classificados, foi á final da Taça, o Rio Ave foi o terceiro classificado do ano anterior, são clubes com historial no nosso futsal. A segunda volta pode vir a ser muito diferente da primeira.

A prova sofreu alteração. Terminou o play-out (ainda bem, digo eu. Já fomos vitimas dessa ingrata e injusta fase) agora descem dois directamente e quatro terminam a época mais cedo. Qual a sua análise a este quadro?
Eu considero uma  alteração positiva, porque as equipas que sobem do segundo escalão, praticamente descem. Mesmo com quatro descidas, esses lugares eram (quase sempre ocupados pelos quatro que subiam) algumas equipas foram excepções. Furou o ano passado o Cascais, furou há dois anos o Rio Ave e mais atrás furou o Modicus. As equipas que sobem apresentam um deficit competitivo, comparadas com as que já estão há alguns anos no escalão. Por estas razões considero, uma alteração positiva.
Mas na próxima época só subirão dois, um de cada zona. Isso não tirará interesse ao segundo escalão?
Não há, na segunda divisão mais que uma duas equipas com qualidade para jogarem na primeira divisão. As diferenças são abismais, normalmente a segunda classificada de cada série da segunda divisão, não apresenta condições para competir no primeiro escalão.

A modalidade em Portugal encontra-se em mudanças. Todos criticamos, mas nem todos apresentamos soluções. Com o é que o Rui Pereira vê a actualidade e o futuro do futsal em Portugal?
Fruto da crise que atravessamos e das dificuldades que existem actualmente, há dificuldade em conseguir patrocinadores em que todos os clubes tenham condições de manter os seu melhores jogadores, verificamos que alguns clubes, mesmo de meio da tabela, viram os seus jogadores saírem para jogarem em diversos campeonatos estrangeiros. Essa realidade equilibrou mais o campeonato, mesmo que por baixo, mas tem a vantagem de estar a permitir trabalhar mais com jogadores jovens na primeira divisão que noutros tempos não teriam oportunidades. Tudo somado, estamos a ter um campeonato mais equilibrado e mais competitivo. Há três/quatro equipas de um nível superior e todas as outras competem pelo título de não descer de divisão.

A crise também afecta o futsal?
Claramente. Os melhores jogadores nacionais saem mais facilmente e os clubes deixaram de ter grandes hipóteses de ir buscar ao Brasil jogadores com o valor como se fazia até aqui.
A base de progressão que deveria nascer na segunda divisão, não se nota na primeira?
As diferenças entre a segunda e a primeira divisão, são um abismo. Não na qualidade de jogadores que teriam sempre tempo de evolução, mas no ritmo de jogo, na intensidade do mesmo, dos parâmetros físicos entre os dois escalões. Nós na segunda divisão podemos com sete/oito jogadores de média qualidade fazer um bom campeonato, mas é impossível, na primeira, com um plantel curto somar muitos pontos. Estas são as condições que um clube promovido depara quando chega ou primeiro escalão.


No caso do Boavista, o plantel estava preparado para manter uma tranquilidade no primeiro escalão?
Considero que sim. Nós trabalhamos, com base, não na ideia de nos preparamos para os jogos com determinadas equipas, consideradas adversárias directas, preparando-nos para um pico de forma para determinados jogos, mas preparamos a equipa para crescer, mesmo sem saber se o conseguia num espaço de tempo útil, desconhecíamos se demoraria dois/quatro/seis meses, mas trabalhamos para a equipa poder jogar para vencer em todos os jogos e não só em alguns jogos e com alguns adversários. O plantel reagiu mais rápido que o esperado, e considero que está pronto para qualquer jogo.

Mas é um pouco adverso ver o Boavista a treinar das vinte e duas horas e meia até à meia-noite, com atletas trabalhadores e de depois jogar com equipas que realizam dois treinos diários em horário nobre, Concorda?
Isso faz de nós pessoas mais bem preparadas. Os jogadores treinam nesse horário que referiu, levantam-se cedíssimo para as suas actividades profissionais e portanto, isso é uma dificuldade acrescida, mas dentro dessas dificuldades a capacidade de superar essas mesmas dificuldades, vem mesmo do interior do grupo e da sua qualidade. Nos últimos jogos, temos verificado que estamos a atingir um determinado patamar, que há muito tempo desejávamos atingir e a verdade é que não se tem visto a diferença entre as equipas com melhores condições que as nossas. Por exemplo, o Braga deverá ter cerca de oitenta por cento de um plantel profissionalizado e o ritmo que o Boavista conseguiu impor, no jogo em que os dois clubes se defrontaram, não permitiu ver quem treinava duas vezes por dia ou duas vezes por semana.

O Rui Pereira não é treinador que defenda ser possível ter a equipa em picos de forma, preparando-se para fases?

Nós tivemos a felicidade que logo após o jogo com o Belenenses da primeira volta, ter o tal espaço competitivo sem grandes pressões, verificar que não estávamos preparados, não conhecíamos a equipa e aproveitamos esse tempo para nos adoptarmos ao plantel e ele ao nosso ritmo de trabalho. Aproveitamos esse quinze dias e depois já estávamos preparados para jogar com o Olivais já com o ritmo preparado para combater com uma equipa da categoria, experiência, intensidade e conhecimento de primeira divisão do Olivais.

Se me permite vestir o equipamento de treinador, eu analiso que o plantel do Boavista é constituído por três escalões. Um de veteranos activos, comandado por um enorme jogador de nome Ivan, depois por um grupo com alguma experiencia e finalmente por jovens à procura do seu espaço. Com este misto, como se constitui um plantel coeso?
Fez a imagem correcta do plantel. Nós quando chegamos ao Boavista definimos que tínhamos três grupos de jogadores - não vou utilizar nomes, mas podia, porque isto que vou tornar público já lhes disse a eles – um conjunto muito veteranos, com muita experiencia de primeira divisão, mas considerados (repito, considerados) demasiados veteranos, comandados por um grande exemplo de longevidade (Ivan) que há treze anos atrás fez parte da Selecção Portuguesa que conquistou o terceiro lugar no campeonato mundial. Ivan é um exemplo que a análise que possa ser feita às pessoas pelo seu bilhete de identidade pode ser completamente errada. Este grupo de veteranos, normalmente já não compete a nível de primeira divisão.
O segundo grupo de jogadores em evolução.
Esse grupo é composto por jogadores, que têm alguma experiencia de segunda divisão, onde jogaram o ano passado. Muitos vieram das equipas de formação. E outros que com alguma experiencia, que jogaram no Boavista na época de descida e atravessaram a época passada no regresso ao primeiro escalão. Juntando a estes, um conjunto de aquisições com experiencia na segunda e terceira, que nunca jogaram no primeiro escalão.
De tudo se fez uma boa equipa?
Conseguiu-se um plantel agradável. O Boavista não tem feito uma utilização com cinco/seis jogadores. Antes pelo contrário temos feito uma utilização bastante ampla, mais que duas equipas completas a jogar.

Desculpe, mas isso contraria de certo modo, a sua forma de utilização de um plantel, nos tempos anteriores. A que se deve essa alteração de mentalidade competitiva, por parte do Rui?
Antes de mais, foi a minha forma de me adaptar, eu próprio à evolução da modalidade. Hoje em dia o ritmo com que se joga na primeira divisão, é um ritmo completamente diferente, com que se jogava no passado. A intensidade é muito mais forte e por isso é mito difícil jogar toda uma época com base em cinco/seis jogadores. Para além disso e da alteração que tive que impor aos meus métodos para me manter actualizado e acompanhar a evolução da prova, que utilizei há duas épocas no Modicus e agora no Boavista. Para além disto, dizia, tive que ter em conta as características do plantel que tinha para trabalhar.

Como o define?
É um plantel bastante equilibrado, no qual tem havido poucas oscilações. Já tivemos diversos jogadores jogar de início, diversos jogadores a jogar mais de vinte minutos e não são sempre os mesmos. Quando um jogador vacila um pouco em termos de forma, logo encontramos m para preencher essa lacuna temporária. Deixe-me dizer-lhe que desde que cheguei ao Boavista, com grande alterações no plantel, o Boavista fez apenas três contratações e uma delas ainda nem sequer foi utilizada. Utilizamos muito do grupo que fez a ápoca anterior e pré-temporada com a equipa técnica anterior.
Então evoluíram mentalmente muito! Porque no ano passado, mesmo comandando a classificação se sentia, no grupo algum nervosos que eu próprio apelidei publicamente de exagerado. Houve assim tal evolução?
Não sei como estavam anteriormente. O que lhe sei dizer é que têm estado ao nível das exigências. Fizemos duas contratações, o Kukes eo Edivaldo e agora o Tiago Moreira, do segundo escalão. É verdade que no meio do processo regressou ao grupo o Ricardo Santos. Não houve, assim uma revolução muito grande e foi com base no grupo do ano passado que se alicerçou o grupo de trabalho. Houve mais saídas que entradas, mas estas foram muito direccionadas para os pontos considerados importantes.

Rui, todos os adeptos e atletas querem vencer (sempre) os jogos todos. A equipa técnica vai apontar para jogos considerados vitais, ou encarar todos os jogos por igual?
A nossa mentalidade, desde que aqui chegamos, foi definir com os atletas, que a nossa classificação não iria ser decidida no jogo “x” ou “y”. Embora, sabendo que o jogo com o Olivais, como o último jogo com o Belenenses, são jogos diferentes, porque são adversários directos e os pontos que eles ganham entram na contagem global que nos diz respeito. São jogos que quase valem seis pontos, pois são os pontos que nós ganhamos e os pontos que eles não somam. Apesar dessa visão, nós decidimos que não haveria jogos especiais, em todos os jogos podemos conquistar pontos. Essa é a nossa postura na competição. O jogo do Braga é o melhor exemplo disso. Se tivéssemos considerado que esse jogo não era do nosso campeonato, pela excelente época do Braga, não conseguiríamos vencer e tão categoricamente como o fizemos.
Mas falou no jogo com o Olivais, porquê?
É um jogo muito, muito importante. Se conseguirmos vencer lá, praticamente garantimos a manutenção e podemos começar a pensar de outra forma para outros objectivos. No caso de uma derrota nesse jogo, as coisas ficarão muito complicadas por mais uns tempos.

Mas antes disso há o jogo com o Benfica.
Sinceramente gostava que os adeptos do Boavista fossem ver esse jogo, porque podem ter uma agradável surpresa.

Concorda que o campeonato está um bocado esquisito?
Normalmente, uma equipa que estivesse no quinto lugar, como estamos, estaria tranquila. Teria já o décimo primeiro e décimo segundo a uma distância pontual para já estar tranquilo e preparar já, outro tipo de objectivos para a prova. O campeonato não está assim. Há duas jornadas atrás, a diferença entre o sexto e o décimo terceiro era de quatro pontos, portanto, com dois maus resultados seguidos e tudo se poderia alterar profundamente. Agora esticou um pouco mais, a nossa distância de quinto para a primeira equipa da posição de descida, é de oito pontos. Dois maus resultados levam para a fase de manutenção, dois resultados positivos trazem a equipa para o plau off.
Isso é uma mensagem para os seus jogadores?
Exactamente, exactamente! Para eles e para todos os interessados. Nada está ganho, estamos muito bem, mas com nada garantido. Olhe o jogo com o Belenenses, dá para tirar muitas ilações. O Boavista fez vinte e cinco minutos fantásticos, com toda a agente a pensar numa goleada e o jogo estava para isso, mas com a reacção do Belenenses o jogo terminou com um resultado banal.
O treinador teve que trabalhar nos últimos dez minutos, para garantir a vitória num jogo em que chegaram a ser muito superiores!
O treinador teve que trabalhar e deve servir como um exemplo. Se nós virmos este jogo como tem sido a nossa época. Se considerarmos que metade do campeonato e mais um jogo, foram os vinte e cinco minutos do jogo com o Beleneneses e o que nos falta são os últimos dez minutos desse mesmo jogo,  só há uma certeza…
Que é…?
Descemos de divisão! Vamos sofrer muito. O Boavista tem que manter os mesmos prossupostos que nos trouxeram até aqui e com a mesma atitude, podemos fazer uma época fantástica, se baixarmos, nem que seja um bocadinho, a guarda as coisas podem complicar-se profundamente e para isso, que aqui estamos para evitar essa situação.

Primeira volta com dezassete pontos, se conseguirmos uma segunda volta igual.. dá…
Dá play off! (interrompeu)
Mas com trinta e quatro pontos, pode não jogar com nenhum dos primeiros dois… (Rui deu uma gargalhada e rematou a conversa)
Deixe-me, terminar agradecendo o grande apoio dos adeptos do Boavista. Tem sido um apoio fantástico e mais que lhes agradecer, quero dizer-lhes que são imprescindíveis neste percurso e pedir-lhes para manter esse apoio em toda parte que nos falta. Em nome de todo o grupo de trabalho lhes agradeço.

Entrevista de




 Manuel Pina

quinta-feira, 4 de julho de 2013

PROFESSOR JOSÉ MACHADO, REGRESSA AO VOLEIBOL DO BOAVISTA

Quem conhece a história do voleibol axadrezado conhece o professor José Machado que venceu tudo o que havia para vencer no passado glorioso do Boavista FC na modalidade.
Com o início de um novo ciclo na modalidade, dentro do Bessa, José Machado regressa ao comando da nau axadrezada.
O Campeão que venceu mais de 95% dos títulos do Boavista

Marcamos uma entrevista para uma esplanada na foz, mas a nortada (ontem) enviou para o interior de um estabelecimento digno de ser visitado. Não foi só uma entrevista, porque a ela se seguiu uma preparação de toda uma época, já que fomos acompanhados do Vice-presidente, Eng. António Marques.

Vamos então conhecer José Machado.

Comecemos por ai, quem é o cidadão José Machado?
Sou professor de educação física na escola Carolina Michaeles. Tenho formação nas áreas de futebol e de voleibol, mas principalmente no voleibol. Estou na modalidade desde setenta e oito e tenho os cursos de primeiro, segundo e terceiro grau.

Antes de técnico, foi jogador de voleibol?
Fui atleta, mas um atleta de nível fraco, treinei e joguei no CDUP e Fluvial, portanto nunca me considerei um atleta de tope.
Modéstia?
Não, rigor de técnico.

O professor tem uma passado riquíssimo, já verifiquei que quer evitar falar dele –mas vai regressar à casa em que tudo venceu e vou “obriga-lo” a recordar esses tempos. Ora conte lá, um pouco dessas conquistas.
Grosso modo, sublinho… conquistamos! Nada se conquista individualmente. Conquistamos uma série de Campeonatos Nacionais da primeira divisão, Taças de Portugal, Supertaças. A nível internacional estivemos em várias competições onde chegamos aos  quartos-de-final da Taça Confederação Europeia de Voleibol – comparado actualmente a uma Liga dos Campeões – e na Taça da Confederação, também chegamos, por duas vezes, aos quartos de final. Penso que temos um assado rico, não lhe vou enumerar quantos títulos porque não os sei de cor… cinco ou seis Taças de Portugal, supertaças, umas poucas e fomos também os campeões do segundo lugar. (risos).
Porque diz isso?
Porque temos dez ou onze segundos lugares, numa situação em que haviam equipas que tinham um poderio superior ao nossos, tendo seis/sete estrangeiras. Nós discutíamos sempre até à última mas haviam depois pequenas coisas que… bem que nos colocava no segundo lugar. Diz-se que o segundo é o primeiro dos últimos mas também fomos dez ou onze vezes segundo.
Conversando com o Vice_presidente

O professor continua à defesa, mas eu sou atacante. Sei que foi Seleccionador Nacional, Verdade?
Sim fui seleccionador Nacional de Juniores, onde acabamos em terceiro numa poule de seis.
Excelente resultado do voleibol a nível internacional…
Sim, creio que sim. Fui também Seleccionador de seniores, durante umas quatro épocas, mas não me peça datas que eu não quero errar.
Vamos lá para universos da pantera.

O Regresso
Diga-nos o que é que consegue tirar do sossego de um sofá, uma homem que já venceu – por diversas vezes – tudo. O Engenheiro António Marques, o amor ao clube, ou o bichinho do Volei?
É tudo junto. Primeiro, a pessoa que me faz o convite que foi o eng. Marques a quem eu seria incapaz de dizer não! O clube que em si que me diz muito e depois, claro, o bichinho da competição. Ainda penso que tenho capacidade para fazer coisas engraçadas e por isso, estou aqui para tentar ajudar.

Traz consigo algum adjunto para formara a equipa técnica?
Trago um homem que é mais que um adjunto, trago o  Nuno Costa, que já trabalhou comigo no Boavista e volta comigo e vou contar com a colaboração de uma treinadora que é a Sara Gomes.

O trabalho do professor vai ser restrito à equipa sénior, ou também se estenderá um pouco à formação?
Primeiro de tudo, nós precisamos de nos organizar, para ir de encontro aquilo que são os objectivos do Boavista, que são nas diversas modalidades, estar no primeiro nível competitivo. Vamos fazer um apanhado do que há, eu conheço pouco ou nada da actual situação, passaram já sete ou oito anos que eu saí do Clube e por isso estou um pouco desfasado do momento actual e da realidade. Depois de ter conhecimentos, vamos em conjunto com os outros treinadores definir uma estrutura que consiga abarcar a parte formativa da formação e a parte competitiva.

Mas tem alguma ideia preconcebida sobre o assunto?
É nossa ideia, pegar já em alguns valores emergentes e poder ter um período de tempo para durante a semana poderem trabalhar em conjunto, mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.
Pensando a resposta diplomática

O Boavista
Como está o plantel, formado ou em construção?
Estamos ainda a construi-lo, digamos que nesses aspecto o conhecimento que eu tenho é muito pouco. Do anterior plantel, houve atletas nucleares que saíram, como seja a central a Catarina Liz e a distribuidora, a Mafalda. Vamos ver se conseguimos colmatar essas baixas e mais alguma que ainda venha a acontecer. Essa é a  nossa grande interrogação, embora ainda seja cedo, é o primeiro problema a resolver.

Uma situação muito diferente do passado, tem a noção disso?
Absolutamente. Eu no passado tinha todo o conhecimento, porque a equipa do Boavista apareceu de uma forma sustentada, da formação da escola Carolina Michaeles e depois foi só desenvolve-la. Portanto, não tendo, neste momento essa base sustentada, temos que a criar e iremos cria-la aos poucos.

Não é trabalho para um ano…
Não. Isto é um trabalho para implementar durante um período superior e construir um conjunto de regras que nos possa. Ao fim de alguns anos, voltar a sonhar com os primeiros lugares.
Mas a realidade actual… (interrompeu-nos)
São completamente adversas e diferentes, eu sei disso!

Quais os objectivos desportivos?
Primeiro organizar uma equipa, torna-la competitiva, torna-la solidária e depois, os nossos objectivos serão jogo a jogo. Se pudermos ir tão longe, que nos permita sonhar nós vamos. Se não der para sonhar, há que criar os alicerces para no futuro o conseguirmos, juntando gente jovem ao grupo e acreditando que se não neste ano há-de ser no outro e acabar lá em cima.

O clube irá regressar no futebol ao escalão máximo. Pode ser em 2015 quase o regresso do grande Boavista isso pode coincidir com o renascimento (permita-me o termo) do voleibol.
Espero que sim, para alegria de todos.

Quantos treinos quer realizar por semana?
Eu precisava de treinar todos os dias, mas sei que é utópico, vamos ver se com três ou quatro sessões semanais conseguimos cumprir os nossos objectivos.
Trocando ideias com o Vice
Se puder escolher qual o pavilhão em que prefere jogar?
O Fontes pereira de Melo, é o pavilhão dos Boavisteiros! Depois que deixamos de ter pavilhão este é o nosso pavilhão, portanto, quero jogar nele, queremos estar junto aos adeptos e junto ao coração do Clube. Em termos de espaço para jogo é claramente superior ao Pêro. Nesse aspecto, conto com o trabalho do director Artur Nunes e com o engenheiro Marques.

Já conhece o novo director?
Sim, falamos regularmente os dois e estamos a trabalhar em sintonia.

O Voleibol
Como vê o voleibol feminino nacional?
Sou um pouco suspeito para falar disso, eu continuo a pensar, que ou se trabalha mal a formação ou a formação é muito mal aproveitada. Quando vejo na primeira divisão feminina jogadoras com quarenta e seis e quarenta e sete anos a jogar… alguma coisa não vai bem. Sinto que a formação no nosso país não tem sido rentabilizada, eu deixei o voleibol de primeiro nível à cerca  de oito anos, continuo a ver quase as mesmas jogadoras nas selecções nacionais, algumas delas que ajudei a formar como atletas e sinto que, a nível de atletas de valor, não aparecem com a quantidade que seria de desejar. Nesse aspecto, o nosso voleibol não tem evoluído.Os campeonatos nacionais estão mais pobres, menos competitivos, limitam-se a uma duas equipas, ainda há cinco seis anos era uma campeonato com quatro equipas a lutar com objectivos agora limita-se a duas equipas.
Soluções?
Fazer alguma coisa para inverter este estado de coisas, e para isso, é apostar na formação.
Não passa muito pela coragem dos treinadores para lançar essas jovens?
Obviamente, temos que apostar na formação e lançar jovens, mas para isso, temos que formar bem.

Os quadros competitivos, esta época serão alterados?
Não. A segunda divisão será disputada da mesma forma da época passada. Em três fases.

Não considera que seria mais competitivo se as houvesse apenas uma serie a norte e outra a sul, em vez de duas em cada zona que obriga a uma repetição de jogos?
O ideal seria criar uma zona norte com oito equipas e outra igual a sul, mas talvez se prejudicasse tudo pela falta de competitividade no decorrer do campeonato. Desta forma, a prova tem três fases e acaba mais equilibrada, mas o ideal seria uma série.

Que treinador vão descobrir as jogadoras do Boavista que eu conheço pela solidariedade e garra que poem no jogo. O Pardalejo era extrovertido, exigente  e amigo. E o José Machado?
Também sou extrovertido, também sou ambicioso, também sou impulsivo e amigo, portanto, não vai mudar muito do que elas tinham e estavam habituadas. No entanto, eu como conheço mal a realidade, tenho que primeiro entrar nela para depois puder opinar. Mas espero que a gente tenha guerreiras e solidárias. O voleibol é uma modalidade que exige muito do grupo, as individualidades só por si, não resolve nada. Espero que estejam dispostas a trabalhar, para atingirmos o que desejamos que é o primeiro lugar.

Entrevista 


de Manuel Pina